quarta-feira, 9 de março de 2011

Havia um anjo no meio do caminho...

Hoje quero prestar uma homenagem às pessoas que caem na nossa vida e fazem da nossa existência algo estupidamente melhor.

Tem gente que chama isso de anjo
Eu não iria tão longe porque aqui na Terra tem muita gente boa e especial, mas confesso que gosto da idéia dos anjos.

As pessoas-anjos estão por toda a parte e aparecem magicamente quando precisamos.
Devemos apenas estar aberto para vê-las, abrir espaço para elas entrarem na nossa vida e gozar das maravilhas de ter ao nosso lado presenças novas e boas.

Tenho algumas histórias assim para me gabar.
Tive a sorte imensa de trombar com anjos nas esquinas mais impróváveis da vida. Coleciono histórias tão incríveis que meus amigos não acreditam quando conto.
Mas hoje vou contar uma só:

Uma vez fui num Mcdonalds onde eu nunca tinha estado, na periferia de Campinas. Era de noite. Na mesa ao lado havia uma moça com dois meninos pequenos, bebês. Ela comia balançando um deles na perna. Sorri para ela e falei que conhecia extamente aquela situação porque também tinha dois pequenos mas que, no momento, não estavam comigo. (importante frisar que eu iniciei o contato!!)
No dia seguinte fui a um shopping chique do outro lado da cidade. Lá uma moça sorriu para mim e me cumprimentou. Não reconheci e passei reto. Mas aí voltei aonde ela estava (importante dizer isso!!!), fui até ela e disse:
-Desculpa, eu não estou te reconhecendo.
-Eu estava ontem no Mac, lembra?
-Nossa, que coincidência!
Conversamos um pouco, mostrei meus filhos para ela, mas não perguntei seu nome e nem trocamos maiores informações.

Um mês depois encontrei a mesma moça na sala de espera de um pediatra no centro da cidade. Nos cumprimentamos rapidamente, rimos da terceira coincidência e nos despedimos.

Meu filho de 1 ano e 3 meses estava péssimo. Febre, crises convulsivas, vômito ininterrupto. Tivemos que interná-lo. Ninguém descobria o que ele tinha. E o pior é que eu não pude ficar com ele no hospital porque tinha um pequeno de 2 meses em casa que mamava a cada 3 horas.
Estava triste e muito cansada.

Depois de uma semana de internação recebemos a visita da equipe pediátrica do hospital. Disseram que possivelmente meu filho estava com câncer. Coisa leve... coisa fácil para se falar para uma mãe.
Eu e meu marido desmontamos.
O pediatra dele foi chamado com urgência até o hospital, viu os exames todos, conversou com a equipe, me chamou num canto e me mandou rezar dizendo que a coisa era mesmo séria.
Eu não sabia rezar. E nem queria. Eu estava sem chão e queria sumir.
Saí no estacionamento do hospital aos prantos, sozinha, e, de repente, surgiram braços me abraçando.

Era a moça.
Ela surgiu do nada e estava bem ali, me abraçando quando eu mais precisei.
Um bairro distante, outra situação, outro cenário e ela estava lá, uma presença constante e estranhamente linda.
Ela me ouviu no estacionamento.
Ela me acalmou.
Eu precisava ir embora para amamentar, mas ela entrou com o marido dela no hospital e ficou lá no quarto do meu filho. Conheceu meu marido, pegou meu telefone com ele e me ligou algumas vezes para saber notícias.
Meu filho melhorou, nós duas mudamos de telefone, de casa e perdemos o contato.

Anos depois meu marido foi numa visita de trabalho e conversou com um rapaz que lhe disse:
-Você não é pai daquele menininho loiro que estava no Centro Médico internado? Minha esposa ficou bem preocupada com a sua naquela época.

Incrível. Ela apareceu de novo! Em outra situação! Em outra cidade, inclusive!

O marido dela deu o telefone novo e liguei (importante frisar isso também!!). Nos falamos mais uma vez por telefone, mas, de novo, uma mudança e a perda de contato.

