quarta-feira, 27 de abril de 2011

Vive la Différence!!!!!

Algumas pessoas me escreveram perguntando qual escada, afinal, é meu sonho de consumo: a "Ultimate Ladder" que assume mil e umas posições diferentes, ou um homem "escada" do meu post anterior.
É a escada da Polishop, óbvio! Não estou interessada num "escada" que fica em mil e uma posições diferentes.
E, se estivesse, não anunciaria num blog!
Mas é que pode soar estranho para algumas pessoas uma mulher querer uma escada. Hahaha, só me dei conta da bizarrice da coisa depois que reli o post e o povo veio investigar.
Viu? Eu disse que precisava ser mais mulherzinha!! Tem moça que gosta de ir no Shopping Iguatemi, eu adoro um Leroy Merlin. Minha mãe fala Lerroá Merlã... hehe, ela é chique. Vou começar a falar assim também para me sentir mais sofisticada ao sonhar com as novas brocas para a minha mini-furadeira.

Bom, aí fiquei me lembrando de todas as coisas estranhas que as pessoas desejam e me deixam com um ponto de interrogação na cabeça.
Como, meus Deus??? Como alguém pode querer uma coisa dessas?

Sabe uma coisa que eu nunca entendi? Gente que olha um dia lindo e fala: "Putz, hoje o dia tá perfeito para pegar uma estrada!"
-Joga uma garrafinha de água e pode entrar
Hã??? Nenhum dia é perfeito para pegar uma estrada! Viajar numa estrada é a última coisa que eu poderia desejar para um dia. Ainda mais um dia lindo.
Que desperdício!
Sabe aquele povo que sonha em ir de carro percorrendo todo o litoral do Brasil? Nossa, me dá até aflição só de pensar em parar nas praias e voltar para o carro cheia de areia, sentando nas toalhas úmidas, e o carro vai ficando com cheiro de gente...eca!
Mas não. Tem gente que fala que o bom da viagem é curtir o percurso, e não necessariamente chegar no destino.
Tipo essas frases de livro de auto-ajuda.
Ok, não vou discutir.

Outra coisa estranha: gente que sonha em subir um Himalaia, acampar na neve, ficar passando frio, perdendo falanges e formando estalactites com o catarro que escorre pelo nariz. Bah...

E o povo que coleciona sapato? Loucura, loucura! (Huck, 2011).
Hahaha!!!!
Nada me dá mais desprazer do que comprar sapatos, e não consigo compreender qual é o tesão em ter um monte deles. Gente que aluga um apartamento só para abrigar a coleção? Que se mata por um daqueles Louboutin com a sola pintada de vermelho?
Hahaha, adorei este maketing. O cara pinta a sola de vermelho "ferrari" e, pronto, tá feito o milagre da grife.
Eu sou mais do time de Reese:
A atriz Reese Witherspoon, 35, disse que usou botas de caubói na festa de seu casamento, ao programa The Ellen DeGeneres Show que vai ao ar nesta quinta-feira, nos EUA.
Segundo ela, depois da cerimônia ela trocou seus sapatos de salto da marca Jimmy Choo, pelas botas.
"Eu coloquei minhas botas de caubói e tirei aqueles sapatos horríveis, desconfortáveis", disse Witherspoon.
Imagina se Jimmy Choo doou os sapatos para a atriz na esperança de divulgar sua marca? Tadinho.


E essas malucas que sonham em ter um filho em casa? Ah, me poupe.
Quando eu tive meus filhos a coisa existia, mas não era assim tão séria. Incrível como o movimento pelo parto humanizado cresceu nestes últimos poucos anos. Tipo, 60% das minhas amigas agora acham o máximo essa história.
As fotos da filha da Ana Maria Braga correu a net despertando sentimentos comovidos de admiração por alguém que consegue ter filho na cama com cachorros lambendo e marido filmando.
E elas agora são uma tribo urbana com movimentos organizados e vocabulário próprio: mulher=mamífera; dar uma força= ocitocinisar; parteira=obstetriz... MUITO chique esse povo.
E o uniforme básico é um bebê pendurado no sling, haha.

Tenho um problema sério: ADORO cheiro de hospital. Nasci para trabalhar em um deles e nunca desperdiçaria uma chance dessas para poder dormir em um quarto de maternidade, cheio de botões, cama com regulagem, enfermeiras boazinhas e visitas com hora marcada.
Quem ia segurar minhas visitas se eu tivesse meus filhos em casa?
Ah, e adoro uma anestesia. Peço sempre no dentista. Pedi também na hora o parto. Diante da mega dor achei a coisa mais óbvia a fazer, mas para algumas pessoas não é.
Weird chicks!

E para terminar acho maluquice mil outras coisas: caixa de som gigantes no porta mala, o som que normalmente sai destas mesmas caixas (curioso como as pessoas que ouvem som alto nunca tem um gosto musical apurado, são grandezas inversamente proporcionais.), povo que gosta de tecnologia e vive trocando de celular e TV, gente que sonha em morar num barco... vixi, tanta coisa!

Mas o que eu nunca entenderei é a paixão por futebol.
Felizmente aqui em casa ninguém nem sabe o que é isso.

E vocês? O que parece estranho para vocês? Além do desejo por uma Ultimate Ladder?


PS: Estarei de férias do blog e da vida por alguns dias.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Step by Step



 "Escada" é um termo usado no teatro de comédia para definir um ator secundário que entrega a piada para o ator principal completar a ganhar os aplausos.
Tipo o Dedé Santana. Ele não tinha a função de ser engraçado. Ele era só o "escada" dos outros três.
E também o galã do quarteto!! Sempre acabava com a mocinha no fim do filme.
Bons tempos do Dedé Santana...

No futebol podemos chamar isso de, sei lá, meio de campo? Ponta esquerda?
Bom, mas todo mundo entendeu, né? É aquele que faz parte do time mas não recebe mérito pelo resultado final.

Hoje eu estava lendo uma entrevista com Miguel Falabella que disse: "A dramaturgia do musical é bastante específica, possui cenas muito curtas, com piadas bem marcadas para entrar a música. Já a comédia permite alternâncias. Exige uma disciplina que o público nunca vai perceber, parece fácil, mas não é. Se você não entra no tempo certo sabe que perdeu a piada antes mesmo de fazê-la, assim como o jogador sabe que perdeu o gol antes de bater na trave. Fazer escada para outro ator é dificílimo e genial. Eu e Diogo fazemos isso o tempo todo em “A Gaiola das Loucas”. Tem que dar o tempo perfeito e se o jogo não for redondo, a gente dança."


Dean Martin era engraçado? Não! E nem era para ser.
Ele só fazia "escada" para Jerry Lewis brilhar. 
Dean era só o galã que ficava com as mocinhas no fim dos filmes

Entenderam?
Ok, mas hoje quero falar de outros tipos de "escadas". Aquele que dá a deixa para você se apaixonar perdidamente a ponto de provocar uma reviravolta no seu casamento!
O famoso terceiro, o outro.
O cara nada mais é do que um "escada". E também um galã, hehe.
OBS: Estou falando aqui de um escada homem para facilitar o meu trabalho escrevendo, mas existem escadas de todos os sexos.

Mas, de acordo com Miguel Falabella, o timing dele tem que ser perfeito. Se o cara chegar antes da hora, a crise no casamento não acontece porque você pode ainda estar dando o máximo de si para a relação dar certo. Se ele chegar tarde talvez você não esteja mais interessada.
Ele tem que chegar no momento certo e dar o impulso necessário para te fazer pular fora.

