terça-feira, 29 de novembro de 2011

As mulheres dos Chicos e Caetanos... e Pedros, Josés, Paulos, Rodrigos...

Querido Diário:
Quando ele chegou em casa, mil tragédias já tinham acontecido. A banheira do moleque virou e molhou até o corredor, o gás acabou no meio do assado, eu de TPM, o mais velho pedindo ajuda com o dever de casa enquanto o feijão da janta queimava... sabe aqueles dias em que nada parece dar certo? Então. Mínha cara já tava inchada de tanto chorar.
Depois do beijinho burocrático no portão ele percebeu a cara de choro:
-Nada não.- eu disse- Tava cortando cebola.
-Ahhhh. Querida, você é tão bonita.
Gozado. As vezes eu acho que mulher bonita, prá ele, é mulher triste.
Todo dia ele reclama que eu tô aflita quando ele chega cansado em casa. Ele diz que quer... consolo.
Sorry, baby. Entre na fila.

-Eu quero consolo...
Levei a Coca-Cola e ele tomou. Botei, então, a mesa e ele comeu, comeu, comeu, comeu, comeu.
Porco.
De repente, ele entrou em crise. Putz, odeio homem em crise existencial!
Disse que quer ir embora, quer dar o fora e conta que até já pensou em tocar fogo no apartamento. No nosso apartamento!!!!!!! Falou que tudo o que ele deseja é correr o mundo. Cansou da rotina, da mesmisse e acredita que está precisando...correr perigo!!
Hahaha, tadinho, parece que não teve adolescência. E, pior: que que eu vá com ele!
Eu então falei:
-Querido, não estou entendendo quase nada do que você diz.
Ele nem respondeu. Sentou, comeu mais, fumou e disse que não aguenta.
Bom, fazer o quê?
Botei então a sobremesa e ele comeu. Levei depois o café com "Sweet" (estou de dieta porque ele outro dia disse que eu tava curtida...bah!) e ele comeu, comeu, comeu, comeu.
E depois que eu lavei a louça do jantar e coloquei a criançada na cama ele me comeu também.
Todo dia é assim... TODO DIA!!!!!!!!!


Querido Diário
Todo santo dia eu tenho que fazer tudo sempre igual: sacudir o marmanjo às seis horas da manhã. Ele jura que não ouve o despertador.
E, para ele acordar de bom humor, tenho que estar sorrindo e dar beijinhos depois de escovar os dentes. Juro: ele reclama do meu hálito pela manhã, como se o dele cheirasse a flores do campo!!!!
Todo dia eu tenho que dizer prá ele se cuidar. Levar casaco, guarda-chuva, verificar o passe do ônibus... essas coisas que dizem todas as mulheres porque os homens que NUNCA se lembram de nada. Depois do café dou outro beijo, e digo que estou esperando ele pro jantar.
Ele adora um mimo.
Passo o dia então aflita (como disse ontem) e ele almoça na fábrica. Teve a petulância de dizer, certa vez, que o feijão de lá é melhor do que o meu e que lá come tanto feijão que nem consegue falar. Claro! Garanto que as cozinheiras na fábrica não se distraem com bebês escalando a perna delas e ameaçando se queimarem na porta do forno!!!
Lá na fábrica ele diz que quer parar com tudo e que tem vezes que só pensa em dizer não, mas não faz isso porque, segundo ele, "tem uma vida prá levar".
Gozado... eu também.

-Tava me esperando, amor?
-Claro querido.
Seis da tarde eu fico no portão de casa para as crianças brincarem um pouco na rua. Aproveito para bater um papo com as vizinhas. Confesso: é o melhor momento do dia. Até ele chegar do trabalho e falar:
-Já tava me esperando, né? Acho incrível, você simplesmente não sabe viver sem mim!
Hahahah, coitado.
Digo então que é verdade, que eu tava mesmo com muuuuuita saudade dele, e brinco que estou loooouca para beijá-lo.
Tadinho, ele é tão ingênuo que acredita.
Aí de noite, depois de todo o drama do jantar que ele sempre faz, eu fico mesmo confusa. É tudo muito estranho: ele passa o dia dizendo que quer ir embora, que tá de saco cheio de tudo, etc e tal, mas o problema é que ele nunca vai e nunca irá!
Então porque tanto drama, meu Deus?
Por mais que eu finja que continua tudo bem entre nós, confesso que estou começando a ficar insegura. Meia-noite, depois que ele me come, a gente então fica bem. Ele me abraça e eu peço para ele não se afastar, juro eterno amor (ele jura também) eu mordo a orelha dele e aí... ele me come de novo.
Todo dia, todo dia!!!!!!!!!!!!




Sim, porque tudo na vida tem dois lados.
Mas, por sorte, existe o tal sexo para servir de advogado do diabo e apaziguar as versões, sempre tão contraditórias...
-Deste jeito você me consola, querida.
-E eu estava esperando o seu consolo, amor...

arte: Os Gêmeos

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Mardito fiapo de manga






Sabe quando você passa o Domingo num churrasco, chega cansado em casa, toma um banho e vai passar fio dental naquilo que vem te incomodado desde a picanha? É um momento de expectativa e felicidade, não é? Aí você abre a caixinha, puxa o fiozinho branco e... apenas 6cm dele caem na sua mão.
E é só neste momento que você percebe que o fio dental acabou.
O fim de um fio dental é assim. Você tinha e, no segundo seguinte não tem mais. Fio dental não avisa que está acabando e deixa você na mão com inúteis centímetros justamente no momento em que você mais precisava dele.
Existem divórcios que são assim também. Você estava casado e feliz e, minutos depois, não está mais. Casado... nem feliz.
Pronto. Acabou.
Não é incrível? Sem crises, sem terapias de casal, sem madrugadas discutindo a relação, nada disso. Conheço divórcios que são assim. Não dá nenhuma pista de que o casamento vai terminar e pega o público totalmente desprevenido: "Nossa, mas eles pareciam tão felizes juntos!!".
Pois é. Hoje eu chamo isso de divórcio "fio dental".


