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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cada um sabe aonde aperta...

Ontem, ouvindo vinil na garagem, meu pai me ensinou uma coisa engraçada.
Existe uma música que se chama "André de sapato novo" que tem umas paradinhas (apelidadas de breque) que é justamente para o dito André arrumar o sapato novo que lhe incomoda.
Obviamente todos já ouviram a música, mas a história do sapato novo torna os breques engraçadíssimos:

Hahaha, adorei isso.

Odeio quando vamos numa sapataria, experimentamos um calçado desconfortável e o vendedor sempre vem com o mesmo papo: "Mas laceia, viu?"
E até lacear, o que eu faço? Nossa vida não é regida por um chorinho que nos espera para reacomodarmos nossos calos. André tem este privilégio, nós não.
E não dá para esperar lacear sapatos para sermos felizes.

E todo o resto também é assim. Sabemos que as coisas mudam, mas teremos tempo e paciência para esperar?
Uma vez ouvi um amigo meu dizendo algo que eu levo sempre comigo: "Não espere por mudanças. Elas podem até acontecer, mas não podemos contar com elas ao investirmos num relacionamento."

Em outras palavras: um cara paquerador tem grandes chances de ser assim, mesmo depois de comprometido. Uma moça ciumenta pode continuar neurótica depois da troca de alianças e poderá, sim, transformar a sua vida num inferno.

A esperança de mudanças traz as ilusões, e as ilusões podem te fazer investir numa roubada.
Essa idéia de que o sapato vai lacear, de que o namorado vai parar de usar drogas depois de casado... bobagem.
Pode? Pode. Mas contar com isso é que não pode.

E incrível como, mesmo sabendo disso, temos e dom da ilusão. O rapaz acha que a mocinha que não o atrai sexualmete só é assim porque ele ainda não se acostumou com ela. Mas depois do casório... percebe que a coisa não mudará!! E aí? O que fazer?

Esperar o sapato lacear? E se ele não for do seu tamanho e nunca lacear?? E se a fôrma for diferente e seu pé precisar de um outro estilo de sapato?

Aí, neste caso, podemos dar uma de Elis Regina e passar a vida dançando com a ponta de um torturante Band-Aid no calcanhar. Mas aí precisaremos de um belo whisky com guaraná para dar conta do incômodo, hehe.

E a vontade é de ser o André e gritar para o maestro:

"Oh, come on! Give me a breque"


Mas na vida real o breque não existe...
Podemos passar a vida amaldiçoando nossas escolhas erradas e a promessa de que as mudanças ocorrerão com o tempo.
Chato, né?

E tem gente, ainda, que prefere não investir em outro sapato achando que só mudará as bolhas de lugar. Um aperta na joanete, é verdade, mas o outro pode ser cruel com o calcanhar.
Não gostam de trocar o certo pelo duvidoso e ficam incomodados ad eternum, morrendo de medo de encontrar outro problema pior no próximo parceiro.

Mas para algumas pessoas o milagre acontece! O sapato novo fica usado, laceado e tão familiar, tão confortável que nem parece que algum dia foi aquele perrengue todo para conviver com ele.


"É, talvez eu seja simplesmente como um sapato velho,
mas ainda sirvo se você quiser.
Basta você me calçar que eu aqueço o frio dos seus pés."
(Roupa Nova)


É, essa coisa de insistir num sapato que machuca é mesmo um risco. Para estômagos fortes ou para pessoas fracas, depende do ponto de vista.

Neste aspecto, as chinesas têm muito o que nos ensinar:


 -No começo ele me machucava um pouco, não vou negar, mas depois fui me acostumando e hoje parece que fomos feitos um para o outro. Estranho, as vezes acho que nenhum outro sapato serviria para mim.



Ah, parece tranquilo, pode mandar um alcoólatra, violento e mentiroso para mim... se as chinesas deram conta, eu também darei.

sábado, 6 de agosto de 2011

Tigre comendo maçã

Psiquê se apaixonou por Eros no escuro.
E no escuro ficou.
Ele era, literalmente, um anjo. Um homem perfeito e ela ficou bastante satisfeita com o achado.
A promessa dele era:
-Vou te fazer a mulher mais feliz do mundo! Mas você terá que me prometer que nunca irá me ver na luz do dia e nem tentar me enxergar no escuro. Promete?
-Ok.
-Jura???
-No problem. - disse a realizada Psiquê.

Mas aí ela caiu na bobagem de contar para as irmãs que encheram a cabeça da moça de caraminholas.
-Ele deve ser horrível!!!
-Se fosse bonito não falaria isso!
-Eu, se fosse você, tentaria vê-lo para garantir que não dorme com um monstro...

