quinta-feira, 31 de março de 2011

A loirinha nada burra

É fácil gostar da Branca de Neve, não é? Doce, generosa, sofrida. Uma fofa.
É fácil amar a pobre Cinderela. Humilde, cordata, amiga dos ratinhos, miserável.
E a gente se emociona tranquilamente com o amor verdadeiro da Bela pela horrorosa Fera. Boa moça aquela, se casaria até com Ed. Motta (para quem não entendeu vá para o post Teste do Ed Motta).
É facílimo gostar de todas as mocinhas dos contos de fadas, menos...

...Cachinhos de Ouro!

O mundo odeia a pequena menina linda, rica, mal educada e voluntariosa, mas eu adoro.
-Este mingau está muito quente, este tá muito doce, este é perfeito, vou comer tudo, esta cadeira é macia demais, esta é grande demais, ah, essa pequena está ótima.... ups, quebrei, dane-se, tô com sono, vou subir as escadas, esta cama é dura, esta é muito mole, esta é ótima e vou dormir aqui mesmo, bye-bye.

Hahaha, adoro!!
Sabe por quê? Porque eu desobri com o tempo que é uma delícia a gente poder se dar ao luxo de ser exigente com a vida.

-Eu gosto deste mas não beija bem, este é lindo mas é meio burro, este é um tesão mas não seria um bom pai, este é inteligente mas é feinho, este é divertidíssimo mas decepciona na cama. Ai, ai, acho que vou subir as escadas... 
-Este emprego é ótimo mas paga pouco, este é perto mas não gosto do chefe, este dá estabilidade mas acho que minhas capacidades estão desperdiçadas aqui, este trabalho paga bem mas não concordo com a filosofia da empresa...estou com sono, vou dormir.

Somos educados por uma mentalidade judaico-cristã que prega o sacrifício, o altruísmo, a humildade e diz que devemos agradecer por tudo que temos na vida.
-O mingau está doce? Bom, pelo menos você tem um minagu, agradeça por ele.
-O emprego é ruim? Pelo menos você tem um salário.
-O casamento não é o que você queria? Você tá querendo demais!
Vocês já ouviram isso, né? Eu já, muitas vezes.

"A vida não é do jeito que você gostaria que fosse."
Ok, ok, vou ter que suportar a minha, então.

Aí vem a lindíssima Cachinhos de Ouro nos salvar dizendo que a vida pode ser exatamente do jeito que a gente quer.
Você não precisa comer mingau muito doce, sentar em cadeira desconfortável e nem dormir em cama dura.
Você pode ser exigente, pode recusar o que a vida te dá.
O desejo tem espaço.
O desejo é bem-vindo.
O desejo é bonzinho.
E de brinde na mensagem da garotinha está implícito que você pode também querer tudo isso e ainda ser: loira, cabelos cacheados, olhos azuis, ser bem vestida e fofa e não precisar se sentir culpada por isso.
Cachinhos de Ouro é a Carolina Dieckmann dos bosques, haha. (para quem não entendeu vá para o post Minhas 3 Graças).

Mas o problema é que Cachinhos de Ouro, que nada mais é do que a porta-bandeira do desejo, é tão mal vista que inventaram um enredo onde ela aparece como mal educada, invasiva, gulosa, mimada, destruidora de cadeiras, preguiçosa e, além de tudo, covarde porque foge quando é flagrada pelos 3 ursos.
Tadinha, deram um jeito de encaixar a menina em quase que todos os 7 pecados capitais!

Foi exilada para os bosques tamanha a sua baixa popularidade.

Uma criança que ouve esta história aprende que não devemos ser exigentes com a vida porque isso é coisa de gente mal educada e fútil.

E aí crescemos ouvindo as outras mocinhas sofrendo e encontrando a felicidade na aceitação. E passamos então a acreditar que isso é o correto.
Não!!!
Podemos sim olhar os dentes dos cavalos que o destino nos dá. Cinderela poderia sim ter virado para a fada madrinha e dito: "Ah, dona, vestido azul? Mas é que eu fico tããããão bem de lilás!!!".

Existe uma ONG chamada "Make a Wish" que se dedica a realizar desejos (em geral os últimos) de pacientes gravemente enfermos. Quer serviço mais legal? Brincar de Gênio da Lâmpada! Eu adoraria!

Bom, antigamente, se esta ONG aparecesse em casa e me perguntasse qual era o meu maior desejo, eu diria:
-Quero ser a Cachinhos de Ouro por um dia!

Queria acordar de manhã e ter muitos pães sobre a mesa para degustar e me decidir qual eu gostaria de comer. E, atenção, não ter dó de jogar todos fora depois!!! Sem culpa! Queria passar horas decidindo qual dos vestidos maravilhosos ficaria melhor em mim. Queria ter muitos carros na garagem para eu fazer test-drives. Queria ter a vida EXATAMENTE do jeito que eu sonhei um dia, com um marido perfeito, uma casa perfeita, um trabalho perfeito.

Mas quer saber? Isso não é tão difícil assim, sabia?
É só a gente deixar de pensar que se o almoço foi ótimo, devemos nos dar por satisfeitos e engolir um Miojo no jantar. Se você tem um belo rosto, pode suportar um corpo feio. Se sua namorada é uma mulher para casar, ela não tem a obrigação de ser uma mulher para transar.
Estes pensamentos deprimentes fazem com que a sua vida não seja do jeito que você gostaria que ela fosse. E aí cabe a você ter mesmo que suportar.
Azar o seu.

Mas, você pode ter tudo no mesmo pacote, é claro que dentro dos seus desejos.
E as ótimas novidades são:
1) Os seus desejos não são tão rigorosos como se imagina.
2) Não é difícil suportar detalhes ruins quando nossos desejos estão sendo obedecidos e respeitados.
3) Peneirando bem todos os desejos que as propagandas de margarina, as novelas e a sua família exigem para se ter uma vida feliz, você descobre que só precisa de uma vida que tenha exatamente a sua cara.
Só isso!!!
E isso não é tão difícil de se conquistar!

E neste maravilhoso dia de descoberta, a sua "Cachinhos de Ouro" interna, que se esconde no submundo da sua consciência, poderá crescer e assumir publicamente todos os 7 pecados, com a diferença que agora eles não serão mais pecados porque você já perdoou a loirinha por ela ser assim..cheia de vontades!

"Hum, deixa eu ver, qual dos 3 ursos eu quero primeiro na minha cama?"



quarta-feira, 30 de março de 2011

José Alencar e alguns casamentos




José Alencar morreu.
Já era esperado. Nenhuma novidade.

Alguns casamentos morrem.
Já era esperado. Nenhuma novidade.

José Alencar sofreu horrores com as insistentes metástases.
Alguns casamentos sofrem horrores com os insistentes mesmos problemas.

José Alencar passou anos recebendo o salário de vice-presidente da república sem conseguir trabalhar.
Alguns casamentos passam anos oficializados sem conseguirem usufruir as delícias de uma relação a dois.

José Alencar fez mil cirurgias e intervenções invasivas e doloridas.
Alguns casamentos fazem mil terapias de casal e passam por situações igualmente doloridas.

José Alencar gastou muito dinheiro tentando melhorar (dinheiro público?? não sei!).
Alguns casamentos gastam muito tempo e energia tentando melhorar (energia das crianças? às vezes).

José Alencar dizia que valia a pena insistir nas chances que a medicina lhe oferecia.
Alguns casamentos dizem que vale a pena insistir nas chances que as ocasiões oferecem.

A serenidade de José Alencar disse que não sabe o que é desespero.
O desespero de alguns casamentos diz que não sabe o que é serenidade.

José Alencar caiu no trote do falso sequestro pensando que bandidos haviam raptado sua filha.
Alguns casamentos caem no golpe da falsa felicidade pensando que a separação destruirá seus filhos.

