segunda-feira, 21 de março de 2011

"Frasier is Back to Town"


Por incrível que pareça tem gente que não conhece "Frasier", então vou ter que explicar.
Ai, ai.
Frasier = Sitcom americana que fez sucesso de 1993 a 2004, quando encerrou. Ganhadora de 39 Emmys. Um recorde na TV americana! 
São dois irmãos psiquiatras que fazem um programa na rádio respondendo ao vivo perguntas dos ouvintes. Eles eram cultos, elegantes e pernósticos. O "gaydar" apitava alto perto deles, mas eles eram héteros e bem engraçados. Quem nunca viu, perdeu.

Bom, ano passado eu fiz um programa de rádio nos moldes de Frasier, minha grande inspiração profissional, hehe.
Não respondia as perguntas ao vivo porque moro numa cidade tão pequena, mas tão pequena, que todos se conhecem, e apenas pela voz do ouvinte já daria para reconhecer a pessoa. Incrível, mas é verdade.

Portanto, para manter a privacidade dos meus ouvintes, o programa deveria receber cartas. Divulguei na rádio a minha proposta e fiquei ansiosa esperando as muitas cartas que eu receberia. A primeira foi um bilhetinho pedindo para eu falar algo sobre o "homem sexual".

"Querida ouvinte, antes de mais nada, obrigada pela sua audiência. É um enorme prazer fazer um programa especial para você. Olha, de acordo com minha experiência profissional e pessoal, TODOS os homens são sexuais e cabe a nós, mulheres, usarmos isso para o bem ou para o mal!!!"

Hahaha... brincadeira. Modéstia à parte fiz dois programas lindos sobre o HOMOSSEXUAL, que eu imaginei ser o pedido da minha leitorazinha querida. 

A segunda carta era uma coisa enorme: 8 páginas ("front and back!!!!", rsrsrsrs) contando tudo sobre a vida de uma outra ouvinte. Demorei dois dias para decodificar tudo e, no final da autobiografia, ela não me pediu nada! Só queria mesmo me contar sua vida. Mesmo assim fiz um programa para ela. A moça chorou, veio me agradecer pessoalmente depois. Uma fofa.

E assim foram 6 meses de programas semanais. Duravam em média 30 minutos e minhas falas eram intercaladas com músicas que tinham a ver com o tema. Muito bacana.
Mas as cartas nunca mais vieram. A audiência era boa, mas as pessoas não participavam mandando sugestões e pedidos. Eu inventei mil assuntos para falar nos programas, mas aí cansei de ter a sensação de trabalhar sozinha. Sabia que tinha gente me ouvindo, mas não tinha propósito, não tinha diálogo, e isso me deixava aflita.

E isso está acontecendo aqui também.
Não sirvo para escrever sem saber para quem estou escrevendo. Quero me inspirar em alguém para ter a certeza exata de que estou falando com um interlocutor. Isso faz mais sentido para mim, e aí tudo flui facilmente.

Aqui no blog já fiz isso duas vezes e foi muito inspirador. No post "Uma acidente de carro por dia", e "O tempo das raízes", foram escritos especialmente para duas pessoas. Uma conhecida, outra não. Além disso, já escrevi para alguns outros amigos que sei que iam achar graça de alguma piadinha, que iam se identificar com alguma brincadeira ou que lembrariam de alguma passagem descrita aqui.

Por isso quero fazer a vocês uma proposta para que meu desejo e meu propósito em continuar a escrever aqui nunca se acabe. Quero que escrevam para o email claudia@coisasdaroca.com.br e me contem alguma coisa sobre vocês para que eu possa pensar em algo e fazer um post.

Mas, por favor, não me façam perguntas! Não posso e nem nunca irei respondê-las. Nunca fiz isso com meus pacientes e não seria lendo um email que eu teria o direito de sugerir algo para alguém. Nenhum psicólogo sabe o que é certo e bom para um outro ser humano. Um terapeuta que dá opinião e responde a perguntas não é um bom profissional, e ponto final.

"Claudia, não consigo decidir que
roupa vou usar hoje!"




E na verdade também não quero falar aqui como psicóloga. Quero falar para gente real, ao invés de olhar para esta tela e ter que imaginar se meu texto vai ecoar em alguma lugar.

Não querem falar sobre problemas? Falem sobre algo que aconteceu com seu amigo, sua prima ou seu cachorro. Alguma polêmica no trabalho, alguma fofoca no prédio, qualquer coisa! Mas quero histórias reais.

E é claro que a privacidade será mantida. Óbvio!!!

Ninguém nunca saberá que o post foi escrito para você. Só nós dois! Não é legal??

Vamos ver que rumo que essa história vai tomar... "Frasier has left de Building".






E para quem não conhece, aqui vai a deliciosa abertura do programa para vocês irem se inspirando:









5 comentários:

  1. Farei isso, contanto que vc não pare de escrever no seu blog! NUNCA, mas nunca nem IMAGINE que vc está escrevendo pra "ninguém", pois é muito bom. adoro e ando lendo sempre desde SBSapucaí. Mais do que frasier, pra mim é como um "Sex in The city" the Carry... sem todo o SEX. hahaha
    bjoo

    ResponderExcluir
  2. da Carry.. não "The Carry" (confundindo tudo já)

    ResponderExcluir
  3. Minha blogueira favorita!E assim a vida do artista! O pintor pinta e vai entulhando a casa de quadros ate que um dia ele morre e vai tudo pra leilão.Os músicos tocam pra ninguém nos restaurantes,Bach compunha para os nobres dormirem(variações Goldberg). Suas crônicas sao nosso alimento da alma.estaremos sempre aqui .

    ResponderExcluir
  4. Sempre adorei Frasier... e não sabia do seu lado radialista. AMEI! adoraria ouvir, tem algum gravado?
    Mas a internet é muito maior... milhões de pessoas se conectando o tempo todo...
    Tenho certeza que não faltarão leitores e assuntos!
    Vou tentar contribuir, Em breve vou te mandar uns temas. Bjos,

    ResponderExcluir
  5. Acabo de conhecer seu Blog, e li alguns de seus textos, até cair neste aqui! Não pare de escrever não!!! Seus textos são ótimos, profundos, inteligentes e quem os lê se acrescenta e muito com a leitura,tenha certeza disso! Parabéns pela iniciativa! Vc acaba de ganhar uma leitora assídua!!! :) Bjokas.

    ResponderExcluir

Se você não tiver uma conta Google e quiser comentar: escreva na caixa, assine (para eu saber quem escreveu!) e escolha a opção "Anônimo". Pronto! Seu comentário aparecerá imediatamente no blog.