Depois? Depois o mundo vai dizer que você se separou POR CAUSA do cara, tadinho, mas não é verdade. Ele foi o "escada". Deve ficar nos bastidores, não deveria nem receber a atenção do povo porque ele não tem culpa do show pirotécnico que é um divórcio. Nem créditos ele deveria ter no fim do espetáculo.

Conheço pessoas que querem se separar mas não conseguem. Aí falam: "Ia ser tããão mais fácil se eu me apaixonasse por alguém!"
Hahahah, tem gente que não sabe fazer "stand-up comedy".
Sozinha? No palco? Dizer para o marido que ela não quer mais????
Não consegue! Precisa de um "escada"!

E o "escada" precisa ser bom. Precisa oferecer o material necessário para o "jogo ser redondo", como concluiu Miguel Falabella. Não é em qualquer escadinha que você sobe para sair do casamento. Tem que ser uma escada que transmita confiança, que te dê segurança, que fale: "Pode subir que eu te seguro."


Em outras palavras: tem que ser uma... "Ultimate Ladder"!!!!!!!!!!
Hahaha, meu sonho de consumo!

E o pior de tudo é que tem gente que está tão perdida, tão deseperada que trepa (nos dois sentidos) em qualquer escadinha que aparece pela frente. Escada podre, faltando degrau, amarrada com arame... não dá. Cai, quebra a cara, e ainda coloca a culpa na escada!!
Minha filha, você não reparou que seu "escada" era fraco???

Mas mesmo um "Ultimate Ladder", perfeito, apaixonado, que te assumiria até no fim do mundo, muitas vezes jura que vai dar conta de você e, depois do show, vai embora. Some do mapa
E aí a mulher fica brava, óbvio, mas é importante entender que o "escada" já cumpriu o seu papel. Ele não era, necessariamente, para ser o seu príncipe encantado. Ele te deu o passe para você fazer o gol. Fez a pergunta para você concluir a piada. O show acabou e o "escada" pode se retirar.

Raros são os "escadas" que ficam com os parceiros depois do divórcio. No geral a coisa termina alí.
Dean Martin brigou tão feio com Jerry Lewis que morreram sem se falar. Dedé Santana só voltou agora, depois de anos de cara virada.

E as vezes acontece o contrário. O "escada" acha que depois do divórcio vai virar protagonista e você, tristemente, chega à conclusão que preferia ele como "escada" para sempre!
Vixi...

Mas é que os "escadas" precisam entender o lugar que ocupam.
Jerry Seinfeld era dono do show. Era o nome do programa, o cabeça da galera, mas nunca se incomodou em ser "escada". Sim, porque ele era apenas o pano de fundo para o trio trabalhar. Não dá para negar.

Não estou aqui para fazer apologia ao amante (real ou imaginário). Não pretendo dizer que ele é fundamental e muito menos que ele não tem culpa no cartório.
Tem sim.
E você também.

Mas, se os "escadas" são inevitáveis encare-o como um enviado divino com a função única de te dar coragem. Ele tem uma apenas uma obrigação: ser fofo, charmoso, sexy, educado, ou sei lá o que falta na sua vida afetiva e que, definitivamente, você não encontra dentro do seu casamento.
Mas não exija demais dele. Ele só precisa te dar um chacoalhão, um tapa na cara (metaforicamente, claro) dizendo: "Acorda prá vida!! Olha só quanta coisa boa está te fazendo falta!!!!"
Depois pode sumir, e que ele seja muito feliz.

E muitas vezes, depois de muitos shows, muitas reviravoltas no enredo, mesmo um "Ultimate Ladder", as vezes perde a mocinha para o marido de pijama de bolinha. Gordinho, rabugento, cheio de manias, mas tão familiar e irresistível que nem uma "Stairway to Heaven" seria capaz de te convencer a abandonar o lar.
E o "escada" se torna dispensável, obsoleto. E você e seu marido podem agora fazer uma dupla sem escadas, onde vocês dois são protagonistas e ninguém é menor do que ninguém.
Tipo um "O gordo e o magro".

Audrey Hepburn ficaria com quem? O escada? Ou "O Meninão"?

Ou não! Ou o fim pode ser diferente: milagrosamente o "escada" sobe ao palco, acende os holofotes e se revela a atração principal da sua vida. Já vi casos assim acontecerem. Embora raros, existem sim.



Ai, ai... eu? O que eu gosto mesmo é de uma terra firme.
Escadas me dão vertigens.
Mas não vejo a hora de assistir o final desta temporada.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Beleza Roubada


Quem se lembra da cena de "Beleza Americana" quando uma sacola plástica voa por 15 minutos entre as folhas de outono?
E o rapaz diz, emocionado: "Existe tanta beleza no mundo!"
No Youtube existem inúmeras variações do mesmo tema. Gente que também achou bacana registar a dança elegante da sacolinha, com trilha sonora "cabeça" e edição tosca.

Mas parece que estes momentos de beleza trasbordante estão com os dias contados. Roubaram a nossa beleza americana. As sacolinhas serão proibidas em São Paulo. E isso é só o começo.
Ah...que pena! Nunca mais vamos nos emocionar com sacolinhas voando pelos céus do Brasil.

Já faz tempo que a sacola plástica deixou de ser uma beleza tipicamente americana. Aliás, há tempos os americanos não gostam mais dela.
E aí ela pediu exílio no Brasil, como todo bom inimigo dos Estados Unidos. O próximo a vir é Mahmoud Ahmadinejad, hehe. Já até arranjou um amigo por aqui para introduzí-lo na arte de ser brasileiro.
Sim, porque a sacolinha já se sente em casa. Faz questão de estar presente em toda paisagem brasileira, se enroscando em árvores e mergulhando nos rios para sair bem na foto.


Com a nossa amiguinha podemos fazer coisas lindíssimas como:

 Sandálias!!!!
Ah... pelo amor de Deus!
Odeio artesanato feito de reciclagem! Para mim isso só serve para as crianças na pré-escola. O resto é uma tentativa frustrada de se fazer marketing às custas do nosso senso estético. Ok, sei que tem exceções, mas são raras.
E depois que essa sandália feia ficar velha, para onde ela vai? Para o lixo? Ah, vá, jura?

Então joga na reciclagem direto, ao invés de gastar tempo trançando sacolas!

Certa vez, um shopping famoso se gabou por construir uma árvore de Natal enorme com 4000 garrafas pet de guraraná. Era um Natal ecológico! E depois do Natal... foi tudo para o lixo. Com cola quente, isopor grudado. Ou seja: prejudicou em muito o trabalho do povo na usina de reciclagem. E o pior: nunca fica bonito a ponto de todos quererem guardar a árvore para o próximo ano.
Reciclar é importante? Sim, mas mais importante ainda é deixar de produzir plástico. Simples.

Qual era o problema de levar os cascos de Coca-Cola na esteira rolante do Carrefour para comprar garrafas cheias lá dentro? Hahaha, quem lembra disso? Qual era o problema com os sacos de papel das padarias? Além de serem ecológicos eles não deixavam os pãezinhos quentes molharem com o vapor.
Na cidade aonde eu moro não existe uma única padaria com saco de papel. Se você compra um pão francês precisa levar uma sacola para casa.

Fui criada assistindo "Arquivo X" (ouviram a musiquinha dentro do seu cérebro?? link da musiquinha. pois é, eles estão por toda parte) e, por isso, acredito numa teoria conspiratória por trás de tudo que seja estúpido. Gente importante manipulando nossas crenças e nossos hábitos em troca de muito dinheiro.
Deve haver interesses escusos por trás da sacolinha do supermercado.
Deve haver interesses escusos por trás do renascimento das cores cítricas na moda.
The truth is out there!