José Alencar será lembrado para a eternidade.
Alguns casamentos nunca deveriam ser lembrados.

Eu sinceramente não sei o que José Alencar fez de bom para o país.
Eu sinceramente não sei o que alguns casamentos fazem de bom para o casal.


Mas aí um outro José, também Alencar, aparece para me lembrar de algo estranho, mas comum:


"Só a ignorância aceita e a indiferença tolera
o reinado da mediocridade."

José de Alencar



Ok, vou parar de falar de divórcio.
Tento mudar de assunto, mas é que as histórias insistem em bater na minha porta!

-Knock, knock.
-Who`s there?
-Divorce!!!
-You again? Please come back latter. My mind is stuffed with your problems.
-Oh... ok, bye-bye then.

A difícil arte do desprendimento

Vocês já viram Toy Story 3? Andi vai para a faculdade e precisa decidir o que fazer com os brinquedos da infância. Ele não consegue se desfazer de nada. Buzz, Rex, Sr. Cabeça de Batata, porquinho... todos vão para o sótão. Woddy vai junto com o jovem para a faculdade, sortudo.

O ser humano é simbólico e possui a incrível capacidade de atribuir valores sentimentais a objetos. Aí ficamos estranhamente apegados à coisas estranhas, e na falta do ser amado usamos o objeto dele para sentirmos sua presença.

"E hoje o que eu encontrei me deixou mais triste, um pedacinho dela que existe,
um fio de cabelo no meu paletó!" 

Essa capacidade não é ensinada e nem cultivada pelos adultos, é inata. O ser humano nasce simbólico. Seu cérebro já possui este poder de se emocionar com objetos.
Bebês sabem o poder da blusa da mãe, um paninho, um bicho de pelúcia. São os chamados "objetos de transição" que deveriam ter aceitação irrestrita nas pré-escolas durante o período de adaptação.

Meu marido guarda a colher de pau da mãe dele que morreu há 16 anos. É a único objeto dela que existe em casa. A colher é velha, rachada, quebrada, mas ele usa ela toda vez que quer fazer algo realmente gostoso. O Dr. Bactéria (paranóico do Fantástico que acha germes em todos os lugares) teria um chilique se visse, mas meu marido jura que aquele pedaço de madeira o ajuda a fazer boas comidas.
Ok, não discuto.

E assim fazemos com tudo que foi envolvido numa época boa da nossa vida. Nos apegamos.
Uns mais outros menos.

Aí vem o budismo e diz que o apego às coisas materiais é algo mundano, terrestre, e que o desapego é necessário para evoluirmos. O espiritismo prega o desapego dos bens materiais também. Feng Shui diz que se o seu vaso preferido quebrar, jogue fora! Um vaso colado com Super Bonder bloqueia os bons fluidos da casa e compromete a circulação de energia.

Forças maiores conspiram contra nosso desejo de apego a objetos tolos!!!
Ah... mas é tão legal!!

Tudo bem que tem gente que exagera!! Tem aqueles que não joga fora escova de dentes velha porque acha que poderá usá-las na pia da cozinha (eca, Dr. Bactéria teria uma síncope). Existem senhorinhas que não jogam fora papéis de presentes porque têm certeza absoluta que poderão reutilizá-los um dia.
E existem ainda os guardadores compulsivos. Gente maluca que simplesmente não consegue se desfazer de nada. E mais! Levam para casa coisas que encontram na rua porque podem apostar que aquilo tudo terá uso no futuro. Entulham a casa de coisas, infernizam a vida de quem vive com eles e transformam-se numa ameaça pública acumulando toneladas de lixo. Já viram isso? É mesmo impressionante. 

São pessoas excessivamente simbólicas. Atribuem afeto a tudo.

Estou falando tudo isso para falar do luto, num caso de morte ou numa separação. É difícil prá caramba lidar com os objetos. TUDO tem uma história, tudo traz recordações. Tem gente que resolve o problema em segundos eliminando qualquer coisa que traga lembranças tristes, queimando ou dando para alguém.
Outros, por outro lado, cultivam os objetos patologicamente por anos, intactos, transformam cada canto da casa num altar. O ambiente fica macabro e triste.

" A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu."
 (Chico Buarque)

"Ainda tem o seu perfume pela casa, ainda tem você na sala, porque meu coração dispara quando tem o seu cheiro
dentro de um livro. " (Adriana Calcanhoto)

Ambas as músicas são de cortar os pulsos. E o filme também.
Lembro ainda de Naomi Watts lavando o tênis da filha morta no filme "21 Gramas". Triste demais.

Vocês já tiveram amigos para ajudá-los no desprendimento de lembranças doloridas e sangrentas? Eu já, e eles são essenciais. Outra visão, outras prioridades, mas com uma compreensão amorosamente suficiente para entender nossos apegos ensandecidos.


Quer coisa mais gostosa do que você usar uma roupa que foi da sua avó?

Para não sermos budistas desprendidos que não são deste mundo, mas também não sermos guardadores compulsivos, hoje lanço esta prece:

Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para jogar fora as coisas que não posso guardar, coragem para guardar as que eu consigo lidar e sabedoria para distinguir uma da outra – vivendo um dia de cada vez, desfrutando cada objeto de cada vez, aceitando o desapego como um caminho para alcançar a paz, considerando o mundo materialista como ele é, e não desprendido como eu gostaria que ele fosse, confiando em meus amigos para me ajudar a arrumar todas as coisas para que eu possa ser moderadamente feliz nesta vida e sumamente feliz com minhas lembranças na eternidade.
E conceda-me um armário grande suficiente para guardar coisas que são fofas demais para dar ao orfanato. Ajude-me a mantê-las na família para as próximas gerações.


 


segunda-feira, 28 de março de 2011

O titereiro invisível

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome." (Clarice Lispector)

Acho que pode ser chamado de comichão, de aflição, de larica.
Mas a verdade é que é uma vontade incontrolável de auto-realização, o que os junguianos chamariam de encontro com o self.

Alguns ouvem o chamado e se entregam.
Outros não ouvem.
E alguns não se entregam.

Bom, vou começar do começo.
Neurologicamene falando, existe o sistema simpático e o parassimpático.
Isso acontece porque o cérebro da gente não pode gastar energia e sinapses com todos os movimentos que fazemos na vida: colocar o sabonete de volta no suporte, guardar a moeda do troco, bater a mão no interruptor para apagar a luz... coisas repetitivas e pouco importante na longa rotina do nosso dia.

O cérebro, então, simplificou o trabalho e fez, literalmente, um atalho para que possamos fazer essas coisinhas banais indepententemente da nossa consciência. Por isso que ficamos na dúvida se trancamos ou não a porta, se apagamos ou não a luz da sala quando saímos para viajar.
Em geral está tudo em ordem, mas parece que não fomos nós que fizemos e aí a  necessidade de verificação.

Quando dançamos as pessoas perguntam:
-Como você fez este passo?
Putz... temos que parar, entender nossos próprios movimentos, organizar o lado direito e esquerdo e encontrar uma maneira didática de ensinar o passo. Muito difícil!!!! Ligar no automático e dançar é bem mais fácil.

- Qual marcha você está usando agora no carro?
Não dá para responder sem olhar. Depois que aprendemos a dirigir um carro mecânico, a necessidade de mudar a marcha se torna tão natural que fazemos sem pensar.

O sistema automático possui uma sabedoria própria decorrente, obviamente, do treino que recebeu da consciência durante o aprendizado. E aí fica independente, não precisa mais nos nossos cuidados.

Mas uma pessoa que não confia neste modo automático de funcionamento sofre. Os psiquiatras chamam isso de transtorno obssessivo compulsivo (TOC), que é uma desconfiança patológica em seu próprio sistema nervoso e faz com que a pessoa verifique mil vezes uma coisa que ela sabe que fez, mas não acredita e precisa conferir.