E a Psiquê acendeu uma lamparina naquela noite. O óleo pingou em Eros, ele se queimou, e a ferida nunca mais cicatrizou (mostrando que as traições são perdoadas, mas não esquecidas).
Ela comeu o pão que o diabo amassou para reconquistá-lo. Ainda mais que ele era filho de Afrodite... mas isso é uma outra história.
E o pior de tudo: ao acender e vela, Psiquê descobriu que o marido era o homem mais lindo do planeta e que ele não queria que ela o visse justamente para garantir que a esposa estivesse com ele pelo que ele era, não pela maravilha do seu rosto e corpo.

E o mesmo aconteceu com Bela. Era feliz da vida vivendo com a Fera até que... suas irmãs começaram a falar no ouvido dela e fizeram ela perceber que o cara realmente não era muito especial. No fim da história as duas irmãs intrigueiras viraram pedra para enfeitarem o portal do castelo da mocinha.

Barba Azul casou e era um ótimo marido. Mas tinha uma condição: a esposa não podia entrar num cômodo no segundo andar da casa. Mas... novamente as irmãs fizeram a cabeça da esposa feliz e ela, vencida pela curiosidade, abriu a porta. O terrível segredo do marido foi descoberto e ela teve que ser morta. Azar...

-5:15 da manhã, de óculos ray ban, eu vi
na minha frente aparecer a sua irmã: chapada,
descabelada! De braços dados com um tipo
mascarado. O cara tinha cara de televisão.
-De televisão??? Não acredito!
-Seu novo namorado era um roqueiro super
estrelo, sensação do verão.
-Ai que ódio!!!!!
(Rita Lee)
Isso para não falar nas irmãs da Cinderela: folgadas, difamadoras, invejosas e más.

E na vida real existem pessoas assim. Quando comecei a namorar meu marido fiquei deslumbrada falando mundos e fundos do meu novo namoradinho. Mas muitas amigas já vieram com o mesmo discurso: "No começo é assim mesmo, mas depois todos os homens são iguais."; "Pode esperar que depois virão os problemas, certeza!!"; "Olha direito porque ninguém é assim tão perfeito"... blá, blá, blá.
Incrível como tem mulher que odeia homem!
E na primeira briga já começam: "Não vai ligar prá ele, hein?"; "É bom deixar ele sofrer um pouco."

As "irmãs" dos contos e mitos são essas mulheres que vivem por aí (ou às vezes até dentro de nós) que ficam zicando a relação amorosa e tentando te convencer que a sua escolha está errada. Nem sempre fazem isso por maldade, tadinhas, mas acabam prejudicando nossas certezas.
E o respeito pelo marido, pelas promessas, pelos segredos do casal vão por água abaixo. Trocamos o nosso afeto pela sabedoria das irmãs e, obviamente, magoamos o ser amado.

E qual é o homem que não impõe condições para ser um bom companheiro? Eros não queria ser visto. Barba Azul tinha um quartinho secreto.
Mas todos nós temos os nossos segredos e manias:
-Serei um namorado perfeito, mas você tem que me deixar jogar meu futebol na 4ª à noite.
-Prometo ser o melhor, mas você nunca poderá perguntar se eu gosto mais de você do que da minha ex. 
-Sou um bom namorado, mas por que você fica querendo saber do meu passado? Não pergunte nada do que passou, tá bom?
-Nunca, nunca mexa no meu celular e nem no meu notebook. Pode ser?

Mas as "irmãs" sempre te convencem a fazer bobagem. E você queima seu Eros para sempre, invadindo sua privacidade, falando mal do cara e rompendo promessas.
Depois para reconquistá-lo é um custo...

Não é engraçado o poder que estas mulheres tem? Tá tudo bem no seu namoro, tudo acontecendo às mil maravilhas entre 4 paredes. Mas aí você começa a dar ouvidos às vozes alheias e, subitamente, parece que sua escolha está errada, que você é uma idiota por aceitar as manias do cara e que as condições dele são despropositadas.
E o duro é quando isso acontece dentro de nós. "Irmazinhas" chatas sentam no nosso ombro e nos assolam com suas críticas, fazendo a gente parecer a pessoa mais infeliz do mundo.

