sexta-feira, 21 de outubro de 2011

3 é demais!!!

Era uma vez 3 Porquinhas que viviam na floresta. 
A porquinha mais preguiçosa era a Medicina. Só se preocupava com a vida e nunca se preparava direito para as ameaças que rondavam a sua casa. A segunda, também um pouco preguiçosa, se chamava Lei e a mais trabalhadora e prática era a porquinha chamada Religião.
As três viviam felizes em suas casas, mas foram alertados pela sua mãe, a Dona Moral, que precisavam se proteger de alguns lobos muito, muito malvados chamados Tabús.


Um dia o Tabú da Homossexualidade apareceu na casa de palha da Medicina:
-Abra esta porta que eu quero entrar!!!!
-Não abro, não abro, não abro não!!!!
-Então eu vou provar que sou psiquicamente saudável, não sou perverso, minha racionalidade está em perfeita ordem e nenhuma patologia poderá me definir!!!
O porquinho da Medicina bem que lutou contra o Tabú da Homossexualidade. Catalogou ele em diferentes CIDs, examinou o cérebro para provar a aberração... mas o Tabú da Homossexualidade soprou, soprou , soprou e derrubou a casa da Medicina em 1993 (poquíssimo tempo, né?) e ela percebeu que perdeu a luta:
-Não consigo me defender contra o Tabu da Homossexualidade!!! Tá bom, tá bom, eu me rendo, você é saudável e normal!!!!
E desde então a OMS define que existem 3 orientações sexuais (em alguns casos 5!) aceitas e respeitadas pela sociedade médica.
E a Medicina correu para a casa da sua irmãzinha, a Lei.


Logo o Tabú da Homossexualidade foi bater neste segunda casa:
-Abra esta porta que eu quero entrar!!!!!
-Não abro, não abro, não abro não!!!
-Então eu vou provar que estou tendo meus direitos violados! Que preciso garantir segurança para a minha família depois da minha morte, preciso incluir meus parceiros em planos de saúde. Vou exigir o direito de adotar crianças, preciso ter uma declaração de união estável e um casamento decente para me sentir feliz e tranquilo.
Esta segunda casa foi beeeem mais difícil. O lobo precisou soprar muito, precisou de muita ajuda, mas um dia a casa caiu e muita coisa foi derrubada.

E as duas porquinhas, sem nada para protegê-las, correram para a casa da Religião: toda firme, elegante, feita de tijolos, com janelas gradeadas cheia de cadeados.


Logo, logo o Tabú da Homossexualidade foi bater lá também.
-Abra esta porta que eu quero entrar!
-Não abro, não abro, não abro não!!!!
-Então eu vou provar que Deus me fez assim. Vou provar que, como diz Milton Nascimento, "Qualquer maneira de amar vale a pena", vou te mostrar que, na natureza, a homossexualidade é uma constante, vou te dizer que meu amor por Cristo independe da minha condição sexual.
E o Tabú da Homossexualidade soprou, soprou, soprou tanto que ficou cansado e triste.
Ele queria muito entrar na casa de Deus.


Entrou então pela chaminé. Um jeito errado e mal educado de entrar na casa dos outros. Ele bem que tentou entrar pela porta da frente com dignidade e orgulho, mas não o deixaram. 
E a chaminé era um lugar sujo, escuro, obviamente perigoso e também muito apertado. E o Tabú da Homossexualidade ficou preso lá para sempre. Está, tecnicamente, dentro da casa da Religião, mas o dono da casa finge que não vê e os porcos vivem assim, felizes para sempre.


-THE END- 

E esta história tem variáveis.
Uns chamam os 3 porquinhos de
Os 3 Patetas: bobos, inúteis e hipócritas.




OU...
 


...Os 3 Mosqueteiros: valentes, éticos e protetores
Não importa o nome.
O legal é perceber que, para conquistar definitavamente a sociedade, um tabú precisa derrubar a resistência destas 3 instituições: a Medicina, o Direito Civil e a Religião.
E aí entramos no assunto do post anterior.
O suicídio, e todas as suas variantes (eutanásia, suicídio assitido e ortotanásia), violam as regras básicas das 3 instâncias e POR ISSO é tão chocante e não aceito em nossa sociedade, a famosa "judaico-cristã ocidental". 

A Medicina luta pela manutenção da vida. Raros são os médicos que aceitam um pedido da família para desligar os aparelhos porque isso sempre terá que ser feito escondido, por baixo dos panos. E também é sabido que um suicida não é uma pessoa bem vista num pronto socorro. Já ouvi de um médico:
-A gente aqui se desdobrando para salvar gente e o cara chega a aqui gritando, com raiva, porque o tiro não o matou.
Os suicidas perturbam o pronto socorro e tiram o lugar de gente que deseja viver. A medicina, definitivamente, não abraça a causa.

O Direito nega benefícios para os suicida. Família de suidicas não tem acesso ao seguro de vida, como se fosse uma escolha, fria e calculada, se matar para beneficiar os filhos!  

E a Religião não aceita que qualquer um de nós defina a hora da morte. Só Deus! Ouvi esta semana de um homem: "Deus é o maior assassino do mundo, porque só ele pode matar."
Uhhhhh, pesado isso, né? 
Em alguns cemitérios cristãos os suicidas recebem um espaço reservado apenas para eles. Ouvi falar que na religião judaica eles são enterrados de cabeça para baixo.
Ou seja, não é algo bem quisto por lá também.
E como se não bastasse todo o drama familiar ao perder um filho por suicídio, ainda encontramos religiosos afirmando que eles não vão para o céu ou, pior, não conseguirão fazer a "passagem" facilmente e reencarnarão confusos e angustiados.
Sacanagem.

Dizem que Deus sempre dá a cruz de um tamanho que possamos carregar.


-Vamos garotinho! Força! Você consegue!!


 
Bullshit.
Se todos conseguissem não haveria tantos suicidas no mundo.
Mas isso os 3 porquinhos não vêem de dentro de suas casinhas blindadas.


3 comentários:

  1. Vovo e eu adoramos! Parabéns escritora da família. Você cumpre o seu propósito de caminhar de leve sobre águas turvas.

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  2. Uau!!! Muito bom Clau! Bjos

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