quarta-feira, 18 de maio de 2011

My heart... must, should, will go on!!!!



Sabe aquela cena do Titanic onde o navio rachado começa a se inclinar e o povo desanda a escorregar rumo ao mar gelado? Aí Jack tem uma idéia brilhante: pula a grade da proa do navio e fica lá em cima, esperando ele afundar a exatos do 90° de inclinação.

Não lembram? Bom, não importa.
Este momento é dramático porque Rose vê uma moça ruiva com quem ela simpatizou durante a viagem e que está pendurada pedindo ajuda, olhando para o casal e lhes estendendo a mão. Jack olha para a namorada sacudindo a cabeça, como que dizendo: não ajude. Rose fica desesperada.
E a moça então cai.

Esta cena ilustra bem momentos da nossa vida em que: por mais que amemos os nossos próximos, por mais que cuidemos do bem estar comum, por mais que sejamos pessoas boas, não dá para ajudar a todos.
Infelizmente.

Existem pessoas, entretanto, que preferem dar a mão e afundar junto. É uma questão de escolha.

Mas, no meu entendimento, isso vai contra o processo de seleção natural cruel e injusto que a natureza criou para se manter perfeita. Ir contra ele é inaugurar algo novo, e não necessariamente benvindo.

Tem gente que cresceu numa família caótica. Todos mal, todos confusos, todos se debatendo e nunca acertando.
O filho então consegue se dar bem na vida, consegue construir um horizonte melhor... mas aí vem pai, mãe, irmãos, primos, todos tentando se aproveitar do sucesso alheio e acabam destruindo os planos do pobre rapaz.
Já acompanhei isso acontecer. Triste demais.

Por pior que seja, há momentos críticos de opção entre a vida e a morte em que temos que escolher pela nossa vida e desprezar a vida alheia.



Putz, ela bem que tentou...

É realmente triste quando vemos pessoas (ou cachorros) escorregando e, mesmo assim, termos que seguir em frente.

Na natureza o mais forte consegue se dar bem na disputa pela sobrevivência. Mas a raça humana inventou a culpa, que nos puxa para baixo e nos faz desistir.

E não falo só da luta pela sobrevivência. Nada precisa ser tão dramático! Pode ser uma simples luta pela paz.
Mãe cheia de neuroses, depressões, tentativas de suicídio, pai alcoolista, que não consegue parar de fazer dívidas, que fazem chantagem emocional e puxam para baixo todos os planos dos filhos sair do caos.
A questão é: como ser feliz sabendo que deixou pessoas queridas na tragédia?
E é este justamente o desafio.

E pode ser coisa corriqueira simples como uma amiga maluca que larga tudo para viver de um modo alternativo.
Já vi pessoas sumirem simplesmente porque optaram por outro rumo na vida. Escolheram abrir mão dos amigos e do passado para se meter numa nova história. E estes amigos a gente também não tem como segurar: passam escorregando ao nosso lado rumo a um futuro diferente.
E só nos resta desejar boa sorte.

Historinha ilustrativa
Certa vez estava voltando do Rio de Janeiro, de noite, num ônibus leito.
Na TV passava Titanic, uns 4 anos após o mega sucesso da bilheteria. E ônibus bateu EXATAMENTE no momento em que o iceberg fura o navio. Batida leve, mas o motorista avisou que íamos ter que ficar parados por um tempo.
Depois que o filme terminou me dei conta de que ainda estávamos parados (incrível como Jack me prende a atenção!). Resolvi descer para ver como andavam as coisas quando vi adolescentes chorando no acostamento da Dutra.
Nossa, a batida deve ter sido séria! E eu, frívola, assistindo TV!!!
Ajoelhei ao lado das garotas e perguntei, fazendo carinho no cabelo delas:
-Tá tudo bem?
Elas choravam tanto que não conseguiam responder. Mas a mãe de uma delas disse:
-Elas estão bem, não se preocupe. Estão chorando porque o mocinho morreu no filme.
Ahhhh...e eu preocupadíssima.
-Mas... vocês ainda não sabiam que ele morria no final?
-Eu sabia- respondeu uma delas- mas é TÃÃÃÃÃO triste!!!!!!!!


Sim, é realmente triste.
Mas no fim do filme Rose fala:



"E ele me salvou de todas as maneiras que um homem é capaz de salvar uma mulher."

E ela foi feliz por ele.
Viveu uma vida plena em homenagem a ele e valorizou cada segundo da sua existência.

Queria convencer todos os rapazes e moças que precisam se harmonizar na vida a fazerem o mesmo.
Encontrem o seu Jack interior que sacode a franjinha fofa e nos lembra que não devemos dar as mãos a todos os que precisam. Que nos pega pelo braço com força e leva a gente aos caminhos certos para a sobrevivência, que nos conquista com sua alegria de viver e que, no final, prioriza VOCÊ para ficar em cima da bóia e sobreviver.
E deixar tudo que lhes pesa ir para o fundo do mar. Por mais valioso que seja.
Triste, sim, mas vale cada segundo da vida que conquistarão.

PS: antes que digam que o filme é ridículo, eu queria dizer que, como psicóloga (hahaha, impus moral!) nunca vi uma história que trata tão bem do encontro com o ânimus. O rapaz hospedado no porão do navio (sombra), ela vivendo uma história glamourosa e sem sentido (persona), ele lhe salvando a vida e a existência (individuação) e a últimíssima cena o filme... é uma mandala!!!
Não deu? Ah, pena.
Ok.... meus amigos junguianos me entenderiam, hehe. 

5 comentários:

  1. Perfeita a interpretação do filme !Seu basilisco esta novamente pisando em águas perigosas.O debate sobre o momento de trocar solidariedade por auto preservação e polemico mas muito importante.Climene

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  2. Ou como diria Machado de Assis: "Ao vencedor, as batatas".

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  3. É...tem momentos em que, por mais egoísta que nos pareça, temos que ser meros espectadores do sofrimento alheio. Como é difícil!!! Tenho adorado seus posts. Parabéns!! Andrea

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  4. Sobre o Titanic, acredito que o que dificulta um olhar mais cuidadoso é justamente o fato de ter sido tão popular. Em meio a tantos clichês, havia sim uma história bacana. E o casal de atores (tão jovenzinhos) estava muito bem.
    O tema levantado no post é polêmico. Talvez pelo meu lado taurina, tenho sérias dificuldades em me desprender, além da culpa cristã que permanece, ainda que amainada por anos de análise...rs. Bjo, Claudinha!

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  5. A teoria da aeromoça parece antipática mas é a mais apropriada para a crise: "Salve-se primeiro para depois ajudar ao próximo."
    Estou passando isso com filho e é o pior: você vê que precisa agir, mas você desmorona. Aí a decisão é muito difícil: como salvar-se primeiro vendo o filho cair? Mas se cairmos todos, quem vai salvar????

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