Em compensação existe o terrível divórcio "shampoo". Você sabe que o casamento está acabando, sabe que não tem mais jeito, mas inventa mil artifícios para manter a coisa funcionando.
Primeiro agitamos bem para extrair o restinho do amor. "Deve haver algo bem lá no fundo que ainda me prende a ele!!".
Depois que isso já não dá  mais certo, o próximo passo é colocar o casamento/shampoo de cabeça prá baixo: terapias de casal, tempo no relacionamento, refazer o trajeto para descobrir onde a chama da paixão se perdeu. Reviramos a coisa pelo avesso tentando encontrar outro ângulo para enxergar melhor a relação.
Quando isso também já não resolve, jogamos água no shampoo/casamento e ficamos algum tempo nos contentando com a mistura rala que sobrou. E é incrível como a gente se engana fácil ao concluirmos que o cabelo fica ó-ti-mo mesmo com o shampoo diluído em meio litro de água.
Bom, um dia ele acaba e vai para o lixo, já que nada podemos fazer com um frasco vazio de shampoo. Mas até isso acontecer, houve um processo longo e penoso.
E o divórcio shampoo, infelizmente, é o mais tradicional.


Tem também o divórcio "sabonete".
É um clássico.
"Sabão cri-cri, não deixa o seu casamento cair"
Quando o sabonete/casamento está acabando e percebemos que ele já não é suficiente para dar conta do recado, pegamos outro sabonete, grudamos um no outro, e ficamos um tempo felizes com a inovadora mistura.
Podemos unir o caco velho num sabonete novo. Um cara solteiro, livre e disposto a ser usado.
Mas na maioria das vezes grudamos nossa lasca de sabonete antigo em um outro sabonete, também velho! Aí dois casamentos falidos se unem para tentar se fortalecer mutuamente e sobreviver ao fracasso iminente.
É comum uma mulher frustrada com o casamento encontrar um homem também com sérios problemas matrimoniais. Uma união aparentemente perfeita.
O grande problema disso é que, quando misturamos os sabonetes, deixamos de identificar onde começa um e onde termina o outro. Fica difícil saber se a sua tristeza é por causa do seu marido que insiste em ser agressivo ou por causa do amante que não telefonou. Fica tudo confuso e bagunçado.
E, prá piorar, quando a coisa termina você não sabe extamamente o que foi que acabou.
Estranha sensação.


Mas, felizmente, existe também o divórcio "perfume francês". O casamento/perfume é bom e dura uma eternidade, parece que nunca vai acabar. E, mesmo quando termina, sempre há uma derradeira gota para te sustentar por um bom tempo. Não vamos atrás de um outro perfume porque só a essência do casamento antigo já satisfaz. Continuamos sentindo o parceiro como se ele realmente estivesse lá. E quando, lentamente, a essência termina, não jogamos água dentro, nem chacoalhamos, nem batemos no fundo.
Não.
Nada de histerismos. Podemos continuar apreciando o casamento. Suas lembranças se tornam eternas e ainda conseguimos dar uma nova roupagem ao maravilhoso vidro de perfume vazio.
Conheço muitas pessoas que se divorciaram neste ano. Desejo a todas um divórcio "perfume francês" e que as experiências passadas enfeitem a rotina dura da adaptação à nova vida.

 -Ah, como era gostoso o meu francês


sábado, 19 de novembro de 2011

Disseram que eu fiquei americanizada...


Certa vez li um livro da Danuza Leão sobre etiqueta.
Tinha muitas coisas estranhas por lá, como a sugestão de pular da cama todos os dias antes do marido para escovar os dentes, lavar o rosto, escovar o cabelo e... voltar para a cama para supreendê-lo com um olhar limpo e um hálito de hortelã. Danuza dizia que isso era um carinho com o parceiro e uma tentativa de manter acesa a admiração dele por você.
Tenho uma conhecida que seguia a risca os conselhos de Danuza. Saia da cama as 5 da manhã e, além da higiene óbvia, fazia também maquiagem e escova no cabelo (isso antes, bem antes da progressiva). Aí quando o namorado abria o olho, ela fingia que estava acordando e ele dizia:
-Nossa, gata, você é linda mesmo quando acorda!
Durante anos ele acreditou que ela... nasceu assim!


"Me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã."
 (Chico Buarque)

blush, rímel, batom rosa e sombra: original de fábrica.

A minha teoria sobre a coisa é oposta. Reze para conheçer o homem da sua vida quando estiver de pijama e descabelada, porque qualquer coisa que você faça depois disso te transformará numa princesa linda e sempre surpreendente.
Trust me.

Mas havia uma coisa que Danuza defendia no livro que eu concordo plenamente: gente que conversa em outra língua na frente de funcionários é grosseiro e mal educado.
Putz, e é mesmo! Sabe o que é isso?
Já aconteceu comigo várias vezes.
Cena: Estou no Brasil com uma amiga, conversando obviamente em português. Entramos numa loja e ela pede à lojista, ainda em português, um produto qualquer. De repente, na frente da vendedora, olha para mim e diz: "Revenons à la première boutique." (Vamos voltar à primeira loja).
Nos primeiros milésimos de segundo, quando eu percebo que a coisa está acontecendo (e isso acontece muito!) eu já viro as costas e saio de perto. Vou esperar a pessoa lá fora.
Odeio isso com todas as minhas forças por várias razões:
1) A fulana mal educada pressupõe que eu tenho a obrigação de compreender seja lá qual for a língua que a ela inventa de falar naquele momento. E isso me faz sentir mal por não ser tão poliglota quanto deveria, rsrs.
2) É grosseiro com a vendedora que se sente humilhada, já que o nosso diálogo apertou a tecla SAP obviamente para excluir ela da conversa.
3) É prepotente, já que subentende que a vendedora é uma ignorante e nunca compreenderá o que secretamente estamos conversando. Mas, num mundo globalizado, é bem capaz que a mocinha trabalhe para pagar o seu curso na Aliança Francesa!
Péssimo!!

