quarta-feira, 30 de maio de 2012

Eclipse Oculto

No meu último post, uma leitora deixou um comentário e assim, ao acaso, fez uma revelação supreendente. "As pessoas nunca são tão felizes como querem deixar transparecer no Facebook."
Será????? Uau! Então isso quer dizer que talvez as viagens à Europa não tenham sido tão legais? Os filhos não são tão fofos? O aniversário de casamento não tinha assim tantos motivos para comemorações? O "Bom diaaaaaaaaaaaaaaa!!!" postados no mural todas as manhãs não são genuínos?
Vixe. Será??? 
Acho que não. Eu acredito piamente que as pessoas são o que divulgam porque .......vssssssssssss...............xxxxxxxxxxxxxxx...............uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...................................

E agora interrompemos o nosso texto para o programa mais esperado do ano:

O FACEBOOK DA CLAUDIA

No dia 1º de Julho de 2009, com 35 anos recém completados, a Claudia entrou no Facebook. Ela conta que entrou porque a sua irmã pediu que ela abrisse uma conta para acompanhar melhor a vida dos sobrinhos (que vivem na Austrália), mas há indícios de que ela tenha entrado por solidão.
Ou falta de sentido na vida.
Ou pior: será que ela entrou no Facebook para criar, dia após dia, uma segunda personalidade para si?
Qual será a verdadeira história por trás da esfuziante moça do Facebook??
O "The E! True Hollywood Story" de hoje mostrará a verdade por trás da rede social.
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Logo no primeiro semestre de rede social, a Claudia, ou Claudinha como é conhecida, conquistou mais de 200 amigos. Uns próximos, é verdade, mas alguns que ela mal conversava, o que dá para a gente uma pista da necessidade de conquista desta mulher.

Mãe da Claudia: A Claudinha sempre teve muitos amigos. Era alegre, animada, foi difícil acompanhar o ritmo dos seus programinhas sociais. Mas, apesar de ser mãe dela, acredito que ela esteja mesmo mentindo quando diz que hoje tem 323 amigos. Esta quantidade de gente eu nunca vi lá em casa. Nem na festa de 15 anos dela foi tanta gente assim... aliás, nem caberia no salão! Talvez ela diga isso apenas para se sentir mais importante. Bobagem (riso nervoso), é mania dela. 

Mas, apesar de carente e sedenta por amizades, havia também um lado esnobe, sádico e maldoso por trás da sorridente moça da foto acima. Há registros de que ela negou pedidos de amizade no decorrer destes anos, deixando inúmeras pessoas com a solicitação de amizade eternamente em aberto.

Paula, colega de escola : Eu conhecia a Claudinha do ginásio. A gente até fez um trabalho de Geografia juntas na sexta série. Quando vi que ela era amiga de uma amiga minha aqui no Facebook eu mandei a solicitação de amizade para ela, mas nunca recebi resposta. Já tinham me avisado que ela era metida, mas um dia nos encontramos no cinema e ela balançou a cabeça me cumprimentando. Achei que ela era minha amiga. Achei que tínhamos uma história juntas.... snif.... desculpa, é muito difícil para mim falar disso.

A vida foi seguindo o seu curso no Facebook e Claudia passou, finalmente, a dizer a que veio: causava polêmicas e tirava sarro das postagens alheias, sendo sempre sarcástica e irônica. Nunca compartilhou uma mensagem se solidarizando com os pacientes com câncer e nem anunciando que tem os melhores primos do mundo. Nunca usou o seu mural para causas nobres, divulgando fotos de adolescentes e idosos perdidos ou de gatinhos precisando de adoção. Nunca houve, também, registros de aplicativos de flores e corações. Mas será que ela é assim na vida real?