Isso provoca a insegurança de estar entregue às suas próprias regras malucas.
Quer coisa mais horrível do que não confiar no seu sistema nervoso?
E daí a angústia, ansiedade e, claro, depressão.

Bom, estou dando uma mini aula de neuropsiquiatria porque hoje eu acordei pensando que talvez aquele comichão que a Clarice Lispector se refere ser um sistema automático de auto-realização que insistimos em não respeitar.

Existe um destino, uma sina, um trajeto que precisamos fazer para nos sentirmos realizados e tranquilos. Uma sensação de paz, dizendo que está tudo certo, tudo dentro dos conformes.

Os espíritas devem chamar isso de carma, darma, ou sei lá o quê. As tárólogas e o mapa astral enxergam isso com uma incrível nitidez.

"Eu só quero saber em qual rua minha vida vai encostar na tua" (Ana Carolina)


Não tem explicação, mas deve existir.

Depois de ficarmos anos achando que estamos sendo guiados exclusivamente por nossas escolhas, percebemos que existe um outro sistema também decidindo nossa vida.
Automaticamente.
E sem precisarmos pensar nele e muito menos conhecê-lo.

É bem mais fácil dançar sem ter que entender os passos.
É bem mais fácil trocar a marcha quando simplesmente sentimos que precisamos.
É bem mais fácil viver sem explicar e entender.

Mas tem gente que fica verificando tudo. Insiste em funcionar apenas com base na compreensão das coisas.

E uma pessoa que não confia neste modo automático de funcionamento da vida sofre.
Isso provoca a insegurança de estar entregue às regras do seu próprio destino. As regras do titereiro invisível
Quer coisa mais horrível do que não confiar no seu self?
E daí a angústia, ansiedade e, claro, depressão.


E o desejo fica sem nome, misterioso e as vezes parece doença.

"Mexe qualquer coisa dentro doida, já qualquer coisa doida dentro mexe."
(Caetano Veloso)



domingo, 27 de março de 2011

Top of Mind Claudinha


Maçã: Fuji (sempre perfeita!)
Banana: Prata (menos para bolo, para o bolo tem que ser nanica)
Mamão: Papaia (menos para suco, para os sucos o formosa é melhor)
Uva: Thompson (prá quê correr risco?)
Granola: Tia Sônia (cheirosa, fresca e impecável sempre!)

Leite Condensado: Leite Moça em embalagem longa vida (por quê demoraram tanto? menos para o doce de leite na panela de pressão, óbvio)
Pasta de Dente: Oral B Menta Fresca (parece que vc saiu de uma limpeza no dentista!! Colgate? hunf...)
Shampoo: Pantene azul (Gisele tinha razão)
Absorvente: Nenhum!!! (http://www.misscup.com.br/ , absolutamente perfeito!)
Hidratante: Vasenol (barato perfeito, prá quê mais?)
Produto para limpar o chão: Uau (vcs já cheiraram o roxo e o verde??? parece perfume chique)

Amaciante de roupa: O mais barato (são sempre os mais cheirosos!!)
Sabão em Pó: Tanto, da bom bril (muito bom)
Esponja para cozinha: Só Scoth Brite (Merieta Severo tinha razão)
Refrigerante: Guaraná Antártica (por quê o Kuat simplesmente não desiste?)
Requeijão: Sadia (mais consistente e estraga rápido, sinal que tem pouco conservante)
Nissim Miojo: de tomate, manjericão e azeite (já tava em tempo deles melhorarem!)
Pão de fôrma: 12 grãos da Pullman (embalagem roxa)
Geléia: Ritter de framboesa (cadê você, geléia querida???)
Esmalte: nenhum
Maquiagem: qualquer uma
Perfume: nenhum
Desodorante: qualquer um sem perfume
Anel: nenhum
Colar: Nenhum
Pulseira: nenhuma
Brinco: qualquer um
Sapato: qualquer um
Batom: qualquer um
Calça Jeans: loja de produtos agropecuários (tem uma lavagem incrível!!!!!!!)


... é, acho que é hora de eu passar a ser mais mulherzinha, menos dona de casa e mais vaidosa.

E foi pensando nisso que eu fiz algo inusitado esta semana.
Fui numa costureira e mandei fazer três vestidos e uma blusa.
Sabe por quê? Detesto shopping, detesto provador de loja, detesto escolher e experimentar roupa. Mas reconheço que preciso jogar no lixo todo o meu guarda roupa, como fazem aqueles malucos do Fashion Emergency diante da mulherada chorando.
Portanto, se eu fizer uma roupa com as minhas medidas eu não precisarei experimentar nenhuma outra. Não é perfeito? Uma maneira criativa e econômica (tudo vai sair por R$185 reais!!!! como pano incluído) de nunca mais pisar em um shopping center na vida.
E ainda incentivo o trabalho difícil, artesanal e muito talentoso das costureiras. Eu já fiz aula de costura. Sei da dificuldade em fazer uma costura reta!!!
Vamos dar dinheiro para os pequenos e bons artesãos.


Minha amiga Camilinha: a artesã na Big Apple

Hahaha, essa foi a maneira politicamente correta de terminar o meu post-jabá.
Não, eu não ganhei nenhum tostão por isso, mas gosto de incentivar produtos de qualidade.



sexta-feira, 25 de março de 2011

Vem cá mulher, deixe de manha...

Na Holanda, uma cobra morde o seio de uma modelo e morre intoxicada pelo silicone.
Me contaram e eu achei que fosse mentira, mas não é. Tem o vídeo no Google.

Aí lembrei de uma outra história.

Quando meu filho tinha 5 meses apareceu uma cobra em casa. Não dava para matá-la porque ela tinha 3 metros.
Por isso chamei a carrocinha e, em 5 minutos, os caras vieram pegar a Anaconda.
Adoro serviços eficientes!
Não mataram. Prometeram soltá-la em algum lugar bem longe. Mas antes de irem embora disseram "Olha, toma cuidado porque essa era filhote. Os pais devem estar por perto." 
Ah, tá. Pode deixar.

Nosso cachorro boxer, o Onassis, finalmente parou de apanhar pelo sumiço semanal de galinhas. Foi absolvido. E finalmente pudemos também compreender que fim levou o nosso gato que sumiu naquele mês.

É claro que esta foi uma história e tanto e contamos nossa aventura, orgulhosos, para algumas pessoas.
Mas foi aí que aconteceu alo realmente assustador! MUITA gente me chamou a atenção para algo que eu nunca tinha ouvido falar:
-Claudia, toma cuidado com cobra nesta fase de amamentação porque é muito comum as cobras serem atraídas pelo cheiro do leite. Elas vem para mamar, e um dia você pode acordar com uma cobra no seu peito.

Hãããã???????
Todo mundo tinha uma história para contar, verídica, que aconteceu com a prima da vizinha, a irmã da cunhada, a tia da avó...
TUDO VERDADE!!! A história mais maluca era de uma cobra, tão esperta, mas tão esperta que colocou o rabo dela na boca do bebê. O coitadinho ficou chupando, enquanto a cobra mamava na mãe. Disseram que muitas crianças ficam desnutridas por causa das cobras safadas.

Ah... então é por isso que as crianças ficam desnutridas? Tá explicado. Aumentem então os bifes de fígado para a molecada e pode por mais pregos enferrujados na panela de feijão.

Óbvio que achei a história ridícula.
Cobra é um réptil. Réptil não mama, dããã!
Mas aí muita gente da roça me falou que é a coisa mais normal do mundo verem cobras mamando em vacas no pasto.

Bom, comecei a me preocupar. Confesso que passei a olhar embaixo da cama antes de dormir.
Vai saber... de repente alí podia estar o elo perdido entre os répteis e os mamíferos. Sim, porque vai existir realmente uma hora em que as cobras vão evoluir para se transformarem em algum outro ser.
E poderá ser às minhas custas.

