quinta-feira, 8 de março de 2012

O jogo dos Dados!

Coincidências são malandras.
Acontecem todas as horas e com todas as pessoas ao redor do mundo.
E sempre ao acaso...Pop!
As estatísticas nos contam que em alguma hora coisas incríveis vão acontecer, mas, mesmo assim, insistimos em acreditar que existe algo divino por trás disso.
Acho as sincronicidades crueis porque plantam na nossa cabeça a idéia de que houve algo de mágico ali. E gastamos nossa fé acreditando que deve haver alguma mensagem a ser decodificada.
E não há!!! Esquece.
Ou há?

Exemplo? Esta semana no lanche da tarde descobri algo irritante: a minha torradeira quebrou e agora só tosta um lado do pão. A serpentina incandescente do meio queimou. Fazer um lanche para os meninos, que antes demorava menos de 2 minutos, agora demora 4 porque temos que inverter a posição dos pães para que possamos ter torradas simetricamente crocantes.
Coisa pouca, mas irritante.
Naquele mesmo dia, a noite, abri a minha biblioteca de 400 livros não lidos (herança em vida do meu avô) para eleger um novo, já que o meu livro de cabeceira tinha acabado na véspera. Peguei um policial brasileiro. Resolvi dar uma chance aos crimes ambientados na orla carioca.
E logo na quarta página leio isso:
"Tirara a tarde para comprar um nova torradeira e percorrer alguns sebos no centro da cidade. A dele estava com o mesmo defeito fazia quase um ano: torrava apenas um dos lados de cada fatia. Já se acostumara ao ritual de esquentar primeiro um lado do pão para, em seguida, virar as fatias e esperar pelo outro lado. " (Luiz Alfredo Garcia-Roza)

Como assim? Torradeira... quebrada? Que coincidênia! E ainda com o mesmo defeito!!!
Pronto. Foi o suficiente para eu achar que algo de mágico fez com que aquele livro viesse parar nas minhas mãos. Fiquei excitada e li tudo correndo, achando que ali tinha uma mensagem só para mim e que o destino conspirou para que eu tivesse aquele texto nas mãos naquele exato momento.
Não, não tinha nada. Nada de bom e/ou importante no romance policial brasileiro ambientado na orla carioca.
Elementar, Rio de Janeiro é quente demais para mistérios.

E com isso lembrei de uma outra coincidência da qual sempre me orgulhei.
Contava ela como se eu fosse a escolhida por Deus para vivenciar uma experiência tão surreal. Foi assim:
Aos 17 anos eu morava numa cidade com bem mais de um milhão de habitantes e namorava um rapaz chamado Eduardo. Todo Eduardo tem um apelido: Duda, Edu, Dudu... mas o meu Eduardo tinha o raro apelido de Dado, e era irmão de um Thiago e de um André.
Num sábado qualquer, Dado ia para a cidade de São Paulo fazer coisas chatas e me pediu para eu lhe fazer companhia. Eu não quis, mas no sábado cedo me arrependi e liguei correndo para ver se ainda dava tempo de ir junto.
E o incrível diálogo que aconteceu na sequência foi assim:
-Alô.- era uma voz masculina.
-Oi, quem tá falando? -eu disse.
-André.
-Oi Dé, tudo bem?
-Quem fala?
-É a Claudia, Dé. O Dado tá aí?
-O Dado tá em São Paulo.
-Ahhhh, ele já foi? Que pena.
-Quem tá falando??
-É a Claudia, André, namorada do seu irmão. É que ele tinha me convidado para ir para São Paulo e eu queria ver se ainda dava tempo. Mas não tem problema, eu falo com ele depois.
-Hum, acho que você ligou o número errado. Meu irmão não tem nenhuma namorada chamada Claudia.
- (longa pausa) .... como, como assim? Você não é o André, irmão do Dado ?
-Sou, mas acho que isso é um engano. Acho que você queria estar falando com um outro André
-Outro André que tem um irmão chamado... Dado?
-Pois é.
-E que, além de tudo, está hoje em... São Paulo???? Como é que isso pode ser um engano??? É muita coincidência para ser um engano!
Mas ele não deu bola e desligou.
Fiquei incrédula.
Tentei de novo e, desta vez, acertei o número de telefone. Sim, tinha sido um engano. Como pode??? Passei o final de semana falando disso com conhecidos. Era muita coincidência para ser verdade, mas o mais incrível ainda estava para acontecer...