Helena, prima: A Claudinha é uma ótima prima e tenho certeza que ela gosta muito de todos da família, mas não entendo o porquê dela nunca ter compartilhado que ela tem os melhores primos do mundo, já que só nós compreendemos a sua família maluca (risos). Na época ficamos todos chocados. A gente ficou esperando ela compartilhar e... nada. Nem um "curtir"nas postagens alheias. Mas então quem é essa prima que me liga todas as semanas e pergunta de todos?? Por que ela age no Facebook de forma tão insensível? (pausa) Desculpa, mas parece que eu não conheço mais a minha própria prima. (voz embargada). Triste mesmo.


Gustavo, amigo de infânciaSou amigo da Claudia desde o primário e ela sempre foi gente boa. A gente conversa com ela em particular e ela é muito atenciosa, boazinha, preocupada mesmo com os amigos. Mas no Facebook ela não demonstra isso. Gosta de fazer piada em horas impóprias (sic) e adora causar uma polêmica. Eu sempre tiro sarro dela por isso (rindo). Falo: "Ihh, lá vai a causadora de polêmicas mais uma vez!" 
Acho que ela tem medo de mostrar o seu afeto. Talvez seja algum trauma de infância, não sei. Ela gosta de se fazer de ruim, mas no fundo é uma boa pessoa.









O que Gustavo se refere são as atitudes rasas e dispénsáveis que Claudia sempre causa no Facebook, como divulgar uma campanha para NÃO adotar cachorros, reclamar do carnaval e abominar (inclusive ridicularizar) a tão esperada sexta-feira. Mas revirando registros fotográficos da moça, podemos encontrar fotos incriminadoras como essas:

-Este é o Neguinho, meu melhor amiginho!
-Alalaô-ô-ô-ô-ô-ô-ô!!!


Claudia não mostra em seu mural o que realmente se passa em sua mente e em seu coração.
Por que? Qual é a razão de esconder seus afetos? Investigamos e descobrimos que nunca houve registros da Claudia lamentando ou chorando no Facebook, mas fontes próximas dizem que a coisa não é bem assim.
Nem tudo são risadas e piadinhas na vida íntima desta mulher.
Com a palavra o seu médico particular:

Dr. Silveira: Bom, desde Julho de 2009 tenho aqui em meus registros 8 consultas em que a Claudia me procurou porque estava passando mal com viroses, sinusite, alergias, dores fortes na coluna e até micose. Mas isso nunca foi divulgado no Facebook. Nunca li uma postagem dela dizendo que acordou gripada, aceitando de coração aberto os votos de melhoras dos amigos. Ela não compartilha as suas dores com a comunidade. Inclusive sei que neste meio tempo ela passou por um oftalmologista e, hoje em dia, precisa de óculos para leitura. Mas existe foto de óculos dela no perfil?? (pausa). Isso é muito comum nas redes sociais, e eu encaro o fato como uma tentativa de negar as dores e difiuldades físicas (nova pausa) e talvez até as psíquicas...

Amiga próxima (que pediu para não ser identificada): A Claudia é estranha mesmo. Ao mesmo tempo que posta fotos engraçadas no Facebook, me conta no chat que os filhos estão doentes e que ela está cansada de lavar louça. Mas no mural dela ninguém percebe isso. Ela não exterioriza, entende? É o jeito dela, sempre foi. Acho que ela tem a necessidade de ter esta muleta, um espaço onde a vida parece ser sempre boa e feliz. E o Facebook acaba sendo isso para ela. Coitada. Mas não acho errado as pessoas olharem para o lado positivo da vida. Vai ver que é isso que ela pretende com esse alter ego que criou para si. 



No Facebook da "Claudinha" existem muitas fotos divulgando a casa em que ela vive com a família, as bobagens que ela faz em sua oficina de artesanato, fotos dos filhos fazendo gracinhas e da cidade pacata aonde mora. Entretanto, existe um lado obscuro da sua realidade que não é mostrado em seus álbuns.
Mostramos as fotos a um especialista e veja o que descobrimos:

Daniel, pedreiro: Trabalhei alguns anos para a Dona Claudia e posso dizer que a casa não é como eu vi no álbum. Tem muita goteira, infiltração, parede descascada e muita coisa feia. Não sei porque esse tipo de coisa não aparece nas fotos. Tem uma foto, inclusive que foi cortada bem na coluna onde o azulejo está quebrado. Ela fez de poprósito (sic) para não aparecer mesmo. Ninguém precisa ter vergonha de azulejo rachado! Não sei, eu pelo menos não tenho!! 


