sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Simples? Sim, please.


Minha mãe é professora de piano e eu cresci acostumada a ouvir o plimplimplim dos alunos sem nunca me antenar ao que eles tocavam. E isso é triste. Treinei os meus ouvidos para serem insensíveis à lindíssima evolução da aprendizagem musical. Na infância os meus amigos perguntavam:
-Como você consegue fazer a tarefa e ver TV com este barulho?
-Barulho? Que barulho? Não ouço nada.

Bom, mas outro dia eu estava na casa dos meus pais e fiz questão de ouvir uma aula. Atualmente penso que posso ficar sem a minha mãe e vou me arrepender por não ter apreciado ela dar aulas do jeito manso e excêntrico que só ela tem. O bom de ficar velha é que passamos a valorizar momentos assim, não exatamente por prazer, mas por pura nostalgia antecipada. O prazer veio depois.
Sentei num silêncio respeitoso alguns metros atrás da aluna e fiquei ouvindo ela tentando acertar um acorde da mão esquerda. Plimplompléééém, plimplimplóóómmm, sem sucesso. A moça estava desanimada tentando ler as bolinhas confusas da partitura quando minha mãe veio com a frase que mudou a minha vida:

-Está difícil? Se está difícil é porque não está certo. 

Simples assim.
Está difícil? Então não está certo.
Mas isso não é uma lição fácil para mim que cresci acreditando que a vida é, obviamente, complicada e lendo frases como estas abaixo:





Passei todos estes anos acreditando que a angústia era normal sem nunca ter me dado conta de que todas as vezes que acertei na vida... não teve sofrimento! Nem dúvida! Nem nenhum tipo de angústia!!  Nunca tinha percebido isso: o certo sempre foi fácil e o difícil sempre acabou se mostrando errado.
Pronto, a minha vida agora é outra. Incrível como uma frase dita na hora apropriada faz diferença. Diferença para mim, porque o momento estava tenso demais para que a aluna, naquela aula, se abrisse com tranquilidade a um conselho tão simples de uma senhora tão simplória. Talvez um dia a moça entenda isso. Talvez nunca.
Bendita hora que fui ouvir, despretensiosamente, a aula de piano da minha mãe.

Você quer prestar um concurso, mas não consegue se dedicar à rotina de estudos? Está estressada com os dias insanos que a vida exige de você? É noiva do cara que, apesar de te amar, ainda não sabe se quer ou não se comprometer?
Tenho uma ótima notícia para você: talvez nada disso seja certo. Talvez você não queira prestar concursos (nem todo mundo precisa passar em concursos, se você não sabe), talvez você esteja vivendo de um jeito errado no lugar errado e é bem possível que você esteja gastando muita energia com um relacionamento sem futuro. Agora sou uma romântica que acha que os amores não tem impedimentos financeiros, profissionais, filosóficos, temporais e nem geográficos. Tem impedimento? Então não está certo.
Tem sofrimento? Então não está certo.

Eu sei, eu sei, não precisam me falar. Conheço as dezenas (centenas?) de frustrações e anos despendidos para criarem uma lâmpada. Foi difícil. Conheço as pesquisas que suportam tentativas e erros até chegarem ao resultado ideal. Já ouvi falar dos ginastas que precisam repetir incansavelmente o mesmo salto até conquistarem uma medalha olímpica. Ah, e sei também que um casamento não é fácil e que engolir sapos faz parte da brincadeira. Não sou tão imatura a ponto de pregar aqui a vida mansa. Sei que não é assim.

Mas depois da fala mágica da minha mãe passei a acreditar que este tipo de gente só é persistente nas atividades que se dedicam porque, no fundo no fundo, sabem que estão no caminho certo.
Não certo para a ciência ou para a sociedade, certo para eles. E é certo porque estão realizados. Cansados, irritados, vá lá, mas em paz com a escolha deles na vida.
E daí a persistência não é sacrifício, é alegria, autorrealização, autossuperação (vocês não odeiam esta reforma ortográfica? eu odeio).
Claro que Thomas Edison não perderia tempo fazendo piruetas e Nadia Comaneci não suportaria passar anos em um laboratório. Exigir isso deles é maldade. E talvez seja maldade exigir que você termine o doutorado, insista no noivado, continue com a mesma rotina.

Você vai descobrir que é necessário deixar as coisas irem
embora simplesmente pelo fato delas serem pesadas. 


E a pergunta que não quer calar é: como saber se o meu caminho está errado ou se eu só preciso me dedicar mais a ele?

Hum, vejamos: você se sente violentado? Usado? Desperdiçado (desperdiçado é um ótimo parâmetro)? Seu corpo está em sofrimento evidente? Desenvolveu problemas emocionais nos últimos tempos? Não? Então é bem possível que o caminho esteja certo e você só precisa de paciência.
Mas se algum destes fatores te atormentam tenho o imenso prazer em contar que... tcharam... está tudo errado!! Você não é burro, nem incompetente, nem mal amado, nem preguiçoso. A culpa não é sua! Nem dos outros! Uhuu! Estavam todos só vivendo de um jeito errado.