Por isso, se no meio de um deserto existencial você encontrar a sua irmã parecendo um tigre comendo uma maçã... tome cuidado.
Hahaha, esta música é doida de tudo.
Mas tem uma frase que eu adoro e que, hoje em dia, Pisquê concordaria com ela em gênero, número e grau:


"Apague a luz prá eu te ver melhor" 
(João Penca e seus miquinhos amestrados) 

Se é no escuro que você se dá bem com seu companheiro, fique no escuro. Nem sempre precisamos de luzes fortes para conhecermos os outros.
E não é ser corno manso ou trouxa. É ser sábio.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sandy Q

Mês passado fui para a praia e, logo de cara, comprei duas pranchinhas de isopor para que meus filhos pegassem jacaré, mas eles não quiseram. Oba! Lá fui eu ficar hoooras pegando jacaré com a minha pranchinha de isopor. Só quando eu fui dormir (feliz da vida) é que lembrei do meu post com exatamente o mesmo título.
(Para quem não leu, leia para entender o drama que se segue link aqui)
Sorri sozinha no escuro pensando que, no fim das contas nem preciso ser surfististinha ou me banhar nos mares salgados de Anais Nin. É bem legal pegar jacaré e posso muito bem ficar satisfeita só com isso.

E Sandy também pensa assim.

É infinita a lista de minicelebridades que descambaram para fugir do estereótipo de criança fofa e acabaram exagerando na dose. Posam de transgressores, se metem em polêmicas, drogas e colocam a carreira em risco.

Sandy não.
Cresceu na mídia sendo exatamente o que sempre foi: uma moça comum e reservada.
O problema é que ser assim não a ajuda a vender discos, então Sandy (possivelmente orientada por um assessor) decidiu posar de "Devassa" e deu uma entrevista para a Playboy deste mês, já que aparecer nua na revista seria demais para a moça.
A revista traz Adriane Galisteu na capa, mas a foto da loira magricela e absurdamente bronzeada foi ofuscada por uma declaração de Sandy dizendo que é possível ter prazer anal.
Na minha opinião, qualquer declaração ofuscaria Adriane na capa de uma revista. Frases estúpidas do Guido Mantega, do Boninho, da Fafá de Belém... QUALQUER COISA é melhor do que a Galisteu.

Mas aí, pronto: tava feito o escândalo. Assunto mais comentado do twitter e a moça dando satisfações à imprensa dizendo que a revista foi sensacionalista e que a frase foi retirada do contexto.

Qual contexo? Ninguém sabe, porque a revista não foi lançada. E os responsáveis pela história toda devem estar soltando rojões tamanho sucesso do famoso "eu disse, mas não foi bem assim" que atiça a curiosidade da galera.

Até eu fiquei curiosa. Qual será, meu Deus? Qual será o contexto??
Ah, vou ter que comprar a Playboy deste mês.
Não posso!!! Na minha cidade não tem banca de revista, Juro. Vou ter que esperar aquelas raspas de estoque velho, onde colocam duas Playboys num único saquinho e vendem em postos de beira de estrada. Aí você compra uma revista da ajudante do Luciano Huck de 1993 e a mesma Galisteu em 1995 raspando a virilha. Tudo por R$4,90!!

Se fosse minha filha ia apanhar. Quem se depila em cima de um... sofá...BRANCO?

Mas o pior da história, para mim, foi a bronca pública do pai da cantora (nunca sei e é o Chitãozinho ou o Xororó, para falar a verdade nunca sei quem é quem destas duplas sertanejas) dizendo a um reporter que não gostou nada do pronunciamento da filha e que "nenhum pai gostaria de ouvir algo assim".
Eu sei bem como é ser adulta, casada e ficar levando bronca do pai por falar uma bobagem ou outra. Não é fácil, querida Sandy, eu sei. Toda donzela tem um pai que é uma fera.
Isso porque ele nem deixou a menina explicar o contexto, tadinha. Já veio recriminando a coitada.

Então eu fico imaginando qual será o tal contexto ao qual Sandy se refere?
Pode ser:

CANDIDATO DA SAUNA GAY
-Mas eu não sou gay!!!
" Meu irmão não é gay. O Júnior é muito perseguido pela mídia que insiste neste assunto, tadinho. Bom, mas se ele fosse, acho que eu não me incomodaria nem um pouco. Meu pai tem muitos AMIGOS gays e isso sempre foi normal para nós. E também acredito que o Jú seria bem feliz desta forma. Um amigo do vizinho do meu primo certa vez contou que é possível ter prazer anal. E eu imagino que possa mesmo, já que não existem ex-gays (risos envergonhados)"




Ou poderia ser:


-Depois dessa, é possível ter prazer anal.
"Sei lá, estes músicos atuais se jogam em drogas, álcool e sentem prazer nisso. Não sei qual é a graça de ficar tonto. Mas, cada louco com a sua mania! Não condeno e nem discuto!! Tem gente que sente prazer sendo pendurado por anzóis. Tem gente que sente prazer sendo espancado. São os mesmos loucos dizem que é possível ter prazer anal."

