sábado, 18 de junho de 2011

Zona de Desconforto

Quando pequena, eu acordava de madrugada e não conseguia mais dormir.
Medo, pesadelos, sei lá o que me dava.
Então eu ia para a porta do quarto dos meus pais, sentava no chão e ficava batendo bem baixinho, sem saber se eu queria que eles ouvissem ou não.
Mas eles ouviam.
Me davam umas palmadas e me mandavam de volta para cama.
Daí eu chorava até cair no sono e acordava feliz da vida.
Simples assim.
Não! Não era dramático, não. Naquela década as palmadas faziam parte da infância e ninguém se preocupava com isso. E era uma palmadinha de leve, só com barulho e efeito moral.
Bom, eu, como uma boa criancinha criada nos moldes de Pavlov (vide post: "Alunos Cadeirantes"), associei palmada com sono e, um dia, o milagre da aprendizagem aconteceu: comecei a pedir palmada para dormir.

Hahaha, a palmada virou meu sagrado Rivotril!! Invadia o quarto dos meus pais e dizia:
-Me dá uma palmada para eu dormir?
E o pior de tudo é que eles davam!
Minha insônia se curou e os pesadelos deram uma trégua.

~ Happy End ~

Bom, digo isso porque é incrível como às vezes precisamos de um certo estresse para conseguir ter êxito nas coisas.
Eu sou assim. Sempre fui.

-Oh não! Não leu o código de barras!
Vou ter que digitar os numerozinhos todos!
Ferrou!!!!
Querem um exemplo? Adoro ficar com vontade de fazer xixi. Me deixa aflita e aí eu faço tudo rápido. Fico super eficiente quando estou apertada! Uma maravilha.
O problema é quando lido com imprevistos...haha.

E quando escrevo aqui no blog preciso apertar meus joelhos contra o tampo da mesa. Dói. Eles ficam marcados. Mas só assim consigo escrever... vai entender.







Procrastinação é a arte de empurrar as coisas com a barriga.
Um dia li um artigo na Época sobre como não ser asssim.
Especialistas ensinavam a deixar tudo em dia. Organizar a rotina. Listar prioridades a serem cumpridas.
O especialista devia ser virginiano...hehe.

Mas aí, no meio da reportagem tinha o depoimento de uma mocinha que disse:
"Deixo tudo para a última hora. Se tenho um mês para entregar um trabalho eu só consigo fazê-lo na madrugada da véspera. Mas não desejo mudar. Gosto de ser assim porque a ansiedade me deixa atenta e me faz ser produtiva."

Pois é... tenho companhia na minha mania masoquista de lidar com a produtividade.

Mas acontece que os especialistas se esqueceram que as pessoas são diferentes e não se organizam da mesma forma.
Na hora de estudar para uma prova, uns gostam de fazer resumo da matéria.
Hahahah, nunca entendi isso! Na faculdade tinha gente que escrevia páginas e páginas de... resumo!
Outros não conseguem ler um livro sem sublinhar as partes mais importantes. Compreendem o assunto melhor assim (e emporcalham o livro, muitas vezes emprestado!).
Uns fazem um esquema gráfico dos temas, com flechas, quadros, tabelas. Tem necessidade de se organizar espacialmente. Meu marido é deste time. São as personalidades "Power Point".

E tem gente, como eu, que não faz nada. Vai nadar, deita no Sol e fica pensando. Só fazendo conexôes mentais.
E aí, aos 43 minutos do segundo tempo senta louca de vontade de fazer xixi, aperta o joelho no tampo da mesa e... voilá! Produz em minutos o que os outros levaram dias. E, geralmente, sai bem bom...

Tem gente que só estuda com TV ligada, música alta ou no meio da bagunça da casa.
Aí vem os "especialistas" e dizem que precisamos estudar em silêncio, num espaço limpo e organizado.
Bah. Quem disse?

Já li que os bagunceios são mais criativos porque se deparam o tempo todo com estímulos visuais que lhes favorecem a criação. Já li também que ouvir música ajuda algumas pessoas a pensar melhor.
Procedimento não se ensina e nem se discute. Cada um tem o seu.
E cada um paga seu preço para produzir suas pérolas.


-Nossa, hoje eu escrevi como ninguém!
Agora só preciso ir quebrar minhas pedras nos rins




7 comentários:

  1. voce e OTIMA!

    inaie

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  2. Sua bobinha, a palmada eu dava na minha outra mão
    Seu pai

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  3. Có, as fotos dos teus posts são o must! Inacreditáveis, ótimas, sempre.
    E que post esse, hein neguinha...esse joelho final me doeu daqui! Ai, ai, ai! Se fosse tua mãe te dava uma bela palmada e te mandava pra cama!! hahaha.
    Beijos saudosos já.
    ps. Voltam no 22...

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  4. Hahaha!!! Sr Fontenelle, não desbanque toda a teoria existencial de sua filhinha assim, em público!! O que será de sua reputação...hihi...abraços, I.

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  5. E em último caso, notebook pro banheiro, só pra finalizar os negritos e itálicos, depois de ter tudo que precisa ser uploaded do google. hehehehehe.... conheço a cena!!!!

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  6. Nossa que infancia terrivel. Foi por isso que você fez psicologia? pois só assim para entender tantas anormalidades patologicas em sua criação.

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  7. Clau, as coisas acontecem na hora certa, tinha que ler isso hj...rs
    Estou eu aqui, no computador as 2 da manhã ainda ensaiando para escrever os relatórios pedagógicos de performance acadêmica e comportamento dos meus 29 alunos - que preciso entregar amanhã cedo...a palavra chave é "ainda ensaiando"...hahaha
    É bom saber que não estou sozinha nesse universo que alguns reconhecem como "mundo de louco"...Desde sempre, mas principalmente desde a epoca da faculdade, sou assim...preciso da musica ligada baixinha, a tv ligada e no mudo, meu cigarro, coca cola ou red bull e meu computador pra começar a produzir...e sempre só depois das 23:30...
    Não só por ser notívaga, mas tb por causa da tal procrastinação...coisa de louco, viu? rs
    mencionei tambem, que quanto mais bagunçado meu estudio estava, melhor eu estudava e fazia meus trabalhos? Cansei de virar madrugadas preparando portfolios pra faculdade de artes ou planejando e elaborando lições novas pra faculdade de pedagogia, fazendo análises de obras artísticas dos ultimos 2000 anos e de levar ate meu travesseiro para o laboratório de fotografia para finalizar trabalhos da especialização, pro dia seguinte...rs
    Bom, pela aparencia do meu apartamento agora e pelo horario, meus relatorios vão acabar sendo obras literárias dignas de um prêmio...
    E só pra terminar, sou virginiana...hahahahaha
    AMEI seu post, veio muito a calhar!
    Beijos,
    Leca.

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