segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Meteoros e torpedos de... paixão?



Não devemos permitir que as novas tecnologias sejam nossas parceiras nas neuroses e inseguranças.
Deverá ser esta a nossa luta diária na modernidade.





Diz a lenda que Santos Dumont se matou quando soube que a sua invenção estava sendo usada na guerra.

Santos Nokia (ou seja lá qual for o nome do cara) deve estar também arrependido de ter inventado o telefone celular. Sua vida deve ser um inferno, com milhares de reclamações de pessoas que nunca mais tiveram paz na vida.
Se fosse sensato, ele já teria se matado.
Bom, talvez a sua própria invenção dê conta do recado, matando-o silenciosamente com um tumor cerebral. Sim, eu acredito nesta teoria conspiratória de que o celular será o novo "cigarro", matando milhares de pessoas nas próximas décadas.
Hahaha, devo ser a única louca a acreditar nas declarações de cientistas que lutam sorrateiramente contra os gigantes da comunicação mundial.

Bom, além de termos nossos passos seguidos e nossa vida controlada, prá piorar existem as malditas mensagens de texto que aqui no Brasil é apelidada de... torpedo.

Hello??? Torpedo!
Torpedo não é coisa boa.
Não infernize a vida alheia com torpedos.
Se o cara bateu a porta e foi embora, deixe-o ir embora. Sente e chore. Corte os pulsos se quiser, mas nada de mandar torpedos a noite toda!
Se a mocinha foi viajar para um congresso com as amigas, deixe-a livre. Ligar uma vez por dia para dar um oi, até vai, mas torpedos o dia todo não dá.
Parece piada, mas conheço muita gente que faz isso.

Já existe uma pesquisa mostrando que o Google irá mudar definitivamante a anatomia funcional do cérebro, reduzindo áreas importantes de memória e atenção.
E tenho certeza que a expressão "googled" já entrou para os principais dicionários do mundo como um neologismo que veio para ficar. É raro assitir a um filme atual onde uma pesquisa ao Google não faça parte do enredo.

Acredito que o mesmo acontecerá com o uso do telefone celular.

Tenho certeza absoluta que o celular está prejudicando a capacidade de julgamento o potencial de tomada de decisão do cérebro humano.
E, para evitar virarmos seres amorfos, sem iniciativa e dependentes, a única saída é o uso moderado da máquina.
Tem uma dúvida no serviço? Tente resolver com bom senso antes de ligar para o chefe que está de férias.
Está ansiosa porque o filho adolescente saiu prá balada? Veja um bom filme e tome um chá. Namore seu marido, mas não infernize a noite do jovem com torpedos.
Pegou o ônibus errado? Está perdido na cidade? Pergunte, se informe nas redondezas. Nada de ficar ligando para a mãe perguntando como faz para sair da encrenca.
Muita gente se questiona: "Como pudemos viver tantos anos sem celular??"
Viu só? O cérebro já está se acostumando com a facilidade de saber onde alcançar as pessoas e como resolver problemas com rapidez, sem precisar pensar por si próprio.

Sem falar que o celular também prejudica a confiança, o respeito e a serenidade nos relacionamentos.

Uma prova disso: MUITOS pacientes meus só conseguem falar com o celular na mão. Uns inclusive ficam mexendo, olhando para a tela e verificando mensagens, como se o aparelho também precisasse participar da conversa. É tão triste que nem tenho coragem de proibir. Encaro o retângulo como um amiguinho participante do processo e o recebo de braços abertos.
Proibir o celular em terapia seria como proibir o brinquedo inseparável no maternal. Não dá. É sacanagem.

Verificar o celular alheio já é praxe entre casais e um dos principais motivos de brigas na atualidade.
E agora os torpedos, emails e recadinhos nas redes de relacionamento viraram cordões umbilicais, unindo as pessoas por livre e espontânea pressão.
 
Não sou uma grande fã de Rubem Alves, mas ele tem um livro infantil que eu adoro chamado: "A menina e o pássaro encantado".
A menina amava um pássaro colorido e de canto belíssimo que vinha visitá-la todos os dias.
Mas um dia ela cismou que ele poderia não vir mais. O medo de perdê-lo fez com que ela construísse uma linda gaiola dourada onde, no dia seguinte predeu-o.
Preso e triste, com o tempo ele foi perdendo a cor e parando de cantar a ponto de quase morrer. Ela então percebeu que mantê-lo junto dela por obrigação faria com que ele se transformasse em alguém triste e sem graça.
Libertou-o, mesmo correndo o enorme risco de perdê-lo.
E ele se recuperou continuou a visitá-la.
Happy End 




E a moral da história é:
"Não me pegue não, não, não
Me deixe à vontade
Não me pegue não, não, não
Me deixe à vontade
Deixe eu curtir o Ilê
O charme da liberdade
Como é que é?
Deixe eu curtir o Ilê
O charme da liberdade."


Hahahaha, como tenho falado de meninas e pássaros neste blog! Um dia é sabiá, depois um pássaro encantado, e agora a Daniela Mercury com a sua periquita.
Amanhã prometo mudar de bicho, ok?

Bom, na minha interpretação tosca, a gaiola dourada da atualidade é o celular. Mandamos torpedos com a intenção de não perder nossos pássaros de vista, mas acabamos por abatê-los.

E junto com ele, ironicamente, a nossa própria paz.


Resumindo: celulares são perigosos em vários sentidos.
E o Conselho Federal de Psicologia adverte: Use o seu Balckberry com moderação.

Isso porque nem toquei no grave problema de etiqueta e finesse. Mas isso eu deixo para o meu amigo abaixo:

Um comentário:

  1. Paulo Ricardo Gadelha Pinheirosegunda-feira, agosto 15, 2011

    É isso ,Cláudia: há quem, apesar de tudo, prefira viver numa gaiola de ouro, cercado por essa tralha tecnológica.

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