domingo, 31 de julho de 2011

Tan-tan tan-tan tan-tan....ahhhhhhhhhh!!!!!!




Sabem aqueles filmes de terror onde o cara se depara com criancinhas de camisola e pijama no corredor? Com carinha serena, olhar sorridente, cara de quem não vai desistir enquanto você não brincar com elas? Tem umas que até chegam com um brinquedo a tiracolo e, prá completar a cena, tem aquela musiquinha sinistra de caixinha de música.
Então, tenho certeza absoluta que o criador destas cenas possuem filhos.

Filhos no corredor são o pior susto que pessoas adultas podem sofrer dentro de casa. Os meus são de uma brancura "Poltergeist" e chegam de surdina, no escuro... ai que medo! Acordo sempre com o espectro ao lado da cama me observando.
Maldita hora que aprendem a descer do berço.

Nada é mais assustador do que encontrar criancinhas pela casa de pijama quando elas deviam estar dormindo e liberando você para fazer o que bem entender da sua vida,  como assistir a um filme, ler um livrinho, fazer sexo ou, a atividade preferida de 10 entre 10 pais cansados: dormir.

Só quem tem filhos sabe a vontade de gritar que dá ao encontrar os pequenos seres olhando para nós como que querendo nos roubar a vida.
E roubam mesmo.
Testam nossos limites e sugam a nossa energia até a coisa ficar insustentável.
-Mãe, estou sem sono. 
Posso brincar aqui no seu quarto?

Mas é nessas horas que a gente descobre que tem mais energia guardada em algum lugar misterioso e, subitamente, a coisa fica tranquila e até um pouco divertida, e daí nos descobrimos curtindo brincar de Lego ou compartilhando um Sucrilhos no meio da madrugada.

Por isso sempre digo: nossos filhos nos tornam fortes exatamente por serem tão exigentes e dependentes de nós.
A idéia da criança pidona possui dois lados (eu ia usar a palavra "arquétipo", mas deixa prá lá). Se por um lado ela te perturba e te cansa, por outro te salva de um mergulho egóico profundo, protegendo os próprios pais de depressões, crises e vazios existenciais.

Graças a elas não podemos nos dar ao luxo de nos entregarmos às tristezas, doenças e crises financeiras. É também  bastante comum as brigas conjugais darem uma diminuída depois que os filhos nascem, já que agora existe algo mais importante a se fazer do que ficar com ciúmes da bonitinha que trabalha com o marido.

-Vai paizão, vai dar tudo certo, confio em você
Certa vez fiz um trabalho com filmes infantis que mostrava a importância dos filhos no processo de luto de um cônjuge. Tenho mil exemplos para dar, mas o Nemo é o mais popular. Lembram do peixinho exigindo que o pai se liberte do medo e enfrente a vida, com todas as suas dificuldades?
Pois é... conheço muitas crianças reais que fazem o mesmo pelos pais.

Quando pensamos que estamos cuidando dos pequenos, são eles que cuidam de nós justamente por serem tão cheios de energia e sedentos pela vida

A "Oração de São Francisco de Assis" só é como é porque ele não tinha filhos. Gastava todo o seu precioso tempo deixando os animaizinhos roerem suas sandálias. Se ele tivesse filhos, sua oração provavelmente seria assim:




Filhinho, fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver vontade de chorar o dia todo, que eu leve você para assistir mais um lançamento da Pixar,

Onde houver desejo de dormir cedo, que eu fique longas horas te contando histórias,

Onde houver dia livre para refletir sobre a dureza da vida, que eu organize piqueniques,

Onde houver arrumação esterelizada, que eu tropece na bagunça de seus brinquedos,

Onde houver 5 minutos de janela no trabalho, que eu o ajude na lição de casa,

Onde houver insônia pela falta de dinheiro, que eu tenha que fazer inalação em você,

Onde houver tristeza minha, que eu tenha que te fazer alegre,

Onde houver vontade de chorar, que você me exija um carinho.


Ó Filho, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado; 
compreender que ser compreendido, 
amar, que ser amado. 
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado 

e é tendo filho que se nasce para a vida eterna...





-Pai, pai, quero fazer xixi.
Tô com fome! Que bicho é esse? Por que ele é peludo? Já tá na hora de ir para casa?
Quantos minutos faltam? Meu chinelo arrebentou...