E as sacolinhas, além de artísticas, também são bem úteis aos animais:

Alimento para tartarugas

Capa de chuva para os pássaros
 









Berço para ninhada de gatos

Bolsa de grife para golfinhos










Já disse que moro na beira de uma linda represa?
Bom, exatamente em frente à minha casa existe uns 100 metros de beira d`água cheio de sacolinhas plásticas que se enrolam nas plantas e, com o tempo, ficam desfiadas e com cara de alga, virando um alimento perfeito para os animais. Ficariam lá para sempre se não fosse eu para pegá-las semanalmente com minhas luvas e botas.
Cuido com carinho dos meus poucos metros. O resto da enorme represa fica ao Deus dará.

Ok, as sacolas estão com os dias contados. Isso é fato, e a natureza agradece.
Mas isso não é importante aqui no blog. Temas ecológicos já são exaustivamente tratados em outros veículos.

O importante é achar algo que substitua a sacolinha na arte, para que a grande estrela de "Beleza Americana" não deixe saudades sumindo assim de repente.
Vejamos:
O que poderá voar pelos ares trazendo lágrimas aos nossos olhos?
O que pode ser copiado pelos usuários do Youtube?
O que pode destruir paisagens, matar animais e um dia, quem sabe, vir a ser proibido também?

Voa? Os Estados Unidos não querem?
Então pode mandar prá cá.






Adiós Sacola Plástica
R.I.P.

domingo, 24 de abril de 2011

Triste que você não possa ouvir...


How can I tell you
(Cat Stevens)
How can I tell you that I love you... I love you
But I can't think of right words to say
I long to tell you that I'm always thinking of you
I'm always thinking of you
but my words just blow away
just blow away
It always ends up to one thing honey
and I can't think of right words to say
Wherever I am girl, I'm always walking with you
I'm always walking with you
but I look and you're not there
Whomever I'm with, I'm always always talking to you
I'm always talking to you
and I'm sad that you can't hear
sad that you can't hear
It always ends up to one thing honey
when I look and you're not there
I mean to know you
Need to feel my arms around you, feel my arms around you
like sea around the shore
each night and day I pray
and hope that I might find you
and hope that I might find you
because hearts can do no more
it always ends up to one thing honey
still I'm kneeling on the floor
How Can I Tell You (tradução)
Como eu posso dizer que te amo?
Eu te amo, mas não consigo pensar nas palavras certas para te dizer.
E eu queria te contar que estou sempre pensando em você,
mas as minhas palavras desaparecem.

E a história sempre acaba da mesma forma, querida
e eu não consigo pensar nas palavras certas para dizer.
Aonde quer que eu vá, menina, eu sempre estou caminhando com você.
Estou sempre andando com você,
mas eu olho e você não está lá.
Seja com quem eu estiver, estou sempre falando com você.
Estou sempre falando com você
e fico triste que você não possa ouvir.
A história sempre acaba da mesma forma, querida
quando eu olho e você não está lá.
Eu preciso saber de você.
Preciso sentir meus braços em volta de ti
como o mar em torno da areia.
Toda  noite e dia eu rezo
e peço para encontrá-la
porque os corações não podem fazer mais nada.
E a história sempre acaba da mesma forma, querida
e ainda estou ajoelhado no chão

Ontem falei de Cat Stevens.
E hoje, coincidentemente, eu preciso muito colocar esta música: a mais triste de todas.

Um hino às histórias de amor interrompidas.
Às vidas separadas pela morte...
ou pelas enormes dificuldades da vida.


"Porque o amor é a coisa mais triste quando se desfaz."
(Tom Jobim)





sábado, 23 de abril de 2011

Misunderstood

Agora que a tempestade passou para a mídia e para a população em geral, hoje eu finalmente posso dizer: me senti um pouco responsável pela tragédia do Realengo.
Digo isso porque parece que ela veio para exemplificar dois dos meus posts mais polêmicos aqui no blog: "Salman Rushdie brasileira" (sobre o bullying) e "Escrever Bem" (sobre a Bíblia).
Ai, ai, pisando em campo minado de novo. Já disse que tenho um lado Tomb Raider que surge do nada dentro de mim??
Ah, é mesmo, já disse sim ("Eu e Angelina na Banheira").

Ok, lá vai.
A chacina das crianças da escola carioca parece que veio para provar que eu estava certa. Sorry.
E o pior é que muita gente insistiu em dizer (jornais e revistas de enorme circulação, inclusive) que o cara matou os alunos da escola onde estudou porque sofreu bullying na adolescência.
Dizem que enfiaram, certa vez, a cabeça dele dentro da privada.

E aí a coisa se encaixa perfeitamente na minha dúvida acerca da galinha e dos ovos que tanto me atormentou no post do bullying.
Você enfiaria na privada a cabeça de um cara bacana e sensato?? Não, né?
Mas você enfiaria na privada a cabeça do babaca que escreveu aquela carta maluca antes de entrar numa escola atirando em crianças? Eu enfiaria.
Os primos e irmãos do assassino já disseram que ele sempre foi estranho. O povo do trabalho confirmou.
Desde pequeno ele era esquisito. Gostou demais da tragédia do 11 de Setembro. Queria também destruir o Cristo Redentor com um avião!!
Estava focado  na religião islâmica e havia, inclusive deixado a barba crescer. Cortou para entrar na escola.
Ou seja: sempre foi maluco. Em outras palavras, sempre foi psicótico e paranóico. Ou esquizofrênico, como a mãe biológica dele.
Link :  http://aceveda.com.br/blog/?p=27892

E foi POR ISSO que ele deve ter sofrido represálias na escola.
E aí falo: se um dia enfiarem a cabeça do seu filho na privada de um banheiro escolar, brigue com os alunos, converse muito com a diretoria, exija punição, mas passe a prestar atenção no seu querido filho com um outro olhar.
Pode haver um aviso generoso neste terrível ocorrido.


"Nem sempre aquele que diz que seu filho é fofo é seu amigo.
Nem sempre aquele que enfia a cabeça do seu filho
na privada é seu inimigo"
Rebecca de Mornay com a fofa Madeline Zima
"A Mão que Balança o Berço". Viram? Pois é.
E além da explicação simplista do bullying, vieram dizer que o rapaz é fruto de um sistema de assistência social e psiquiátrica falho. Pode ser, mas também não dá para segurar todos os potenciais homicidas na peneira grossa.
E nem na fina.
Ano passado um maluco, psicopata, foi solto em Goiás depois de receber laudos favoráveis de duas piscólogas e dois psiquiatras forenses. Saiu da cadeia e matou um monte de rapazes em Luziânia.
Shit Happens.

Frase que não dá para ler: And most of the time it sucks.

Para mim, o único sensato da história foi Reinaldo Azevedo.
Link: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-incompreensivel-o-irremediavel-e-o-inaceitavel/

Se fosse uma vingança de bullying ele não teria atirado prioritariamente em garotinhas. Garotinhas não costumam enfiar as cabeças dos colegas na privada.
Garotinhas de 13 anos enfiam absorventes na privada, causando outros tipos de problemas.

Se fosse uma maneira de eliminar os "impuros" (como dizia a sua carta) ele não deveria atirar nas mesmas garotinhas. Segundo a sua teoria ele devia ir num puteiro.
Segundo a minha, ele devia ir para Brasília. Ou, melhor, devia ir na casa do religioso maluco que ajudou a colocar estas idéias equivocadas na cabecinha já perturbada do rapaz.
Sim, porque matar gente não tem NADA a ver com os textos sagrados do islamismo!
Ok, vou parar por aqui. Campo minado deixa membros amputados.