Uma vez fizeram isso comigo. Eu esperava o cinema abrir sentada num sofá e lendo o meu jornal que estava jogado no assento ao meu lado. Duas mulheres estavam de pé na minha frente conversando em português. Quando levantei a cabeça vi que elas eram idosas e estavam espremidas por um multidão. Tirei o jornal do meu lado e ofereci o lugar para elas:
-Querem sentar?
-Não, obrigada, o seu jornal deve estar bem mais cansado do que eu.
Olhou para a amiga e disse:- Such a stupid question!
Que petulância a dela achar que eu não entenderia a sua falta de educação comigo! Desejei então que ela morresse de exaustão enquanto o cinema não abria. Azar! 

Para os grosseiros de plantão, eu digo: Inglês não vale, tá? Inglês é uma linguinha universal que qualquer Zé Mané compreende. Até eu. 


E aí é que está a raiz do problema. O inglês é tão banal que acabamos cometendo a gafe de usá-lo corriqueiramente e, assim, parecermos igualmente arrogantes ao usá-lo num país tropicaliente como o nosso.
Bom, não sou originalmente esnobe, mas já fizeram eu me sentir assim quando lanço frases em inglês aqui no blog.
Ei!!!! Todo mundo entende inglês! Esnobe seria se eu usasse achando que estivesse atingindo uma minoria!
Neste texto, mesmo, eu já usei um "Trust me" lá em cima. Mas é que eu queria ser engraçada e dar a intenção de que estava abrindo os olhos, levantando a sobrancelha e sendo enfática ao dizer, séria, a palavra trust. 
Hahaha, façam isso e vejam se não fica beeem mais legal do que dizer um simples: Confie em mim. 
Esta semana também usei um "How dare you?" numa mensagem a uma amiga. Sim, eu  podia escrever: "Como ousa?", mas a petulância do sotaque britânico na palavra dare não estaria nas entrelinhas e a coisa não teria tanto charme.
Que nem o "What the fuck?" que, em português, seria um "Mas que diabo?" mas não tem a intenção malandra e divertida do inglês, sem necessariamente ser um plavrão. 
"By the way", idem.  

Parece que a língua portuguesa ficou restrita, sem repertório. Existem sentimentos que só em inglês conseguem ser expressos com a ênfase que gostaríamos e isso, tenho certeza, é obra da TV e do cinema que moldou nossas emoções diante da vida.
O seriado Friends é um exemplo disso. A entonação da Janice ao dizer "Oh My God" é o que me motiva todas as vezes que uso a expressão.

PS: Adoro o comentário de um cara que escreve (abaixo do vídeo) que ela parece a Amy Winehouse. Oh My God!!! Amy deve se revirar no túmulo ao ser comparada com a irritante Janice. Mas a verdade é que parece mesmo.


E o "Nooooooooo" da Rachel?

 E não vamos esquecer do jargão ´"How you doin" de Joey Tribbiani:



Isso sem falar do "Get out!" da Elaine (Seinfeld).
Nada em português chega aos pés desta expressão famosa da famosa série americana. Esta semana falei "Mentira!!" para um amigo e ele não entendeu. Eu queria dizer: Não acredito! Estou estupefacta!!!!, mas não consegui me expressar de acordo. Se eu tivesse dito o "Get out!", estilo Elaine Benes, tenho absoluta certeza que ele me entenderia. 

Mas a expressão que eu mais amo em inglês é "Oh, Get a Room!!!" que é usada quando um casal está se beijando em público e o povo diz: "Arranjem um quarto!"
Adoro essa frase.
Morro de vontade de usar ela em diversas ocasiões, mas não fica bem no português porque o significado não é só literal. Podemos usar a expressão em diversas outras ocasiões: ao presenciarmos uma briga de namorados na rua, quando temos que interromper uma conversa para o povo atender o celular e ficar looongos minutos conversando enquanto você espera, ou quando o povo no Facebook fica conversando no mural com a irritante linguagem internáutica como se não existisse uma coisa abaixo chamada chat.
-Oi Pri, o q se vai faze hj?
-Naum sei.
-Vamo tomar um chopp?
-Vc vai?
-Cara, lembrei agora do dia que tomamos um porre no Guarujá.
- kkkkkkkkkkkkk. Só eu neh?????????
- Liga prá mim 86745433 (pq que colocar o seu telefone num mural público?)
- To ligando (se tá ligando por que precisa escrever?????)

Oh, get a room!!!!

Estamos todos americanizados! Get used to it!!!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Quizz de Vênus

Se os homens são de Marte, eu não sei, mas que nossos cérebros são diferentes, isso são. Tenho uma amiga que entende tudo de controle remoto, estradas, instalação elétrica e consegue até formular algumas hipóteses quando liga o carro e ouve um barulho estranho no motor. Sempre digo a ela que o mundo perdeu uma lésbica maravilhosa!!!

Me casei numa época em que havia apenas um único computador em cada casa. Igual fogão. Não tinha isso de não poder mexer no computador do outro. Possivelmente porque na época não havia redes sociais...
Bom, como nós dois tínhamos computadores, precisávamos decidir então qual era a melhor máquina para ser levada à casa nova. Meu pai resolveu ajudar na decisão e me perguntou:
-Qual é o computador do seu namorado?
E a minha resposta foi rápida:
-Um branco. Ah... praticamente igual ao meu.
Eu ia dizer que tinha um bonequinho do Dr. Spock sentado em cima no monitor, mas achei irrelevante.
Cérebro feminino é assim. Nada de Megas, Gigas ou memórias... memórias rãs.
Ou saiba conviver com a mentalidade de uma mulher ou é melhor nem casar.
Reclamar com a sua esposa porque ela não sabe ajustar o reloginho do carro (maldito horário de verão que nos obriga a fazer isso 2x por ano!) ou verificar o óleo ao abastecer é a mesma coisa que gritar com ela porque ela não tem pinto. Crueldade.

É preciso clicar o vídeo enquanto lê o texto abaixo (para não morrer de tédio e entender a coisa).