-Ó Deus, dai-me paciência.



sábado, 30 de julho de 2011

A difícil arte de fatiar a sua pizza.


Dia 10 de Julho foi o dia da pizza. Parabéns!!! Eu estava viajando e não pude usufruir o dia como merecia.
Acho mesmo que a data devia ser mais divulgada.
Melhor: devia ser feriado.
Pizza é um alimento sagrado, assim como o pão que Jesus repartiu na santíssima ceia. Pizza mata a fome diária de milhões de pessoas em todo o mundo. E, no Domingo, a demanda nas pizzarias aumenta justamente por ser dia santo, hahaha.
Óbvio!
Um alimento globalizado, amplamente aceito e perfeitamente adaptado às diversas culturas.

Mas a pizza tem que ser boa para valer a pena. Pessoas tolas dizem que sexo é que nem pizza: mesmo quando é ruim, é bom.
Frase estúpida.
Pizza ruim é ruim prá caramba!!!! E sexo ruim, idem.

A frase deve ter sido inventada por um carioca ou um australiano que não entende nada de pizza (prá não falar dos mineiros que colocam maionese e ketchup nas redondas).
Ou deve ser uma frase do japonês doido que se entope de comida para ganhar troféus.

"Takeru Kabayashi, seis vezes campeão mundial de comer cachorros-quentes, comeu cinco pizzas e três quartos em seis minutos. O evento foi patrocinado pela Pizza Hut."
Há!
Quero ver ele fazer a mesma coisa com 5 Chessy Pop de peperonni na massa pan!!!
Duvi-de-o-dó!
Kabayashi ganha fama comendo pizza indiscriminadamente. Muitos politicos, esportistas e artistas famosos estão hoje na mídia por também fazerem sexo indiscriminadamente.
Mas este povo não vale porque não entendem nada de qualidade.

Pizza e sexo tem que ser bom para valer as calorias consumidas e gastas, respectivamente.

Tem quem goste de massa fina, crocante. Outros preferem as grossas, com bordas gordas para ter onde pegar.
Uns gostam de pouco recheio. Outros adoram a abundância.
Uns gostam de noite, no meio da madrugada. Outros preferem de manhã ao acordar.
O mesmo com o sexo.

PIZZA BORDA FINA





                                           PIZZA BORDA GROSSA






E prefiro não entrar nas metáforas dispensáveis sobre calabresas finas, grossas ou mesmo sobre a péssima textura daquilo que eles insistem em chamar de Catupiry.
Mas digo só uma coisa, calabresa cortada grossa não dá!! Tem que ser fina o suficiente para envergar quando assa.

Hahahah, me perdõem pela foto, mas não pude evitar.
Me fez lembrar do post "Mister M. dos Bogueiros", para mim o melhor de todos.
(reparem na tomada atrás da moça)
E para concluir, a pizza (fina ou grossa, não importa) tem que ser fálica, ereta.
Pizza que desaba quando a pegamos pela borda não está com nada. Está provavelmente encharcada por um molho muito aguado ou crua pelo forno mal regulado.

Bom, é enorme a relação entre pizza e sexo e eu poderia ficar o resto do dia achando correspondências entre as duas maravilhas da humanidade.

Mas nem é sobre isso que eu queria falar.

Queria mesmo é dizer que a nossa vida nada mais é do que uma pizza, com fatias bem definidas para cada uma das áreas. O trabalho é uma fatia, o amor é outra, os filhos são outra, a saúde outra, os hobbies uma fatia importante, e assim por diante.
Mas no meu consultório eu percebo gente que tem uma única fatia em sua pizza. SÓÓÓ filhos, SÓÓÓÓ namorado, SÓÓÓÓ trabalho, SÓÓÓÓ doença. E todos os dias chegam para falar da única fatia de suas pizzas, em geral sobrecarregada de recheio e bastante indigesta.
E eu sempre lhes pergunto: e o resto??? cadê o resto?
Não tem resto.