Bom, e se as escolas fossem bem vistoriadas com portas giratórias detectoras de metais, o cara podia esperar só mais um ano e fazer a sua festa no show que Justin Bieber fará no Brasil, porque o público alvo (literalmente) seria o mesmo.
A coisa não tem lógica e, por isso, é contraproducente ficar elocubrando os motivos do rapaz e pensando em estratégias eficazes para evitar a próxima tragédia.

Ok, segunda polêmica:
Depois que li no jornal a tal carta que Welligton escreveu antes de matar e morrer, eu fiquei focada na boa escrita do cara.
Sei que todo mundo deve ter lido, mas peço que releiam agora com uma visão diferente. Leia este primeiro trecho como se você fosse uma professora de redação do ensino médio tentando compreender um texto de um aluno.
"Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu. Preciso de visita de um fiel seguidor de Dues em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida."

Tirando uma enorme preguiça em pontuar, o resto está muito bom!
Este é um outro exmplo para a minha teoria sobre escrever bem ou mal.

Volto a este assunto porque esta semana puxaram a minha orelha, de novo, sobre a história da Bíblia.
Não concordo em absolutamente NADA com o que o rapaz escreveu em sua derradeira carta, mas não posso negar que ele conseguiu passar sua idéia muito bem.
Poderia concordar com tudo o que está escrito na Bíblia, mas o que eu disse é que a mensagem fica truncada por um texto confuso.
Só isso!!!!
E uma fofa me escreveu dizendo que é professora de redação, linguista e concorda comigo em gênero, número e grau.
Oba, tenho agora um respaldo profissional, hehe.

É como se fosse a diferença entre um hardware e um software.
Não gosto do software do Wellington (aliás, detesto), mas achei o hardware bacana e lamento muito que ele entrou atirando justamente na escola que lhe ensinou a escrever um texto consistente.
Não gosto do hardware da Bíblia, mas acho o software bacana. A idéia geral é ótima!!

Ok? Entendido? Finito???

Ufa...não gosto de ser mal interpretada:

"But I`m just a soul whose intentions are good.
Oh Lord, please don`t let me be misunderstood."
Mas sou apenas uma alma cujas intenções são boas.
Ó Deus, por favor não me deixe ser mal compreendida.


Essa música está me acompanhando há mais de um mês.
Ouço ela todos os dias.
Tenho baixa, baixíssima resistência a críticas, principalmente quando não compreeendem o que eu quero dizer. Me sinto culpada, achando que me expressei mal.
Um doido me escreveu no blog dizendo que torce para um psicopata entrar metralhando a minha casa.
Sim, estou sendo lentamente apresentada ao lado negro da net.
Por isso rumino esta história do bullying e da Bíblia há muito tempo.

É o seguinte: para mim a versão original (The Animals) é a melhor, surpreendentemente melhor que Nina Simone.
Mas hoje ouvi pela primeira vez Cat Stevens (atual Yusuf Islam) cantando isso.
Está longe de ser a melhor versão, mas coloquei ele aqui para ilustrar como uma boa interpretação do livro sagrado da religião islâmica, por pessoas boas e sensíveis, pode trazer tantos benefícios para todos.

Cat Stevens, para quem não sabe, era um excelente músico inglês que fez muito sucesso na década de 70, mas abandonou a sua carreira em 1978 para se dedicar ao islamismo e algumas lindas causas humanitárias.
Por isso, Cat Stevens, cantando esta música depois de toda transformação surreal que aconteceu na sua vida, certamente faz mais sentido do que Nina ou os "The Animals"



E enquanto os jornais se ocupam de outros assuntos e eu tento, narcisicamente, me explicar
dentro do meu próprio blog,
 a tempestade demora demais a passar para os familiares e amigos de:

Ana Carolina Pacheco da Silva, 13 anos
Bianca Rocha Tavares, 13 anos
Géssica Guedes Pereira, 13 anos
Igor Morais da Silva, 14 anos
Karine Lorraine Chagas de Oliveira, 14 anos
Larissa dos Santos Atanázio, 13 anos
Laryssa Silva Martins, 13 anos
Luiza Paula da Silveira, 14 anos
Mariana Rocha de Souza, 12 anos
Milena dos Santos Nascimento, 14 anos
Rafael Pereira da Silva, 14 anos
Samira Pires Ribeiro, 13 anos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sou morto, mas não sou corno.


A vida do psicólogo Malcom Crowe não andava nada bem.
Sua esposa o esnobava, o mundo parecia lhe virar as costas e ele já não tinha muito trabalho, só um paciente estranho e cheio de esquesitices.
Diziam até que a mulher dele estava com um outro cara.
Ele estava entrando em desepero quando descobriu que, na verdade, estava morto.
E a sua reação, surpreendentemente, não foi ruim. Malcom ficou feliz e aliviado com a notícia.
Happy End.
  
Pacman: o médium canibal, hahaha!!!

E a minha reação no cinema foi:
Ah... por isso que ninguém olhava para o coitado?  Só o fofíssimo Cole, que ficou o filme inteiro choramingando: "I see dead people, I see dead people...".
Ele deu UM MONTE de dicas!!!
Dãããr!! Como eu não percebi isso antes?


O mundo parou para falar do fim surpreendente de "O sexto sentido".
Tinha gente que falava com um ar blazê: "Nossa, tava na cara! Eu percebi desde o começo!"; outros citavam detalhes técnicos: "Você não reparou que o reflexo do Bruce Willis não aparece no close da maçaneta da porta????"


Não, eu passei muito tempo admirando o olhar do Bruce para me preocupar com maçanetas.


"Uh....as vezes um charuto não é apenas um charuto."
já dizia Bill Clinton

Uso este exemplo do filme sempre que quero mostrar o lado bom de um diagnóstico médico.
Falo também de um cara que conheci que, quando criança, lia muito mal, repetiu de ano, se sentia a pior de todas as crianças da escola. Até que num maravilhoso dia descobriu que tinha miopia: 5 graus!!! E o sentimento foi igual ao de Malcom Crowe: ufa... não sou burro! E o óculos virou seu melhor amigo.

-Pronto? Podemos sair?
Não é bom saber que não somos os culpados pelos sintomas horríveis que carregamos?
Ufa, sou diabética, por isso estava sempre tão cansada. Eu não sou preguiçosa!
Ufa, tenho hipotireodismo, por isso minha libido diminuiu! Não há nada de errado com meu casamento.
Ufa, tenho psicose, por isso os vizinhos estavam falando mal de mim embaixo da minha cama. Não há nada de errado com meus vizinhos. Nem com a minha cama.
(PS: esta história dos vizinhos na cama é real.)

E depois do diagnóstico a pergunta é sempre a mesma: "Mas durante quanto tempo eu vou ter que tomar a Insulina? O Puran T4? O Risperidona??" 
E a resposta é: depende.
Em doenças com começo, meio e fim a coisa pode ser calculada, pode até haver uma previsão.
Mas para as doenças crônicas não tem nem o que pensar.
Você quer ter qualidade de vida? Então tome para o resto da vida. Simples assim
Você pode até se revoltar com o seu destino, discordar do diagnóstico, não aceitar a medicação, mas vai ter que aracar com as consequências e suportar não só os sintomas chatos, mas também a evolução inevitável da doença.
Your choice. Você foi avisado.

O diagnóstico é mesmo assustador, e saber que você não está saudável é realmente pessimo.
Sei disso.