Para calar a boca: choro (sempre dá certo!!)
Para lavar a roupa: empregada
Para viagem longa: DVD no carro (com crianças é um mal necessário)
Para difíceis contas: marido
Para o pneu na lona: marido
Para a pantalona: pilates (e olhe lá! pantalona na rua não dá)
Para pular a onda: canga (pala a celulite balançando não aparecer)
Para lápis ter ponta: lapiseira
Para o Pará e o Amazonas: ar condicionado
Para parar na Pamplona: Zona Azul
Para trazer à tona: terapia
Para a melhor azeitona: sem caroço
Para o presente da noiva: Americanas.com
Para Adidas, o Conga: trabalhar na MTV
Para o outono, a folha: Canadá
Para embaixo da sombra: livro
Para todas as coisas: Google
Para que fiquem prontas: chilique
Para dormir a fronha: Rivotril
Para brincar na gangorra: filho
Para fazer uma touca: vó (quem faz touca?)
Para beber uma coca: Zero
Para ferver uma sopa: microondas
Para a luz lá na roça: Vagalume (licença poética aqui. adoro vagalumes!)
Para vigias em ronda: Donuts
Para limpar a lousa: Ipad (para ACABAR com a lousa)
Para o beijo da moça: toda hora
Para uma voz muito rouca: charme 
Para a cor roxa: enxoval da filha
Para a galocha: praça Benedito Calixto (hahahah, modeeeeerno!)
Para ser "mother": "father"
Para abrir a rosa: KY
Para aumentar a vitrola: TPM
Para a cama de mola: sexo
Para trancar bem a porta: viagem do marido
Para que serve a calota: não sei
Para quem não acorda: Fluoxetina
Para a letra torta: Word for Windows (ou simplesmente sair do modo Itálico, rs)
Para parecer mais nova: Photoshop
Para os dias de prova: encher linguiça
Para estourar pipoca: microondas
Para quem se afoga: natação
Para levar na escola: mãetorista
Para os dias de folga: Facebook
Para o automóvel que capota: franquia
Para fechar uma aposta: ?
Para quem se comporta: McDonalds (e dane-se Pavlov  post Alunos Cadeirantes)
Para a mulher que aborta: lei
Para saber a resposta: Google
Para escolher a compota: Nutella (quem ainda compra compota?)
Para a menina que engorda: terapia
Para a comida das orcas: treinadora
Para o telefone que toca
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você, o que você gosta:
Diariamente.

O que afinal é preciso para se fechar uma aposta? Perguntar antes a algum homem para não correr o risco de perder??? Hahaha...
Divertida essa história de brincar de Marisa Monte!
Quais seriam as respostas de vocês?

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Culpinha Fashion




A melhor teoria que inventaram até hoje, no que diz respeito ao tempo que passamos com as crianças, é que a qualidade é melhor do que a quantidade.
Há! O psicólogo que inventou isso é um gênio!
Sua frase serviu como uma luva para amenizar a culpa das mães que trabalham período integral e/ou terceirizam a criação dos próprios filhos para babás e creches.
Daí quando são criticadas por isso (e sempre são!) já lançam a teoria que superestima a qualidade em detrimento da quantidade:

-Mas de noite passamos algumas horas juntas e nos divertimos muito!!! A qualidade do tempo que passo com a minha filha é muito mais importante do que a quantidade- diz cheia de razão.




É mentira.
Todos nós, no fundo, sabemos disso, mas as teorias servem para dar uma roupagem nova na culpa e diminuir o sofrimento das mães que agora passam a acreditar na coisa e se sentem mais leves.
As teorias transformam a culpa primitiva numa culpa fashion, que segue as novas tendências psicopedagógicas e agrada a todos: a sociedade que exige que a mãe trabalhe fora, o marido que recebe ajuda financeira em casa e principalmente as creches e babás que tem emprego garantido.
Mas nem sempre as mães ficam felizes. Algumas realmente gostam de trabalhar fora. Preferem mil vezes do que ficar em casa cuidando de menino.
Outras não. Outras sofrem horrores com essa realidade e dariam o reino por um ano à toa com as crianças em casa. Mas o trabalho é uma necessidade e não há nada que possa ser feito para mudar isso.

Às crianças, a teoria da qualidade não agrada.
As crianças não acreditam nesta verdade e nunca aprenderão a se contentar com pouco.
Passam então a exigir dos pais a tal qualidade prometida nas horinhas compartilhadas e ISSO é ruim prá caramba!! Ficam tiranas, exigentes e aprendem desde cedo a cobrar porque sabem que os pais estão em dívida.
A vida da mãe doméstica tem menos glamour, é mais sem graça, mas acaba sendo mais fácil. Diminui as expectativas e melhora a tolerância: tolerância da mãe, com as manias e barulhos das crianças, e deles, com nosso mal humor e necessidades da vida adulta.
Se não vivemos a rotina ao lado dos filhos temos, então, que ser uma mãe estereotipada nas poucas horas que temos com eles: fofa, atenciosa e disponível. E, curiosamente, temos que ser assim justo quando estamos cansadas depois de trabalhar o dia todo.
E ter que ser atenciosa no meio do cansaço gera muito mais ansiedade do que ter que ficar 24 hs por dias ao lado de uma criança. Prometer uma mar de rosas nas horas com os filhos é ansiogênico para eles e para nós.
E não cumprir isso é fracasso na certa.
Fora o medo de que, intimamente, beeeeem lá no fundo, gostamos mais nosso trabalho do que nossos filhos!!
Ai que culpa!

OU...

A melhor teoria que inventaram até hoje para as mães que param de trabalhar para ficar com os filhos é que estes primeiros anos em casa será fundamental para a estrutura psíquica da criança.
Há! O psicólogo que inventou isso é um gênio!!
As mães se sentem resguardadas por esta verdade incontestável e camuflam nisso a sua incompetência profissional e/ou o medo de enfrentar o mercado de trabalho depois de ter ficado ultrapassada e obsoleta.
Dizem aos quatro ventos que pararam de trabalhar para poder se dedicar aos filhos e que isso faz delas uma mãe melhor, apesar de mais pobre, rsrs.
E apesar de saberem que talvez isso não seja verdade.
As mães alternativas, moderninhas, adoram esta teoria e capricham no lanche dos pequenos, inventam atividades ao ar livre, levam e buscam a molecada nas mil aulas e espera o marido chegar no fim da tarde com uma janta saudável.
Como antigamente...