O tal contexto pode ser que seja algo inocente assim, tirando a "culpa" da mocinha e deixando o pai dela aliviado.

Mas poderia também ser uma declaração bem banal e rotineira:
"Depois de adulta passei a perceber o prazer nas coisas simples da vida. É possível ser feliz cozinhando num sábado à noite. É possível ficar bonita mesmo com roupa velha e sem maquiagem. E é possível ter prazer anal. Eu gosto e meu marido também."

E ponto final!
Nenhuma novidade para uma mulher casada e adulta.
Mas não para Sandy, tadinha... a eterna pegadora de jacaré.
E o pai já veio dando bronca na filha que só quis ser sincera e (por que não?) um pouco apimentada na sua primeira entrevista para uma revista adulta.
É claro que era isso que o público gostaria de ler numa entrevista deste naipe!! Ninguém acharia graça se ela gastasse seu tempo falando do desenho perfeito das suas sobrancelhas.

Mas todos acham que Sandy não está sendo sincera com a sua declaração. Acham que ela tá fazendo o tipo. E se ela estiver sendo sincera, piorou!! Aí é que vão achar que ela enlouqueceu de vez.

O problema da Sandy não é o fato dela ter crescido diante dos holofotes e o povo se esquecer que ela é adulta. Nem a sua estatura pequena e nem o tipinho mignom.
O problema da Sandy é o fato dela se chamar... Sandy! Não dá para ser adulta e ter sex appeal com um nome de poodle.
E o sobrenome dela também não ajuda: Lima Lima. Quem mandou uma Lima entrar para a "Família Lima"? Nada mais sem graça que uma laranja lima...

Se eu fosse ela mudaria de nome artístico. Não baseada na numerologia como fez Wanessa.
Isso está totalmente fora de moda...
Eu aproveitaria o escândalo do prazer anal e usaria a polêmica a meu favor.
Diria que tudo aquilo é mesmo verdade e mudaria meu nome para "Sandy Q" (qiu na pronuncia inglesa)
Aí a coisa ficaria perfeita e todo mundo poderia cantar:

"You say that you'll be true,
You say that you'll be true,
You say that you'll be true,

and never leave me blue, Sandy Q."

(Diga que será sincera, e nunca me deixe triste, Sandy Qiu)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Estamos procurando chifres em cabeças de camelos!!

Continuo tentando ler a Bíblia. Passei a encarar a coisa como um desafio. Vou incluir na minha lista de coisas que se precisa fazer na vida: ter filho, plantar uma árvore, escrever um livro (um dia escreverei, já escrevi um capítulo, vale?) e ler a Bíblia.
Sofro horrores, mas tento ler todos os dias um pedacinho. Me sinto um adolescente que se gaba de ler 1 capítulo inteiro de um livro recomendado pela escola e fica contando quantas páginas faltam para terminar, hahaha.
Minha boa e velha literatura policial vai ter que esperar mais um pouco.
Sempre me senti inferior por gostar de literatura policial, mas depois que soube que Rita Lee passa suas horas vagas se entregando ao gênero, me senti menos rasa.
Ou não. Rita Lee não é muito parâmetro para ditar a normalidade.

E ontem na Bíblia eu li algo que me deixou perplexa. Deve ser piada velha para vocês cristãos, mas para mim foi uma bela novidade. A história do camelo no buraco da agulha.

"É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha, que um rico entrar no reino dos céus!"

O que me preocupa na história não é a crendice besta de que é impossível servir a Deus e ao dinheiro simultaneamente. Nem a a loucura de um camelo passar pelo buraco de uma agulha.
Já passei da idade de acreditar em bobagens.
O que me preocupa na coisa é que as péssimas traduções nunca são corrigidas. Com humildade, com cuidado e respeito pelos leitores.
Todos os dias jornais, revistas e grandes editoras lançam uma errata, desculpando-se de erros, inevitáveis no decorrer do processo editorial. Afinal, errar é humano.

-Agora acho que ele entra!!!!!
E porque não há uma errata na Bíblia? Ou uma nova edição corrigida e comentada por... sei lá... por mim! Hahahaha!
Ah, já sei, já sei: porque quem escreveu a Bíblia não erra, não é humano.
Sim, eu conheço este pequeno detalhe, mas quem traduziu era o famoso tradutore traditore (tradutor, traidor) que é bem humano e bastante descuidado com os regionalismos de linguagem.
E como nem todos traduziram a partir do original, a coisa foi só piorando, como numa brincadeira de telefone sem fio.
Mônika Pecegueiro do Amaral não cometeria tantos erros assim. Ela sabe que Donut não é uma rosquinha, hahaha, e saberia que camelo é um cordão feito com o pêlo do bicho.
Dãããã, tão óbvio.

