terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sim, sim, tinha mesmo uma pedra no meio do caminho.


-Ui, esse flash deixa as minhas retinas tããããão fatigadas!


Nas minhas últimas férias vi, num aquário público, um peixe que não saia do lugar.
Eis o mocinho na foto acima que eu tirei com a minha máquina fotográfica simplona.
Tadinho...ficava só parado, quieto, afastado do grupo. Mas é claro que ele não conseguia fazer nada: a sua barriga era gorda, deformada e pesava horrores. Por quê? Fui perguntar ao porteiro que me contou, rindo, que o peixe comeu muitas pedras e que, por isso, fica agora ancorado ao chão.

Algo ali me desconsertou demais. Passei longos minutos olhando o aquário e pensando: Por quê você fez isso, peixinho??? O que pretende comendo pedras assim? E agora, quem poderá lhe salvar?

Bom, cheguei em casa abalada com a cena e fui pesquisar no Google o porquê de um peixe comer pedras, mas só encontrei a história de uma mulher que come pedras  há mais de 20 anos (6 kg por dia!!!).
Ninguém na rede me explicou sobre os peixes.
Mas eu também não queria saber! Claro que deve haver uma justificativa para o estranho comportamento do bigodudo acima, mas eu não queria explicações técnicas porque estava, naquele mesmo dia, pensando sobre o estranho hábito das pessoas engolirem coisas mais duras que o seu próprio organismo consegue suportar. E isso é muito comum! Pessoas que, ao invés de passarem por cima dos problemas, os comem. E ficam ruminando e tentando, em vão, digerir (entender, compreender, resolver) os obstáculos.
O problema disso? Ficam presos, ancorados, aprisionados na vida.

-Então, Seu Carlos, o meu primo me chamou para ajudar ele lá no Mato Grosso, tá entendendo? Mas minha esposa faz hemodiálise e não pode sair do Rio. E também não pode ficar sozinha com os meninos.
Então não posso ir, tá entendendo?
Mas eu ia ganhar bem e podia dar entrada numa casinha.  
-Sim, entendo. Malditas pedras! Eu as odeio.

-É, cara, falou tudo: tô numa fase de pedra lascada!

-Amigo, nunca me esquecerei deste acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. 


Eu já disse que tenho horror a psicologismo barato às custas de metáforas tolas: "Cuidado, não comam as pedras da vidas! Blá, blá, blá...".
Mas aí aconteceu algo surpreendente.
Me dei conta que as pedras ingeridas têm uma função e que, embora grotescas, elas obviamente são úteis para alguma coisa.
Pássaros comem pedras para ajudá-los a triturarem os alimentos. Dinossauros faziam isso também. Possivelmente o nosso amigo peixe está gordo e pesado também por uma razão semelhante. Animais comem pedras para AJUDÁ-LOS e não porque são masoquistas
E, na minha opinião, pessoas comem problemas também para obterem os benefícios disso, e não necessariamente para se ferrarem. É uma explicação muito simplista essa de dizer que "comer" problemas prejudica a vida.
Talvez comer problemas ajude algumas pessoas a suportar a leveza da vida, a famosa insustentável leveza do ser. Vou explicar:
Tem gente que tem dificuldade em lidar com a fluidez do cotidiano e precisam se ancorar em problemas para se sentirem seguros. O rapaz acima, conversando com o Drummond, talvez precise enumerar os problemas para se convencer de que não pode abandonar a rotina doméstica dele, embora ele tenha essa opção.
E talvez o desejo.
Todos temos! A opção e, muitas vezes, o desejo! E, com um medo danado de voarmos para longe, precisamos comer pedras, e ficar ancorados ao chão. Não por sofrimento, vejam bem, mas para digerir a vertigem que a tentadora liberdade da vida nos provoca. Para que as pedras nos segurem ao que é fundamental no momento. Para que as benditas pedras nos ajudem a triturar a vida no chão firme.