Como emendei um filho no outro amamentei muitos anos, ininterruptamente.
E a cobra não apareceu de novo. Bom, pelo menos não que eu tivesse percebido porque me disseram que, além de tudo, ela hipnotiza a mãe para ela não acordar.
Incríveis essas cobras, não?

Mas estou falando tudo isso porque hoje me sinto orgulhosa por ter sido cobiçada por uma cobra enorme e linda. Me sinto feliz por ela ter sentido a vibração do meu leite quente com sua linguinha bifurcada.
Não era uma reles cobrinha de jardim!! Era uma monstra que devia conhecer bem o que é qualidade.

E por causa dessa história maluca, hoje valorizo meus seios pequenos.
Passei a vida inteira complexada achando que devia aumentá-los.
Vocês sabiam que na Austrália querem proibir as atrizes de filmes pornô de terem seios pequenos? Sim!! Dizem que incentiva a pedofilia!!! Ou seja: seios pequenos=criancinha!
E essas notícias me deixavam ainda mais triste.

Mas com a maternidade descobri que os meus pequenos deram conta de dois bebês por muitos anos. Neste caso, tamanho não é documento (no outro caso eu ainda não conclui nada).
E a maturidade me fez descobrir que não há nada melhor do que passar com louvor no teste do lápis com 36 anos, depois de amamentar por muitos anos. Os seios pequenos são jovens e não desanimam!



Mas neste mês a modelo mostrou ao mundo que os silicones são mais venenosos que o mais venenoso dos ofídios.
Silicone mata cobras!!!
Existe uma estatística mostrando quantas pessoas morrem por ano vítimas de cobras peçonhentas.
Precisam agora fazer uma contagem de quantas cobras morrem por ano vítimas de mulheres siliconadas.

O IBAMA adverte: Deixe as cobras mamarem em segurança!! Evite o uso de silicone.



E ontem meu filho me viu saindo de casa sem sutiã, e falou:
-Você vai sair sem sutiã?
-Vou.
-Você não tem vergonha das pessoas perceberem que o seu peito é pequeno? (haha, de onde ele tirou esta idéia?)
-Não, meu filho, EU NÃO TENHO!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Dizem que o melhor da festa é esperar por ela.
O pior do divórcio é esperar por ele também.

Sabe quando a gente passa um tempão olhando para baixo, decidindo se devemos ou não pular de um trampolim? E aí quando pulamos, dizemos: só isso? Era assim tão fácil?
Então, conheço muita gente que tem a mesma sensação depois que assina o divórcio: pronto? era só isso?
O pior é a decisão de pular.
Do trampolim ou do casamento.
E é claro que no momento do pulo tem toda a adrenalina, todo o drama, a sensação exata de que vamos morrer e no final não vai sobrar nada para contar a história.

Mas aí quando tudo acaba você fala: acabou?

Tem gente que passa dez anos namorando para decidir se desejam mesmo se casar. Fazem sexo antes do casamento para ver se a coisa funciona, moram junto para ver se vai dar certo, pensam muito e aí finalmente decidem oficializar a união. E depois de todos estes cuidados, qual é a certeza do futuro da relação ser absolutamente perfeita? Nenhuma.

Tem gente que vai na terapia de casal para ver se devem mesmo se separar, passam um tempo afastados para testarem a distância, se envolvem com outras pessoas para relembrarem relações diferentes, pensam muito e aí finalmente decidem oficializar o divórcio. E depois de todos estes cuidados, qual é a certeza de que o futuro do casal será melhor separado? Nenhuma.

E isso é que dá mais raiva: não há uma ciência exata para as relações.

A decisão do casamento é um processo. Para alguns looooongo, para outros coisa de horas.
A decisão do divórcio também é um processo. Para alguns looooooongo, para outros coisa de minutos.

Tem muita gente que pensa, desce da escadinha, volta no trampolim, fica tentando pensar nas mil coisas ruins que podem acontecer no pulo. E fica sempre fica com vontade de pular, mas sempre morrendo de medo.
Outros preferem a filosofia do band-aid:


"É melhor um final trágico do que uma tragédia sem fim."

Mas é claro que todos os divórcios são sofridos.
O problema é alguns são bem mais, justamente pela necessidade de certezas, por querer colocar tudo na balança: filhos, sexo, amizade, casa, dinheiro, família, defeitos do parceiro, qualidades do parceiro, promessas de amor não cumpridas, futuro planejado pelo casal, trabalho com advogados, amor que talvez exista, amor por uma terceira pessoa (que talvez também exista), vontade de não sofrer, desejo de parar de sofrer...

Tudo fica na balança, os prós e os contras, em lados opostos, e aí a conclusão é... nenhuma.
É claro que tem um lado que pesa mais e é claro que você intuitivamente sabe qual é, mas como dizem que devemos agir racionalmente numa hora dessas, a razão nunca valorizará o lado mais pesado se ele for a favor do divórcio.

A razão nunca vai concordar em desfazer uma família, entristecer crianças, empobrecer um casal, gerar problemas burocráticos de pensão e visitas, guarda compartilhada, divisão de bens!!!!
Não, a razão NUNCA assinaria embaixo disso.

E jogar crianças no estranho mundo de pais divorciados dá um medo danado. Se ao menos pudéssmos pular sozinhos... mas não dá.

Aí voltamos à estaca zero.
Como colocar na balança grandezas tão diferentes?
Não dá para comparar óculos com abacaxi.
Não dá para comparar desejo de ser livre com filhos chorando pela casa.

São grandezas diferentes!!!! Não cabem na mesma balança e, para mim, é este o motivo da racionalidade nunca poder definir sozinha o futuro de um casamento. Ela não consegue trabalhar com elementos tão distintos, tadinha, a razão tem seus limites!

O importante é acreditar que o pulo será sofrido, algumas poucas pessoas saem seriamente lesadas de um divórcio mas, no geral, a maioria sobrevive e fica bem. O importante é acreditar que o pulo, por mais estressante que seja, sempre termina e certamente te deixará numa situação melhor.

Se você sente isso, se você tem fé nessa verdade, então pule.
Lembrando que você pode subir de novo pela escadinha e repensar o pulo novamente. Com a vantagem de ninguém te dar uma nota por isso. O pulo nem precisa ser perfeito!!!!!!

E o pulo então te dará de presente a solidão, no bom e no mau sentido. Te colocará num ambiente novo. Te deixará com frio, vulnerável, mas estranhamente acolhida.
E neste lugar haverá um novo espelho que te mostrará um novo "eu".
Boa sorte.


(Oswaldo Montenegro)
Não é que eu não tenha amigos, não
Não é que eu não dê valor
Mas hoje é preciso a solidão
Em nome do que acabou
Vontade de ser sozinho
Mas por uma causa sã
Trocar o calor do ninho
Pelo frio da manhã
Valeu a orquestra se valeu
Agora é flauta de Pã
Hoje é preciso a solidão
Com a benção do Deus Tupã, ô menina
Mas dá pra se ser feliz, ô menina (...)
Amar sua solidão
Hoje é preciso um uivo
De lobo na escuridão, ô menina
E a quem perguntar quando o vento sopra
Responda que já soprou
O vento não traz resposta
Acabou


É claro que este post foi feito pensando em alguém!



quarta-feira, 23 de março de 2011

Thank You

Thank You
(Alanis & Claudia... again!)
Que tal aceitar suas limitações?
Que tal parar de escrever quando o assunto termina?
Que tal aceitar que você não é a pessoa mais legal do mundo ?
Que tal fazer as pazes com a solidão?