E aí me deparo com mil outros erros de tradução na Bíblia:
"Vinde a mim as criancinhas" não tem nenhuma conotação intantil. "Crianças" são as pessoas inferiores do ponto de vista espiritual. Ahhhhhh. Então escreve direito, caramba! Não deixe as crianças irem atrás de religiosos que se baseiam na Bíblia para dizerem que estão cobertos de razão.
Tenho outros absurdos das traduções: espancar a esposa, abandonar a família... coisas que nunca deveriam ser levadas ao pé da letra e nem podem ser consideradas metáforas.
São erros!

Bom, o primeiro livro adulto que li na vida foi "The Physician", de Noah Gordon, absurdamente traduzido para "O Físico" quando na verdade devia ser "O Médico".
Bom livro!  Trata da trajetória linda da vida de um...médico!
Foi um erro grosseiro, mas não prejudicou em nada o andamento da humanidade. Duvido que as inscrições nas faculdades de Física aumentaram devido ao livro. Dúvido também que houve uma guerra na comunidade médica que se sentiu ofendida com tamanho desplante.

Mas um erro na Bíblia pode ter repercussões sérias e é por isso que alguém precisa fazer algo.

Afinal, Bill Gates, que doa uma enorme parte da sua fortuna para avanços tecnológicos, médicos (Thank you, Mr. Gates!!!) e para a Fundação Melinda Gates não pode, nem por um minuto, lamentar o fato do camelo ter nascido com duas corcovas...
Ainda bem que, pelo que eu saiba, ele não está lá muito preocupado para quantos deuses, afinal, ele está servindo, contanto que sirva bem para servir sempre!!!

Aliás, as ilustrações desta passagem Bíblica está errada. Será que este povo nunca ouviu a música? Será que não perceberam que colocaram um dromedário no lugar do camelo???
Mônika Pecegueiro do Amaral saberia disso, hahahaha, tenho certeza. Ela tem cara de quem foi num show dos Titãs na adolescência.

"Há uma questão que há muito tempo me incomoda
Qual será a vantagem de se ter uma ou duas corcovas?
O que iremos formular é somente um questionário
Qual diferença haverá entre o Dromedário e o Camelo?
E entre o Camelo e o Dromedário?
Postos frente a frente causam a mesma impressão
Mas quando postos de lado faz-se logo a correção
O Camelo difere do Dromedário que só tem uma corcova
O Dromedário já difere do Camelo por ter lá suas duas corcovas..."
(Titãs)


ADORO a lenda de que o mascote do cigarro Camel nada mais é do que uma tentativa subliminar de ilustrar... um pênis!!! Já ouviram isso?
Se formos ver por este lado a idéia de um camelo entrando num buraco até que tem um certo charme, hahaha.
"Ei, vamos ver se o seu camelo entra no buraco da minha agulha para alcançarmos o reino dos céus?"
Uhhhhh...  sexy!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

No creo en ángeles, pero que los hay, los hay

Meu avô tem 90 anos e é ateu porque passou todos estes anos sem vivenciar uma única experiência que o convencesse a acreditar na existência de algo além do que ele vê todos os dias.
E ele vê coisas lindas, possui uma biblioteca de fazer inveja, ouve melodias magníficas (é um colecionador compulsivo de música clássica) e só possui plantas cheirosas em seu jardim.

Meu avô adora presentear seus 5 sentidos com tudo que há de melhor no mundo.
Ele encara isso como uma obrigação.
Diz que a vida é boa demais para a gente se privar de ouvir, sentir, provar, olhar e cheirar o que existe de melhor.

Meu avô é um sábio.

E ele sempre foi feliz assim, descrente e despreocupado com qualquer fenômeno que ultrapassa a compreensão mundana e rotineira das coisas.
Isso porque a mãe dele era médium e trabalhava o dia todo psicografando para uma fila de pessoas que se formava na calçada da casa dela. Quando criança, meu avô chegava da escola e tinha ainda que passar a limpo TODAS as cartas já que a caligrafia dos espíritos nem sempre é das melhores e os fiéis tinham muita dificuldade em ler os garranchos.
Hahahaha, tadinho, acho que ele pegou um certo trauma das revelações malucas e inexplicáveis.