Nickolas Sparks é um babaca (até aí nenhuma novidade). O povo do pilates é exagerado (e tudo aquilo é mentira porque pilates é, em geral, bem fácil e gostoso). A vida é simples e os sacrifícios só são válidos se são confortáveis.


Coco Chanel tinha razão.
Minha mãe teve razão: o acorde tem que ser confortável, ou não será bonito.
E este post, agora, também tem razão: a vida tem que ser confortável ou não valerá a pena.


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Asas e raízes


Existe uma perda silenciosa e sutil acontecendo na elite econômica do Brasil e a sociedade um dia irá lamentar o prejuízo para o futuro da nação. Existe também um luto acometendo milhares de famílias. Existe um buraco, existe dor, mas ninguém fala sobre isso. Porque todos deveriam estar felizes.
E estão.
Mas estão sofrendo. 

Praticamente todos os amigos dos meus pais tem filhos saindo do Brasil para nunca mais voltar. A grande maioria dos meus amigos ou já saíram daqui, ou planejam sair ou sofrem a perda de um irmão que saiu. Fui outro dia em um churrasco onde os 3 casais presentes estavam correndo com o processo de imigração. Virou moda. Parece que é a única coisa certa a fazer e que, quem não faz, vai ficar para trás. Toda uma geração está saindo do país. O buraco é epidêmico, aparece em quase todas as famílias minimamente abastadas.
Não são um nem dois, são a enorme maioria, e meus pais estão incluídos nessa estatística. Os filhos ficam adultos e vão para outros lugares do mundo conquistar uma vida melhor. Com  mais oportunidades, melhores condições de trabalho, menos violência e, em geral, mais beleza. Sim, as cidades brasileiras são feias e deprimentes.
A insatisfação com o país está roubando os nossos médicos, nossos engenheiros, nossos pesquisadores, professores, dentre muitos. Mas, vejam bem, não são qualquer um! Estão saindo os melhores. A perda destes profissionais ainda não está sendo sentida, mas com certeza será a principal tragédia das próximas décadas aqui no Brasil. O preço por perder a elite cultural do país não será barato e toda a comunidade pagará por isso.

Mas além da perda intelectual, há, claro, uma outra ainda mais sofrida. Avós não vêem os netos crescendo, pais choram pelos filhos distantes, irmãos perdem a referência fraterna de um dia para o outro, priminhos se distanciam, amizades se desenroscam, e todos se vêem sozinhos e tristes. Aprender a lidar com o perda é a nova rotina dessas famílias brasileiras e, como todo luto, tem as suas fases: o drama da separação, o desespero sangrento que se assemelha às mais insuportáveis dores físicas, o vazio na rotina, a raiva de ter sido abandonado, a culpa por não conseguir ficar feliz por eles, o exercício diário de tentar se convencer que a tecnologia realmente aproxima as pessoas, a alegria diante das boas notícias vindas de lá e o êxtase nas raras visitas, seguidas sempre da dura realidade da falta. Mais uma vez.
Até que tudo deixa de doer e todos se acomodam na nova configuração familiar. Todo mundo, então volta a ser feliz e finge que superou a perda, mas isso nunca acontece.

O êxodo sempre existiu em todas as épocas e em todas as culturas (e em muitas espécies animais, óbvio), mas a realidade brasileira atual se assemelha, claro que guardando as devidas proporções, a uma guerra. Estatisticamente as perdas são incríveis.

Culpa da duríssima realidade política brasileira, culpa da violência sem controle, dos direitos civis negligenciados, etc e tal. Isso é evidente. Mas também isso tudo só acontece porque existe um tipo de pessoa que se arrisca na procura por uma vida diferente. Diferente e, em geral, boa. Eu ainda não ouvi falar de gente que foi e não se deu bem. Em geral a família toda, apesar óbvia da tristeza da perda, se deslumbra e morre de orgulho da lindíssima vida que os rebentos conquistam longe de todos. No fim acabam concordando que a mudança valeu a pena.

Mas existe também um outro tipo de jovem. Gente que se acostuma às intempéries do país e talvez por preguiça, por medo, ou por excesso de apego, não tem vontade de sair.
Eles não tem asas, tem raízes.



Há 7 anos eu sou psicóloga em uma cidade pequena. Pequena é exagero, ela é minúscula. E durante este tempo conheci dois tipos de jovens: os que amam morar aqui e os que odeiam. Os que amam são acomodados. Querem casar com alguém daqui, cuidar do negócio do pai ou trabalhar, por exemplo, na escola local até a aposentadoria. Não conhecem outros lugares e nem desejam. Não precisam.
Os que odeiam não vêem a hora de sair e trabalhar em algo que os leve para longe, fazer algo bem diferente do que os pais e os avós fizeram. Desejam ardentemente conhecer o mundo e se programam todos os dias para o grande voo. Eles precisam disso.
São duas raças de pessoas e durante todos estes anos eu admirei as duas. É ótimo ser feliz com o que você já tem e, ao mesmo tempo, é lindo ter ambições e correr atrás do que deseja. O problema todo é que existe uma glamourização dos desertores. A ousadia é supervalorizada e a repetição da história, vista como retrocesso. O rapaz que fica na roça do pai é visto pelos colegas como fraco e o que sai para tentar a vida em outro lugar, um conquistador.
Com isso a zona rural perde os jovens, a cidade perde bons profissionais e as famílias perdem os filhos.