-Não tem salário nenhum que pague o tempo que eu tenho ao lado dos meus filhos. Tenho certeza de que a minha presença em casa fará deles adultos seguros e confiantes.- diz cheia de razão.



PS: Já usei a desculpa de ter que brincar com os meus filhos para me dedicar à construção de uma linda casa de Lego, hahaha, igual à mãe da foto. AMO LEGO!

Enquanto isso os maridos se dedicam à contrução da casa real, à compra do carro, ao sustento da família, à garantia do futuro dos filhos e, principalmente, à compra de mais Lego... claro!
Mas os homens não acham graça nenhuma nisso.
E a sociedade torce o nariz para o regresso das mães ao lar.

É óbvio que existem, sim, benefícios por trás desta opção materna, mas o problema é que não tem ciência nenhuma que consiga comprovar que os filhos destas mães serão mais felizes que os os outros que ficam em escolinhas período integral. Tudo não passa de uma abstração com base em alguns poucos dados de experiência das pessoas mais vividas.

Quando eu tive filho e enfrentei a desgastante rotina de ficar em casa o dia inteiro, muitas amigas da mesma idade que eu vinham me dizer:
-Claudinha, vai trabalhar!! Acredita em mim: é a melhor coisa que você pode fazer por você e, consequentemente, por seu filho.
Enquanto as mães das minhas amigas, gente de outra geração, diziam:
-Fica em casa!!! A infância deles passa rápido e você vai se arrepender de ter perdido esta fase.

Eu ficava em dúvida. Não sabia em quem acreditar!
Não sabia o que era melhor para mim, mas quando consultava meu próprio desejo conseguia acessar o que estava me deixando muito, mas muito angustiada: nunca seria feliz deixando meus bebês numa creche!
E essa certeza me definiu como uma mãe do segundo time, aquela que suporta mais ficar em casa do que trabalhar fora e deixá-los com alguém.
Para mim é mais fácil criar filho estando em casa porque eles vêem em mim uma mãe real que não se esforça em ser perfeita. É mais fácil negar brincar com o filho depois de ter passado o dia inteiro ao lado dele. E, sim, é possível ser feliz ao lado das crianças, me divertindo de verdade e mostrando aos pequenos que a companhia deles é agradável e necessária.
Mas isso pode mascarar um medo (ou preguiça? ou fraqueza??) de abandonar o ninho e sair para ganhar dinheiro.
Sei disso.
E lidar com esta culpa é também um enorme fardo.
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Culpa materna: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

E a moral da história é que não existe nada melhor para um filho do que uma mãe realizada e satisfeita, dentro do possível. Se ela fica mais feliz trabalhando, que trabalhe. Que sela fica mais feliz em casa, que fique.

Existe a pergunta que nunca quer se calar: O que querem as mulheres?
A resposta óbvia seria: Viver sem culpa!

Mas isso é uma utopia, esquece.
Então, já que a culpa é inevitável, que ela seja fashion e que te sirva bem. E que conviver com ela seja mil vezes pior do que a convivência com o seu filho!!
  Sab            Dom           2ªfeira        3ª feira        4ªfeira        5ªfeira
6ª feira!!!!!!
a letra B no tornozelo carrega um lembrete: Eu amo o meu Bebê!



Enquanto isso... nas creches:


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Rio porque quí-lo


Meu filho me disse hoje:
-Hey, Mother Foca!!!!!! Ahahahahaha!!!
(fiz uma enorme amiga apenas porque me encantei por essa frase boba)


Nada no mundo é melhor do que o humor.
Passei a vida ouvindo isso do meu sábio avô e não acreditava. Achava que havia características mais louváveis num ser humano como lealdade, compaixão, inteligência...
Não tem. Uma pessoa bem humorada é a melhor companhia do mundo, mesmo que ela te passe a perna e te sacaneie.

"Que importa se ela lhe fizer de tolo.
Que importa se ela o arranhar?"
(João Bosco)

-Mãe, me leva no Simba Safado?
Simba Safado, Hahaha!
(dito por uma fofa de 2 anos)
Pelo menos você pode dizer que passou bons momentos ao lado da pessoa e liberou endorfinas para te sustentar por um bom tempo, até você encontrar outro alguém. Melhor do que lembrar da época cinza ao lado do cara bom e leal.
Bom, eu acho.

Mas peraí: não falo de uma tentativa frenética de ser o palhaço da festa e nem uma insensibilidade com o ambiente que não está receptivo à uma piada. Odeio gente sem noção que não percebe que está em descompasso com a platéia, trazendo um assunto sem eco, fora de lugar.


Resolvi fazer este post porque ando me encantando por pessoas bem humoradas. Tem um charme todo especial e tornam o nosso dia mais animado. Adoro pacientes bem humorados (existe! mesmo na pior das depressões), amigos bem humorados e comerciantes bem humorados. Torna o dia mais digerível e a existência algo válido.
E nos romances, dar risada depois de discutir a relação também não tem preço!

-Você disse "Miau", eu disse "Miau, miau!" e você gritou: "Não mude de assunto!!!!!!!" Hahahaha, foi muito engraçado!
(piada preferia dos meus filhos)

É claro que o humor fino, inteligente e sutil é sempre o melhor. Gente que usa poucas palavras para dizer muito e que sabe ser sarcástico e irônico sem menosprezar a inteligência alheia.
-Oi, esta semana vou na sua casa te visitar.-eu digo.
-Ah, legal, pode vir, e traga seu cachorro.
-......hum, você está falando sério ou tá brincando??
-Estou falando sério. Por quê brincaria?- diz, sorrindo. 
Aí ficamos olhando para a pessoa, aflitos por não captar a piada e envergonhados por sermos feitos de tontos. Odeio isso!! Odeio gente que usa o humor para humilhar os coitadinhos que não captaram a ironia da coisa.

