quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Damas fora.




Dizem que uma dama sempre sabe a hora de se retirar. Acho essa frase muito certa e concordo com ela, embora eu nem sempre saiba me comportar com tamanha finesse.
Quando percebe que não tem mais nada a lucrar com a situação e/ou não pode colaborar com contribuições relevantes, a elegante dama se retira. E ela sai, preferencialmente "à francesa", ou seja, sem se despedir. É mais chique.
E este é um benefício exclusivo das mulheres.

Quando uma mulher termina um namoro ou casamento sempre achamos que ela foi sensata e madura. As mulheres tem esse dom de deixar suas saídas sempre glamourosas. Se ela sai sem dar satisfação, então, fica ainda melhor. Parece que o tolinho do homem não soube decodificar os sinais e, portanto, não poderá reclamar por não ter sido previamente avisado.
-Como assim "eu vou embora"?? Sem se explicar, querida?
-Se eu soubesse que você precisava que eu desenhasse para você todas as minhas reclamações no decorrer destes últimos anos eu deveria, no início, ter comprado um caderninho. Agora já é tarde. Adeus.


No entanto, homens não podem se retirar sem dar satisfação. Este é um direito que eles NÃO tem. Em geral, homens quando terminam uma relação são vistos como imaturos. Se saem sem avisar, então, são os maiores filhos da mãe do mundo.
Há! Adoro ser mulher por causa disso!! Poxa, precisávamos mesmo ter alguma vantagem depois de termos nascido com úteros que doem e peitos que caem. Para as mulheres, vítimas absolutas durante toda a história da existência humana, sempre existiu a vantagem da maturidade. Ufa.

-Querida, não quero mais.
-Hã? Você é gay??
Digo isso porque parece que existe um pacto silencioso entre os casais onde fica definido que é a mulher que deve se retirar. 99% dos divórcios que acompanhei só aconteceram por causa das mulheres que, num belo dia, deram um basta e se retiraram. É raro ver um homem terminando uma relação. Eles traem, inventam atividades extra-conjugais no fim de semana, trabalham mais do que o necessário, enrolam, ofendem a esposa para ver se elas desistem, dão um gelo nelas para ver se elas arranjam outro, mas não olham para a parceira e dizem: "Querida, não quero mais."
Eles esperam pacientemente pela retirada de suas damas.
E a minha opinião é que eles não vão embora justamente para não serem taxados de cafajestes. Parece que existe um combinado entre o casal onde eles dão a deixa para ELAS serem as elegantes e deixarem eles imunes ao julgamento da comunidade.
Ah, também existe o fato de homens não conseguirem sobreviver sozinhos. A filosofia de vida deles parece ser: antes mal acompanhado do que só.

Resumindo, a regra é a seguinte:

  • Quando mulheres são abandonadas, são vitimas. Quando abandonam, são maduras.
  • Quando os homens são abandonados, mereceram. Quando abandonam, são cachorros.

Simples assim. Vamos analisar estas imagens:


Dama se retirando.
Cafajeste indo embora.









Dama se retirando.









Cafajeste indo embora (pela esquerda).


Eu sei, eu sei, isso tudo é muito sexista e limitante. Uma grande bobagem.


...mas é a mais pura verdade, sorry.
Escrevo isso porque já faz tempo que assisto a retiradas de damas e cafajestes e, por mais que todos ponderem as particularidades das relações, as conclusões do público são sempre as mesmas. Ela foi a madura do casal e ele, o fraco.
Ah, deixa a gente se gabar disso, vai! Puxa, sofremos taaaanto, ganhamos menos, lavamos mais louça, limpamos mais crianças, sangramos todo mês.... deixa a gente ser elegante de vez em quando. Pode ser?
Valeu.

Pronto, depois desta minha brilhante conclusão (que todos sabiam, mas ninguém ainda tinha oficializado) ficou mais fácil para uma mulher sair de um relacionamento com elegância. 
Quero ver sair de uma piscina...








terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Do not skip the ad!

E lá vou eu novamente filosofar na mesa do café da manhã...



Toda vez que vejo esta foto estampada na caixa de Sucrilhos acho engraçado haver uma discreta frase na lateral: "O leite e a fruta são apenas sugestão de consumo".
Há! Sempre achei isso muito curioso. Será que algum mané realmente acredita que dentro da caixa haverá morangos frescos e leite gelado? Com uma tigelinha à tiracolo? Será que a empresa já foi processada por iludir alguém e, por isso, a obrigatoriedade da frase?