Mas no ano passado ele passou por uma experiência de quase morte que revolucionou sua concepção sobre a vida.
Sua casa estava reformando e ele estava hospedado na casa da minha mãe. Eu fui com a minha família visitá-los e estava lá no dia em que o fato aconteceu.

Era de madrugada e ele estava dormindo no quarto de hóspedes. De repente uma luz apareceu bem distante e fez algo que ele depois chamou de "corredor de luz". Deste corredor surgiu uma criança loira, olhos azuis que andou lentamente em sua direção.

Ele, mesmo com toda a sua descrença, de repente se deu conta de que havia morrido e um anjo fora designado para lhe buscar. A beleza do anjo e a paz que ele sentiu com aquela presença superou qualquer tipo de medo que ele pudesse ter do que irira acontecer a partir daí.

O pequeno querubim chegou perto dele, pousou as suas mãozinhas em sua cabeça e com uma voz infante lhe sussurrou:
-Quero fazer cocô...

E foi só aí que meu avô percebeu que não estava morto. Estava apenas revivendo, depois de muitos anos, a rotininha surreal de uma pessoa que cuida de uma criança pequena.

Hahahah, meu filho confundiu os cômodos e entrou no quarto do bisavô acreditando que ia me encontrar lá dentro.
Meu avô o levou ao banheiro, o limpou e devolveu o anjo para a caminha dele, sorrindo feliz por estar vivo e satisfeito em poder ajudar uma criancinha.

No dia seguinte contou o episódio sério. De verdade havia acreditado que tinha tido um contato com um anjo e, por alguns segundos, percebi ele um pouco decepcionado ao descobrir que era apenas um menininho perdido.

E meu filho ganhou o péssimo apelido de "Anjo Cagão" que o acompanha até hoje e o faz chorar de vergonha vez ou outra, tadinho.

O Anjo Cagão
(Hahahaha, A-DO-RO as fotos que eu encontro)

Bom falo isso porque o mesmíssimo "Anjo Cagão" é pragmático, científico e ateu de nascença. Está em seu DNA, mostrando ao bisavô que este fez algo por ele, além de limpá-lo depois do cocô. Uma vez li na Veja uma reportagem dizendo que o cérebro possui uma predisposição para ter fé em Deus. A crença religiosa ocupa, literalmente, um espaço anatômico dentro do cérebro.
Incrível, não?
E é também incrível como isso vem de uma forma inata. Como cor de olho, como manchas na pele.
Sim, porque meu outro filho (nascido e crescido na mesma família) é super carola: adora ir numa benzedeira, vibra quando lhe fazem uma oração e já conhece muitas santas só de olhar para elas.

Mas o Anjo Cagão não se conforma que alguém pode acreditar em algo tão abstrato como Deus.


Certo dia, uma amiga contava sobre uma doença da qual ela se trata há muitos anos. Toma medicamentos fortíssimos, vai em vários especialistas e faz fono, fisio, psicoterapia e tudo o mais.

Ela estava nos contando isso e disse que se não fosse por Deus ela provavelmente não estaria aqui hoje.

Depois que ela saiu de casa ele veio correndo, indignado:

-Ela acredita em Deus???? Não sabia que as pessoas modernas acreditavam nessas coisas. Que absurdo! Achei que era coisa de gente de antigamente.




Sim, meu filho, ela acredita.
E quando você tiver 90 anos talvez um anjo entre pelo seu quarto e faça você acreditar também...
Ou não.


PS: É óbvio que este post foi feito ainda pensando no assunto de ontem das crianças que nos perturbam de madrugada. Como pude me esquecer da história do Anjo Cagão?? Como?
E para ilustrar bem a situação incômoda e vergonhosa que estes pequenos nos colocam, aqui vai uma música absurdamente fiel à nossa realidade. Mesmo que você não entenda italiano perfeitamente, dá para entender a moral da coisa.


domingo, 31 de julho de 2011

Tan-tan tan-tan tan-tan....ahhhhhhhhhh!!!!!!




Sabem aqueles filmes de terror onde o cara se depara com criancinhas de camisola e pijama no corredor? Com carinha serena, olhar sorridente, cara de quem não vai desistir enquanto você não brincar com elas? Tem umas que até chegam com um brinquedo a tiracolo e, prá completar a cena, tem aquela musiquinha sinistra de caixinha de música.
Então, tenho certeza absoluta que o criador destas cenas possuem filhos.

Filhos no corredor são o pior susto que pessoas adultas podem sofrer dentro de casa. Os meus são de uma brancura "Poltergeist" e chegam de surdina, no escuro... ai que medo! Acordo sempre com o espectro ao lado da cama me observando.
Maldita hora que aprendem a descer do berço.