Bobagem!!!!  Nada de pontes. Nem muros.
Coma as pedras e fique no lugar. 

Uma sopa leve pode ser, ironicamente, indigesta. Vertiginosa!! Sopa de pedras cai melhor para alguns organismos.
E, acredite, quando houver coragem/oportunidade/necessidade de alçar vôos mais altos, você se libertará de todas as pedras e voará como um balão.



Prá terminar a história do aquário, preciso dizer que o peixe lá de cima vomita tudo, vez ou outra, e flutua feliz com seus amigos.
O guarda me contou.
E garanto que quando ele precisar mesmo nadar para longe, pode ter certeza que não haverá pedra nenhuma que vai o segurar.
E, com isso, temos aqui mais um final feliz!!





Enquanto isso, na orla carioca:


-Ô cambada de desocupados! Deixem os óculos do velho em paz.  
Ele tem as retinas fatigadas.
-Ai.
-Tá quente Seu Carlos? Foi mal.



(Para quem não sabe, a depredação dos óculos da estátua do 
Carlos Drummond de Andrade é um problemão para a prefeitura do Rio de Janeiro. 
Ah, e o tráfico de drogas também.)




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Tá tudo bem.



Preciso responder o comentário ao texto anterior com elegância. E, por isso, minha resposta terá que ser uma outra postagem. Vamos lá:
O comentário a esta publicação de hoje foi esse:
"Pra variar um texto ruim, que bom. Não se ofenda, mas voce estava ficando interessante demais.Perdeu pontos valiosos, mas que esta contando afinal ? Com carinho espero por algo que me faça pensar e não fiz isso nem por um segundo. Para constar, no post da paixão foi divertido o trocadilho. Gentilmente não delete este comentário, uma escritora tem que amadurecer quando desagrada um fiel e assiduo(a)leitor. " 
                                                                                                         Ass: Anônimo.

Bom, prá começar é claro que não apagaria um comentário destes. Não tenho filtro para os comentários e nem leio eles antes de publicá-los. E faço isso justamente para incentivar a expressão livre dos leitores. Mas devo confessar que durante toda a história do blog eu apaguei dois comentários. Um deles porque o anônimo dizia que torcia para um psicopata entrar na minha casa e me fuzilar (sei lá, acho que fiquei um pouco assustada) e outro porque era pornográfico e nojento. Se fosse pornográfico e bacana,  ficaria. 
Por isso, educado(a) leitor(a), pode comentar à vontade, tá?

Depois preciso dizer que adorei você dizer que escrevi um texto ruim "prá variar" e que você é um assíduo(a) leitor (a) . Muito obrigada por isso. Saber que a maioria deles foi considerada boa por você deve ser um elogio. Deve ser, não sei.

Mas uma coisa me intrigou bastante. Por quê você disse que não conseguiu achar nada que o "faça pensar" naquele texto? Puxa vida, eu juro por deus que pensei MUITO sobre as regras de etiqueta no sexo oral. Juro. Nunca imaginei que alguém pudesse achar pouco educado (ou pouco higiênico) um rapaz não avisar a (o) moça(o moço) quando vai ejacular. E isso me fez pensar muito, sim. Nem imaginava que existisse este tipo de reclamação. Nunca, jamais, imaginei que os rapazes ficassem na dúvida se devem ou não avisar a(o) parceira(o). 
PS: a gente deve ser politicamente correto para não excluir os homossexuais da conversa :o)

Pode parecer que estou zombando de você, caro(a) leitora(o), mas não estou. 

Como você deve saber, existe um best seller atualmente fazendo sucesso junto ao público feminino: a trilogia "50 tons de cinza". 
Não li. Não fui educada para ler pornografia light, e muito menos as hard rock. Bom, prá falar a verdade acho que não leio porque tenho uma certa vergonha em ler best sellers criado para multidões. Sim, eu sei, preciso trabalhar este recalque. Devo estar perdendo muitas obras interessantes com este meu pudor besta. 