Ah, e não tenho nada contra o politicamente incorreto, mas o excesso de humor chulo também é chato. Aqui no blog nunca fiz piada de mau gosto e passo longos minutos escolhendo as fotos para não colocar imagens de pessoas em situações humilhantes. Sabe aquelas fotos: "Salvem as baleias" com uma mulher gorda na praia? Então, não tem graça nenhuma.
O bom humor (nos dois sentidos) é aquele que coexiste com o respeito.
E Jô Soares conseguiu definir bem a lógica: a coisa é engraçada quando o outro acha graça. Se o outro não achou graça, pronto, a piada foi ruim.

Ah, e tem também os que chutam alto demais!!! Os muito cultos, viajados e inteligentes as vezes fazem piadas tão boas, mas tão boas que não são compreendidos. Conheço alguns assim.Tadinhos.Precisam de platéias mais espertas, o que é raro em alguns ambientes. Aí o seu humor sofisticado fica incompreedido no meio da gentalha. Tipo pérolas aos porcos, tipo cogumelos em estrogonofe para crianças, hahahaha, sempre terminam na beirada do prato.
Por isso digo que, no humor, sensibilidade é tudo.
E conhecer a platéia é sempre um bom começo.

Boa Platéia
Mas ser uma boa platéia é também ser, além de inteligente, bem humorado. Podemos ser passivos ou ativos, quando lidamos com a graça da vida. Não há restrições e nem preconceitos ao bom humor.
Ativo é o humorista. Passivo é o cara que ouve e... acha graça.
Isso é raro! Raro prá caramba!!
Ainda não sei se sou ativa ou passsiva. Acho que em termos de humor sou transgênera!! Tenho atração por gente engraçada, mas também sinto um enorme prazer em dar o troco. Sou boa mesmo no frescobol: o povo manda e eu costumo retrucar à altura.
Mas, além disso, definitivamente sou uma platéia que se contenta com pouco. Não gosto de refletir e filosofar em cima de piadas, procurar algo nas entrelinhas, indiretas onde não houve nenhuma intenção, maldade onde não existe nada. Porque se fizermos isso, tudo vira polêmica, tudo vira assunto para discussão e uma frase que era para ser fugaz acaba virando perene, documentada nas primeiras páginas da Veja ou da Época.
Rafinha Bastos é especialista nisso. Acho o cara um babaca, mas ele, definitivamente, não merecia a polêmica em torno de suas frases. Chato demais...

Tenho pena das pessoas sérias que acham que piada tem que ser igual a elas.

Homem Sério do
Pequeno Príncipe
"Mas ele não é um homem, é um cogumelo"
Não gostou da piada? Não entendeu?? Não aplauda, não compartilhe, mas não precisa levantar bandeira em cima de tudo, ok? Não seja xiita com o humor porque radicalismo e diversão não combinam.

Tenho uma empregada nova que tem mil defeitos, mas me conquistou pelo humor. Ri de tudo e se diverte com pouco. Olho para ela todos os dias com deslumbre, admiração e respeito. Não é uma bem humorada ativa, mas é uma excelente passiva, uma companheira ideal para reafirmar nossa auto estima quando nos sentimos azedos. Faz a festa da criançada aqui de casa que se sente valorizada com a sua escuta sempre amorosa e alegre.
E não tem vidro limpo que compense uma funcionária assim.

Humor, ativo ou passivo, é a forma mais genuína de melhorar o mundo.
É a melhor maneira de fazer o bem ao próximo. Os Doutores da Alegria, Hospitalhaços e afins conhecem esta verdade.

"(...)Tenho um amigo meu
que faz coisas engraçadas.
Faz caretas divertidas
e sabe contar piadas.
Eu também quero fazer
as pessoas rirem assim
porque esse meu amigo
sabe fazer bem prá mim.

Acho bacana essa coisa
de deixar tudo melhor
só deixando que o riso
leve embora o que é pior.
Minha mãe um dia disse
que isso chama bom humor.
Mas eu acho que prá mim
se parece mais com amor.
(Claudia Só Para Baixinhos II)





PS: Este post, contraditoriamente, não é para ser engraçado. É apenas um louvor às pessoas que me fazem rir.






segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Claudia Só Para Baixinhos I (versão kids do "coisas que eu odeio")

  • Odeio gente que sempre que vê o pé gordinho de um neném lança: "Ahhhhh, que coisa mais gostosa, parece um pãozinho!".
Uma das coisas mais irritantes na infância é o tal do pé que parece um... pão. Isto é ultrajante tanto para o pé, que passa vergonha por ser gordo e branquelo, quanto para o pão que é comparado ao dito cujo cheio de dedinhos.
E, prá piorar, há que diga que dá vontade de morder. Bah.
Isso sem falar no povo sem noção que diz que tem desejo de mordiscar bochechas

Visita do tio no imaginário infantil:
-Ai que delícia essa bochehca! Dá vontade de morder.
  • Outra coisa que me irrita (imagina o tanto que deve irritar os pequenos!) é o povo que quando vê uma criança caindo já grita: "Pulou!!!!!! Pulou!".Um dia disseram isso para o meu filho e ele, chorando, respondeu bravo:
          -Não pulei não. Eu cai mesmo.
          E eu pensei: Chuuuupa!

-Pulou o cara...o!
O joelho ralado, a cabeça toda machucada e o adulto querendo convencê-lo de que aquilo foi um... pulo.
É um péssimo consolo. E além de tudo menospreza a dor e a vergonha do moleque.
Queria ver se a coisa fosse ao contrário, se olhássemos um velhinho caindo da escada no shopping e gritássemos: "Pulou!!!!".
Ia ser bem sacana.
E eu ainda poderia fazer uma piadinha dizendo que o galo da cabeça irá acordá-lo amanhã bem cedo...