Ana, amiga (que pediu para não mostrar o rosto) :Adoro ver as fotos da Clau, mas já fui na cidade dela algumas vezes e é uma cidadezinha bem besta. Tem sujeira e muito lixo na beira da represa, mas ela só divulga algumas cenas bonitinhas. Uma florzinha ali, um animalzinho aqui, mas a verdade é que ela viaja muito pouco e precisa valorizar o que tem por perto, tadinha. E o que tem perto dela não é assim tão interessante.  Eu estava lá no dia que ela tirou uma foto do filho. Prá você ter uma idéia, antes de bater a foto ela correu e assoou o nariz do menino. Fez isso só prá não aparecer o catarro na foto. Não sei, talvez ela queira mostrar no Facebook que o filho dela não tem meleca no nariz (risos). Mas apesar disso somos muito amigas e eu gosto muito dela, viu? Escreve isso aí porque senão ela fica brava comigo.

Outra polêmica que ronda a "personagem" que a Claudia criou para si é a escolha dos seus interesses no perfil. Nos músicos preferidos, podemos ver que ela gosta de Billie Holiday, Nina Simone, Peggy Lee... mas pessoas próximas, procuradas pela nossa produção, afirmam que a coisa não é bem assim.
Com a palavra, o marido:

Fábio (que não quis aparecer): Bom, não é mentira que ela gosta dessa cantoras chiques, mas existe também uma verdade que ela não divulga. Outro dia encontrei nas coisas dela dois CDs da Alcione. Ela deve ouvir quando saio de casa, nem sei. A Clau é eclética para música, mas ela às vezes descamba bastante para um lado cafona. Ela sempre compra algum sertanejo na beira da estrada quando viajamos. Eu odeio, mas ela insiste. Sertanejo de raíz mesmo, música caipira, mas ISSO ela nunca divulgou no Face. Acho que ela gosta desta imagem de intelectual que criou para si.

Luiza, Prima: Outro dia a gente conversou e ela disse que adora Fábio Júnior. Falou para mim com todas as letras numa conversa íntima, mas... e nos interesses do Facebook dela?? Tsc, tsc, nada de Fábio Júnior no perfil. Não é estranho? Tipo, eu gosto do Fábio Júnior e nunca escondi de ninguém!
  
Por fim, uma última revelação que talvez explique todo o mistério.
Nunca se soube no perfil da Claudia qual era a sua profissão e nem onde ela trabalha, mas nossa investigação levou a uma revelação surpreendente. O conselho federal de psicologia confirma e alguns amigos próximos acabaram confessando: Claudia é psicóloga. Bacharel e Licenciada, formada em 1996.
Mas.... onde está isso no seu perfil? E por que tanto mistério?

E assim as pessoas continuam vivendo suas vidas duplas no Facebook, sem saber que a qualquer minuto podem ser desvendadas por... "The E! True Hollywood Story"!!!!

Claudia ou Claudinha?
Mais um caso de dupla personalidade no Face.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cada equivocada!

Não sei se vocês sabem, mas este blog tem uma musa inspiradora. Muitas histórias aqui partem das pérolas que uma pessoa próxima me traz. E hoje a pérola foi essa:

-Não vejo a hora de me casar para poder fazer sexo todos os dias.

