segunda-feira, 1 de agosto de 2011

No creo en ángeles, pero que los hay, los hay

Meu avô tem 90 anos e é ateu porque passou todos estes anos sem vivenciar uma única experiência que o convencesse a acreditar na existência de algo além do que ele vê todos os dias.
E ele vê coisas lindas, possui uma biblioteca de fazer inveja, ouve melodias magníficas (é um colecionador compulsivo de música clássica) e só possui plantas cheirosas em seu jardim.

Meu avô adora presentear seus 5 sentidos com tudo que há de melhor no mundo.
Ele encara isso como uma obrigação.
Diz que a vida é boa demais para a gente se privar de ouvir, sentir, provar, olhar e cheirar o que existe de melhor.

Meu avô é um sábio.

E ele sempre foi feliz assim, descrente e despreocupado com qualquer fenômeno que ultrapassa a compreensão mundana e rotineira das coisas.
Isso porque a mãe dele era médium e trabalhava o dia todo psicografando para uma fila de pessoas que se formava na calçada da casa dela. Quando criança, meu avô chegava da escola e tinha ainda que passar a limpo TODAS as cartas já que a caligrafia dos espíritos nem sempre é das melhores e os fiéis tinham muita dificuldade em ler os garranchos.
Hahahaha, tadinho, acho que ele pegou um certo trauma das revelações malucas e inexplicáveis.

Mas no ano passado ele passou por uma experiência de quase morte que revolucionou sua concepção sobre a vida.
Sua casa estava reformando e ele estava hospedado na casa da minha mãe. Eu fui com a minha família visitá-los e estava lá no dia em que o fato aconteceu.

Era de madrugada e ele estava dormindo no quarto de hóspedes. De repente uma luz apareceu bem distante e fez algo que ele depois chamou de "corredor de luz". Deste corredor surgiu uma criança loira, olhos azuis que andou lentamente em sua direção.

Ele, mesmo com toda a sua descrença, de repente se deu conta de que havia morrido e um anjo fora designado para lhe buscar. A beleza do anjo e a paz que ele sentiu com aquela presença superou qualquer tipo de medo que ele pudesse ter do que irira acontecer a partir daí.

O pequeno querubim chegou perto dele, pousou as suas mãozinhas em sua cabeça e com uma voz infante lhe sussurrou:
-Quero fazer cocô...

E foi só aí que meu avô percebeu que não estava morto. Estava apenas revivendo, depois de muitos anos, a rotininha surreal de uma pessoa que cuida de uma criança pequena.

Hahahah, meu filho confundiu os cômodos e entrou no quarto do bisavô acreditando que ia me encontrar lá dentro.
Meu avô o levou ao banheiro, o limpou e devolveu o anjo para a caminha dele, sorrindo feliz por estar vivo e satisfeito em poder ajudar uma criancinha.

No dia seguinte contou o episódio sério. De verdade havia acreditado que tinha tido um contato com um anjo e, por alguns segundos, percebi ele um pouco decepcionado ao descobrir que era apenas um menininho perdido.

E meu filho ganhou o péssimo apelido de "Anjo Cagão" que o acompanha até hoje e o faz chorar de vergonha vez ou outra, tadinho.

O Anjo Cagão
(Hahahaha, A-DO-RO as fotos que eu encontro)

Bom falo isso porque o mesmíssimo "Anjo Cagão" é pragmático, científico e ateu de nascença. Está em seu DNA, mostrando ao bisavô que este fez algo por ele, além de limpá-lo depois do cocô. Uma vez li na Veja uma reportagem dizendo que o cérebro possui uma predisposição para ter fé em Deus. A crença religiosa ocupa, literalmente, um espaço anatômico dentro do cérebro.
Incrível, não?
E é também incrível como isso vem de uma forma inata. Como cor de olho, como manchas na pele.
Sim, porque meu outro filho (nascido e crescido na mesma família) é super carola: adora ir numa benzedeira, vibra quando lhe fazem uma oração e já conhece muitas santas só de olhar para elas.

Mas o Anjo Cagão não se conforma que alguém pode acreditar em algo tão abstrato como Deus.


Certo dia, uma amiga contava sobre uma doença da qual ela se trata há muitos anos. Toma medicamentos fortíssimos, vai em vários especialistas e faz fono, fisio, psicoterapia e tudo o mais.

Ela estava nos contando isso e disse que se não fosse por Deus ela provavelmente não estaria aqui hoje.

Depois que ela saiu de casa ele veio correndo, indignado:

-Ela acredita em Deus???? Não sabia que as pessoas modernas acreditavam nessas coisas. Que absurdo! Achei que era coisa de gente de antigamente.




Sim, meu filho, ela acredita.
E quando você tiver 90 anos talvez um anjo entre pelo seu quarto e faça você acreditar também...
Ou não.


PS: É óbvio que este post foi feito ainda pensando no assunto de ontem das crianças que nos perturbam de madrugada. Como pude me esquecer da história do Anjo Cagão?? Como?
E para ilustrar bem a situação incômoda e vergonhosa que estes pequenos nos colocam, aqui vai uma música absurdamente fiel à nossa realidade. Mesmo que você não entenda italiano perfeitamente, dá para entender a moral da coisa.


4 comentários:

  1. kkkkkkk
    mal começa meu dia e entre no seu blog. Oba, post novo. Mais um incrível... Queria tanto que seu blog virasse um livro porque queria poder presentear muitas pessoas com seus textos deliciosos, inteligente, profundos.
    O apelido foi sacanagem, tadinho!
    Eu tive uma coleção de apelidos escrotos e sei o que ele sente.Fui uma criança meio lourinha, quase transparente de tao branca. E era uma fugitiva recorrente de minha cama (forrada de plastico porque eu fiz xixi na cama por muito tempo.Eu fui esses fantasminhas que apareciam pela casa em lugares improvaveis para o horario.
    Preciso perguntar pra minha mãe se já lhe dei algum susto...
    Sua fã n.1
    Beijos

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  2. Certo dia ja quase ao entardecer, reunido com mais quatro amigos fomos surpreendidos por um Disco Voador Imenso que sobrevoava nossas cabeças. O Silencio daquela imagem, que se locomovia deixando rastros de nuvens num Zigue Zague,se manteve por longos minutos antes que alguem tivesse a ousadia de pronunciar algo. De fato o sentimento que tive foi a de profunda arrogancia da raça humana em se achar os unicos merecedores de um planeta para viver. Acredito em Deus e a história de como isso começou é bem mais mirabolante que o Disco que Eu e mais 4 pessoas vimos naquele dia ! Inté !

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  3. Eu também já vi um objeto voador não identificável! Juro: De verdade! E acredito em Deus. Mas, as vezes fico em dúvida se a bíblia e os povos antigos não relatam os mesmos OVNIS... Sério!

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