Bom, assim como eu, nenhuma mulher foi educada para ler, ver e falar de sexo. 
No entanto, o tal fenômeno literário apenas reflete o que nós mulheres já sabíamos, mas a mídia nunca tinha percebido: o assunto é divertido, útil e amplamente comentado em bocas miúdas nos chás das 5 e na saída das aulas de yoga. Quando digo que "uma amiga escreveu", e que "outra amiga comentou" não é mentira minha. As mulheres falam, sim, sobre o assunto. Conversando e batendo papo furado elas comparam suas preferências sexuais, seus gostos e suas fantasias. Mulheres cultas, universitárias e modernas precisam falar sobre isso porque muitas (MUITAS!!!!) ainda tem dúvidas e curiosidades sobre várias coisas, inclusive sobre (pasme você!) a própria anatomia.  

Já pensei muitas vezes em ter um blog só sobre sexo. Nada de tons de cinza!!! Assuntos coloridos e tratados de forma alegre e despojada. 
-Chega de Cinza!!!!
Modéstia à parte, já me disseram que tenho facilidade em falar sobre o assunto e algumas pessoas já me pediram para fazer um blog assim. Um dia ainda farei, se o meu pai e meu marido me permitirem... ai, ai, esta revolução feminista que foi interrompida pela metade acaba comigo! 

Portanto, falar sobre a etiqueta do sexo oral não te fez pensar, mas garanto que muitas mulheres leram e se identificaram com o texto. Algumas poucas comentam no próprio blog, duas hoje me escreveram em segredo e outras ficam sozinhas ruminando o assunto, e é justamente isso que eu pretendia com o post.

Ah, e a piada com o Chico Xavier foi só uma piada, tá?  Juro que não foi minha, mas achei tão boa que resolvi socializar. Se foi ruim, me perdoe por favor. Conheço só um pouco sobre o Chico Xavier, mas respeito e concordo com todas as idéias e pensamentos que ele já transmitiu em entrevistas e livros que li. 

Prá terminar, fico imaginando qual dos textos meus te fez pensar tanto assim. Apesar de ser psicóloga e fazer o meu trabalho com seriedade e respeito, não uso este espaço virtual para refletir sobre assuntos densos. O próprio título do blog já tinha isso como objetivo: falar de amenidades de forma amena. O bom humor é o carro chefe da casa.
Talvez você seja um(a) leitor(a) que se interessa por textos recheados de psicologismos de quinta categoria que eu tanto hesito em publicar aqui. Não!!! Não se envergonhe por isso! Muita gente gosta destes meus textos e eu tenho vários aqui na fila para serem lidos. Talvez eles até sejam legais. Depois deste seu comentário vou começar a publicá-los. Espero que, com eles, eu consiga novamente te satisfazer. 

Continue comentando e, por favor, não se intimide.
Um forte abraço e obrigada por tudo.    





A piada do pintinho

-Piu!

Faz tempo que eu não apareço por aqui, né? Até o Conselho Tutelar já está na minha cola, me recriminando por abandonar meu "baby blog" desta forma. Tsc, tsc.
Mas aí ontem aconteceu uma coisa bem engraçada.
Vou contar, tá?
Uma vez expliquei para uma leitora, nos comentários deste post aqui, que escolher fotos para as postagens é uma arte difícil porque, na minha opinião, devemos apimentar textos monótonos com fotos ousadas e, por outro lado, amenizar assuntos pornográficos com fotos banais. Tudo isso para evitar o tédio e a vulgaridade.  Mas esta escolha toma tempo e precisa de muito feeling. Tarefa reservada apenas para os entendidos.