Mas, por outro lado, há uma sensação libertadora e incrivelmente deliciosa quando você percebe que:
1- Finalmente descobriram o seu problema. Uhu!!!!!! 
2- O seu problema tem um nome. Agora você faz parte de um grupo que pode trocar informações e experiências. Corre pro Google!
3- Seus sintomas tem um culpado: a doença. Ótimo! Isso te absolve de toda responsabilidade. A não ser que você mergulhe numa explicação psicosomática maluca que diz que foi você que produziu a sua própria doença. Por favor, evite este pensamento!!! Não ajuda. 
4- Você pode chorar, pode lamentar, mas o choro tem que acabar porque agora você tem uma segunda tarefa a cumprir: o tratamento. E é tão bom se desesperar com hora marcada para terminar o choro! 
5- O tratamento sempre existe.  Se a cura ainda não foi descoberta, pelo menos a sua vida, de agora em diante, tende a melhorar bastante com a atenção médica que você receberá. Sem falar do carinho das pessoas que te amam!!!!!!!!!

E é tão bom saber que existem médicos e cientistas que ficaram anos num laboratório só para te dar um remedinho! Milhões de dólares foram gastos... por você!!
Hahaha! Adoro fantasiar isso!
Juro que não consigo entender as pessoas que não aceitam uma medicação. A adesão ao tratamento de algumas doenças, como AIDS, é surpreendentemente baixa.
Acho incrível, porque acho tão bom olhar para o seu remédio e dizer:


"Oi amiguinho. Obrigado por vir de tão longe para me ajudar. Não vejo a hora de conhecer todos os benefícios que você pode me proporcionar. Eu juro que vou suportar todos os seus efeitos colaterais, ok? Prometo. Porque eu sei que você só quer o meu bem, né? Fofinho!!!" 

Whisky, Cachorro e Remédio: os melhores amigos do homem.
E a frase acima era para o remédio, viu?
O whisky veio de longe, mas não quer seu bem. O cachorro, às vezes.
   
O terceiro estágio é a adaptação à nova situação.
Inserir a rotina médica na sua vida, os medicamentos nos seus hábitos diários e, claro, mudar tudo que está ao seu alcance para ajudar no tratamento: dietas, exercícios, fisioterapia, vida mais tranquila, psicoterapia, e pedir a ajuda dos familiares e povo do trabalho, blá, blá, blá.
Muitos assuntos que fogem do foco aqui.


Mas enquanto isso, na casa do pequeno Cole:

Eu vi o que você fez no verão passado.
E eu também vi você de cueca no quintal
E eu sei que foi você que quebrou a minha vidraça.
E minha mãe só suporta a sua porque são vizinhas.
Todo mundo aqui na rua fala mal de vocês!!!!!!

 Oh, oh... diagnóstico errado!




quarta-feira, 20 de abril de 2011

You say Deer, and I say Dear...

Vocês jogaram STOP na infância?
Então fala rápido um animal que começa com a letra D!
E o papo era sempre o mesmo: Dinossauro não vale porque não existe mais!!
Ai, ai, tá bom!! Então sobrava: Doninha e Dromedário. A gente escrevia um dos dois e sabia que levaria só 5 pontos naquele quesito:
Marca de Cigarro: Dallas.......... déix, nota dééééix" (hahaha, teve uma época em que as crianças sabiam tudo de cigarro)
Carro: Diplomata........ déix, nota dééééix.
Animal: Doninha........................... cinco, nota cinco!!!!!!!!!!!!!

Só hoje eu tive a curiosidade de ver a bendita Doninha.
Meu deu uma vontade louca de fazer um casaco!! rsrs.

Jogar STOP nos Estados Unidos (será que lá o jogo se chama "PÁRA"?) é bem mais fácil, porque existe uma abundância de animais com a letra D: dog, dolphin, donkey, donkey kong (hahaha), e......deer!

Estou aqui falando sobre isso porque um anônimo me corrigiu dizendo que no filme da Noviça Rebelde a letra correta da música é: Do, a DEER, a female DEER!!!! Não "a female DEAR" como eu havia escrito no post 7 mil acessos.
Eu JURO POR DEUS que já tinha percebido o erro, mas me esqueci de consertar.
Mas aí hoje cedo eu fui nadar e tive que parar no meio da piscina de tanto rir. Achei muito engraçada esta história!!O que é mais estranho: uma female deer ou uma female dear???
E sabem da melhor? No Google existe a música com as duas versões: dear e deer!!!

Mas a verdade não importa muito porque a música é toda esdrúxula!!! No que DEER se parece com Dó? Que tal: Do, a Dog, a female Dog??? Ou Do a Donut a Dunkin Donut?


Do, a deer, a female deer
Ray, a drop of golden sun
Me, a name I call myself
Far, a long long way to run
Sew, a needle pulling thread
La, a note to follow sew
Tea, I drink with jam and bread
That will bring us back to Do



E a tradução para o português foi igualmente infeliz. Existe até uma pergunta no Yahoo:
"Por quê, na música, o Dó é um lindo dia????"
Juro!
Hahaha, gosto do Yahoo porque é bom demais saber que existem pessoas que possuem as mesmíssimas dúvidas que nós.
E a melhor resposta, segundo o curioso que perguntou foi: "É que Dó, significa: Domingo. E Domingo é mesmo um lindo dia!!!" 
Caramba, como é que niguém tinha entendido isso??? Tãããão óbvio!!

A tradução literal seria: Dó, um veado, um veado fêmea.
Mas aqui no Brasil veado fêmea é um pleonasmo.
Veado macho a gente até sabe o que é, mas veado fêmea???

VEADO MACHO

Se adáptássemos a tradução aos animais com D, poderia ser: Dó, uma Doninha, uma Doninha fêmea.
Mas, ainda assim, continuaria um pleonasmo!!! Dona fêmea?
Se acatassem a minha sugestão do Donut, a tradução poderia ser:
Dó, um Doce, um doce Doce.
Não, também prolixa demais!!!

Poxa, mas será que é tão difícil arranjar palavras boas com o Dó-Ré-Mí-Fá-Sol-Lá-Si?
Existe uma musiquinha de roda infantil que fez isso razoavelmente bem:

Eu tirei um DO da minha viola, da minha viola eu tirei um DO
Dormir é muito bom é muito bom. (concordo, MUITO bom!)
É bom camarada é bom camarada é bom é bom é bom.
Eu tirei um RE da minha viola, da minha viola eu tirei um RE
Rezar e é muito bom é muito bom. (concordo, acreditam?)
É bom camarada é bom camarada é bom é bom é bom.
Eu tirei um MI da minha viola, da minha viola eu tirei um MI
Mingau é muito bom é muito bom. (concordo!!!! eu e Cachinhos de Ouro)
É bom camarada é bom camarada é bom é bom é bom
Eu tirei um FA da minha viola, da minha viola eu trei um FA
Falar é muito bom é muito bom. (concordo)
É bom camarada é bom camarada é bom é bom é bom
Eu tirei um SOL da minha viola, da minha viola eu trei um SOL
Sorrir é muito bom é muito bom. (concordo)
É bom camarada é bom camarada é bom é bom é bom
Eu tirei um LA da minha viola, da minha viola eu trei um LA
Laranja é muito bom é muito bom. (concordo plenamente!)
É bom camarada é bom camarada é bom é bom é bom
Eu tirei um SI da minha viola, da minha viola eu tirei um SI
Silencio é muito bom é muito bom. (fechou com chave de ouro)

O engraçado é que eu só fui conhecer esta música no ano passado. Imagino que é porque na minha infância, em épocas de Guerra Fria, a palavra "camarada" soava demasiadamente pejorativa.
Hahaha, era censurada!! Incitava as criancinhas ao socialismo.