Obrigada, Índia
Obrigada, terror
Obrigada, desilusão
Obrigada, fragilidade
Obrigada, conseqüências
Obrigada, obrigada, silêncio

Que tal eu não me culpar por tudo?
Que tal eu aproveitar o momento de vez em quando?
Que tal a sensação de finalmente me perdoar?
Que tal chorar por tudo de uma só vez?

Obrigada, adolescência
Obrigada, erros
Obrigada, inimigos
Obrigada, inconsequência
Obrigada, tristeza
Obrigada, obrigada, escuridão
O momento que agi sem pensar
foi o momento de maior sabedoria.
O momento que me senti mais forte
foi quando tudo desmoronava ao meu redor.


Que tal não ser mais masoquista?
Que tal recordar minha divindade?
Que tal deixar os sentidos descansando?
Que tal não equacionar tropeços com o fim?

Obrigada, impotência
Obrigada, desilusão
Obrigada, raiva
Obrigada, amores perdidos 
Obrigada, passado
Obrigada, obrigada, anônimo 

É difícil estar nua circulando por este blog, mas é delicioso quando
anônimos param para te abraçar e te dar a mão.
Me sinto EXATAMENTE como minha amiga Alanis neste clipe.

terça-feira, 22 de março de 2011

Salman Rushdie brasileira

Já estão tirando sarro de mim, dizendo que vou ganhar o Prêmio Nobel de Contestação só porque reclamei de Darwin, desejo abolir a letra cursiva, quero que reescrevam a Bíblia, falo bem da escola pública e disse que Ricky Martin é um homem perfeito.
Existe mesmo esse prêmio? Tô dentro! Podem colocar meu nome lá.
Hahaha...


E, para entrar de vez na competição da maior contestadora do mundo, hoje eu vou chutar o pau da barraca.
Já estou preparada para virar o novo Salman Rushdie tropical e chocar o mundo com meus versos satânicos.
Ou o dinamarquês que teve a brilhante idéia de fazer um desenho engraçadinho do profeta Maomé e acabou sendo jurado de morte a causando um mega problema diplomático para o país.
Meu blog vai começar a ser censurado, como o daquela cubana que acabou ficando famosa e hoje é uma das 100 personalidades mais influentes do mundo. Oba!
Acho que vou ficar o resto da minha vida escondida aqui na roça, sem poder colocar a cara na civilização.

Mas tudo bem, é o preço que vou pagar para revelar hoje a nudez de mais um rei.
Lá vai:

Algumas crianças vítimas de bullying são mesmo bem estranhas.

tum, tum, tssssssssssssssssssss
(ai, eu adoro este barulhinho de tambor no momento de tensão)

Veja bem, não são todas e nenhuma delas merece o tratamento traumatizante que recebem, mas eu acho que, ao contrário do que diz o mundo midiático, um grupo de crianças e adolescentes não pegam qualquer um para Judas, indiscriminadamente. Nada é assim tão aleatório.

Ok, sei que é difícil ouvir isso, mas vamos por parte:
Vocês já viram o programa "O Índice da Maldade", no Discovery Channel? Um psiquiatra forense analisa a mente dos maiores psicopatas do mundo. Reconstrói a história pessoal de todos tentando compreender como foi que aquele ser humano conseguiu chegar a ser um serial killer frio e insensível.
E sabe o que os psicopatas tem em comum? TODOS eram isolados, estranhos, nada populares e sofriam na escola do que hoje chamamos de bullying.

E aí chegamos no dilema do ovo e da galinha: será que eles ficaram isolados porque eram discriminados ou eram discriminados pelas outras crianças justamente por serem estranhos e isolados?



Neste caso, eu aposto na segunda opção.
Digo isso porque algumas crianças que conheci vítimas de bullying (não todas!!!!) eram, na verdade, arrogantes, metidas, cruéis e vingativas. Tinham uma estranha mania de grandeza, uma insensibilidade com os problemas dos outros, e POR CAUSA DISSO eram isoladas do grupo.
E isso não acontecia só na escola.

As mães dos psicopatas do "Índice da Maldade" (sim, eles também têm mãe!) dizem que, muito antes dos filhos entrarem na escola, eles já eram crianças ruins que matavam bichos e ficavam felizes com o sofrimento dos outros.
Bom, aí um pequeno ser desses entra na escola, não é bem recebido pela turma (óbvio), compra uma metralhadora, mata uma dúzia de alunos e os jornais dizem que é culpa do bullying.
Não acho.

Não acho que um grupo de crianças é tão cruel a ponto de crucificar um coitadinho bacana e legal.
Na minha opinião o grupo possui uma sabedoria própria que deve ser melhor entendida.
Nas escolas que eu frequentei, as crianças que sofriam na mão do grupo eram mesmo chatas, dedo-duros, faziam intrigas, eram intolerantes, competitivas, exibidas... não eram vítimas!
Eram elas que infernizavam a nossa vida em sala de aula!!!

-Dona, ele tá colando!!
-Tia, eles não fizeram silêncio quando a senhora saiu para ir na secretaria.
-Quanto você tirou na prova? Oito? Ah.... eu tirei dez!

Você já estudou com crianças assim? Eu já, muitas, e todas foram isoladas e discriminadas.

Os nerds, quietinhos, bonzinhos, na deles, eram respeitados. É claro que sempre tem um idiota ou outro para fugir da regra e tirar sarro dos mais frágeis, mas nem sempre é assim.
Podia acontecer de não serem chamados para as brincadeiras, não serem convidados para as festinhas, tadinhos, mas eram respeitados. E com o tempo iam se organizando, formando um grupinho deles, aí se fortaleciam e ficavam bem.
E mesmo nesse grupo dos CDFs, os chatos e estranhos nunca foram bem recebidos.

Conheço profissionalmente crianças com deformidades faciais gravíssimas, criança com síndromes autistas, sérias dificuldades de locomoção, de várias cores e tamanhos que conquistam mil amigos e são muito felizes na escola.
Trabalhei com crianças com câncer. Carecas! Que todos os colegas amavam e cuidavam.
Porque são legais!
E se não conquistavam mil amigos eram, pelo menos, respeitados pelo grupo.
É claro que um apelido chato aparece de vez em quando, mas isso faz mesmo parte da vida. Eu já recebi vários. Chorei um pouco, mas isso se chama: viver em grupo!
Não conseguimos e nem devemos poupar as crianças dos inevitáveis problemas sociais.

E temos que tomar cuidado para não chamar de bullying toda e qualquer briga entre a molecada. E também para não entrar em brigas de crianças como aquelas mães que se pegam porque o filho de uma mordeu a filha da outra.
Muita calma nessa hora!!!

Sim, existem estatísticas mostrando que vítimas de bullying tem um índice maior de depressão, baixo rendimento escolar, suicídio, psicose e todos os meninos que entraram para a história metralhando colegas nas escolas eram também vítimas de preconceito.
Mas aí voltamos na história da galinha e do ovo.
Qual será a causa e a consequência disso tudo?

Uma vez recebi um paciente que tomou Roacutan (remédio forte para o tratamento de acne) e nessa época entrou em depressão e teve surtos psicóticos. Liguei no laboratório para conversar com o médico responsável e conhecer direito os efeitos colaterias. O cara estava com o mesmo dilema que eu porque os adolescentes com acne tem mesmo uma auto estima abalada, sofrem mais com a depressão que, por sua vez, leva ao suicídio. E também estão na adolescência, fase ideal para se começarem os surtos psicóticos. Existem sim casos de suicídio e depressão e esquizofrenia em jovens que tomam Roacutan, mas como dizer com certeza qual é a parcela de culpa da medicação?

Bom, hoje pensei muito nisso porque vi a entrevista do moleque dentuço que apanhou do gordinho na Austrália.
Não viram o vídeo? Não vou mostar. Me recuso a divulgar algo deste tipo.
Fico pasmada como uma bobagem dessas pode correr na net com tamanha crueldade.
O menino está jurado de morte, tadinho. Os pais dele estão desesperados!