-Volta aqui e me ajuda com os 200 botões das costas!!!
-Blahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.
Tolinha.
Ela ainda não entendeu o protocolo.
Queridinha, é assim: você namora e faz sexo todos os dias. No carro, no sofá da casa dos pais dele, na piscina, na varanda e no motel. Sempre bacana e sempre feliz. Mas no dia em que você casa, essa farra acaba, meu anjo.
Foi-se o tempo em que a lua de mel merecia lingerie nova e a especial "camisola da noite". Hoje você passa a noite de núpcias retirando as centenas de grampos do cabelo enquanto o marido vomita o whisky.
E, olha, não tem jeito, não adianta se iludir: no dia seguinte você ainda encontrará mais grampos escondidos, viu?
E no decorrer do casamento você fará sexo na... cama e a realidade será:


"Os homens brasileiros fazem sexo três vezes por semana e as mulheres, duas. Sendo assim, com quem é que eles curtem essa transa a mais?! Segundo a doutora Carmita, é por causa dos gays que a média masculina é maior que a feminina. “Entre casais de homens homossexuais, a frequência de relações é maior”, explica ela. A pesquisa também mediu quantas vezes as pessoas fazem sexo a cada encontro. Nesse caso, tanto eles quanto elas responderam a mesma coisa: duas.

Hahahah, por isso, se quiser quantidade, amiga, o jeito é nascer gay. Talvez isso aconteça porque os gays não têm filhos gritando, TPM e nem a famigerada menstruação. Ou talvez porque a coisa deve mesmo ser melhor.

Pffff.... as pessoas se iludem com algumas crenças.

Outra:
-Não vejo a hora de me aposentar, mudar para a praia e abrir uma pousada.
-Não obrigado. Só vou tomar um café preto.
Descanso com pousada??? Numa pousada você trabalha dobrado! Esquece.
Uma "dona de pousada na praia" outro dia estava me descrevendo a sua rotina insana. Ela assiste novela arrumada e de sapato porque a qualquer momento poderá chegar um hóspede. E o hóspede sempre aparece no dia que ela dispensou a funcionária no dia seguinte.
Assiste TV de...sapato!!!! Vocês podem imaginar o que é isso? Tsc, tsc, coitada.
E, segundo ela, a pior coisa para uma pousada não é ficar vazia. É ter UM hóspede. Ai que ódio que dá quando, às 9 horas da noite, aparece um hóspede, porque este único hóspede te obrigará, no dia seguinte, a acordar cedo para fazer 3 tipos de suco, dois bolos, comprar frios variados e a picar mil frutas.
Daí o cara a acorda e diz que não tem o hábito de comer de manhã. Bah!


Outra ilusão:
-Quero mudar para uma chácara para poder ter uma vida mais tranquila.
A palavra "fazenda" existe porque lá, os moradores estão sempre "fazendo" alguma coisa. Sempre se tem trabalho (urgente e importante) quando se vive na zona rural!
Vida tranquila as pessoas têm num apartamento onde você não deixa de dormir porque ouviu um barulho estranho, não se gasta dinheiro com telhas quebradas, o gás NUNCA acaba (amo gás encanado), não há preocupações com os dias do caminhão de lixo, não tem jardim para cuidar e a piscina está sempre limpa. Show de bola.
Quer ter uma vida tranquila? More num apê.

Outra constante:
-Vamos mudar para uma casa para as crianças crescerem com quintal e amigos.
Quer um filho feliz, jogando bola e cheio de amigos? More num prédio de tamanho e preço tipicamente familiares. Classe média! Nada muito chique, não. De preferência com mais de um bloco. Morro de inveja das crianças de prédio que tem dezenas de amigos por lá e que, depois da escola, sempre combinam de se encontrar nas quadras ou no salão de jogos. E lá eles brincam no elevador, dão o primeiro beijo escondido nas escadas de incêndio, sentam na portaria para ver o povo chegar, rabiscam a mesa de sinuca e ouvem a bronca do síndico.... infância perfeita!
Crinças que vivem em casa são sempre solitárias e muitas vezes precisam andar muitos quarteirões para encontrar um amiguinho. Isso se a mãe o deixar sair na rua!!! Que graça tem ter um quintal sem amigos? E que graça tem ter um gramado se ele está sempre cheio de cocô de cachorro? Sim, porque toda casa com criança também tem cachorro, já que existe a ilusão de que o cachorro fará companhia para um menino solitário.
Bobagem.
ELEVADOR, O MELHOR AMIGO DAS CRIANÇAS


Agora pergunto: qual outro equívoco é espalhado por aí como uma verdade?
Hahaha, já sei o que vocês vão responder:
  • Gays tem uma vida sexual intensa;
  • Crianças de prédio são sociáveis e felizes;
  • Moradores de prédios são mais tranquilos;
  • Ter uma pousada é uma grande roubada;
... ok, ok, entendi.
Já parei.

sábado, 26 de maio de 2012

Deixa o vento me levar, vento leva eu...