-Vejamos... aqui termina o assunto da sua doença
no coração. Agora comece a falar do seu bordado.
Pode começar.
A vida deles se restringe a uma única fatia e É ESSE o grande problema. Não a qualidade da fatia em si, mas o fato dela estar sozinha, sem outros sabores para dar uma equilibrada na vida.
E é por isso que, em geral, pedimos as pizzas meio-a-meio. Para não enjoar do sabor, para variar, para conhecer novas combinações e, ao mesmo tempo, nos garantirmos com as tradicionais.
E tem gente que passa a vida toda experimentando a mesmíssima pizza por toda a vida. Não é péssimo isso? Reclamando e sofrendo por ela, mas mesmo assim insistindo na mesma fatia...

E meu trabalho em terapia é fatiar a pizza com técnica e criar novos horizontes.

Uma vez uma pizzaria de São Paulo se gabava de ser a única da cidade a vender pizzas com 10 fatias.
Hahahaha, nunca compreendi a vantagem disso.
E além de tudo sempre imaginei a dificuldade do pizzaiolo em dividir uma circunferência em 10.

Mas é bom agora você parar e se perguntar: quantas fatias tem a sua pizza?? Você gosta dela? O recheio está sufiente? A massa segura bem o tranco?
E como seria cortar sua pizza em mais pedaços?? Variar o recheio... experimentar uma massa mais fina...
Não lhe parece tentador?

Então vistam a camisa da minha "Terapia da Pizza" e tirem o dia para refatiar a sua vida.
Você não é nada além de uma pizza.
E o seu namorado é só uma fatia dela, ok?
ENTENDEU???

Tá bom, sua hora terminou. Pode ir embora agora.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Amor 90% poliéster


Gunther Von Hagens é um alemão esperto. Inventou um jeito de plastificar cadáveres e anda ganhando muito dinheiro com isso. Tira a pele, fica um ano cuidando do que sobra, coloca os mortos em posições engraçadinhas e os expõe.
Ele chama de arte e lota galerias com seus mortos, recebendo visitantes que adoram.
-Puxa, que veia grossa, que músculos lindamente trançados, que intestino sinuoso!!!

Eu não acho que seja nada de artístico. Para mim é uma belíssima aula de anatomia humana e, particularmente, acho a coisa bem bonita.
E já existem 10.000 pessoas no mundo que tem contratos assinados com o cara doando seus próprios corpos para o dia em que morrerem serem eternizados por ele. Muita gente acha estranho alguém querer isso para si, mas eu acharia bacana.
Vou para a Alemanha assinar um contrato.
Mas irei exigir uma posição bem confortável. Nada de trapézio ou plantando bananeira. Vou ver as opções que ele pode me oferecer.

-Montarria invérrtida eu já tenho na minha coleçáo. Parra você posso deixarr reservado o frrango assado!!

Hahahaha....
Agora, fala a verdade: duvido que Van Hagens seja casado. Quem olha para um cádaver e pensa em... sexo? E quem faz sexo com um cara que pensa isso?????

Ok, mas não é sobre o alemão pervertido que eu queria falar.
Ontem eu estava assistindo na TV um programa sobre morte e o especialista (chama-se tanatologista, existem especialistas para tudo neste mundo!!!) disse algo que me fez pensar:

Precisamos de filtro para conseguirmos olhar para o Sol. Os rituais também são como filtros, que necessitamos para olharmos diretamente para um cadáver. Enterrar, cremar, preparar o corpo, velar junto à família, tudo isso é uma maneira que encontramos para lidar com a morte.

Hum... bacana.

E precisamos também de rituais para olhar diretamente para o passado, já que existem situações difíceis de serem olhadas, como por exemplo ex-namorados, ex-esposas e ex-maridos.
Cada um tem um jeito particular de cuidar de seus mortos.

Um amigo meu pegou uma bacia de alumínio e botou fogo em tudo que dizia respeito à relação que havia terminado, inclusive fotos do casamento! E eu desesperada: "Não!! É mãe dos seus filhos... tá louco???"
Mas ele fez o ritual de cremação no quintal sem dó nem piedade da falecida.
E o cadáver foi consumido.

Uns fazem um velório longo e optam por ficar enlutados por anos. A digestão do cadáver é lenta e sofrida para as bactérias e vermes que não desejam se alimentar de tanto amor. Ficam com dó.