  • Outra coisa chata é o povo que amassa a bochecha da criança e pede para ela dizer: Peixinho. Chato!!!! Porque peixinho? Nunca entendi as pessoas que que acham graça genuína nisso.

E a amiguinha lula sacode seus tentáculos e diz:
- Peixinho??Não tem a menor graxa! no meio da sua própria tinta.
PS: Só quem já viu Nemo mil vezes sabe do que estou falando. Ótima tradução!

  • E nas refeições? Quando a criança pede um outro prato para a sobremesa ou exige que tudo venha geometricamente separado no prato (toda criança sofre de algum grau de TOC! hahaha), e o adulto fala: "Ah, que bobagem, vai misturar tudo lá dentro mesmo!!!!". 
Ok, ok, é verdade, eu sei, mas ninguém precisava lembrar disso na mesa, exatamente no momento em que a gelatina vermelha desce pelo esôfago e encontra o feijão morno e o bife mastigado. É o tipo de cena que é melhor ser deixada no ostracismo.


  • Odeio também a idéia de que criança tem que ouvir músicas chatas e alegrinhas. Aonde fica o espaço para elaborar tristezas com Xuxa só para Baixinhos 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10 e 11 tocando sem parar? Alegria é legal, eu sei, mas em excesso fica quase ofensivo! E tem também o povo cabeça que repete exaustivamente Palavra Cantada e Cia Ltda.
PS: Nada contra Xuxa SPB (não mesmo!) nem contra o fofo Palavra Cantada, mas não é porque a música se chama "infantil" que a gente tem que levar tão a sério e tocá-la exclusivamente na pré escola.
Trabalhei um tempo numa escola infantil e me logo no primeiro ano me rebelei contra a trilha sonora do recreio. Passei a levar MPB, Ópera (amavam!!!), jazz e rock.
Sucesso absoluto.


  • E também não entendo a capacidade da infância de atrair superstições: comer bolo quente dá dor de barriga, correr em volta da mesa não presta (hahahaha, "não presta" significa o quê?), dormir com a porta aberta do armário não é bom, andar de pé no chão e tomar gelado dá gripe (é mito!!!!!!! juro!!!), sair no vento dá dor de ouvido, colocar pluma na testa pára o soluço. E os moleques tem que se submeter a isso cegamente, desperdiçando a infância com bobagens sem nem terem a chance de questionar a razão de tamanha imbecilidade. 
Na minha cidade tem uma ótima: torcer roupa de neném dá cólica. Putz.
E uma conhecida minha outro dia falou:
-Isso de torcer a roupa do bebê é uma bobagem...
E quando eu estava começando a me orgulhar do lampejo de racionalidade da moça, ela me completa a frase:
- ...ninguém precisa torcer roupa de neném! É só amassar com as mãos que num minutinho já seca.
E a minha vontade era de gritar: isso não vem ao caso!!!!!!!!!


HOMEM DO SACO
  • E as mães que não conseguem dar bronca nos filhos e terceirizam a coisa, dizendo que o guarda, o homem do saco ou, pior, o PAI vai chegar e vai ficar bravo?
Acho isso o fim da picada!
As mães não tem coragem de afirmar que ELAS estão furiosas e aí ficam depositando a sua ira em outras pessoas, em geral inocentes.
-Olha, seu pai vai chegar e vai te dar uma surra!
Tadinho do pai.
Daí ele chega cansado do trabalho, louco de saudade do filho e o moleque tá morrendo de medo dele, sem que ele consiga imaginar o porquê.
Quando fui psicóloga na oncologia infantil, certa vez presenciei a cena de uma colega de trabalho convencendo uma criança que não queria se submeter a um teste psicológico.
A menina fazia birra e ela perdeu a paciência e decidiu terceirizar a sua raiva:
-Olha... acho melhor você fazer rápido porque o médico tá vindo e ele vai te dar uma injeção!!!!

Juro.
E vale lembrar que éramos contratadas para melhorar a qualidade de vida das crianças e otimizar a relação desgastada delas com a equipe devido às mil e uma intervenções dolorosas às quais elas eram diarimente submetidas. 

Imagem de médico que deveríamos passar para
as crianças hospitalizadas.
Imagem de médico que a minha parceira passava para uma criança com câncer.










sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ônibus

Na vida tudo é passageiro...
menos o cobrador e o motorista.

Depois de anos me iludindo com o dito popular, hoje eu cheguei à conclusão de que essa frase é sacana. A idéia de que tudo passa é algo que nunca poderia ser ensinado para as crianças, já que incentiva algo perigoso na raça humana: a esperança de mudança.
O papo no maternal devia ser assim:
-Não, meu filho, tem coisas ruins que nunca passam. Algumas perdas são para sempre e algumas dores são eternas. Nem tudo passa, meu anjinho. Contente-se então com o que sobra, tá bom?

Caxumba passa, amizades se refazem, machucados cicatrizam, a bronca dos pais um dia termina, o drama vivido por uma adolescente grávida passa e o trauma de repetir de ano na escola é esquecido.
Até aí é tranquilo (depois!!! porque na hora é um inferno).

Mas tem coisas que não passam e as crianças precisam entender isso. Fazer uma tatuagem é para sempre, amputar um membro é para sempre e ter um filho é para sempre, mesmo que ele morra depois. Aliás, principalmente se ele morrer: a dor é eterna e profunda.
Tem também amores que não passam e são acompanhados do difícil aprendizado de ter que lidar com a ausência (já falei sobre isso aqui post: Amor 90% Poliéster).Tem inseguranças que nunca somem e tem, obviamente, as doenças crônicas que não tem cura.

Bingo!! E é aí que eu queria chegar. Minha eterna doença. E agora com vocês, a Ilma. Sra. Esclerose Múltipla!!!
"Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar e eu não posso mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor
E entregou o que você tentou conter
O que você não quis desabafar e me cortou."
(Gonzaguinha)

Cansei de tentar ser muito mais do que um diagnóstico. Um diagnóstico eterno não dá para ser ignorado ad eternum.
Vamos lá, coração: pode explodir!