Hoje descobri que sim. Hoje meu filho gritou, todo contente, no corredor dos cereais:
-Mãe, vamos levar esse! Já vem com morango!!

Pois é...
Precisamos sempre pensar nos iludidos. Não podemos esquecer dos deslumbrados e, para estes, temos que avisar tudo, tudinho.

E aí que está a graça da história. TODOS nós nos iludimos com a divulgação de um produto. Em maior ou menor grau, todos somos engambelados pela propaganda e não percebemos que muita coisa não vem incluída no pacote.

Hope avisa: A Gisele e o chiclete são apenas sugestões de consumo.

Já aconteceu de você comprar uma lingerie só porque achou linda a moça da propaganda? Comigo já. Aí a gente chega em casa, veste a calcinha e se sente profundamente enganada, apesar de nunca confessar que momentaneamente achávamos, sim, que ficaríamos gatas. Vou processar a Valisère.

Também já usei produtos para o cabelo que me deixaram frustrada. Não por culpa do creme, mas da moça deslumbrante do comercial. Homens elegantes nos carros chiques, casas arejadas, ensolaradas e com cortinas esvoaçantes em comercial de inseticída e tudo que NÃO vem incluso nos produtos, mas a gente jura por Deus que terá algo semelhante ao pagar por ele.  

Existe uma frase no marketing que diz:
"Se você quer ganhar dinheiro, invista na inocência das crianças, na vaidade das mulheres e na ambição dos homens"


Hoje acredito que não. Acho que a frase deveria ser mudada:
"Se você quer ganhar dinheiro, invista na inocência das crianças, na ingenuidade das mulheres e na ilusão dos homens."

Tá, tá... até aí tudo dentro dos conformes. Os marketeiros renomados ganham fortunas justamente para fazer isso com as nossas mentes. Até aí não existe novidade.
Mas....

O estranho é que estamos tão treinados à ilusão que começamos a fazer isso no cotidiano.
E não percebemos.
Na vida real não existem letras miúdas dizendo que grande parte do cenário é apenas uma opção, não garantia. Não existem letras miúdas nos informando que os relacionamentos não serão tão lindos, os bebês não serão tão fáceis e os trabalhos, não tão glamourosos  E aí nos frustramos profundamente quando percebemos que, na vida que construímos (com escolhas racionais e emocionais), não existe toda a alegria que acreditávamos. Acho que, com a divulgação desenfreada de comerciais e propagandas, acabou que a vida real nos ilude com as mesmíssimas promessas, mesmo sem marketeiro algum por trás
.  
A felicidade da família e a melancia são opções de consumo.


Mas... para provar que a vida pode, sim, ser uma eterna propaganda, eu decidi comprar o morango e o leite gelado que faz "splash" e reproduzir um Sucrilhos igual ao da embalagem.
Não é tão bonito e nem um pouco gostoso, mas... quem se importa???

E com isso descobri que podemos acatar a sugestão de consumo e consumir tudo na vida de um jeito alegre e colorido.
Hoje em dia faço assim: se um filho meu chora de madrugada, já me sinto numa propaganda de Vick Vaporub. Se tenho se sair com ele para o hospital. Simples! Imagino que estou num comercial de plano de saúde.
Se brigo com o meu marido, já penso num comercial de perfume, com portas batendo, malas sendo apressadamente feitas, moça escorregando pela parede até se sentar no chão, close nas lágrimas rolando pelas bochechas e relógio na parede mostrando a demora.
Se fico presa no elevador, já ajo como se estivesse num comercial famoso da década de 80.
Até para prisão de ventre tem comercial! Até para dor de cabeça, hemorróidas, cólica ... é uma fartura!

Hoje, especificamente, me sinto divulgando algum produto excêntrico da Polishop, tentando perder alguns quilos com programas de fitness caseiro.
E haja glamour!




-Deixa eu adivinhar: você também acreditou que a 
Gisele Bundchen viesse dentro da embalagem.

-Gisele? Não. Eu queria mesmo era o chiclete.

-Xiiiiii..... garçom, desce mais dois.