sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Como lidar com a sua Tereza

Aos 13 anos eu decidi que era hora de abandonar o pop rock dos anos 80 e conhecer o universo adulto. Comecei pela Bossa Nova. Decorei TODAS as músicas e adorei algumas.
A minha preferida era o diálogo entre Dick Farney e Lúcio Alves. Não conhecem?? Link aqui: Tereza da Praia
Eu adorava esta música porque jurava por Deus que eles estavam falando de mim. Hahaha, juro! Pele morena, cabelo castanho, corpo bonito, nariz levantado, olhos verdinhos, e (não menos importante!)... uma pinta do lado. Sou eu, com toda a certeza!!!
Mas também gosto da música por causa do "estilo bossa nova" deles de lidar com uma linda mulher infiel. Quando ambos descobrem que estão se relacionando com a mesma moça, Dick e Lúcio, ao invés de brigarem por ela (ou, pior, concluirem que a Tereza era uma vagabunda) decidem que ela será então... da praia.

"Então vamos a Tereza da praia deixar aos beijos do sol e abraços do mar. Tereza é da praia não é de ninguém. 
Não pode ser tua. Nem tua também." 
(Tom Jobim e Billy Blanco)

Civilizado, né?
Adoro este jeito blasé de olhar para a dor de corno. Sempre tive a impressão de que, juntos, eles decidem preservar a natureza selvagem da moça, possivelmente achando que foi justamente este o grande diferencial da Tereza que os encantou (quem liga para as pintas??). 
Respeitosamente, então, ambos deixam ela seguir o seu curso sexual e afetivo.

Minha mãe, porém, tem um outro olhar sobre a mesma história. Ela contou que, na juventude, tinha pesadelos com esta música porque achava que os rapazes estavam rejeitando a pobre Tereza e que, por ser tão promíscua, ela nunca mais conseguiria se casar com alguém.
 
Em outras palavras: ia dar, dar e morrer na praia.


Tereza é da praia, não é de ninguém.
Até Iemanjá devolveu...rsrsrs, tadinha!

Bom, diz a lenda que a verdadeira Tereza se casou com o autor da música e, provavelmente, o responsável pela civilizadade da letra. Foi morar com Tom Jobim, teve dois filhos e deixou a praia a ver navios (assim como todos os marmanjos que por lá circulavam).  

Uma outra musa da MPB, também Tereza, deixou um cara bastante enciumado e ansioso. Foi sambar no morro sozinha, não avisou e ainda demorou prá voltar!! Que petulância!! Link aqui: Cadê Tereza?
Mas o marido não fica bravo não! Muito pelo contrário: caso ela volte, ele promete deixar de ser um grandissíssimo malandro.

"Eu juro por Deus
Se você voltar eu vou me regenerar
Jogo fora o meu chinelo, meu baralho, a minha navalha
e vou trabalhar."
(Jorge Ben Jor)


Esta segunda maneira de lidar com uma mulher safada é ótima e também não deixa de ser um jeito evoluído e civilizado de encarar um par de chifres. Para quem quiser usar esta metodologia, o raciocínio aqui deve ser: É bem possível que a culpa seja minha!!!
Já vi isso acontecer e aplaudi de pé a sensatez do cara. Depois da punhalada inicial, ele olhou para o próprio casamento e achou que a esposa tinha toda razão em procurar um outro homem. Ele a perdoou pela traição e ela o perdoou por ele ter sido um idiota por longos anos. Hoje estão muito bem, obrigado.
Moral da história:
TE PERDOO POR TE TRAIR. 


Mas é claro que nem tudo são flores no universo da infidelidade. A famosa cabocla chega agora para colocar nossos pés no chão e nos fazer lembrar que os homens, definitivamente, ficam furiosos diante de uma mulher safada. Link aqui: Cabocla Tereza 
PS: não tentem fazer isso em casa!!!

"Senti meu sangue fervê
Jurei a Tereza matá
O meu alazão arriei
E ela eu vô percurá.
Agora já me vinguei
É esse o fim de um amor
Esta cabocla eu matei
É a minha história, dotor."
(Tonico e Tinoco)

E, com isso, aumenta em muito os números de crimes passionais contra mulheres que decidem tomar outro rumo para as suas vidas.
Pois é... 
Ah, minha amada turma da Bossa Nova, se todos fossem no mundo iguais a vocês. 


Bom, mas uma coisa eu tenho que perguntar: qual será o problema com essas Terezas?????