Nada é mais assustador do que encontrar criancinhas pela casa de pijama quando elas deviam estar dormindo e liberando você para fazer o que bem entender da sua vida,  como assistir a um filme, ler um livrinho, fazer sexo ou, a atividade preferida de 10 entre 10 pais cansados: dormir.

Só quem tem filhos sabe a vontade de gritar que dá ao encontrar os pequenos seres olhando para nós como que querendo nos roubar a vida.
E roubam mesmo.
Testam nossos limites e sugam a nossa energia até a coisa ficar insustentável.
-Mãe, estou sem sono. 
Posso brincar aqui no seu quarto?

Mas é nessas horas que a gente descobre que tem mais energia guardada em algum lugar misterioso e, subitamente, a coisa fica tranquila e até um pouco divertida, e daí nos descobrimos curtindo brincar de Lego ou compartilhando um Sucrilhos no meio da madrugada.

Por isso sempre digo: nossos filhos nos tornam fortes exatamente por serem tão exigentes e dependentes de nós.
A idéia da criança pidona possui dois lados (eu ia usar a palavra "arquétipo", mas deixa prá lá). Se por um lado ela te perturba e te cansa, por outro te salva de um mergulho egóico profundo, protegendo os próprios pais de depressões, crises e vazios existenciais.

Graças a elas não podemos nos dar ao luxo de nos entregarmos às tristezas, doenças e crises financeiras. É também  bastante comum as brigas conjugais darem uma diminuída depois que os filhos nascem, já que agora existe algo mais importante a se fazer do que ficar com ciúmes da bonitinha que trabalha com o marido.

-Vai paizão, vai dar tudo certo, confio em você
Certa vez fiz um trabalho com filmes infantis que mostrava a importância dos filhos no processo de luto de um cônjuge. Tenho mil exemplos para dar, mas o Nemo é o mais popular. Lembram do peixinho exigindo que o pai se liberte do medo e enfrente a vida, com todas as suas dificuldades?
Pois é... conheço muitas crianças reais que fazem o mesmo pelos pais.

Quando pensamos que estamos cuidando dos pequenos, são eles que cuidam de nós justamente por serem tão cheios de energia e sedentos pela vida

A "Oração de São Francisco de Assis" só é como é porque ele não tinha filhos. Gastava todo o seu precioso tempo deixando os animaizinhos roerem suas sandálias. Se ele tivesse filhos, sua oração provavelmente seria assim:




Filhinho, fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver vontade de chorar o dia todo, que eu leve você para assistir mais um lançamento da Pixar,

Onde houver desejo de dormir cedo, que eu fique longas horas te contando histórias,

Onde houver dia livre para refletir sobre a dureza da vida, que eu organize piqueniques,

Onde houver arrumação esterelizada, que eu tropece na bagunça de seus brinquedos,

Onde houver 5 minutos de janela no trabalho, que eu o ajude na lição de casa,

Onde houver insônia pela falta de dinheiro, que eu tenha que fazer inalação em você,

Onde houver tristeza minha, que eu tenha que te fazer alegre,

Onde houver vontade de chorar, que você me exija um carinho.


Ó Filho, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado; 
compreender que ser compreendido, 
amar, que ser amado. 
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado 

e é tendo filho que se nasce para a vida eterna...





-Pai, pai, quero fazer xixi.
Tô com fome! Que bicho é esse? Por que ele é peludo? Já tá na hora de ir para casa?
Quantos minutos faltam? Meu chinelo arrebentou...



-Ó Deus, dai-me paciência.



sábado, 30 de julho de 2011

A difícil arte de fatiar a sua pizza.


Dia 10 de Julho foi o dia da pizza. Parabéns!!! Eu estava viajando e não pude usufruir o dia como merecia.
Acho mesmo que a data devia ser mais divulgada.
Melhor: devia ser feriado.
Pizza é um alimento sagrado, assim como o pão que Jesus repartiu na santíssima ceia. Pizza mata a fome diária de milhões de pessoas em todo o mundo. E, no Domingo, a demanda nas pizzarias aumenta justamente por ser dia santo, hahaha.
Óbvio!
Um alimento globalizado, amplamente aceito e perfeitamente adaptado às diversas culturas.

Mas a pizza tem que ser boa para valer a pena. Pessoas tolas dizem que sexo é que nem pizza: mesmo quando é ruim, é bom.
Frase estúpida.
Pizza ruim é ruim prá caramba!!!! E sexo ruim, idem.