Mas um dia o amor morto passa pela mágica de Lavoisier e se transforma em outra coisa. Vai para o andar de cima (ou para o andar de baixo, se for uma minhoca, haha)

"Se o amor é como um grão:
 morre e nasce trigo, vive e morre pão."
(GilbertoGil)



OBS: Preciso falar. O nosso querido Diogo Mainardi disse que a melhor coisa que Gilberto Gil, enquanto Ministro, poderia fazer pela cultura do país era parar de cantar.
Hahaha!
Cruel. 
Bolsonaro, por outro lado, diria que a melhor coisa que o Gil poderia fazer pela cultura do Brasil era não ter tido filhos. (vide post: Liberdade de Expressão)
Eu digo que a melhor coisa que o Gil poderia ter feito pela cultura do país era ensinar os meninos a criarem os seus próprios websites e fazerem suas próprias home pages, como ele mesmo prega na sua musiquinha. Informatizar e educação e globalizar a cultura para termos padrão de comparação e deixarmos de viver alienados da produção cultural do resto do mundo.


Mas eu ontem pensei, assistindo o alemão maluco na TV, que podemos também olhar para os amores passados desta forma: plastificando-os e eternizando-os com beleza e uma pitada de bom humor.
Ah, mas é importante dizer que não é assim tão fácil!!
Van Hagens demora 1 ano em cada corpo e gasta mais de 40 mil dólares em cada "obra de arte". E isso porque ele nem paga pela matéria-prima!!!
Pois é... achou que era fácil o milagre de transformar algo horrível em arte? Nada disso!! Exige tempo, conhecimento e muito investimento.
Não é qualquer um que tem sangue frio suficiente para olhar as fotos do casamento que acabou e dizer, friamente:
-Olha que lindo meu cabelo, como minha mãe estava magrinha, puxa que luz maravilhosa, que beleza de sapato!!

Sim, é possível ver uma foto antiga e não ter o impulso de dizer confissões no gravador e nem achar desconcertante rever um grande amor.
Tom Jobim não sabia nada da técnica de plastificação dos mortos.Tom Jobim era amigo do poetinha que dizia que o amor só é eterno enquanto dura.
Mas o amor pode ser eterno mesmo depois que acaba.
Plastificado e colocado em poses engraçadas.

-Puxa querida, obrigado por terminar comigo, você salvou a minha pele.
-Que bom. Você, dizendo isso, tirou um peso do meu peito.


Mas, de novo, não acho que isso seja uma arte. É mais uma belíssima aula de civilidade e respeito pela própria história.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Na mão direita tem uma roseira.


Dia 21/06 eu escrevi um post sobre... a pele ("A memória da pele").
Bobo e totalmente dispensável.
Até a minha mãe me ligou intrigada, achando estranho um texto sem conclusão.
-O assunto ficou meio jogado.- disse ela.
Ficou mesmo.

É porque eu  havia escrito anteriormente que pouparia meus leitores de meus problemas particulares (post: "O draminha chatinho da vida particular"), mas estava envolvida demais com os tais dramas para escrever sobre outras coisas. Daí falei generalizadamente sobre a importância de sentir o mundo através da pele.
Assim, ao acaso, como se a coisa não fosse comigo.
O problema é que ajoelhei mas não rezei. Não consegui explicar do porquê eu estava escrevendo aquilo tudo.

Monet foi perdendo a visão. Suas telas borradas acompanharam e decadência do olhar e ficaram famosas justamente por serem lindamente nebulosas.
Beethoven perdeu a audição mas, mesmo assim, compôs a 9º sinfonia apenas com sua memória auditiva.
E eu estou perdendo o tato.
Quem sabe ficarei famosa com este fato inusitado!!!

Vou tentar descrever: sabe quando você fica muito tempo sentado sobre o pé e ele fica formigando? Todo mundo já pasou por isso, né? Mas aí, quando você insisite em caminhar nestas condições, parece que há algumas agulhas espetando o pé. Pequenos espinhos de uma roseira boba...
Não é incapacitante e nem propriamente dolorido, mas incomoda.
Maiô + Luva = Tudo a ver

Então, estou assim há uns 40 dias.
Estava no corpo todo, mas agora se concentrou de maneira insuportável na mão direita. Tudo é ruim: fazer carinho nos meus filhos, lavar meu cabelo, lavar louça, enxugar as mãos em toalhas felpudas, mexer com areia e terra...
Mas o pior é digitar. Passar o dedo na bolinha do mouse é aflitivo e dolorido. Hoje comprei luvas para amortecer o contato, mas não posso sair na rua com elas porque todos vão me achar demasiadamente surreal.

