quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pegando jacaré com pranchinha de isopor

Bruna Surfistinha tem um nome, Raquel.
Bruna Surfistinha tem uma família.
Bruna Surfistinha escreveu um blog sobre as suas experiências mirabolantes como garota de programa e eu fico imaginando, com inveja, o montante de acessos que o blog tinha por dia!!!!
Seu blog virou livro e hoje faz sucesso no cinema. Dizem que o filme é bom: "Foge do senso comum.", "Deborah numa ótima atuação.", mas a verdade é que a bilheteria esgota porque tem muito sexo, óbvio.
Hoje ela é rica e tem um namorado que deve ter uma sorte danada de ter ao lado uma mocinha cheia de experiências. Mas mesmo com namorado firme e tendo deixado o passado para trás, a família de Raquel não a perdoa, e há 5 anos fazem questão de não manter nenhum tipo de contato com ela.
Nem mesmo ela ficando podre de rica eles cederam!! Absurdo... rs.

Bom, digo isso porque minha mãe brigou comigo porque escrevi "porra" num post. E eu nem estava falando da porra literal!! Estava dizendo algo como: "Então muda de nome, porra.", tsc, coisa à toa.
"Quero ver você não chorar,
não olhar prá trás..."
Meu pai outro dia disse para eu pegar leve porque tem amigos dele lendo meu blog. Ele fez isso porque não gostou da melô do sexo anal que todas as crianças aprendem no recreio da pré-escola.
Então eu, que daqui a pouco vou fazer 40 anos, tenho que ficar pisando em ovos por aqui.

E o mais engraçado é que meu marido, que é quem deveria achar ruim e me criticar, é um fofo. Nunca me questionou nada, nunca fala sobre nada do blog e eu só descubro que ele lê o que eu escrevo quando ele deixa comentários lindos para eu ler. Meu marido tem um respeito incrível por mim, pelos minhas idéias, meu estilo e pela minha história pessoal, e é justamente por isso que ele é meu marido. Se ele fosse diferente, certamente não seria.
Dizem que depois que a gente casa é o marido que manda na gente. É para ele que devemos dar satisfações. No meu caso e não. Meus pais ainda reinam absolutos.

Como será que Anais Nin, em 1969, escreveu o trecho abaixo?
"Cega a tudo que não o seu prazer, ela se inclinava sobre Pierre, a boca perto do seu pênis, continuando o movimento das mãos e ao mesmo tempo lambendo a ponta do pênis cada vez que passava ao alcance da sua boca - até que o corpo dele começasse a tremer e a erguer para ser consumido pelas suas mãos e boca. O sêmem então aparecia, como pequenas ondas quebrando na areia, uma depois da outra, pequenas ondas de espuma salgada se desdobrando na praia de suas mãos. Elena fechava então, ternamente, o membro aniquilado em sua boca para colher o precioso líquido do amor." (Delta de Vênus)

Será que Anais não tinha família? Ou será que eles também a deserdaram?
Mas Anais tinha um namorado, Henry Miller, que adorava seus textos e competia com ela pela melhor literatura erótica da época. Ela, de um lado, com seu Delta de Vênus e ele, do outro lado do ringue, com o seu Trópico de Câncer. E, na minha opinião, ela venceu no primeiro round.

E tem ainda outra francesa, Catherine Millet, que escreveu um livro sobre suas experiência libertária com o sexo na década de 60. (Link de um artigo:  http://www.arlindo-correia.com/CATHERINE_millet.html). Ela descreve em detalhes uma cena memorável onde era possuída por dezenas de homens num estacionamento em Paris. Hoje é uma senhora casada, crítica literária famosa, e esteve na FLIP (em Parati-RJ), ano passado causando alvoroço.
Será que ela não tem pai? Ou será que ela precisou esperar o pai dela morrer para publicar seu livro? Sim, porque o marido, que teoricamente deveria se incomodar, a acompanha em todos os eventos onde as memórias sexuais da esposa são relembradas e secretamente invejadas.

E o marido de Catherine mais uma vez comprova que os homens adoram mulheres vividas (quem ainda insiste em se casar com virgens?) e não estão nem aí para a opinião alheia, contanto que sejam felizes e realizados no casamento.

Quando inscrevi o meu blog, tive que responder a uma pergunta:
-Seu blog possui conteúdos adultos?
-Não, seu Blogspot, tenho pai e mãe, e não pretendo ser deserdada.
-Ah, que pena, mas se vc quiser pode abrir um segundo blog, adulto desta vez, e não permitir o acesso de pai e nem de mãe.
-Jura? Que legal!! Tenho tanta coisa bacana para dizer aos adultos!

Mas, por enquanto, na praia da Bruna Surfistinha e nas ondas salgadas de Anais Nin eu tenho que continuar pegando jacaré. E tem dias que ainda levo caldo.

Eu e Preta Gil.
Tadinhas...




3 comentários:

  1. Claudinha, eles (os pais, tias, tios) sempre querem nos educar... Não fique aborrecida, compreenda, mas continue a ser vc, livre, linda, solta, inspirada por seus sonhos, correndo pelos posts como um cavalo selvagem. Hahahaha!

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  2. To rolando de rir, e me perguntandos e hoje teve ligacao de pai e mae reclamando sobre o post!

    Acho engracado como os pais se acham no direito de dar bronca em alguem que tem quase 40, mas mais interessante e perceber que muitos de nos se preocupa com as broncas. eu sou mais seletiva - nem dou bola pros pitis da minha mae, mas me esfalfo pra nao aborrecer meu pai.

    Na proxima encarnacao, terei pais analfabetos. Ou com dificuldades tecnologicas! kkkk

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  3. Clau, não se sinta podada...isso se chama respeito! Que vc tem pelos seus pais, concordando ou discordando deles.
    Bjs, Lu

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