Me dei conta de tudo isso quando li um texto de um amigo querido que há anos saiu do Brasil e, hoje em dia, vive muito bem nos Estados Unidos. E o texto diz assim:

"MORAR FORA...
Não é apenas aprender uma nova língua. Não é apenas caminhar por ruas diferentes ou conhecer pessoas e culturas diversificadas. Não é apenas o valor do dinheiro que muda. Não é apenas trabalhar em algo que você nunca faria no seu país. Não é apenas conquistar um diploma ou fazer um curso diferente. Morar fora não é só fazer amigos novos e colecionar fotos diferentes. Não é só ter horários malucos e ver sua rotina se transformar. Não é só aprender a se virar, lavar, passar, cozinhar. Não é só comer comidas diferentes, pagar suas contas e se preocupar com o aluguel. Não é só não ter que dar satisfações e ser dono do seu nariz. Não é só amar o novo, as mudanças e também sentir saudades de pessoas queridas e algumas coisas do seu país. Não é apenas já saber que é alguém do Brasil ligando quando toca seu celular e aparece numero privado. Não é só a distância. Não são apenas as novidades. Não é só uma nova vista ao abrir a janela. Morar fora é se conhecer muito mais... É amadurecer e ver um mundo de possibilidades a sua frente. É ver que é possível sim, fazer tudo aquilo que você sempre sonhou e que parecia tão surreal. É perceber que o mundo está na sua cara e você pode sim, conhecê-lo inteiro. É ver seus objetivos mudarem. É mudar de idéia. É colocar em prática. É ver sua mente se abrir muito mais, em todos os momentos. É se ver aberto para a vida. É não ter medo de arriscar. É aceitar desafios constantes. É se sentir na Terra do Nunca É querer voltar e não conseguir se imaginar no mesmo lugar. Morar em outro pais é se surpreender com você mesmo. É se descobrir e notar que na verdade, você não conhecia a fundo algo que sempre achou que conhecia muito bem: Você mesmo!
A Vida eh uma viagem...
Enjoy every single destination..."

Concordo com ele em tudo.
Claro.
Mas queria também lembrar que existe um outro tipo de gente. Gente que consegue conhecer a si mesmo ficando no mesmo lugar. Assumindo a empresa do pai, a fazenda do avô, a casa da família, e mantendo a mesmíssima tradição de séculos. Precisamos dizer para os nossos jovens que também é possível (e bonito) ser feliz sem precisar mudar. Chega de só incentivar o povo a sair.

Eu mesma sou uma representante dos preguiçosos. Ou dos medrosos. Ou dos apegados. Ou dos satisfeitos. Dêem o nome que quiserem. Já tive chance e possibilidade de sair do país. Eu queria? Não. Me arrependi? Não.
Vim hoje aqui dar o meu depoimento.
É possível ser feliz no Brasil, apesar de tudo. Não vamos apenas valorizar e invejar os que estão longe. Eu, por exemplo, hoje valorizo e invejo a minha cunhada que vive há décadas na mesma casa pequena numa rua perigosa e sem graça de uma cidade perigosa e sem graça do Brasil. Vive porque quer, já tem tem passaporte e dinheiro que permitem que ela vá para muitos outros países. Invejo porque ela é felicíssima ali e em momento algum reclama da vida. Invejo porque ela acha bacana criar o filho no bairro que os avós ajudaram a fundar quando chegaram da Itália. Valorizo porque ela cuida da avó com Alzheimer que foge pelas ruas e precisa ser lembrada de beber água para não desidratar.
Valorizo porque demonstrar carinho pela avó que a criou é importante para ela.
E assim ela se encontrou. 
No lugar onde sempre esteve.



sexta-feira, 6 de junho de 2014

Mas os meus cabelos...