Coisa tola e boba que não me impede de fazer as coisas que eu preciso, mas que prejudica em muito meu contato com o mundo.
Ainda mais na mão.
Ainda mais na mão direita.

Quando uma criança desenha uma pessoa sem as mãos, os psicólogos interpretam como uma dificuldade afetiva. Eu particularmente acho que pode ser apenas um reles esquecimento, mas se formos seguir esta linha teórica de raciocínio, uma mãe que não gosta de colocar as mãos nos filhos pode ser tida como uma mãe afetivamente capenga.
Tadinha de mim. Tãããão mal interpretada!
Hoje estava relendo um texto aqui do blog (post: O prazer da solidão) e percebi que já havia mencionado o meu super poder: perceber as coisas com o tato. Achar roupas no escuro, deixar uma pia de louça limpa sem precisar enxergar, apenas sentindo a sujeira com as pontas dos dedos... faço isso com uma facilidade incrível! Sempre dizia que faço isso porque estou me preparando se algum dia eu ficar cega.

Mas não imaginava que um dia iria ficar sem tato.
Por essa eu não contava.


Todos nós já colamos o dedo com Super Bonder. Com um pouco de sabão e água eles descolam, menos para Angela Merkel, hahahaha!!!!
Essa sequencia de fotos é ÓTIMA!
Bom, depois que os dedos se desgrudam a ponta dos dedos ficam estranhas e prejudica o tato, não é? Demora uns dois dias para voltar ao normal.

Eu sofro de algo parcecido com esta sensação ruim.

Neurologicamente falando, a coisa se chama parestesia.
Uma ansetesia leve que não me faz correr o risco de colocar a mão no fogo sem perceber, mas que, por outro lado, me impede de usufruir das maravilhas de um veludo macio, uma bochecha de criança ou um cabelo sedoso.
E isso é muito chato.

As anestesias são malandras. Nos protege da dor da cirurgia, mas também nos proibe de sentir o prazer em um carinho.

E as anestesias emocionais também são assim. Tem gente que gosta de se anestesiar para evitar sentir saudade, tristeza ou sofrer pelos traumas do passado. Mas, ficando impermeável a estes sentimentos, os anestesiados também se privam das maravilhas das emoções baratas e gostosas.

É praticamente um Botox psicológico!!

Victoria Beckhan feliz
 
Victoria Beckhan triste











Hahahahaha... tenho dó dos filhos dela: nunca sabem o que a mãe deles está sentindo ou pensando. O excesso de Botox simplesmente não dá pistas!!!
E tenho dó também daqueles que se anestesiaram para os sentimentos. Ruins e bons.

Por isso quero minhas mãos de volta para poder sentir tudo o que o mundo me proporciona.
Talvez elas voltem ao normal.
Talvez não.

Mas vou esperar ansiosamente para que a roseira da minha mão direita me dê flores na Primavera...




sábado, 2 de julho de 2011

De volta às Tortas de Morango...

-Duas horas fazendo esta torta!!!
Ai que saudade do meu boroguinho!!!
Dia 15 de Junho o meu bebê Brasilicus fez 4 meses, acabando assim a minha licença maternidade. Vou ter que desmamar o menino e deixá-lo de lado para cuidar da vida.
Acabou o mimo, acabou o deslumbre, e a produção de idéias jorrando pelos meus seios criativos diminuiu bastante.
Pena.
Mas a coisa é mesmo assim, não dava para continuar neste ritmo porque eu estava abrindo mão de coisas importantes da minha vida. Cada post demora umas 2 horas para ser feito, e isso representa duas horas em que eu não estou produzinho nada.
109 posts= 218 horas de ócio criativo.

Eu sei, eu sei, também estou produzindo algo por aqui, mas infelizmente isso não me dá dinheiro nem deixa a minha família satisfeita.
Acabei de perder duas horas fazendo uma torta de morango (como é difícil fazer a bendita!) que deixará todos aqui em casa satisfeitos.
Isto sim é importante para o grupo.