Quando eu vou a um shopping lotado e estaciono o meu carro, tenho a mania luzitana de marcar o local com uma referência imbecil:
-Ok, vejamos, parei ao lado de um jipe amarelo. Legal.
E aí fico mentalizando durante as compras: jipe amarelo, jipe amarelo....
Mas é claro que o jipe vai embora antes de mim e me deixa perdida.
Dããã, jipes saem do lugar.

As montanhas não!

Maomé se iludiu com a idéia de que poderia trazer uma montanha até ele, mas todos nós sabemos que, por mais que o profeta seja importante, por mais guerras e problemas diplomáticos que Maomé possa ter causado ao mundo, ele tem que, obrigatoriamente, ir até a montanha se quiser organizar algum sermão por lá.
Montanhas não se movem, caramba! Montanhas ficam menores ou maiores no decorrer do séculos, mas não saem do lugar.

As dunas, sim.

-Carol, minha filha, pega a pazinha
prá mamãe.
Quem foi para Natal já ouviu do guia turístico a triste ladainha sobre as dunas que estão desaparecendo por "andarem" e, assim, cometerem a petulância de invadirem os bairros residenciais. Culpa do vento que sopra diariamente quilos de areia para os quintais das casas próximas. As donas de casa varrem, jogam tudo no lixo e, com o tempo, será o fim das dunas.
De grão em grão uma duna se acaba.
E neste triste dia, os bugueiros engraçadinhos terão que pensar em um novo serviço. Sem emoção!!! hahaha



E as dunas andam justamente por não serem compactas e rígidas como as pedras das montanhas. São, portanto, flexíveis e nunca, jamais, resistem às pressões externas. Elas simplesmente se deixam levar. Dunas são tranquilas, seguem o "Zeca Pagodinho way of life" e por isso se dão tão bem. E têm, como profeta, o sábio... Biquini Cavadão.

"Vento, ventania me leve prá qualquer lugar.
Me leve para qualquer canto do mundo:
Ásia, Europa, América..."
Areia batendo um papo com o mestre Biquini Cavadão
(Desculpa aí pessoal. Claro que havia biquinis bem mais cavadões,
 mas Gisele sempre dá um toque de glamour ao blog)

Estou falando isso tudo porque eu gosto da idéia de uma montanha que anda, e uma duna não deixa de ser exatamente isso. A duna, portanto, representa o impossível que eu sempre quis acreditar, mas o meu senso de ridículo não permitia. Minha fé nunca moveu montanha nenhuma (aliás ela nunca moveu nem uma bolinha de gude), embora houvesse um pedido silencioso para que eu acreditasse em milagres.

"I really want to see you lord, but it takes so long my lord"
 (George Harrison)


Mas hoje vou adaptar a crença e, assim, passarei a ter fé e ser otimista como todos os outros. Minha fé agora moverá... dunas!
Beeem mais fácil! Devagar e sempre, sei que a duna andará para me encontrar. Gigantesca, quente e acolhedora, minha duna caminhará em silêncio na minha direção, torcendo para não invadir quintais e prejudicar a vida alheia. Sei que seu percurso será lento, mas deliciosamente desenhado e guiado pelas mãos do vento.
E, além de tudo, ela virá... assobiando!!!
Ahhhhh, uma fofa essa duna! (com o perdão do trocadilho)

-Always look on the bright side of life  Fi-fi  fi-fi-fi-fi-fi-fi!!!!