Ele foi um imbecil? Foi. Mereceu apanhar? Claro! Mas a coisa devia ser resolvida alí. Quem é o idiota que acha que pode crucificar um moleque porque ele tirou sarro de um colega. E ele diz que foi o gordinho que começou!!! Talvez ele tenha razão. Ou não, mas eles que são adolescentes que se entendam.
E a escola deles que resolva o problema!

Resumo da ópera: devemos obviamente ensinar nossos filhos a terem valores, a se socializarem, a serem tolerantes com as diferenças, a dar exemplos dentro de casa, blá, blá, blá.
Parece simples, mas não é!!
Devemos exigir que a escola tenha tolerância zero com o bullying e seja rígida com qualquer tipo de discriminação dentro e fora das suas salas de aula.

Mas não podemos exigir que as crianças se amem incondicionalmente. E não temos como evitar que colegas esquisitos e maus estudem na sala de aula dos nossos filhos e, consequentemente, recebam o tratamento adequeado por suas bobagens.
Das crianças e da diretoria.



Filosofando sobre ativo e passivo

Eu odeio Charles Drawin. Detesto.
Não entendo como o mundo não percebeu que Drawin ia prejudicar os casamentos e infernizar a vida comunitária.
Divórcios? Culpa de Darwin! Convivência tensa nas repúblicas dos estudantes? Darwin? Problemas com a nova estagiária? Tudo Darwin!!!

Explico:
Na cabecinha oca dele o ambiente é passivo e a condição de nascimento totalmente determinante para o sucesso daquele ser vivo. E aí o povo deita e rola nessa teoria e, diante de qualquer cobrança do ambiente, já vem com com aquele discurso darwinista que eu odeio:

-Poxa, você não fecha a tampa de nada, deixa a garrafa de água vazia na geladeira, não joga a roupa suja no cesto, não arruma suas ferramentas depois que usa!!!! Caramba!!!
-Ô morrrr, desculpa, mas é que eu sou assim. Não consigo mudar. Não é má vontade!!!!! Se você quiser pode perguntar para a minha mãe.

E isso vale para tudo.
A girafa não consegue comer as folhas altas? Culpa do pescoço pequeno: "Eu nasci assim!"
Macunaíma era preguiçoso? Nasceu assim!
Macunaíma nascendo, hahaha!
O adolescente não percebe que incomoda os colegas da república? "Juro que não me dou conta! Eu sou assim, distraído!"
Numa entrevista de emprego temos que dar de bandeja os nossos 3 maiores defeitos e todos encaram isso como falhas indissolúveis de caráter, e aí o entrevistador pensa: "Isso é dele, nunca vai mudar! Vamos contratar o outro."






O marido não levanta a tampa da privada para fazer xixi?
"Sempre fui assim, paixão, eu sou esquecido mesmo."


E o pior é que Darwin não tinha a menor noção das minúcias envolvidas num DNA para embasar sua teoria maluca. E pior ainda: ignorava totalmente o enorme peso que fatores ambientais tinham na nossa vida.

Ambiente passivo??? Imagina! É ativo!!! O ambiente, definitivamente, é espada! Hahaha!
E mesmo assim todos idolatram Charles Darwin e jogaram o pobre Lamarck no lixo da comunidade científica.

Sou Lamarckista!! E com orgulho! Acredito que meu filho pode ser um cara chato mesmo eu e o pai dele sendo pessoas legais. É um risco que todos nós corremos quando decidimos procriar. Mas também acredito que vamos adaptando nossa vida familiar para que a chatura do meu filho seja minimizada ou eu me torne uma pessoa igualmente chata! hahaha!

Agora, sério mesmo, os filhos diferentes trazem esta necessidade de adpatação da família. E todas se reorganizam! Umas com mais sofrimento, outras menos, mas como disse um esperto da cultura popular:

"É no balanço da carroça que as melancias se ajeitam."


Vocês sabiam que o QI de uma pessoa pode ser alterado???? A configuração do cérebro muda consideravelmente quando precisamos que ela se transforme. O fenômeno chama-se plasticidade neural e é um velho conhecido dos médicos.
O sujeito ficou cego num acidente de carro? No problem!!!!!  Em menos de um ano o córtex se reorganiza para que a área da visão fique inativa e o espaço cortical destinado a outras funções, agora mais necessárias como o tato, equilíbrio, organização espacial, audição, fiquem maiores e repletos de novas sinapses.
Há pouco tempo descobriram que até a meditação é capaz de transformar o cérebro.

A criança ficou órfã? Traumatizada numa guerra? Existe uma perda visível no sistema límbico. E o luto, para mim, nada é mais do que uma reorganização do espaço que aquela pessoa ocupava no seu cérebro. Um dia volto a falar sobre isso.

Bom, resumindo. É óbvio que podemos nos transformar e mudar. Os casais precisam aprender que a teoria de Darwin até pode valer para o pescoço da girafa ou o bico torto do papagaio, mas não se adapta às relações sociais.

Não tem como ser psicólogo e ser Darwinista ao mesmo tempo. São crenças inconciliáveis. Ou eu acredito na transformação ou eu fico no determinismo.
E todo mundo que procura uma terapia precisa acreditar na transformação e, se a pessoa não tem capacidade de mudar (algumas não tem), o que precisamos mudar é a maneira de encarar nossas limitações.

E acredito também que o outro que convive com você se adapta lentamente ao seu estilo.
Mas as vezes é lento demais, e é por isso que os primeiros anos de um casamento são um inferno!!! Se forem pessoas darwinistas, então...

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Frasier is Back to Town"


Por incrível que pareça tem gente que não conhece "Frasier", então vou ter que explicar.
Ai, ai.
Frasier = Sitcom americana que fez sucesso de 1993 a 2004, quando encerrou. Ganhadora de 39 Emmys. Um recorde na TV americana! 
São dois irmãos psiquiatras que fazem um programa na rádio respondendo ao vivo perguntas dos ouvintes. Eles eram cultos, elegantes e pernósticos. O "gaydar" apitava alto perto deles, mas eles eram héteros e bem engraçados. Quem nunca viu, perdeu.

Bom, ano passado eu fiz um programa de rádio nos moldes de Frasier, minha grande inspiração profissional, hehe.
Não respondia as perguntas ao vivo porque moro numa cidade tão pequena, mas tão pequena, que todos se conhecem, e apenas pela voz do ouvinte já daria para reconhecer a pessoa. Incrível, mas é verdade.

Portanto, para manter a privacidade dos meus ouvintes, o programa deveria receber cartas. Divulguei na rádio a minha proposta e fiquei ansiosa esperando as muitas cartas que eu receberia. A primeira foi um bilhetinho pedindo para eu falar algo sobre o "homem sexual".

"Querida ouvinte, antes de mais nada, obrigada pela sua audiência. É um enorme prazer fazer um programa especial para você. Olha, de acordo com minha experiência profissional e pessoal, TODOS os homens são sexuais e cabe a nós, mulheres, usarmos isso para o bem ou para o mal!!!"

Hahaha... brincadeira. Modéstia à parte fiz dois programas lindos sobre o HOMOSSEXUAL, que eu imaginei ser o pedido da minha leitorazinha querida. 

A segunda carta era uma coisa enorme: 8 páginas ("front and back!!!!", rsrsrsrs) contando tudo sobre a vida de uma outra ouvinte. Demorei dois dias para decodificar tudo e, no final da autobiografia, ela não me pediu nada! Só queria mesmo me contar sua vida. Mesmo assim fiz um programa para ela. A moça chorou, veio me agradecer pessoalmente depois. Uma fofa.