-Venha Boroguinho San, vamos para um lan-house
isolada do mundo viver só nós dois. Para sempre!
Meu blog não é importante, coletivamente.
Meu micro-cosmo não vê muita graça nele e não posso ir contra a vontade da maioria.
Eu poderia abrir mão da minha vida familiar e fugir com o meu pequeno bebê-blog para o mundo internáutico, mas sou sensata o suficiente para não fazer isso.
Ufa.







Bom, também não posso colocar tooooda a culpa no meu micro-cosmo doméstico, tadinho dele.
O problema também é da condição criativa que não é mais fértil como antes.

Quando comecei aqui, eu acordava de noite pensando em coisas que precisavam ser escritas no blog. De manhã cedo fazia um esforço danado para não perder nem uma vírgula da noite insone.
Hoje em dia durmo a noite toda e acordo apenas com fome.
Nada de idéias.

Imagina o que seria de mim se um jornal me procurasse e falasse: "Claudia, queremos te contratar para você escrever todos os dias uma coluna no nosso Caderno de Bobagens." ?
Ia ser legal prá caramba!! Eu ia amar de paixão, mas não sei se todos os dias eu conseguiria fazer algo que valesse a pena ser lido.
Bom, talvez ganhando bem minha mente funcionaria melhor, hehe.
"E o apagão no Nordeste? Em pleno show da Ivete Sangalo!
Então foi a Claudia Leitte. Claudia Leitte provoca
apagão no show da Ivete!"

José Simão escreve diariamente há anos na Folha de São Paulo, mas muito do que escreve ele recebe de terceiros. Uma amiga minha mandou um email para o cara contando uma piadinha engraçada da TV e, no dia seguinte, ele publicou a coisa como se fosse de autoria dele.
Espertão!
E no fim sempre enche um parágrafo das mesmíssimas frases ("Vou pingar uma gota do me colírio... vai indo que eu não vou... blá, blá, blá") e pronto! Acabou a coluna.
Assim fica fácil.


"Eu fui convidado para falar sobre Ivete Sangalo
 no programa do Faustão.
Não pude aceitar porque
não sabia quem era Ivete Sangalo."

Diogo Mainardi demorava uma semana para escrever algo que fosse na medida certa para causar indignação e/ou admiração nos leitores da Veja.
E causava sempre.
Eu gosto bastante do cara, mas se ele tivesse que escrever todos os dias para um periódico ele já teria perdido o fôlego há muitos anos. Campeão das cartas dos leitores, Diogo nunca se deu ao trabalho de responder a nenhuma delas. Antipático até dizer chega, ele infelizmente foi afastado de sua coluna e agora escreve num blog.
Não sei com qual frequência...




Hahahahahaha!!!!!!!!!
Não é engraçado como este cabelo feio e fora de moda faz sucesso entre os colunistas? Os dois viraram praticamente a mesma pessoa com o cabelo demodê. A única diferença é que um sabe quem é a Ivete Sangalo enquanto o outro finge que não sabe para parecer superior.

Eu sei quem é a Ivete.
Só não me peça para cantar 3 músicas dela porque aí já é querer demais!
Mas mesmo sendo "do povo", eu ultimamante andava atipática e arrogante igual ao Mainardi, não respondendo aos comentários fofamente escritos por minha meia dúzia de leitores. Uma desconhecida veterinária entrou no blog esta semana e escreveu vários! Adorei, mas não tive tempo de responder. Gastei todo o meu precioso tempo satisfazendo o micro-cosmo.

Mas voltando ao assunto, meu blog agora será atualizado menos vezes por semana (hahaha, adoro quem fala MENAS vezes).
E vai haver, é claro, uma semaninha de férias em que vou viajar com amigas queridas para um lugar sem net.

Então tá combinado.
Beijos e até breve.



PS: Nunca mandei beijos aqui. Acabei de reler o texto e achei estranhíssima a despedida meiga .
Depois é que fui entender a razão:



  "Comigo é na base do beijo
    Comigo é na base do amor
     Comigo não tem disse me disse
Não tem chove não molha desse jeito que sou..."
(Ivete who?)

Ai, ai, o dia todo com essa música agora. Estava cantando ela em plenos pulmões aqui... droga.