Passei a vida iludida com as propagandas de xampu (acabo de ir ao Google ver qual é, afinal, a forma correta de escrever isso). Eu era exatamente como no gráfico ao lado. Para escolher o produto certo eu lia e relia as letras miúdas, prestava atenção aos anúncios e pesquisava muito antes de escolher.
Queratina, vitaminas, benefícios da natureza (shimeji, camomila, jaborandi, mandioca, maracujá, manteiga de karitê, aloe vera, tutano, lanolina, frutas cítricas), muito ventilador ligado, muito refletor de luz, muitos símbolos químicos dando a entender que a tecnologia era moderna. Tudo para nada.
Já fazia mais de 20 anos que, mesmo com as promessas da indústria de xampu, o meu cabelo caia horrores, coçava, tinha o aspecto pesado, sem movimento e sem brilho. E as fórmulas que me sugeriam para remediar a situação eram as mais diversas possíveis. Segui todas: dermatologistas, trocar de xampu periodicamente, usar um creme na hora de pentear, uma máscara noturna, spray hidratante, fazer hidratações mensais, xampu anti-resíduos 1x por semana, usar tal marca, passar a usar apenas a linha profissional, não usar condicionador.... muitas dicas inúteis. Nunca nada se resolveu.

Mas há 4 meses eu fiz uma loucura que resultou em algo milagroso. E a coisa foi tão boa, tão boa que eu fiquei com medo. Medo de causar danos a longo prazo, medo de prejudicar a pele que recobre o meu cérebro lesado, medo do meu corpo ter urticárias com a espuma que passou a escorrer pelas minhas costas, medo no meu bumbum ficar ferido com o produto que passou a entrar e sair dele, uma paranóia só. E, claro, fiquei com medo de contar para as amigas e ferrar os cabelos alheios. Por isso esperei alguns meses em silêncio para hoje finalmente sair do armário e dizer que

ATUALMENTE O MEU XAMPU É.... 
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TCHARAMMMMMMMM!

Calma, não sou louca. Não são os cheirosos!! É esse do meio, transparente, com cheiro de nada. Nunca me arriscaria a sair na rua fedendo a maçã verde. Ou eucalipto.

Nos primeiros dias eu dissolvi ele num copo d`água  para minimizar os possíveis danos, mas poucos dias depois já estava enchendo a mão de detergente para, feliz da vida, esfregar no meu cabelo. Por incrível que pareça na primeira vez que você aplica não faz muita espuma, mas na segunda lavagem (é sempre bom repetir o procedimento) parece que você entrou de cabeça numa máquina de lavar louças. E o mais legal de tudo é que em poucos segundos você já começa a ouvir o cabelo assobiar "puiiiii" "puiiiiiiiiii", dando a certeza absoluta que ele está limpíssimo.  Sabe quando você passa o dedo numa pia de inox e ela faz um barulhinho, garantindo que está limpa? Então, quando se lava o cabelo com detergente você ouve esse barulho por toda a sua cabeça. 
Depois? Depois nada de condicionador. Enxuga com uma toalha e, quando ele ainda estiver um pouco úmido passa umas gotas de silicone para cabelo por todo o fio, só para ele não ficar eriçado (eu comprei o mais barato). E pronto, acabou. 

O ralo do chuveiro que antes ficava entupido agora fica com um micro novelo e a escova, que antes ficava peluda de cabelo, agora tem dois ou três fios. Desembaraçar o cabelo nunca foi tão fácil e a necessidade de lavar a cabeça passou a ser duas vezes por semana, apenas.

No meio deste período resolvi, por um dia, lavar o cabelo com xampu e sabe o que aconteceu? Coceira, queda absurda e cabelo feio e sem brilho. Nunca mais me arrisco.

Desde a primeira lavagem você vai perceber que o seu cabelo nunca esteve tão limpo, brilhante, macio, com balanço, e hidratado. Já fiz o teste: quando estive em dois salões de beleza eu perguntei para as cabeleireiras:
-Oi, deixa eu te perguntar, você acha que preciso fazer uma hidratação no cabelo? 
Elas pegam no meu cabelo com conhecimento, testam os fios e dizem (pela primeira vez na vida!!!)
-Não, ele tá ótimo! Mas você podia cortar, fazer umas luzes, blá, blá, blá. 
Incrível! Quem conhece essa raça sabe que essas mulheres nunca, jamais dizem isso.

E não são só elas! Já me disseram que meu cabelo está mais bonito, já me perguntaram o que eu ando fazendo para deixá-lo macio e hoje o meu filho me disse que ele está cheiroso.

Eu não tenho a menor ideia do que tem dentro de um detergente e nem quero saber. Tenho certeza que é química pesada, mas não estou nem aí. Aderi há 4 meses ao movimento "No Poo" (sem xampu, a moda da vez em termos de ecochatice), mas, como sou transgressora eu aderi pelo avesso: ao invés de xampu, não use vinagre nem bicarbonato de sódio, use detergente!

Vale dizer que meu cabelo não tem tintura e nunca fiz alisamentos. São virgens! Aliás, acho que a única coisa virgem que sobrou no meu corpo é o cabelo. E preciso dizer que eles não são oleosos. Muito pelo contrário, são até bem secos. Eu imagino que as pessoas com problemas de oleosidade se beneficiarão ainda mais.
Vale lembrar também que não desejo destruir com a indústria de produtos para cabelos e nem acho que a minha experiência vale para todo mundo. Ah, e não testei com outra marca, só mesmo o Ypê.
Quando fui pesquisar no Google sobre o uso de detergente em cabelos não achei absolutamente nada e, por isso, resolvi deixar aqui o meu relato para alguém que queira testar. 
Nunca mais na vida vou gastar dinheiro com xampu e espero nunca mais ter o cabelo que eu tinha antes.