Bom, mas o resumo da história é que só mesmo Chico Buarque consegue fazer a coisa bem feita.
Diz a lenda que seu avô Aurélio (pernambucano, filho de mineiro, neto de baiano e pai de um paulista...hahaha, essa música é uma versão mais compreensível do Livro de Mateus-Novo Testamento) todos os dias, antes de sair para trabalhar, deixava 10 palavras escritas para o neto pesquisar no dicionário que ele mesmo inventou.
-Ah, vô, de novo! Prá quê? - perguntava o pequeno Francisco.
-Para quando você crescer você conseguir, no mínimo, fazer uma música decente sobre o Dó-Re-Mi.





terça-feira, 19 de abril de 2011

Ana Paula Arósio

Ana Paula Arósio é linda, rica, talentosa e dizem que também é muito simpática.
Guilherme Karam certa vez anunciou:
"A Ana Paula Arósio é tão linda que as outras atrizes da Globo
deveriam ir para casa cortar os pulsos".   

Não, não precisa tanto...

Mas há pouco tempo Ana Paula Arósio chutou o pau da barraca e foi morar na roça com seu marido e seus cavalos. Abandonou a novela e deixou a diretoria da Rede Globo furiosa a ponto de romperem o contrato com a moça.

Dizem que ela está grávida porque seus braços estão gordinhos. Falam isso porque os braços são a única parte do corpo que os paparazzi conseguem fotografar já que Ana Paula usa camisetas largas e calça comprida em sua fazenda.

Bem, talvez ela esteja apenas feliz.
Deborah Secco um dia disse que a felicidade engorda e, lembrem-se disso, Deborah seeeempre tem razão! (post: Um acidente de carro por dia)

Entendo Ana Paula Arósio...
Abandonar um futuro promissor e se enfiar no fim do mundo, dando as costas para as oportunidades que a vida oferece é mesmo algo muito difícil de se fazer.
Incita a revolta das mocinhas que penam para serem capas de uma revista, que sonham com uma vaga na Rede Globo e que gostariam de ter um décimo da beleza e do talento da atriz.

Na verdade Ana Paula Arósio já vem me conquistando há muitos anos.
Sim, eu lia Capricho na adolescência! Acompanhei a carreira da menina cheia de sobrancelhas.
Sei, por exemplo, que ela é canceriana e que só dorme se estiver usando... meias!!!!

Ela foi descoberta por um olheiro fazendo compras com a mãe num Carrefour, virou uma modelo famosa e só depois de muitos anos se revelou, pouco a pouco, uma boa atriz.
Ou seja, ela não queria ser modelo! Não ficava participando de processos seletivos fazendo caras e bocas aos 12 anos de idade.
Ela nasceu linda, fazer o que, mas não intencionava fazer disso o seu futuro.

Desde então ela só tem me alegrado dizendo coisas como:
"tenho celulite, e daí?" ou "meu peito é pequeno, mas não pretendo aumentá-lo" e "meu cabelo é assim, natural, e não desejo mudá-lo" 

Aninha bem que poderia ter entrado no meu seleto grupo de musas (post: Minhas 3 Graças), mas não achei nenhuma foto dela pelada no Google.
Possivelmente porque ela não precisa disso para fazer sucesso.
Ou talvez justamente por ter celulite e peito pequeno.

Estou falando tanto da moça hoje porque concluí que é muito difícil ser linda e talentosa e não querer nada disso para a sua vida.
Parece que estamos cuspindo no prato, esnobando o sistema, e eu sei o que é isso!

Ei...PÁRA TUDO!!!
Ana Paula Arósio soy jo!!!!!!!!!!
EU ia no Carrefour com a minha mãe!!
EU sou canceriana!
EU tenho celulite!
EU durmo de meia!
EU tenho peito pequeno!
EU gosto de fazenda!!
E, estranho, EU também sempre causei nas mulheres este desejo de cortar os pulsos!!!!!

Bom, mas o que mais me faz parecer com a minha sósia é que eu, asim como ela, olhei um dia para a minha vida e falei: "Não, obrigada, eu sei que sou uma boa psicóloga, sei que tenho talento e poderia ganhar muito dinheiro trabalhando bastante, obrigada, já me disseram isso, mas prefiro me esconder na roça e ver o dia passar em paz."

Muita gente achou ruim. Disseram que eu estava doida!
Escolher ir para o meio do mato depois de ter feito uma universidade super concorrida é mesmo difícil de explicar.
Seria mais fácil eu me assumir... sei lá... lésbica!

Engraçado mesmo: Ana Paula Arósio fez ano passado um filme onde interpreta uma lésbica, com cenas de sexo e tudo mais. Ninguém deu a menor bola! Mas quando ela se mete numa roupa feia, larga a Globo e vai morar na roça, aí todo mundo acha um absurdo. Foi-se o tempo que ser lésbica chocava a comunidade.
O que choca agora é negar o sistema.
O que choca é você parar de trabalhar para ser dona de casa.
É não fazer as unhas e nem alisar e pintar o cabelo.
É você ser talentosa, ter mil oportunidades aos seus pés e falar: "Não obrigada, vou morar na fazenda com meus cavalos e meu maridinho desconhecido."
É desperdiçar sua beleza incrível passando o dia no meio do mato sem ninguém para apreciá-la.

Teve uma época que era um desperdício um cara bonito, ser gay! Sempre achei esta frase absurda, mas é a que estava na boca do povo: "Gianecchini é gay???? Que desperdício!" 
Mas hoje acham um desperdício a Ana Paula Arósio ser linda e viver descabelada de camiseta, calça, bota e chapéu.
E ter os braços gordinhos.

Bom, Ana, só queria te dizer que eu tenho certeza que quando vc anda no seu cavalo, você dá graças a Deus por não ter colocado silicone no peito.
Nada melhor do que ter um peito pequeno para andar a cavalo!!
Sim, Aninha, você fez a coisa certa.
E eu tenho muito orgulho de você!

Ana Paula Arósio
A mulher maravilha lutando sozinha
contra a ditadura do sucesso e da beleza

segunda-feira, 18 de abril de 2011

As roupas, os anéis e os copos

Ontem teve Lua cheia e fui nadar de noite para apreciá-la melhor por trás dos meus óculos Speedo com lentes azuis.
Hahahah, é chocante!!
Clube vazio. Absolutamente ninguém por perto.
Quando saí da piscina, feliz da vida, percebi que roubaram minha roupa. Roupa nova que minha costureira querida tinha acabado de fazer!
Fui embora de biquini e, prá piorar, tive que passar na pizzaria para pegar uma encomenda.
Mico total.
Bom, conto isso porque o cara da pizzaria me disse: "Levam a roupa, mas fica o corpo. E é isso que importa.".
Tipo a frase dos anéis e dos dedos.

Sim, é isso que importa.

Não Seu Clodovil, já passou, já passou...

Mas um dia tentaram também roubar meu corpo.
Neste dia entrei com meu filho pequeno na sala da neurologista e ela pediu que ele ficasse lá fora com a secretária. Achei estranho, mas sabia o que ela queria tanto me contar longe do pequeno: eu tinha mesmo a tal da Esclerose Múltipla.
Já desconfiava.
Estava há 4 anos girado em torno deste diagnóstico, naquele estresse insuportável: confirma, não confirma, confirma, não confirma...
Não chorei como a médica imaginou que eu fosse chorar, mas senti que daqui para frente meu corpo não seria mais meu.
E foi o diagnóstico que ameaçou roubar o meu corpo, enquanto meu filho de dois anos brincava com a secretária.