6 ANOS DEPOIS...
Estávamos na casa dos meus pais conversando sobre telefonemas, enganos e confusões. Lembrei da história acima e contei na mesa depois do almoço. E foi aí que meu cunhado falou:
-Nossa, Claudinha! Eu atendi este telefonema!
-Você? Como assim?
-Você deve ter ligado por engano na casa da minha mãe. Meu irmão também se chama Dado. Eu antendi. Eu lembro disso!!
U-A-U...
Detalhe: na época que o telefonema aconteceu, o Dedé, meu cunhado, nem sonhava em ser um dia o meu cunhado. Aliás ele nem conhecia a minha irmã!


Agora diz: qual é a chance dessa história se repetir?? Quais são as chances do interlocutor deste telefonema (que já é suficientemente maluco por si só) casar-se justamente com a minha única irmã?


Achei tudo surreal.
A moral da história? Não tem. Ou tem? Ou será que meu querido cunhado foi enviado por.. Deus???
Shit happens! Curiosidades happens! Coisas legais happens!!
Se existe mágica na sincronicidade ou ela se explica apenas com estatísticas e números, eu não sei. Mas adoro as historietas da vida cotidiana. Tornam tudo menos monótono...

Quais são as histórias de coincidências que aconteceram com vocês??? Mas ó, nem pensem em ganhar da minha porque não dá, haha, a minha é ó concur!

5 comentários:

  1. Como e o nome to Tite? Tiago??? kkkk

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  2. Não queria desbancar sua história, mas conheço uma de arrepiar também:
    Aos 7 anos meu tio sofreu uma queimadura feia, que deixou muitas cicatrizes no corpo todo. Lá pelos 15, mais do que acostumado a ver as pessoas se impressionarem com as marcas, lhe marcou na memória um episódio de uma menininha que andava pela praia do Guarujá de mãos dadas com a mãe. A pequena devia ter seus 3 anos e, ao cruzá-lo na praia, desembestou a chorar deixando constrangidos a própria mãe e meu tio.
    Muitos anos depois, ele um dia conta esta história para sua sogra, que imediatamente se lembra de ter passado pela situação com sua filha pela mão... mesma época, mesma praia do Guarujá!

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    1. Nossa Taís, que loucura, né? Muita coincidência! Imagino o tanto de histórias assim que devam existir sem que as pessoas nunca saibam porque, simplesmente, se esquecem de contar os episódios aos conhecidos. Se ele não tivesse mencionado o choro da menininha ninguém nunca saberia disso. Ele é, tipo, 12 anos mais velho que a sua tia? Loucura para um rapaz de 15 imaginar que poderia se apaixonar por uma menina de 3!!! Uma amiga da minha mãe tem uma foto preto e branco no calçadão de copacabana dela neném, passeando no carrinho com a babá. No sentido contrário da foto tem um outro bebê que veio a ser o marido dela também. E meu avô, médico, posou para uma foto numa escadaria em Belém do Pará e a moça ao lado que desce a escada e saiu ao acaso na foto virou a minha avó!!! adoro essas histórias!

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  3. Meu primo (o Rico) foi num congresso internacional na Argentina e no jantar de encerramento sentou-se na mesa com um casal coincidentemente brasileiro, de Ribeirão. Comentou então com o casal que há 5 anos, coincidentemente havia se sentado com um casal de Ribeirão num congresso nos Estados Unidos. O cara arregalou os olhos e disse: -Éramos nós!
    Lu S.

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