O próximo passo é colocar a coisa numa embalagem decente para eu me sentir mais chique, claro, e também para não escandalizar as faxineiras que ficam cho-ca-das quando vão limpar o meu banheiro e se dão conta que eu lavo o cabelo com detergente. 
É isso. De resto eu sou bem normal. 








quarta-feira, 28 de maio de 2014

Lerê Lerê




A lista abaixo chegou até mim ao acaso. Não tinha referência, introdução e nem autoria. É muito útil e interessante para se criar adultos capazes, solidários e independentes. Ela estava em inglês e muitas das atividades não condiz com a nossa realidade brasileira, por isso eu traduzi e adaptei algumas tarefas para a nossa rotina. Ah, e dei pitaco em muitas coisas (entre parênteses), claro.

Antes vale dizer antes que:

  • Não existe nada de lúdico nisso. Não é brincar de fazer as coisas. É fazer de verdade! E a velha máxima "Quem faz de qualquer jeito, faz duas vezes" deve reinar sempre. As tarefas são sérias, diárias e obrigatórias. 
  • Mesmo que você tenha empregada todos os dias em casa, ela não deve se responsabilizar pelas tarefas das crianças (que vocês definirão quais serão). Arrumar as camas, guardar os brinquedos, molhar as plantas, alimentar os cachorros e lavar a louça depois de um lanche, por exemplo, é tarefa deles. Orientar a funcionária quanto a isso. 
  • Sempre bom fazer uma tabela com as atividades (assinada pela criança!!) e verificar o cumprimento dela ela todos os dias durante o primeiros dois meses. Depois vira rotina.
  • Nunca, jamais dê dinheiro em troca das tarefas. Ela ajuda porque precisa, e não porque será recompensada. A mesada é independente a isto.
  • Tenha paciência para ensinar no começo. Depois esse esforço valerá a pena.
  • Peça para que o pai/a mãe da criança cobre da mesma forma, senão vira bagunça.

Tarefas apropriadas de acordo com a idade das crianças

2-3 anos
  • guardar os brinquedos nas caixas (caixas leves e dispostas em armários baixos e firmes)
  • colocar livros nas prateleiras (livros são irritantes porque escorregam, providenciar um aparador sempre)
  • guardar a roupa suja no cesto
  • jogar o lixo no lugar certo
  • ajudar carregar as compras 
  • dobrar pano de prato e cuecas/calcinhas
  • colocar a mesa antes das refeições
  • buscar objetos simples quando solicitado (papel, copo, toalha, etc)
4-5 anos
  • alimentar os bichos de estimação
  • limpar algo que derramou
  • retirar a roupa de cama para lavar
  • arrumar o quarto
  • molhar as plantas 
  • preparar lanches simples (ex: passar manteiga na torrada, fazer um leite com Nescau)
  • esvaziar a mesa depois das refeições
  • enxugar e guardar a louça
  • recolher cartas da caixa de correio

6-7 anos
  • coletar os lixos da casa (e repor com um saco novo)
  • dobrar toalhas
  • lavar louças simples (copos, talheres, pratos, ainda com a ajuda de uma cadeira)
  • enrolar/dobrar as meias
  • tirar ervas daninhas do jardim (uma vez pedi isso ao meu filho e ele arrancou todos pés de salsinha! explicar antes)
  • rastelar as folhas do quintal
  • catar o cocô dos bichos de estimação
  • arrumar a cama (estendendo sobre o colchão, dobrar ainda é difícil pela pouca altura e braços curtos)
  • descascar batatas e cenouras (com o descascador, claro)
  • lavar as folhas e fazer salada (ainda com uma cadeira na pia)
  • repôr o papel higiênico no banheiro (um sonho? que todos aprendessem isso na infância, o mundo seria bem melhor)
8-9 anos
  • colocar a louça na máquina de lavar
  • trocar lâmpadas dos abajures (crianças adoram isso)
  • colocar a roupa na máquina e ligá-la
  • esvaziar a máquina de lavar roupa (e colocar num varal baixo, desses dobráveis)
  • passar pano nos móveis
  • lavar o quintal/garagem com a mangueira
  • comprar coisas simples em mercados/lojas próximos
  • guardar as compras do supermercado
  • fazer comidinhas (ovos mexidos, pipoca, miojo, um sanduiche, um leite quente, bolo de caneca no microondas)  
  • fazer sucos
  • usar a faca para cortar coisas simples (pão, legumes, frutas, queijo)
  • passear com os cachorros
  • varrer pequenas áreas 
10-11 anos
  • limpar banheiros
  • lavar toda a louça (incluindo panelas)
  • colocar lençóis novos na cama
  • aspirar a casa
  • dobrar e guardar roupas
  • limpar o fogão
  • lavar a cozinha
  • preparar refeições simples (lasanha, macarronada, montar uma pizza, fazer arroz)
  • usar o cortador de grama
  • fazer pequenas costuras (botões, pequenos rasgos)
12-13 anos
  • passar pano no chão
  • trocar as lâmpadas do teto
  • lavar/aspirar o carro
  • podar as plantas
  • pintar paredes
  • fazer as compras
  • cozinhar uma refeição completa
  • fazer pães e bolos
  • limpar janelas
  • passar roupas simples
  • cuidar de crianças menores


domingo, 25 de maio de 2014

RED LABEL

Se você tivesse que usar uma etiqueta de aviso,
o que a sua diria?