Bobagem
Hoje eu acordei cansada das coisas que não tem solução e nem perspectiva de melhora.
Mas como não posso desmentir a sabedoria popular assim, descaradamente, preciso encaixar a tal doença nas exceções.

Bom, já que meu problema, definitivamente, não é passageiro, preciso então escolher se quero fazer dele um cobrador ou um motorista.

Hum, ok, vamos analisar as duas opções:
Vejamos, o que temos aqui...

Não, o cobrador não me atrai. Ficar exigindo algo em troca do trajeto é aborrecido, e corre-se o risco de ser cruel com as pessoas que não tem muito a oferecer, como esperteza, malícia ou mesmo uma reles bondade no coração.
Vocês não odeiam gente que joga na nossa cara que fizemos escolhas erradas? Que nos esforçamos pouco? Que não acreditamos nas dicas de saúde do Globo Repórter? Que não prestamos atenção nas placas de perigo??
Eu odeio.
E não desejo ter um desses cobradores sentado no meu ombro me dizendo que eu podia ter feito melhor ou diferente. Imagina se fose uma doença de inteira responsabilidade minha como uma AIDS pega por uma mancada, uma câncer de pulmão por fumo ou uma cirrose hepática por excesso de bebida? Imagina que drama: além da coisa não ser passageira ela pode ainda se transformar num cobrador.
Chato demais.
E prá piorar tem o povo esotérico que, diante de doenças e acontecimentos onde não há culpa envolvida, insistem em acreditar que atraimos o fato com os nossos atos e pensamentos.
Tá bom, eu admito: eu acredito um pouco nisso. Mas acho que a coisa tem que ter um limite. Prefiro pensar assim: se for algo legal como um prêmio ou uma boa notícia, eu acredito que conquistei a benção para mim sendo uma pessoa positiva e generosa.
Se for uma desgraça? Ah, nesse caso é pura fatalidade, também conhecida como azar. O famoso Shit Happens.
Hahahah, minha crença na lei da atração é totalmente unilateral.

Historinha Ilustrativa do Cobrador:
Uma amiga foi assaltada duas vezes seguidas na mesma semana. Carro, casa e bolsa foram brutalmente surrupiados num intervalo de dois dias. Ela ficou chocada com os fatos e levou detalhes para a terapia na esperança de achar, nas entrelinhas da sua vida, onde é que estava o convite que ELA havia dado para os ladrões invadirem assim as suas propriedades.
E eu fiquei brava:
-Caramba, você mora em São Paulo! Hello!!!! Não venha me convencer que o seu pensamento convidou os bandidos para sacanearem a sua vida. A violência urbana não precisa da ajuda do seu querido incosciente para dizer a que veio. E, além de tudo, não seja pretensiosa!!! Suas vibrações não são assim tão poderosas. Menos, por favor.
Ela então sorriu, aliviada por eu ter demitido o seu cobrador tirano.

Dane-se o cobrador!!!
Resta então olhar com seriedade para a outra opção.
Gosto de pensar que os problemas que não são passageiros viram  motoristas, guiando-nos pela vida de uma forma sempre inusitada. Um motorista criativo que precisa ajustar o GPS, inventar atalhos, conhecer umas quebradas e refazer o trajeto diante dos obstáculos. Um motorista alerta e prudente, sim, mas ousado o suficiente para entrar numa contra-mão em caso de extrema necessidade ou dar propina ao guarda para se livrar de um problema.

E a doença crônica e incurável é assim. Aliás todo acontecimento brutal e traumático é assim. Muda a rotina, muda a nossa visão de futuro e de vida, muda as nossas prioridades (puxa, parecem aqueles depoimentos do final das novelas do Manuel Carlos, rsrs), mas também sabe muito bem fazer irregularidades vez ou outra.

Depoimentos emocionantes de final 
das novela do Maneco.
É fácil demais usar uma doença como moeda de troca para se dar bem. Ou usar uma desgraça para inspirar pena nas pessoas. Nem tudo são espinhos dentro da tragédia e não há nada de feio em afirmar isso.
Nós psicólogos chamamos isso de "ganhos secundários da doença", que são aprendidos desde muito cedo quando um garotinho percebe que, ao ficar com catapora, pode faltar na escola e ganhar paparicos da mãe.
Mas além de ganhar a atenção e a compaixão dos outros, existe a compaixão consigo mesmo, e esta é a mais importante.

É possível se dar bem quando viramos nossos melhores amigos e aprendemos a viver com menos cobranças, menos pressão e mais tolerância.
E deixar a sua doença "motorista" te guiar para uma vida mais leve é uma sabedoria boa que devia vir de brinde, junto com o diagnóstico.
Mas para mim veio muitos anos depois.

Eu vinha encarando a Esclerose Múltipla como um passageiro que (engraçado!) se esqueceu de descer no ponto certo!! Não acreditava que a tal doença incurável era incurável mesmo.
Podem chamar isso de negação, mas talvez fosse apenas uma maneira possível e sábia de olhar para a coisa.
Eu jurava que continuaria para sempre sendo a mesma. Sendo "normal".
Esta semana a máscara caiu e doeu bastante.

Mas, agora eu decidi deixar minha doença incurável ser uma motorista ousada, aventureira, cheia de adrenalina, mas amorosa e boa, sempre me guiando para lugares seguros. Ela sabe que precisa olhar o poste e que, infelizmente, ele não é de borracha!!
Ou seja, minha doença esta semana saiu do banco de passageiros e se transformou em:
Sandra Bullock
Vocês já assitiram a este filme? Eu não, hahaha.
Não vi mesmo, juro!
Por isso não vejo a hora de conhecer meu novo percurso. Só sei que o ônibus não tem freio, que não se pode pará-lo, que muita coisa será destruida pelo caminho, mas que o final, com certeza, será sereno e feliz. E levando em conta que estamos falando de Hollywood, certamente haverá uma piadinha e um romance para quebrar a tensão.

Puxa, que viagem mais emocionante essa...