E assim foram 6 meses de programas semanais. Duravam em média 30 minutos e minhas falas eram intercaladas com músicas que tinham a ver com o tema. Muito bacana.
Mas as cartas nunca mais vieram. A audiência era boa, mas as pessoas não participavam mandando sugestões e pedidos. Eu inventei mil assuntos para falar nos programas, mas aí cansei de ter a sensação de trabalhar sozinha. Sabia que tinha gente me ouvindo, mas não tinha propósito, não tinha diálogo, e isso me deixava aflita.

E isso está acontecendo aqui também.
Não sirvo para escrever sem saber para quem estou escrevendo. Quero me inspirar em alguém para ter a certeza exata de que estou falando com um interlocutor. Isso faz mais sentido para mim, e aí tudo flui facilmente.

Aqui no blog já fiz isso duas vezes e foi muito inspirador. No post "Uma acidente de carro por dia", e "O tempo das raízes", foram escritos especialmente para duas pessoas. Uma conhecida, outra não. Além disso, já escrevi para alguns outros amigos que sei que iam achar graça de alguma piadinha, que iam se identificar com alguma brincadeira ou que lembrariam de alguma passagem descrita aqui.

Por isso quero fazer a vocês uma proposta para que meu desejo e meu propósito em continuar a escrever aqui nunca se acabe. Quero que escrevam para o email claudia@coisasdaroca.com.br e me contem alguma coisa sobre vocês para que eu possa pensar em algo e fazer um post.

Mas, por favor, não me façam perguntas! Não posso e nem nunca irei respondê-las. Nunca fiz isso com meus pacientes e não seria lendo um email que eu teria o direito de sugerir algo para alguém. Nenhum psicólogo sabe o que é certo e bom para um outro ser humano. Um terapeuta que dá opinião e responde a perguntas não é um bom profissional, e ponto final.

"Claudia, não consigo decidir que
roupa vou usar hoje!"




E na verdade também não quero falar aqui como psicóloga. Quero falar para gente real, ao invés de olhar para esta tela e ter que imaginar se meu texto vai ecoar em alguma lugar.

Não querem falar sobre problemas? Falem sobre algo que aconteceu com seu amigo, sua prima ou seu cachorro. Alguma polêmica no trabalho, alguma fofoca no prédio, qualquer coisa! Mas quero histórias reais.

E é claro que a privacidade será mantida. Óbvio!!!

Ninguém nunca saberá que o post foi escrito para você. Só nós dois! Não é legal??

Vamos ver que rumo que essa história vai tomar... "Frasier has left de Building".






E para quem não conhece, aqui vai a deliciosa abertura do programa para vocês irem se inspirando:









domingo, 20 de março de 2011

Gaydar

Vocês sabiam que agora existe um gaydar de verdade?? Li este mês numa revista.
Os gays se cadastram de algum modo que eu não sei direito e quando entram num cinema, num restaurante ou numa academia o celular avisa aonde estão os gays do lugar.
Bacana né?
A paquera fica menos ameaçadora e a aproximação garantida.
Estranho, mas bom.

Eu sempre tive meu gaydar quebrado. Não capto nada e acho que isso acontece porque a orietação sexual da pessoa não me interessa. Uma vez me disseram que meu gaydar não funciona porque eu nunca precisei dele. Pode ser.

Aliás todos os meus sextos sentidos sempre funcionaram muito mal. Não percebo se a pessoa fumou maconha, se ela está bêbada, se é corintiano ou evangélico.


Ontem uma paciente minha perguntou:
-De qual religião você é?
-Por quê você deseja saber isso? (para pacientes a gente nunca deve responder sem investigar. ufa! salva a gente de cada saia justa!!! eles desanimam e desistem da pergunta.)
-Ah, nada não. É porque você tem um jeito de ser espírita.

O que será um "jeito espírita"? Eu encarei isso como um elogio porque adoro todos os espíritas que conheci na vida. Oba! Tenho um "jeitinho espírita"!!!

Acho invejável esta capacidade de detectar as categorias que as pessoas se encaixam. "Este tem cara de ser petista. Este tem cara assaltante de geladeira. Este tem cara de gostar de BBB".
O que fazer com esta percepção são outros quinhentos, porque aí vem a história do preconceito, da disciminação, do julgamento precipitado, tudo que pode existir de ruim para se começar uma relação.

Mas acredito que este pensamento seja inevitável para algumas pessoas porque, tadinhas, precisam de um chão, de uma base sólida para poderem raciocinar. Ficam perdidos sem seu burocrático sistema de arquivamento.

Por isso, pessoas com um gaydar afiado são aquelas que tem uma boa capacidade de decodificar minúcias, perceber detalhes, classificar, estabelecer categorias.

Ou então é gente que desenvolveu este taleto por necessidade mesmo!!
"Eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder sem engano." (Cazuza)

Decodificar detalhes não é meu estilo. Sou mais intuitiva.
Mas isso não faz de mim uma pessoa melhor. Aliás sou péssima em vários instâncias dos relacionamentos sociais. Quer um exemplo?

Na primeira vez que vi meu marido conversamos um pouco, eu me apaixonei, trocamos telefones e semanas depois combinamos de nos encontrar. Fiquei sem graça, mas tive que perguntar ao telefone:
-Desculpa, mas que roupa você estará usando no nosso encontro?
-Como assim?
-É que eu não sei se reconhecerei você de novo...

Eu tinha certeza absoluta que me casaria com ele, sabia que alí estava a tampa da minha panela, mas juro por Deus que não lembrava da cara do futuro pai dos meus filhos. Nem a cor dos olhos.
Ele, por outro lado lembrava da roupa que eu estava usando quando me viu pela primeira vez, sabia aproximadamente quanto media o meu quadril e, além do mais, achava que eu era evangélica só porque eu usava trança no meu cabelo.

Naquele dia minha mãe inventou de fazer em mim um trança embutida! Um péssimo penteado para se conhecer o homem da sua vida!!!!

Ele ficou ofendido, óbvio. Achou que eu me interessei por ele e por mais uma dúzias de outros homens no shopping. Hahaha!!! Ele achou que eu dei meu telefone para TANTA gente que depois nem sabia mais com qual cara eu estava conversando ao telefone.

Ai, ai, este é meu "tudodar" quebrado, falho, falido, que me faz dar foras e cometer indelicadezas a todo momento.

Mas vou pegar a tecnologia do novíssimo gaydar e inventar um "loveofmylife-dar". Reconheço um grande amor numa multidão!! E sem nem precisar olhar para a cara dele...

sexta-feira, 18 de março de 2011

A infância superprotegida.

A infância precisa de desafios maiores. De perigos reais. De situações cheias de adrenalina e emoção. Senão não acho que seja uma infância boa. Essa é a minha opinião. Para mim, as melhores lembranças que ficam para a gente é quando conseguimos fazer as proezas e nos vangloriamos por isso.

Mas para a glória ser de verdade os desafios tem que ser reais, não esses arborismos, escalada monitorada, parquinhos projetados, chão fofo para amortecer quedas. Isso é só brincar de ficar com medo. Brincar de superar desafios. Eu quero problemas reais.

Lembra do filme "Goonies"??? Ou do fofíssimo "Conta Comigo"? Tipo aquilo: emoção de verdade!

Minhas melhores lembranças da infância era quando ia para a o litoral e me metia em praias desertas, cavernas com macumba, quando a maré subia e a gente não tinha como voltar e quando escorreguei nos mariscos e me cortei toda.
No sítio da minha avó tinha muita cobra, lamaçal entre bambús, fazíamos comidinha de verdade botando fogo entre tijolos.
E na cidade também tinha emoção: quando a turma ia de ônibus para o shopping mas pegávamos o ônibus errado e íamos parar no centro (aos 10 anos, sem celular), quando íamos a pé para as quadras da Unicamp e tinha um exibicionista que abaixava as calças para nós, quando íamos em shows de rock aos 11 anos e víamos briga, drogas e coisas estranhas. E tinha amigos que atravessava a cidade de bicicleta, que ia acampar em lugares malucos, que inventava bombas com foguete de festa junina.