A frase deve ter sido inventada por um carioca ou um australiano que não entende nada de pizza (prá não falar dos mineiros que colocam maionese e ketchup nas redondas).
Ou deve ser uma frase do japonês doido que se entope de comida para ganhar troféus.

"Takeru Kabayashi, seis vezes campeão mundial de comer cachorros-quentes, comeu cinco pizzas e três quartos em seis minutos. O evento foi patrocinado pela Pizza Hut."
Há!
Quero ver ele fazer a mesma coisa com 5 Chessy Pop de peperonni na massa pan!!!
Duvi-de-o-dó!
Kabayashi ganha fama comendo pizza indiscriminadamente. Muitos politicos, esportistas e artistas famosos estão hoje na mídia por também fazerem sexo indiscriminadamente.
Mas este povo não vale porque não entendem nada de qualidade.

Pizza e sexo tem que ser bom para valer as calorias consumidas e gastas, respectivamente.

Tem quem goste de massa fina, crocante. Outros preferem as grossas, com bordas gordas para ter onde pegar.
Uns gostam de pouco recheio. Outros adoram a abundância.
Uns gostam de noite, no meio da madrugada. Outros preferem de manhã ao acordar.
O mesmo com o sexo.

PIZZA BORDA FINA





                                           PIZZA BORDA GROSSA






E prefiro não entrar nas metáforas dispensáveis sobre calabresas finas, grossas ou mesmo sobre a péssima textura daquilo que eles insistem em chamar de Catupiry.
Mas digo só uma coisa, calabresa cortada grossa não dá!! Tem que ser fina o suficiente para envergar quando assa.

Hahahah, me perdõem pela foto, mas não pude evitar.
Me fez lembrar do post "Mister M. dos Bogueiros", para mim o melhor de todos.
(reparem na tomada atrás da moça)
E para concluir, a pizza (fina ou grossa, não importa) tem que ser fálica, ereta.
Pizza que desaba quando a pegamos pela borda não está com nada. Está provavelmente encharcada por um molho muito aguado ou crua pelo forno mal regulado.

Bom, é enorme a relação entre pizza e sexo e eu poderia ficar o resto do dia achando correspondências entre as duas maravilhas da humanidade.

Mas nem é sobre isso que eu queria falar.

Queria mesmo é dizer que a nossa vida nada mais é do que uma pizza, com fatias bem definidas para cada uma das áreas. O trabalho é uma fatia, o amor é outra, os filhos são outra, a saúde outra, os hobbies uma fatia importante, e assim por diante.
Mas no meu consultório eu percebo gente que tem uma única fatia em sua pizza. SÓÓÓ filhos, SÓÓÓÓ namorado, SÓÓÓÓ trabalho, SÓÓÓÓ doença. E todos os dias chegam para falar da única fatia de suas pizzas, em geral sobrecarregada de recheio e bastante indigesta.
E eu sempre lhes pergunto: e o resto??? cadê o resto?
Não tem resto.


-Vejamos... aqui termina o assunto da sua doença
no coração. Agora comece a falar do seu bordado.
Pode começar.
A vida deles se restringe a uma única fatia e É ESSE o grande problema. Não a qualidade da fatia em si, mas o fato dela estar sozinha, sem outros sabores para dar uma equilibrada na vida.
E é por isso que, em geral, pedimos as pizzas meio-a-meio. Para não enjoar do sabor, para variar, para conhecer novas combinações e, ao mesmo tempo, nos garantirmos com as tradicionais.
E tem gente que passa a vida toda experimentando a mesmíssima pizza por toda a vida. Não é péssimo isso? Reclamando e sofrendo por ela, mas mesmo assim insistindo na mesma fatia...

E meu trabalho em terapia é fatiar a pizza com técnica e criar novos horizontes.

Uma vez uma pizzaria de São Paulo se gabava de ser a única da cidade a vender pizzas com 10 fatias.
Hahahaha, nunca compreendi a vantagem disso.
E além de tudo sempre imaginei a dificuldade do pizzaiolo em dividir uma circunferência em 10.

Mas é bom agora você parar e se perguntar: quantas fatias tem a sua pizza?? Você gosta dela? O recheio está sufiente? A massa segura bem o tranco?
E como seria cortar sua pizza em mais pedaços?? Variar o recheio... experimentar uma massa mais fina...
Não lhe parece tentador?

Então vistam a camisa da minha "Terapia da Pizza" e tirem o dia para refatiar a sua vida.
Você não é nada além de uma pizza.
E o seu namorado é só uma fatia dela, ok?
ENTENDEU???

Tá bom, sua hora terminou. Pode ir embora agora.