Iniciado o tratamento, eu conheci muita gente com a mesma história que a minha porque o ambulatório que frequento no HC só atende pacientes com Esclerose Múltipla.
Gente seriamente comprometida e gente aparentemente saudável como eu. O problema é que os saudáveis possuem diagnóstico recente, enquanto o meu já dura 9 anos. Teoricamente eu já devia ter sequelas, ainda mais que as minhas ressonâncias estão cada dia piores.
E os médicos me perguntam: você tem dificuldades? Sua natação está prejudicada? Você pode enumerar as perdas que sentiu neste ultimos tempos?
E minha resposta é sempre não, não e não. Nada...ainda.
Por isso todos sempre se impressionam comigo, e a conversa na sala de espera com os outros pacientes costuma ser assim:
-Você tem esclerose múltipla também?
-Sim.
-Nossa, mas não parece!
-Pois é, estou bem.
-É, mas até o ano passado eu também estava bem assim. Andava no parque com meu filho, fazia tudo. Hoje não consigo nem lavar uma louça porque não páro em pé.

Entro na consulta sempre deprimida.
E sempre pergunto a mesma coisa para os médicos:
"Eu devo ficar otimista ou pessimista com estas conversas? Devo estar feliz, porque estou bem, ou devo ficar chateada porque posso não estar bem no ano que vem?"

A resposta deles é sempre vaga, tadinhos.
Não tem mesmo como responder a uma pergunta dessas, ainda mais que os prognósticos são sempre tão particulares e surpreendentes...
Mas o resumo da conversa é sempre o mesmo: ao invés de se preocupar com o copo meio vazio, você deve comemorar o copo meio cheio.

Sim, eu sei, eu sei...

E saio da consulta sempre filosofando sobre copos.
A doença esvaziou metade do meu copo, mas eu tenho uma outra metade tão, tão, tão valiosa que me satisfaço plenamente com ela.
E quando lidamos com os bons vinhos, a gente enche a taça só pela metade para usufruir melhor do paladar. Copo cheio é para água, suco de melancia, guaraná!
Coisa fina a gente precisa mesmo só de meio copo.
E além de tudo, existe uma verdade que vale para os copos e também para os corpos:


Tecnicamente meu corpo será sempre meu.
E, tecnicamente, ninguém pode roubá-lo de mim.
Claro, óbvio ululante, mas tem coisas que são muito difíceis de serem compreendidas quando estamos com medo...

Hoje li uma entrevista que me deixou perplexa. link da entrevista completa
Minha xará Claudia Rodrigues (atriz) falou na´"Época" desta semana sobre a Esclerose Múltipla que ela tem há 10 anos.
Seu copo está se esvaziando...
Mas isso não me surpreende.
O que me surpreendeu foi o que ela tem feito com a parcela cheia do seu precioso copo.
Aqui vai um trecho:

ÉPOCA – Como foi interromper a carreira?
Claudia –
Foi muito complicado. Eu sou formada em educação física, dei aulas por três anos. Não sinto muitas saudades. Me descobri atriz. Não sei fazer outra coisa. Minha mãe até perguntava se eu iria ficar parada em casa. “Mãe, eu só quero atuar.” (Silêncio.) Fico chateada. Não tinha costume de ficar em casa. Agora fico muito tempo aqui.
ÉPOCA – Como era sua rotina nos primeiros meses?
Claudia –
Não era nada. Ficava o tempo todo em casa, montando quebra-cabeça e cuidando da minha filha (Iza, de 8 anos).

ÉPOCA – O que mais você fazia?
Claudia –
Quando era criança, eu tinha mania de passar trotes. E voltei a passar. Eu digo que hoje é dia do Mc Lanche Feliz e pergunto à pessoa qual a loja mais próxima. Aí eu falo, falo, falo, falo... Liguei para algumas amigas que diziam com um “não posso” ou eram grosseiras. Eu chamava de sem coração. Alguns desligavam na minha cara. Era minha onda passar trote. Eu esculachava geral quem não comprava.



Isso que eu chamo de regressão: uma mulher que tem uma filha de 8 anos ficar em casa... passando trote!!!!

"Oh Deus, faça com que minhas roupas e meus anéis não me façam falta, faça com que minha saúde faça só a falta suportável e faça com que o meu bom senso nunca me falte!!!! "
Amém.



Enquanto isso na Terra de São Longuinho, o Senhor de Todos os Anéis Perdidos:
-Achei, Clô, achei!!!!!!!!!

domingo, 17 de abril de 2011

7 mil acessos!

Dunga, Atchim, Dengoso, Mestre, Feliz, Zangado e Soneca... cultura inútil!

E como 7 é um número cabalístico (sete notas musicais, sete cores do arco-íris, sete dias da semana, sete anões, sete pecados capitais... pão de sete grãos, rsrsrs) achei que precisava homenagear o número com um mini post.
7000 acessos e 70 posts no dia 17!!!! E hoje eu fiz xixi 7 vezes.
Uau!!!!!!!!!
Muuuuuuito cabalístico!!

Isso dá uma média exata de 100 acessos por post.
Unbelivable!

Fiz as contas e conheço só 23 pessoas que lêem isso daqui, tipos, todos os dias. O outros 77 eu não faço a menor idéia de quem seja.

Acho incrível a quantidade grande de acessos em pouquíssimos dias de blog, porque era mesmo para ser só uma brincadeira. Achei que meus amigos iam abrir para dar uma prestigiada, ler um dia e pronto.
Mas não é isso que tem acontecido.

"Tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo,
crescendo me absorvendo..." (Peninha)


Mas hoje reli tudo e confesso que gosto de grande parte do resultado.
Modéstia à parte, claro, hehe.
Dividi os posts em grupos por assunto e elegi os meus preferidos com um P.

Psicologia:
  • Oba, pode ambicionar a mulher do próximo P
  • Tripé P
  • Hunting High and Low
  • Eu odeio o jogo do contente
  • O tempo das raízes P
  • Filosofando sobre Ativo e Passivo
  • O Titereiro invisível
  • A difícil arte do desprendimento
  • A loirinha nada burra
  • Aulinha sobre o amor
  • Resiliência


"Do, a deer, a female deer..." (Noviça Rebelde)
Hahaha, acho engraçado uma female deer!

Educação:
  • Eu e Angelina na Banheira...
  • A Princesa e o Plebeu
  • Andréa, Gustavo e Eu P
  • A infância superprotegida
  • Salman Rushdie brasileira
  • Alunos Cadeirantes

Medicina:
  • Doente, mas linda
  • Os remédios e as razões psiquiátricas
  • Espero, logo leio

Vida a Dois:
  • Bicho de pé
  • O teste do Ed. Motta (T.E.M) P
  • Lista de Casamento
  • Um acidente de carro por dia P
  • Como sair do mar e continuar sendo sereia
  • Uma fã para o meu clarinete P
  • Vai ter que rebolar
  • P
  • José Alencar e alguns casamentos
  • I`m too sexy for my cat

Sobre produtos:
  • A verade nua e crua sobre: Desenhos Animados 1 P
  • Perguntas que não querem se calar: Desodorantes
  • Ruth me tirou da solidão
  • O mistério do marketing às avessas P
  • Top of Mind Claudinha
  • Um anjo na minha vida...again

Sexo:
  • Atchim...foi bom prá você?
  • A danada da Danae P
  • Guns & Roses P
  • Pegando jacaré com pranchinha de isopor

Facebook:
  • A  Campanha do Cubo Mágico P
  • Psicopatologia da Vida Internáutica P
  • Boca de Forno P
  • Se tu vens, por exemplo, às 4 para um chat...

