terça-feira, 21 de junho de 2011

A memória da pele

A pele é o maior órgão do corpo humano.
Nunca encarei ela exatamente como um órgão, mas é considerada como tal, pelos famosos especialistas.
Para mim ela é apenas algo lindo e vivo.

Aliás, para mim a pele deveria ser usada para representar o amor. Não o coração.
Uma mensagem romântica ficaria assim:

EUvocê!!! 

Hahaha, tem muito mais a ver!

E quem diz que cabelo, olhos, boca, pés (pés???) é a parte mais bonita de um corpo não entende nada.
Uma mulher linda se define pela pele.

Já cheguei perto de modelos famosas e o que mais me impressionou foi justamente a dita cuja.
Um conhecido meu teve a sorte de abraçar Cindy Crawford (no auge da fama da mulher mais linda que já foi feita na Terra). E a pergunta de todos foi:
-E ela é bonita mesmo?
E a resposta do cara foi:
-Ela tem a pele mais perfeita do mundo. 
Bingo!
Juliana Paes (que tem uma bunda considerada bonita) disse que seus amigos comentam sempre que a pele dela é a melhor de todas para ser tocada.
Nada de bunda! Para Juliana Paes a parte mais bonita do corpo dela é a pele.


E além do toque e da cor, a pele ainda tem cheiro. E não vamos nos esquecer do gosto. Ou seja, é uma maravilha para os 5 sentidos. Qual outro órgão do corpo humano proporciona este festival de informações?


"Este corpo moreno, cheiroso e gostoso que você tem." (Bororó)

Gosto salgado de uma pele suada é uma delícia em algumas ocasiões. E o cheiro da pele é o pilar máximo de todo e qualquer atrativo sexual. Cheio de ferormonios, de lembretes olfativos de que alí reside o prazer.

Mas tirando todo o apelo estético-sexual, a pele também é psicologicamente fundamental por ser o limite entre o eu e o mundo.
Dela para dentro é tudo meu. Dela para fora é algo a ser descoberto.

Bebês, quando nascem, não sabem que eles existem. Precisam descobrir, e fazem isso através da pele.
Quando uma mão o toca ele percebe que sua barriga começa alí. Quando o dedão do pé raspa no cobertor ele percebe que seu corpo termina acolá.
E por aí vai todo umlongo e delicado processo de consciência corporal.
A famosa massagem Shantala tem como intenção ampliar este conhecimento e, mais do que isso, fazê-lo de forma afetiva.
E é aí que sentimos o mundo como bom ou ruim. A pele é que recebe esta marca que os psicólogos chamariam de "printing". E esta primeira experiência é importantíssima.

Diz a lenda que é por isso que, dentre as doenças psicossomáticas, aquelas que se apresentam na pele tem relação íntima com a maneira de interagir com o mundo externo. Vitiligo, psoríase, dermatites atópicas em geral tem um fundo emocional.
Hahaha, pode não ter. Mas dizem que tem, então vamos respeitar.

E neurologicamente falando, a pele é formada intra-útero ao mesmo tempo que o fechamento do sistema nervoso. Portanto, é normal manchas e irregularidades no cérebro terem repercussão na pele. Manchas café com leite, pintas despigmatizadas... tudo é motivo de interesse numa avaliação neurológica.
Maluco este espelhamento entre o cérebro com a pele, né?
Dá margem para muitas elocubrações.

Mas hoje eu estou focada na pele porque há algumas semanas, por razões pessoais, me dei conta da importância de sentir o mundo pelo tato.
Bendita pele!
E como toda e qualquer alteração de sensação prejudica em muito a nossa relação com o mundo.

E como a memória da pele é poderosa e nos remete a mundos malucos e nostálgicos
Experiências táteis boas nos dizem: "O mundo é gostoso"
E como o contrário também, infelizmente, é verdadeiro.

E como, às vezes, a pele lembra de coisas que teimamos em esquecer.
Maldita pele.


PS: odeio procurar músicas no Youtube. Os shows tem uma acústica ruim. Os vídeos feitos por amadores tem um som bom, mas são cafonas até dizer chega. E, prá piorar, nos shows João Bosco faz 2 minutos de introdução que faz qualquer um desistir de ouvir a música.
Por isso, quem não conhecer esta lindíssima música (para mim, a mais sensual de toda a MPB) terá agora que aguentar o olhar estrábico de Juma.
Paciência.

Mas...para deixar vocês mais felizes, deixo a Juliana com sua pele macia. Podem olhar enquanto ouvem a música, ok? Hoje eu estou boazinha.

Um comentário:

  1. Vc descreveu muito bem ...é como se o amor fosse tanto, que ao tocar a outra pele, ele extravasasse e as essências se misturassem. Pra quem sentiu isso, é impossível esquecer.

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