sábado, 9 de abril de 2011

Alunos Cadeirantes

Alguém aí já ouviu falar no cão de Pavlov? Um cachorrinho esperto que aprendeu a relacionar comida com o som de uma campainha. Aí, depois da relação comida-campaínha devidamente compreendida, só o som da campaínha já provocava a salivação do animal, mesmo sem a necessidade de oferecer comida.

Parece óbvio, mas foi uma descoberta importante para a época, e Ivan Pavlov conseguiu provar algo chamado condicionamento operante que deu início à psicologia comportamental.
Existem gays que toparam ser cobaias de psicólogos experimentais na esperança de deixarem de serem gays.
Eles levavam choques cada vez que cenas de casais homossexuais eram mostradas para eles. Quando visualizavam um casal hétero, eles eram recompensados com algo legal, como por exemplo... uma sunga de couro!! Hahahah!
Bom, tirando alguns casos, a psicologia comportamental funciona para muitos traumas e ajuda bastante no processo educacional.
O treinadores de cachorros deitam e rolam nesta história.
E a Super Nanny também.

Bom, partindo desta premissa, podemos então achar que é tudo muito fácil, mas é incrivel como fazemos bobagens com as nossas crianças quando, por exemplo, associamos bala com recompensa, refrigerante com festa, Mcdonals com dia especial, salada como exigência, aniversário com motivo para faltar na escola, e por aí vai.
Imagina que legal seria se entendêssemos a lógica de Pavlov e educássemos nossos filhos assim:
-Você bateu no seu irmão e agora vai tem que comer 3 brigadeiros, bem-feito!
ou então:
- Hoje é seu aniversário, e para comemorar vamos comer... sopa de abóbora!!!!!!! U-hu!!

Quanto tempo será que duraria a crença de que brigadeiro é ruim e sopa é a melhor comida do mundo?
Quanto tempo será que durou para os gays a idéia de que um beijo homossexual é feio?

Aumentou a salivação?
Estou falando tudo isso porque o castigo foi proibido nas escolas.
Ajoelhar no milho, palmatória, vestir o chapéu com orelhas de burro... tudo agora é passado.
E a palavra "castigo" também não é mais pronunciada por ser considerada traumática.
-Senta aí e pensa na bobagem
que você fez!!!!

Agora é moda é sentar para pensar!
 Aí a criança senta e fica pensando: no amigo que está com o cofrinho aparecendo, na menina loira que está com o nariz escorrendo de novo, nos três ventiladores de teto que nunca estão funcionando, nas varizes da perna da professora... aí o tempo passa, a professora tira ele da cadeira e acabou o drama.
Não há muito o que concluir porque a professora já adiantou que foi uma bobagem.
E não há muito o que pensar porque qualquer pensamento que a criança tenha só será aceito se ela, no fim, concordar com a professora que realmente foi mesmo muita burrice da parte dela ter mordido o colega.
E, prá piorar, nunca vi uma professora colhendo da criança os futos do seu exercício de pensar.


Na escolinha dos meus filhos existia até uma cadeira apropriada para isso. Chamava-se "Cadeirinha do Pensamento".

Ai, ai, alguém aí já percebeu onde quero chegar?
Condionamento operante feito cuidadosamente pelas escolas: Castigo=Pensamento.
Numa escola que visitei certa vez, castigo era ir na biblioteca fazer trabalho, ou pior... ler um livro!!!!
Depois não entendemos porque é que o povo tem tanta dificuldade de pensar.
Tanto trauma de biblioteca!
A cadeira do pensamento nada mais é do que um castigo, uma contenção física que não só mostra ao aluno quem é que tá no comando como também esfria os ânimos e reorganiza a adrenalina do momento.
Acho ótimo!!! Sou totalmente a favor!
Mas, por favor, mudem o nome!!! TUDO o que uma escola não pode fazer é associar castigo com a preciosa e tão rara capacidade de pensar.
Tiraram a palmatória e acharam que resolveram o problema simplesmente colocando o pensamento numa cadeira:

Aqui morrerá o pensamento, a capacidade de estabelecer relações e toda a nossa vã filosofia
 Vamos chamar estas professoras moderninhas e ensinar a lógica de Pavlov, explicando a elas o bê-a-bá da psicologia experimental.
Alás, poderíamos chamar o próprio Pavlov para ministrar a palestra, mas será importante deixar-lhe uma placa na porta:



Hahahaha.... só rindo mesmo.






4 comentários:

  1. querida, a anita se meteu numa encrenca la na Nova Zelandia e o castigo foi escrever uma erdacao a respeito.
    La veio a redacao da Anita:
    Eua cho essas suas estrategias pessimas por que voces me colocam pra pensar, achando que eu vou pensar que estou errada, mas nao estou errada.
    Eu penso que voces estao errados e que estao me forcando a escrever essa carta dizendo que eu estou arrependida,mesmo naoe stando. Claroq ue agora nao vou sair do castigo, por que nao fiz o que voces quiseram.
    E muita crianca acaba concordandod e mentirinha para sair da encrenca, mas eu so concordo quando concordo de verdade. Por isso vou ficand aqui no meu castigo...

    Ela tinha 9 anos. Fui chamada na escola, depois levei a ANita pro shopping pra comemorar!!

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  2. Uau!!! Unbelivable! Que menina perspicaz! Pena que não sabia desta história, ia ser perfeita para ilustar o absurdo da coisa. Que bom que você contou a história aqui, e ainda bem que a lindíssima Anita existe (e foi educada pela mãe dela) para dizer umas verdades para este povo.
    Quer me castigar? Então castigue, caramba! Tão mais simples!!!!

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  3. A melhor definição rapidinha de Pavlov, amei. Mas continuo pagando pau pra Super Nanny, não adianta... E não é pelo que ela faz com as crianças, é pelo que ela surpreende os pais que não têm a menor vocação!
    PS- Amei a cartinha de Anita da Inaiê!!!!! É o máximo quando sem querer nos tornamos cúmplices dos filhos porque É ÓBVIO compartilhamos os mesmos princípios e valores...

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  4. Parece que existe uma tendencia universal nesse sentido (com excecao das madraçais/escolas islamicas). O castigo foi abolido. Inclusive, nos casos de bullying, o foco todo se concentra na vitima e o bully virou uma entidade coletiva. Parece que a vitima de bullying sofre assedio de TODAS as outras crianças. O problema nao parece ser mais o bully, mas o bullying. Estao ignorando que a vasta maioria das crianças sao criaturas normais, com seus surtos de gentileza e de crueldade. Mas os bullies sao naturalmente crueis. Fazer campanhas contra bullying com foco na coletividade e' atirar com cartucheira num gaviao voando bem alto no meio de um bando de pombos. Nao vai ser eficiente. O bully precisa de um belo castigo. Eles (bullies) se expressam pela a linguagem da porrada, entao nada mais compreensivo do que usar a mesma linguagem para coloca'-los em seus lugares.

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