Uma amiga postou esta frase outro dia pedindo que os amigos dela respondessem à pergunta. Surgiram respostas variadas (a maioria sobre avisos de mau humor e transtornos emocionais), mas eu, besta como sou, só conseguia pensar em alertas sexuais. E a minha brincadeira mental levou a isso:
PROIBIDO PARAR E ESTACIONAR
(para os muito machos)

VIA DE MÃO ÚNICA
(porque não custa nada reafirmar)

CUIDADO! FRÁGIL
(para quem quer se arriscar, mas tem medo)


AGITE ANTES DE USAR
 
 (para os inseguros)

NÃO DESPREZE O PRIMEIRO JATO
(para quem sofre de ejaculação precoce)

PRODUTO SORTIDO: 
MODELOS E TAMANHOS PODEM VARIAR
(para as desavisadas)

CUIDADO! 
PONTE ELEVADIÇA À FRENTE
 (para as distraídas)


CONTÉM PARTES PEQUENAS QUE 
PODEM SER ENGOLIDAS 
(para quem ainda tinha dúvida)

ELEVADOR EM MANUTENÇÃO
(para os impotentes)


ALTURA MÍNIMA PARA USAR 
ESTE BRINQUEDO: 1,50 mt
 (abrimos algumas poucas exceções) 

DURANTE O USO O PROPRIETÁRIO NÃO DEVE DIRIGIR VEÍCULOS OU OPERAR MÁQUINAS POIS SUA HABILIDADE E ATENÇÃO PODEM ESTAR PREJUDICADAS
(assinado: Comandante Rolim Amaro*)





LAVE ANTES DE COMER
 (just in case...)

NÃO CONSUMA SE O LACRE ESTIVER VIOLADO
(para os muito puritanos)

PROIBIDA A ENTRADA DE ESTRANHOS
(para as recatadas)

CUIDADO! PISO ESCORREGADIO
(para as libidinosas)

MATERIAL INFLAMÁVEL
(para as muito libidinosas)

ESTAMOS EM OBRAS PARA MELHOR SERVÍ-LO. 
GRATA PELA COMPREENSÃO.
 (durante a menstruação)

PEQUENAS PARTíCULAS PODEM SE 
DECANTAR NO FUNDO, 
O QUE NÃO ALTERA A QUALIDADE DO PRODUTO
(para quem ainda não sabe)

PEDIMOS A GENTILEZA DE NÃO 
FILMAR OU FOTOGRAFAR O ESPETÁCULO
(em tempos de internet, não custa nada se prevenir)

PODE CONTER TRAÇOS DE LEITE
(para as muito ocupadas)






FAVOR VERIFICAR DIAS E HORÁRIOS DE VISITAS
(porque nem todo dia é dia)

BATA ANTES DE ENTRAR
(é sempre elegante avisar)

e, claro...

É EXPRESSAMENTE PROIBIDA 
A ENTRADA DE ANIMAIS!!!!!!







* É estranho muitas pessoas não saberem disso, mas o fundador e presidente da TAM morreu dirigindo um helicóptero ao mesmo tempo que recebia um blowjob.







sexta-feira, 23 de maio de 2014

Quem me ensinou a amar? Foi, foi marinheiro, foi os peixinhos do mar.


Ontem foi o dia do abraço (não me perguntem como e nem o porquê) e muitas pessoas nas redes sociais postaram esta famosa foto de uma garotinha apaixonada por um peixe. Digo que ela é famosa porque já roda pelo meu feed há alguns meses, sempre com intenções fofas. E ontem a imagem, repetidamente compartilhada, vinha acompanhada de frases como: "Que delícia de abraço!!"; "Feliz dia do abraço para vocês!", "Fulana, sinta-se abraçado assim por mim.", etc.

Oi? 

Ninguém reparou no absurdo da foto??



Se eu tivesse que escolher uma metáfora para ilustrar o amor errado eu nunca seria tão assertiva. Amar errado é quando uma menina ama um peixe e acha que, por isso, tem o direito de agarrá-lo.  

É claro que o contexto real da foto deve ser algo totalmente diferente. O pai da menina devia ser pescador, pegou um peixe, deixou-o morrer sadicamente saltitando pela areia, a pequena Felícia* ficou com pena (ou achou divertido) , o agarrou, a mãe achou lindo e fotografou. Ou algo parecido, não importa. O que importa é a interpretação bizarra que as pessoas fazem da cena.