Sempre fui descrente e atéia porque mover montanhas era surreal demais para a minha racionalidade, mas agora acredito piamente que as montanhas (de areia!) se movem e se reorganizam todos os dias, de acordo com o desejo dos ventos. E os desejos dos ventos podem, coincidentemente, ser também os meus!

-"Eu vou seguir uma luz lá no alto,
eu vou ouvir uma voz que me chama,
eu vou subir a montanha e ficar
bem mais perto de Deus e rezar!" (R. Carlos)
Hoje sei que qualquer dia desses uma duna pode aparecer na minha casa e me mostrar que tudo é possível. E neste lindo dia eu estarei preparada. Ouvirei o assobio do vento e abandonarei meus projetos mundanos. Me despirei dos dogmas, das minhas crenças pragmáticas e caminharei feliz e totalmente entregue, rumo à minha linda duna. Sentirei o seu calor aos meus pés. Me encantarei com a maciez do chão mole e receberei o carinho ardido da areia batendo de leve no meu rosto. Subirei até no topo e ...
...e nada.


Possivelmente lá em cima haverá um skibunda, um dromedário cansado para os turistas tirarem fotos e uma tirolesa para eu descer pagando 40 reais.
Não importa, porque hoje eu sei que a minha duna chegará.

E agora, o livro de auto ajuda da minha cabeceira será: SEJA UMA DUNA VOCÊ TAMBÉM.
Ei, eu disse "uma duna", não uma Druuna!!
E a lição que a duna tem para nos ensinar é: seja flexível, fluida, moldável, quente, acolhedora e... assobie!
Ahhhhhhh, tá fácil!
Mas, mais do que tudo: seja paciente.

Putz, essa foi difícil.

Merda.




sexta-feira, 11 de maio de 2012

What a feeling!!

Sei que estou em dívida com este blog, mas é que existe um chamado mais importante para ser ouvido no momento. Nestas últimas semanas já escrevi aqui uns 4 posts e TODOS tinham o mesmo título: Alquimia. Não conseguia fugir do assunto porque a energia da transformação pulsa intensamente dentro de mim.
Não publiquei os textos porque eram demasiadamente pessoais.
Bom, resumindo: a bidimensionalidade da tela deste computador já não me basta. Preciso do concreto. Começou com um desejo de fazer pães e tentar novas receitas (quer algo mais alquímico do que a culinária?), depois foi para o artesanato e a vontade de criar algo perene.
Ando tendo necessidade de pôr as mãos nas coisas já que, só assim, conseguirei honrar o chamado alquímico que me aflige há alguns meses. 
"Os alquimistas estão chegando. Estão chegando os alquimistas"
 (Jorge Benjor em mais uma de suas frases ultra criativas)

Carl Gustav Jung parou de pensar e escrever por alguns anos e ficou isolado do mundo acadêmico, construindo a sua casa de pedras na beira de um lago em Zurique (abaixo).
Literalmente construindo! Passava dias carregando as pedras e misturando cimento.  Jung precisava disso para equilibrar a sua alma. Depois de tantos anos dedicado-se ao intelecto, sentiu a necessidade de envolver-se com o arquétipo mais primitivo e bruto que há: a pedra. E construir uma casa feita de pedras tinha muitos significados para ele.

"A criação de algo novo é consumado pelo intelecto,
 mas despertado pelo instinto de uma necessidade pessoal. "
 (Carl Gustav Jung)  

Sou, portanto, exatamente como Jung, hahaha! Depois de 1 ano (apenas 1 ano!!) pensando e escrevendo bobagens no blog, preciso parar um pouco para usar as minhas mãos em algo realmente arquetípico.
Mas não são as pedras. Já vou explicar...

Para ilustrar o meu drama e me justificar da ausência no blog, publico um texto perdido por aqui:

Certa vez acompanhei um programa na TV a cabo onde um grupo de pessoas batem na porta de um anônimo e dizem:
-Você aceita ser desafiado? Quer fazer bem feito uma coisa que você nunca fez na vida?".
E aí transformam a pessoa num especialista em algo bem exótico e totalmente fora da realidade do cara.
Fui atrás do nome do programa e não consegui descobrir.
Já fui boa em pesquisas.