Religião:
  • Sobre Ateísmo e ovos cozidos
  • Os dois filhos de Caetanos P
  • Escrever Bem P

Sobre mim mesma (todos são, mas estes são mais...)
  • Minhas 3 Graças P
  • Holly Hobbies
  • A Filha de Nanã P
  • O prazer da solidão
  • Ironic...don`t you think?
  • Havia um anjo no meio do caminho
  • Onde eu possa levar meus amigos, meus discos e livros...
  • Meu querido Frankenstein P
  • Thank You
  • Gaydar
  • Vem cá mulher deixe de manha...
  • Nenhuma mercadora fora de Veneza
  • Volver a los 17

Posts sobre o Blog (Metalinguagem!!!hahaha)
  • A insustentável leveza do ser
  • Melô do Jornalista
  • You got to see the baby
  • O mister M. dos blogueiros P
  • Fechada para Balanço
  • Fraiser is Back to Town
  • Uma semana sem post, só na arrumação
  • Erratas
  • 7 mil acessos!


Ok, obrigada pelos acessos... de carinho, de amizade, de crítica, de risada de amor e de fúria!!!
Muito obrigada mesmo.

sábado, 16 de abril de 2011

Espero, logo leio.

Um dia fui numa médica conceituada, que cobrava MUUUITO por uma consulta.
Fiquei 5 horas na sala de espera, sofrendo com a TV ligada sem volume (porque fazem isso???) e revistas de laboratório médico para ler.
Não queria ser avaliada e nem diagnosticada. Isso eu já tinha feito com outros médicos. Precisava só que ela me medicasse.
Depois da consulta rápida ela disse que me ligaria para falar da medicação. Um mês se passou e ela ainda não tinha me ligado. Eu estava doente, precisando urgentemente de remédio, de preferência na veia!
Eu então pedi meu dinheiro de volta. Ela achou ruim, mas devolveu.
Juro por Deus que se eu tivesse me divertido na sala de espera eu não teria chiado tanto. Mas a sala de espera já é um prenúncio do tratamento que você terá dentro do consultório médico.

Por isso o assunto do post de hoje é:
Diga-me o que tem para ler na sua sala de espera e eu te direi que profissional tu és.

Minha terapeuta assinava "Casa Claudia" e tinha livros chiques de arte para a gente folhear.
Eu amava. Chegava até mais cedo para ver as novidades do mês no quesito decoração. É óbvio que a minha psicóloga era elegante e chique. E a casa dela devia ser linda!! (hahahah, sempre fantasiei isso a respeito dela).
Depois de 5 anos, milagrosamente, eu tive alta.
Fiquei mal, como se tivessem tirado um pedaço de mim. Claro que senti falta da minha querida psicóloga, mas o pior foi que materializei a falta dela na revista e entrei em crise de abstinência da "Casa Claudia". Tive que assinar ela por dois anos para me acostumar com a distância.
Eu mesma chamaria isso de "objeto de transição",
Hahahah, esses psicólogos são todos doidos.
E o pior é que a revista tem o meu nome, dá margem para mil interpretações...

Anna Freud, Jung, Freud e o divã,
hahaha, bom jogo para uma sala de espera!
Uma outra psicóloga que me dava supervisão tinha algo incrível em sua sala de espera: uma mesa gigante com um quebra-cabeça de 5 mil peças para o povo ir montando.
Cada um que sentava ali encaixava algumas peças e a imagem ia sendo lentamente montada a muitas mãos, curiosas e desconhecidas. Adorava ver a evolução do projeto no decorrer das semanas.
E além do quebra-cabeças ela oferecia Resta 1, desafios de encaixes, dama, jogos chiques e estilosos.
Ela dizia que antes de entrar em terapia a pessoa deve organizar o pensamento, se concentrar. Ler revistas tira o foco do assunto que deverá ser tratado na sessão.
Concordo com ela. Adorei o seu raciocínio.


Um médico meu tinha só revista "Vip" na sala de espera. Só!!!! É uma revista masculina e muito instrutiva. Traz, por exemplo, dicas quentes sobre arte na cidade de São Paulo:
"No segundo andar do Masp, perto do bebedouro, tem um canto ideal para você dar uma rapidinha com sua gata."
"No Museu do Ipiranga tem uma saída de emergência perfeita. Vá de manhã, numa terça-feira, dia de menos movimento"
É claro que eu me divertia com a literatura tão exótica e inatingível para nós mulheres, leitoras tolinhas de novidades sobre a roupa ideal para um primeiro encontro e maquiagem para o verão. Mal sabemos nós as intenções do cara no primeiro encontro marcado no museu.
Hahahaha, e a gente crente que o cara é intelectual.
Eu ia muito neste médico, por isso passei a saber de cor e salteado toda a lista das mulheres mais sexys do mundo.
Scheila Carvalho ganhou tantos anos seguidos que saiu da competição. Era ò concur!
Uma vez comentaram comigo que o cara devia ser safado porque as revistas, na verdade, eram dele. Ele devia ser o doido que assinava aquilo.
Será? Poxa, um médico tão ético, tão sério, tão atencioso.
Um dia descobri: ele era safado mesmo. Bingo!

Minha obstetra tinha uma montanha de "Veja" velha na sala de espera. Foi um sofrimento ficar 9 meses relendo notícias de 4 anos atrás!
Quando meu filho nasceu dei para ela de presente uma assinatura da revista "Crescer".
Sim, existem UNIMEDs que proibem terminantemente o médico de cobrar por fora para fazer o nosso parto!!!! Aí a gente fica feliz, agradecida, e sentimos até vontade de gastar uma grana dando um presentinho.
Fica a dica: ótimo presente para um obstetra. Sucesso garantido! Melhor que vinhos, cestas de guloseimas e folheados a ouro.
Ela me ligou agradecendo, feliz da vida e impressionada em como as pacientes dela estavam AMANDO a novidade no consultório.
Ah... Jura??? Hello!!! Grávidas = revista sobre bebê e parto!!!
Claro que tem tudo a ver! Incrível como ela não tinha pensado nisso antes.
Um dia descobri: ela mesma não tinha filhos e nem era casada. Ou seja, não entendia nada sobre a necessidade de decorar um quartinho de bebê e nem precisava de dicas para compreender um marido enciumado.

Este mês fiquei 2 horas num consultório médico bem tradicional. Revistas oferecidas: "Caras" e "Quem". Básico.
Depois de ver todas as sub-celeberidades nos camarotes do Carnaval e as mega-celebridades no tapete vermelho do Kodak Theatre eu fiquei enjoada de tantos rostos sorridentes.
O estranho de morar na roça é isso. A gente desacostuma com o excesso de estímulos visuais.
Fui, enjoada, devolver minha quinta revista quando achei uma coisa incrível na mesinha da sala de espera: uma Bíblia!!!
Lembrei do meu post polêmico sobre a Bíblia e decidi dar uma segunda chance ao best-seller. Andei recebendo dicas de onde eu deveria começar a ler para me acostumar com o tipo de leitura.
Novo Testamento
Livro de Mateus
Igual às pessoas que se iniciam na culinária japonesa e precisam começar com um sushi de "salmon skin", fritinho, ou um uramaki California com maionese. Os sashimis são um segundo passo. Ir direto nas ovas e nos polvos com ventosas é demais para as jovens almas ocidentais.
E o meu "California Roll" da Bíblia deveria ser o Novo Testamento, mais espcecificamente o Livro de Mateus.
Ah... com essa dica agora a leitura ia dar certo!!
Uai, por quê, não? Eu estava mesmo à toa.



E a coisa era uma árvore genealógica tão complexa, tão complicada, que me deu sono.
Na próxima consulta eu tento novamente, prometo.