-Dane-se a vida dele. Dane-se que ele tem necessidades. Ela quis abracá-lo e é isso que importa. Não é fofo?



Mês passado dei uma bronca em homens velhos e babacas que faziam carinho e beijavam a boca de minúsculos coelhinhos expostos num pet shop para serem vendidos na Páscoa (sim, pessoas equivocadas ainda compram coelhos para engambelar os filhos na data). Acima dos coelhos havia a placa "não toque nos animais", mas os caras amavam demais os peludos para se preocuparem em poupar os pobrezinhos dos seus próprios germes. Diante do meu sermão eles disseram: "Ahhhhhh, eu sei que é errado, mas eles são tão fofos!!". Gays.




Um peixe precisa de um abraço tanto quanto precisa de uma bicicleta, parafraseando a lógica que não tem autor e que rola à solta pela internet. Gostei da ideia da frase agora ser do Bono. Faz mesmo sentido um cara que canta "I can`t live with or without you" dizer uma bobagem dessas.

Podem me chamar do que for, mas acho criminoso a gente incentivar nossos filhos a aprisionar bichos para poder apreciá-los e amá-los sempre que der vontade. Hamsters, peixes, passarinhos, tartarugas, e muitos gatos e cachorros (não todos) são uns coitados adorados por pessoas egoistas e vaidosas e que se acham no direito de prender o objeto amado e ainda se divertir com isso. Já briguei feio numa pré-escola por causa dessa ridícula filosofia. A dona achava fofo ter aquário, coelhinhos em gaiolas e jabutis rotineiramente torturados por bebês. Achava que, com isso, colocaríamos a natureza ao alcance de crianças urbanas e, assim, eles aprenderiam desde cedo a cuidar dos animais.
Balela.
Experiências assim só ensinam as crianças a amar errado. Só mostram como aprisionar os amores e, muitas vezes, matá-los.

Vale dizer que a minha preocupação não é apenas com os animais e não é sobre eles que eu estou falando.

"Oncinha pintada, zebrinha listrada,
coelhinho peludooooooooo...."
(Titãs)

Me preocupo é com o sentimento equivocado de poder que ronda a humanidade.
A verdadeira educação amorosa, respeitando o parceiro e apreciando a liberdade alheia, deveria ser ensinada nas escolas desde o pré, sendo bastante enfatizada no início da adolescência.
Regra nº 1: Não, você não pode fuçar no celular do seu namorado. E nem na vida dele. Isso é errado.
Regra nº2: Se ele quer sair com os amigos você não tem que pensar se deixa ou não, porque esse é um poder que você NÃO TEM! 
Regra nº3: Se ele quiser ir embora não fique brava. Pode chorar, pode ficar com saudade e pode dizer isso a ele quantas vezes quiser (embora não devesse), mas não fique brava. Ele não é seu.
Etc, etc...


A lavagem cerebral deveria ser tão bem feita que, enfim, seria óbvio dar à pessoa amada não aquilo que você, neuroticamente, deseja, mas o que ela precisa. Aceitar a distância se ela for importante para o outro. Suportar ser abandonado e trocado se isso representar a felicidade alheia.
Puxa, é tão fundamental!
Quantas tristezas, quantos BOs e quantos crimes passionais seriam evitados se a gente ensinasse os nossos filhos a apreciarem a liberdade ao invés de se divertir com ratos correndo numa roda?





Felícia é uma menininha chata que adora os bichinhos.















quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Naquele sofá ele deitava sempre e me dizia sempre o que é viver melhor...


Não tem prá ninguém. A febre agora entre a molecada miúda é a Peppa.
Peppa Pig é um desenho delicioso que passa no Discovery Kids sobre o cotidiano de uma família de porcos: pai, mãe, filha e filho. Desenho com linhas simples e temas rotineiros da vida das crianças. Uma graça. Para quem não conhece, deixo aqui um episódio:



No desenho da Peppa o pai é divertido e amoroso, mas é um bobalhão. Em todos os episódios a temática se repete: o pai faz tudo errado, a mãe (que sempre faz tudo certo) fica com pena dele, tenta contornar a situação e as crianças sempre acham graça. A dinâmica é basicamente essa.
Semana passada, enquanto estávamos vendo Peppa, o meu filho de 7 anos disse algo realmente curioso:

Uma família da pesada: pai paspalho, 
filho mais velho idiota, 
mulheres espertas.
-Mãe, por quê é que em todos os desenhos o pai é um idiota?

E todos os desenhos que conheço sobre famílias me passaram pela cabeça: idiota, idiota, idiota, idiota, idiota e... super idiota!!
Uau, filho, grande descoberta! Por quê será? Por quê será que plantam essa imagem paterna em todas as crianças do mundo ocidental desde cedo?
Idiota, preguiçoso, porco, excêntrico, inconsequente, irresponsável, estabanado, ingênuo, imaturo e as vezes alcoólatra. O pai é sempre um "loser" e sempre motivo de piada para os personagens e nós, telespectadores, rolarmos de rir.