Bom, seguindo a proposta do apresentador, em 3 meses o anônimo desafiado tem que, não só aprender a cozinhar, como precisará assumir a cozinha de um restaurante famoso. Em 3 meses a dona de casa, sedentária e gordinha, tem que, não apenas aprender a patinar, mas precisa se classificar para as finais num torneio. Em 3 meses alguém que nunca subiu num cavalo precisa emagrecer 20 quilos e competir nas provas de hipismo.
Tipo isso. Desafio de gente grande, porque "Dança dos Famosos" é para os fracos.

Bom, queria que alguém batesse na minha porta e me desafiasse. Ando louca para saber o que ainda consigo fazer nessa vida. Deve ser a tal crise da meia idade...
Como sou azarada, sei que a proposta do programa seria algo bem indecente, do tipo:
-Duvido que você aprenda tudo sobre finanças e vire, em 3 meses, gerente de investimentos do Itaú Personnalité.
Ou...
-Duvido que em 3 meses você desenvolva força e resistência e se torne a primeira mulher brasileira, psicóloga, de olhos verdes, com esclerose múltipla, operada de apendicite a subir o Everest."
Hahahah, cada um pode ser o primeiro a subir o Everst, basta detalhar bem as suas características.
Bom, estes convites eu recusaria. Amputar falanges congeladas não é algo que me atrai.

Mas adoraria que alguém entrasse na minha casa e dissesse: "Quer estrelar num musical da Broadway? Quer aprender confeitaria e abrir uma loja de doces incrível? Quer aceitar o desafio de aprender saltos ornamentais e competir nas próximas... Para-Olimpíadas?".
Sim, eu aceitaria.
Ia ser mesmo bacana me jogar inteiramente numa história diferente da minha rotina.
Mas de tudo o que eu sempre quis fazer na vida, serralheria é o meu maior sonho.
Juro.


Depois de ser top model e estar na folha de pagamento nobre da Rede Gobo, minha amiga Ana Paula Arósio confessou que ainda tem um sonho: competir profissionalmente no hipismo.
Eu também tenho um: usar uma solda e dobrar elegantemente as barras de ferro como Hector Guimard (que ilustra este post). Existe uma necessidade alquímica em mim que me obriga a dominar os metais, além de quebrar termômetros e brincar com as bolinhas do mercúrio.
Culpa do "Flashdance". Desde que assiti ao filme, com 8 anos de idade, acho o máximo as fagulhas da solda.
 
Esta semana comecei a usar intensamente serras, lixadeiras, morsas e furadeiras. Bacana, mas não tem o mesmo impacto estético que o ferro. Madeira é muito country. Ferro é eterno. Os metais são anciãos que devem ser louvados e respeitados.
Quando entro numa loja de decoração, tudo o que eu vejo de bacana tem metal. Queria muito fazer aquilo mas, como não sei usar uma máquina de solda, não faço por este impedimento besta.
-Duvido que você, em 3 meses, aprenda a usar a solda e faça uma coleção incrível de móveis, abajures e objetos de decoração estilo art nouveau!!
Meu sonho.
Bom, como nenhum programa nunca baterá na minha porta me propondo o desafio, decidi sair em busca de aulas de serralheria. Infelizmente não existem escolas franquiadas com esta proposta, mas deve haver aqui na minha cidade um velhinho serralheiro que aceite ser meu professor nas horas vagas.


Sei que não é algo muito fofo e nem sexy, mas para dar uma equilibrada na masculinidade da coisa, eu podia continuar o enredo "Flashdance" e, para me aliviar do calor da solda, poderia tomar um banho de balde usando... polâinas.
Sim, porque em casa de ferreira, o espeto ainda tem que ser de pau!
Vamos ver no que vai dar.