E a lista é infinita!!!! Todas histórias boas, heróicas e inesquecíveis. Claro que eu podia ter morrido afogada, ter sido raptada, picada, sequestrada, estuprada, machucada, traumatizada... e mil outros "adas". Mas a vida é sempre um risco, e não é por causa deles que devemos nos privar totalmente das experiências de viver por nossa conta de vez em quando.


E os briquedos com selos do Inmetro são exageradamente protetores. Antigamente as meninas brincavam com casinhas de boneca delicadas, furavam os dedinhos nas agulhas, faziam chá de bonecas com louça chinesa e faziam comida de verdade no fogão. Os meninos ganhavam um caniteve (e usavam!), pulavam grades com lanças afiadas e enferrujadas, guerra de mamona... tudo perigoso!
Algo que a Fischer Price nunca teria no seu catálogo. E a Fischer Price sucks! Todas as minhas aquisições da marca foram um fiasco de popularidade aqui em casa.

Nas escolas o piso é antiderrapante, os cantos arredondados, as cadeiras reforçadas, a grama detetizada e sem formiga, a quadra não rala mais o joelho quando caímos. Para andar de bici tem capacete, de patins tem uma tralha...

E antes as crianças comiam com talheres de verdade, copos de vidro e pratos de louça. Hoje eles não tem nem chance de quebrarem um copo e cortar o pé nos cacos! Não conseguem nem se cortar com uma faca!!! ABSURDO!!!

Hahaha... eu sei, já ouvi falar sobre acidentes domésticos. Também já ouvi, de passagem, alguém falando algo sobre violência urbana. E acredito que tudo isso exista, mas não podemos esterilizar a infância de nossos filhos por causa disso.
Pecar pelo excesso de zelo não protege, torna a criança insegura e incapaz de resolver problemas por si só.

E os pais precisam permitir, claro que com cuidado, com confiança, com o coração na mão, mas precisam. A gente precisa dar um jeito de contar para as crianças que o mundo é bom e eles são capazes.
Essa é a minha opinião.

E não falo isso só porque moro numa cidade pequena. Sei que ajuda, mas fazia algo parecido quando morava em Campinas também. Quando meu filho mais velho tinha 13 meses ele ia passear de ônibus com uma mini babá (15 anos) porque ele amava "ombidu". E morávamos perto do complexo penitenciário. Nada menos que 4 cadeias de segurança máxima com fugas semanais e perseguições hollywoodianas. Depois de horas voltavam felizes da silva.

Já contei que meus filhos voltam à pé da escola? Andam no total 3 quarteirões. Podem ser atropelados? Podem. Podem ser raptados? Podem. Podem ser mordidos por um cachorro bravo? Claro! Mas eles adoram e melhoraram muito depois que começaram a andar sozinhos pela rua. Se tornaram mais seguros, mais confiantes, mais maduros e responsáveis.
E cúmplices, porque no trajeto um cuida do outro..."Conta Comigo"!!!



Hoje na hora da saída de escola começou a chover. Fiquei em casa pensando como será que eles resolveriam o problema. Mas aí comecei a me sentir uma péssima mãe e sai de carro para procurá-los. Nunca devia ter saído! Encontrei os dois na rua molhados, mas tão felizes, tão realizados, tão fofos! Uma bela aventura para dois menininhos de 6 e 5 anos.
Hoje o mais velho comprou um diário, e é claro que a chuva vai ser registrada para a eternidade.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vai ter que rebolar!!!

Em todas as raças de animais os machos são muito mais coloridos, elegantes e vistosos do que as fêmeas.
É fácil saber a diferença entre um e outro: o macho é bonito, a fêmea é feia.

Os machos têm a obrigação de serem encantadores porque são eles que devem executar a dança do acasalamento. Eles precisam ser prefeitos e lindos para garantirem a conquista das fêmeas.
A competição entre os machos para ver quem dança melhor e quem é mais vistoso é uma questão de perpetuação da espécie e isso é óbvio em todas as raças de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

Menos na raça humana!
Sempre me pergunto: Por quê??? Por quê, meu Deus, nós mulheres temos que ficar nos preocupando com cabelos, celulites, rugas e roupas? Eles é que deveriam ser empinados e lindos, não a nossa bunda e muito menos nosso peito.
Quem foi o idiota que inverteu a ordem natural das coisas e inventou que os homens podem ficar deitados, gordos, brancos e flácidos e nós mulheres temos que ficar nos emperuando e rebolando por aí para convencê-los a saírem de seu habitat natural: o sofá.

E tudo isso para quê? Para nos reproduzirmos? Mais?????
Os ursos polares, sim, precisam de filhotes para morrerem ilhados por aí em algum iceberg derretendo. Nós humanos não precisamos de mais nenhum catarrento comendo nossos preciosos alimentos transgênicos e gastando água indiscriminadamente enquanto brinca no chuveiro.
Qual é a razão da necessidade frenética de conquista feminina? O que as mulheres ganham com isso, além de filhos?

O problema é que a sociedade humana é tão estúpida que chama de gay, ou pior, de metrossexual, um homem que decide ser atraente, colorido e emplumado ao realizar a dança do acasalamento.
Não podemos continuar com este discurso!

Estamos indo na contramão do comportamento animal. Tenho certeza que os tsunamis, os terrmotos e o buraco da camada de ozônio estão piorando porque a raça humana ousou desafiar a lei da natureza onde as mulheres não devem se cuidar, se enfeitar e muito menos rebolar. Não é a luxúria do Carnaval que enfurece os deuses e provoca tempestades. É a inversão dos papéis!!!!

Mamãe natureza está brava!!! Exige mudanças urgentes!
Portanto, se você se interessa em respeitar a lei natural das coisas e, assim, melhorar o mundo e garantir nosso futuro, comece hoje as mudanças necessárias.

Os homens devem abandonar o sofá, jogar fora as cuecas velhas, tirar as meias, colorir o guarda roupa e irem malhar, se perfumar, se depilar, usar mil cremes, cuidar dos cabelos com luzes californianas e escova progressiva. Devem ficar de sunguinha, empinados, abusando das poses sexys e fazendo de tudo para chamarem a nossa atenção com danças sensuais.
Exemplo de homens que já aderiram à campanha:

 E as mulheres precisam parar com esta mania ridícula de gritar e dar chiliques num Clube das Mulheres ou num show do Luan Santana. Lembra dos escândalos nos shows dos Beatles? Não pode!!! Tem que sentar entediada e fazer cara de paisagem. E se forem dançar junto, faça como as dançarinas de tango: desviem o olhar, virem o rosto e dêem chutes no meio das pernas deles.

Devíamos cultivar um o corpo sem atrativo, os músculos flácidos, a depilação por fazer, ficar o dia todo deitadas e com um olhar tão blazê que os homens teriam que fazer maravilhas para chamarem nossa atenção.
Resumindo deveríamos ser com Frida Kahlo:



Sai fora goroto, nem pensar
Você eu passo
Namorar contigo é coisa
Que eu não faço
Pra você mudar minha
Cabeça, ha!
Vai ter que rebolar,
Rebolar e rebolar.
(Sandy e Júnior)


PS1: Antes que vocês venham com maldade, todos os homens neste post são espada, inclusive Junior!!
PS 2: Curiosidade dos bastidores: estava procurando uma foto de um cara forte e fui no Google Images buscar "halterofilista". E a primeira foto foi chocante!!!!! Impublicável aqui no blog. Homens, fiquem malhados mas não exagerem no peso, ok? Vocês não têm idéia do que pode acontecer com vocês...