O incrível mundo de Gumball: 

filha genial, pai totalmente retardado.
E o engraçado é que em todos os desenhos a mãe, por outro lado, é esperta e, em alguns, tem uma paciência maternal com o próprio marido, dando piscadelas e sorrisinhos para as crianças relevarem o pai. Ele é sempre tratado como um personagem "café com leite" que tem sérias dificuldades em ser adulto e precisa da nossa compreensão, coitado.
O que será que acontece?
Billy e Mandy: pai ridículo e imaturo, 
filho idem. Mandy genial e séria. 
Para compreender melhor o fenômeno imaginei o contrário. Imagina se os homens dos desenhos fossem inteligentes e talentosos e tivessem que suportar as suas esposas retardadas? Não seria cruel? Não haveria um punhado de abaixo-assinados de grupos feministas querendo proibir a coisa? E por quê é que, com os homens, pode?
Sacanagem.


Claro que tenho consciência de um jeito pueril dos homens serem, mesmo depois de adultos. Tenho pai e tenho marido. Sei que os homens são uns eternos moleques e que, mesmo por baixo de uma fachada autoritária e séria, mora ali um menino cheio de manias estranhas e atitudes doces e infantis.

"Há um menino, há um moleque, 
morando sempre no meu coração. 
Toda vez que o adulto balança ele vem prá me dar a mão."
(Milton Nascimento)


The Cleveland Show: pai ridículo.
Mas o povo dos desenhos extrapola. Tirando o Fred Flintstone e seu amigo Barney Rubble (que são bem bobinhos, mas não deixam de ser homens exemplares), os outros são bem retardados. Não gosto de saber que meus filhos crescem rindo de figuras masculinas que não merecem a nossa admiração. Acho que a imagem do pai deveria ser algo imaculado e exemplar. Pelo menos na primeira infância quando o papel masculino é definido para as crianças, tanto menino quanto menina.

Zé Buscapé: pai preguiçoso e burro; 
mãe brava e esperta.
Talvez meu filho de 7 anos tenha feito uma descoberta incrível. Talvez seja essa a raiz de toda a problemática moderna de não respeito às figuras de autoridade. Os Simpsons, esta semana, comemoraram 25 anos de existência e é bem possível que há 25 anos olhamos para os nossos pais no sofá e logo lembramos da figura patética do Homer. Tadinhos. Maldade pintar um pai de família cansado como um inútil preguiçoso.    

Os Flintstones: pai atrapalhado e imaturo; 
mãe madura e esperta. 
E tem mais!! Nos desenhos a maioria dos meninos homens é igualmente burra enquanto as meninas são inteligentes. Por quê??? Coitado dos meninos. Não tem, em seus desenhos favoritos, figuras masculinas sábias e dignas para se espelharem nem na idade em que estão e nem para um futuro distante.
Muita gente se preocupa com as menininhas que crescem brincando com Barbies magras e loiras e, com isso, têm a sua auto estima abalada, mas ninguém até hoje se preocupou com os pobres meninos que crescem assistindo (e rindo!!!) da sua condição masculina patética.

Os Simpsons: pai patético, filho imbecil, 
mãe esperta e filha genial
Não tenho a menor ideia do porquê a indústria infantil de entretenimento decidiu rotular os pais como imbecis e as mães como espertas e tolerantes. Os meninos como burros e pseudo-delinquentes e as meninas como geniais. É muita coincidência o mesmo tema se repetir em tantas histórias. Será que um bando de feministas loucas dominaram o processo de criação dos personagens? Será que as mulheres estão querendo se redimir de séculos de dominação masculina no ambiente doméstico?
Não importa a razão. O importante é que sutilmente a autoridade paterna e a condição masculina vem sendo ridicularizada sem a gente nem mesmo perceber. Com muito humor, muita diversão, mas de forma definitiva.

Goku e seu pai, Bardock
O feminismo caminhou muito nas últimas décadas, mas a verdade é que não podemos evoluir rindo dos homens. Porque precisamos arranjar maneiras legais de criar nossos meninos. Porque nossas filhas precisam crescer sabendo que os homens são igualmente sábios e dignos de respeito. Porque o pai deitado no sofá é o nosso companheiro de vida.

Por mais que eu odeie desenhos japoneses vou começar a incentivar meus filhos a assistirem Dragonball Z. Lá o pai do Goku é forte, corajoso e sábio, como todos os pais deveriam ser aos olhos de uma criança. Aliás, a árvore genealógica desses Super Sayajin é feita só de homens incríveis.
Santa sabedoria oriental...


"E nos seus olhos era tanto brilho 
que mais que seu filho eu fiquei seu fã."



De qual outra família vocês lembram nos desenhos animados?