Sim, porque este, definitivamente,
não é o padrão "Tereza" de ser.


-Fernando, arranjei novo amor no Alagoas.
Que corpo bonito, que pele morena!! Que amor de pequena, amar é tão bom.
-Ô Pedro, ela tem um nariz levantado?

Os olhos verdinhos, bastante puxados...

Hum... para resolver este mistério só mesmo chamando o especialista.
E agora com vocês, Dorival Caymmi:

sábado, 3 de dezembro de 2011

"Pobrezinho nasceu na Fenda do Biquini..."


Aqui em casa o povo está se preparando para o Natal.
E Natal na casa de pessoas descrentes é ótimo porque podemos, simplesmente, brincar de sermos fofos. Arrumamos a casa num estilo "country chic" e nos deslumbramos com as luzes piscando na vizinhança.
Oba!
Com a imensa vantagem de que nós, ateus, não sofremos com a culpa por mergulharmos de cabeça na superficialidade da data ao ignorarmos por completo o nascimento de Cristo.

Mas, detalhe: aqui na minha casa não tem menino Jeusus, mas também não tem consumismo. Saint Samuel Klein e São Abílio Diniz também não mandam no pedaço. Nada de compras faraônicas num shopping enlouquecido.
Só um jantarzinho simplão e a delícia de se perceber fora do sistema.

 "Estou apenas observando quanta coisa existe,
das quais eu não preciso para ser feliz"
(Frei Betto, diante da vitrine de uma loja)


Mas nada de fugir às tradições. Nana-nina-não! Contei para as crianças a história do nascimento de Cristo (conhecimento geral é bom e eu gosto) e eles fizeram um presépio.
E o resultado foi este:

Os três reis aqui trouxeram: ouro, ouro e... ouro. Quem ainda se interessa por incenso e mirra? E, aliás: para que serve a tal mirra???
Mostrei esta foto para algumas pessoas e uma amiga disse:
-Então as nossas almas foram salvas pelo Patrick???
Hahaha, pode ser que sim: "ERAM OS DEUSES SUBMARINOS". Não dizem por aí que a vida começou na água?.
Se nossas almas tivessem realmente sido salvas pelo Patrick, as coisas hoje seriam praticamente iguais:

Haveria peregrinações à Terra Santa:

EU FUI!!!
CARAS: Roberto Carlos se emociona em sua segunda viagem à Fenda do Biquini.


Da Vinci teria que continuar caprichando na técnica ao retratar a Santa Ceia:

 Comemoraríamos o milagre da multiplicação de hamburgueres de siri:


Sofreríamos, a todo momento, o peso daquele que morreu por nós:


A dor e o sofrimento continuariam sendo supervalorizados em nossa sociedade judaico-patrickense:


Embora o crucifixo nos pescocos tivesse que ter outro formato:

SOU FELIZ POR SER CATÓLICO.
PS: A grande diferença aqui é que o Patrick poderia dar uma mãozinha em seu próprio flagelo:

Hahahaha...tadinho.


A "Paixão de Patrick" continuaria sendo encenada no feriado por atores globais e crianças: 














Bob Esponja seria condenado ao ódio por ter, estupidamente, denunciado Patrick.

Guerra Santa
Anti-Cristo

 E daria margem para às mesmíssimas frases:
-Moro lá longe, onde Bob Esponja perdeu as botas.


Bob esponja sem botas, rsrs.
 Sacanagem: o cara pode estar morto e eu, tonta, fazendo piada.
 

Sim, tudo seria praticamente igual.
Mas nosso salvador teria, ao menos, sorrido e se divertido mais durante a sua curta existência. Nossa culpa, portanto, poderia ser beeeeeem menor.
"Have you ever seen a picture of Jesus laughing?
Mmm.. do you think he had a beautiful smile?
A smile that healed."

(Kate Bush)

(Você já viu uma imagem de Jesus sorrindo? Mmm... você acha que ele tinha um sorriso bonito?
 Um sorriso que cura.)
Link da música aqui: Kate Bush e Prince



E ainda teríamos a grande honra de ter, como representante de Deus, um rapaz divertido, com um QI limítrofe, cor de rosa e, no caso do meu presépio, gerado por um casal homossexual: São Shrek e Santo Índio Canibal. 
Ué? Maria não era virgem? Bom, então realmente tanto faz! O encontro dos zigotos não seria mesmo necessário. 
Patrick seria a prova de que Deus nos quer felizes!

Para Todos Vocês !!!