É claro que pensei em procurá-la quando tive Facebook, mas não sabia seu sobrenome e não temos nenhum amigo em comum.

E hoje, de novo, ela apareceu. Fofa como sempre.
Ficamos felizes por nos encontrarmos e ela planeja vir me visitar logo.

E ela é uma das muitas histórias que tenho.
Dou o nome a isso de Serendipidade, que é um neologismo que se refere às descobertas afortunadas feitas, aparentemente, por acaso.

Mas aí entramos no que disse Louis Pasteur:
"O acaso só favorece a mente preparada."

Se eu não estivesse aberta, curiosa e me dedicado a conhecer alguém, não teria tido a sorte de ter anjos na minha vida. Eles aparecem, mas cabe a nós abrir a guarda para recebê-los e aceitar sermos abraçados e acolhidos.


Para quem quer pensar e refletir mais sobre a serendipidade precisa ver o filme "Serendipity", com o maravilhoso John Cusack e Kate Beckinsale. Eles se encontram ao acaso em NY, se apaixonam, mas estão ambos bastante envolvidos em outros realcionamentos. Ela se recusa a investir na relação ou trocar telefones, dizendo que: "se for para a gente ficar junto o destino vai se encarregar de colocar você no meu caminho."

Em outras palavras: o que é do homem o bicho não come!!

 Por isso presto uma homenagem a ela, Karime, minha desconhecida amiga, mas uma das melhores amigas que tive na vida porque garante a sua presença no meu caminho onde quer que eu esteja.

Fico feliz que você existe e não vejo a hora de também te abaçar quando você precisar de mim.
Vamos esperar para ver... temos muitos anos, não é?

7 comentários:

  1. Que linda estória! aposto que você com esse blog esta fazendo papel de anjo para muita gente nesse mundo .Você e um dos meus anjos favoritos! um beijo Climene

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  2. Muito legal seu blog e otimo, e muito criativo, se depois vocês quiser olhar o meu blog e dar a sua opnião eu ficarei muito grato: http://derlandreflexivo.blogspot.com/

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  3. Eu conheço essa "moça"... é minha filha! Ela é assim mesmo...muiiito especial, sem se dar conta disso.Isso a faz especial: sua humildade.
    Ao que vc da o nome de serendepididade, eu chamo de "Providência Divina".Realmente, Deus quer "algo" de vcs duas, e coo vc disse , tem que se ter a sensibilidade para perceber a "voz no silêncio", pois Ele fala muito baixinho e com nosso barulho podemos não ouvi-Lo.
    Um beijo ...levei um susto em ver a semelhança de seu filho com o Filipe da Karime.
    Não se esqueça:
    "Jesus Te Ama!"

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  4. Isilda, você tem toda a razão. Precisamos mesmo ouvir os sussurros indicando o caminho para as coisas boas da vida, e sua filha realmente é uma delas. Um dia sentaremos juntas para conversar. Me aguarde... Bjs

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  5. Adoro seu blog! Foi indicaçao de uma amiga e há uma semana eu corro aqui diariamente pra me encontrar com esse anjo que invadiu minha vida através dessa tela de computador.

    Bem, ontem apareceu outro anjo aqui em casa, em carne e osso e à noite dou com esse post.

    "O acaso só favorece a mente preparada."

    Um beijo e obrigada.

    Isa

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  6. Nossa, só posso dizer que estou toda arrepiada...
    Primeiro a tua postagem, divina, intensa, misteriosa, celeste.
    Depois, o depoimento da mãe...ave! Coisa do outro mundo...seja ele qual for.
    Perdão, mas que baita enredo, heim! Esse daria tremendo ibope, garanto,minha florzinha.
    Você faz falta aqui entre nós, nossa mosqueteira.

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  7. ps. esqueci de dizer: sim, eu também creio nos anjos em vida. Amém.
    Muito linda a sua história e a da Karime.

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