Bom, no meu último texto, "Minha vida agora com Paixão", eu falei sobre um... hidratante!!!! Sobre as maravilhas de um produto barato e de qualidade. Puxa, que assunto legalzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.....
Para tornar a postagem menos chata eu quis ousar (e ousar bastante!) fazendo uma referência ultra... ousada ...nas fotos. Eu estava falando de um creme branco que sai, espesso, de um tubo. Então pensei:
-Hum, para não ficar tão chato vou, então, fazer uma menção honrosa a outro creme branco que sai, espesso, de um outro tubo. Assim, o conjunto fica equilibrado e, quem não se interessar por hidratantes vai, pelo menos, achar graça da minha arte em conseguir ilustrar um texto besta. 

Ó meu deus, como colocar fotos de esperma saindo de pintos no meu blog?? Não dava. Então peguei imagens que apenas induzem à coisa e deixei elas soltas, sem dar nome aos bois e sem nenhuma legenda gozada (com o perdão do trocadilho). Como super-estimo meus leitores, coloquei um monte de imagens subliminares e esperei que os comentários aparecessem.
Mas ninguém percebeu.
Hello???? Voltem ao post e reparem na primeira imagem. Vocês acham realmente que eu escolheria uma foto feia, sem luz e mal definida para ilustrar o título do post? Vocês acham mesmo que eu teria um mau gosto tão grande sem nenhuma intenção por trás? E a segunda foto?? E a terceira?  Poxa, leitores, vocês já foram mais maliciosos!

Mas ontem uma amiga percebeu. Ufa. E me ligou dando risada:
-Claudinha, sua safada, que raio de ilustração foi aquela que você usou no seu último texto?? 
- Linda, minha querida, você acabou de me salvar de um imenso marasmo. Depois de longas semanas finalmente alguém entendeu a piada. Ponto para você!!
-Claro que eu entendi, sua boba: pinto-paixão, creme-esperma... achei ótimo! Ah, e se quiser escrever um texto sobre mim pode escrever, tá? Mas não cita meu nome.
-Jurrrrrrraaaaaaaa? Posso mesmo????
-Claro. Acho importante alguém falar sobre isso, e você é a pessoa ideal.

Eba! Finalmente vou sair do limbo criativo e voltar a falar de coisas interessantes por aqui.
É que essa minha amiga ama esperma. O cheiro, o gosto, a textura, a cor... é uma rara e divertida "louca por porra". Quando o marido usa camisinha ela, secretamente, vai no lixo e resgata o invólucro para usar mais tarde. Sozinha e escondida ela cheira, espalha na pele, lambe e adora! É a característica mais pitoresca desta moça que eu tive a imensa sorte de conhecer. E ela fala disso com naturalidade, alegria e um entusiasmo contagiante, diante da cara de nojo das amigas.
As amigas, por outro lado, odeiam. O cheiro, o gosto e, principalmente, a textura. Tomam banho o mais rápido possível para se livrarem dos vestígios e ficam bravas quando os maridos/namorados não avisam que vão gozar em um sexo oral. Acham falta de respeito não avisar. Falta de higiene.

E isso me fez lembrar da piada:
-Qual a diferença entre a santa, a puta e a indecisa?
-Não sei. Qual é?
-A santa cospe e a puta engole.
(silêncio)
-E a indecisa?
-A indecisa fica com a coisa na boca, pensando: "O que é que eu faço com essa porra??????"

Essa piada é velha, mas semana passada uma outra amiga me lembrou dela com a seguinte frase:

"Quando alguém lhe provocar irritações, pegue em copo de água,
beba um pouco e conserve o resto na boca.
Não a ponha fora e nem a engula.
Enquanto durar a tentação de responder, deixe a água banhando a língua.
 Esta é a água da paz."

Chico Xavier

E disse, abaixo: "Acho que Chico Xavier era um indeciso."
Ahahahah, adoro essa coisa engraçada chamada: amigas. Como pessoas podem viver sem elas?? Sim, Chico Xavier, virou um grandessíssimo indeciso para mim também.

-E agora? O que é que eu faço???