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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Culpinha Fashion




A melhor teoria que inventaram até hoje, no que diz respeito ao tempo que passamos com as crianças, é que a qualidade é melhor do que a quantidade.
Há! O psicólogo que inventou isso é um gênio!
Sua frase serviu como uma luva para amenizar a culpa das mães que trabalham período integral e/ou terceirizam a criação dos próprios filhos para babás e creches.
Daí quando são criticadas por isso (e sempre são!) já lançam a teoria que superestima a qualidade em detrimento da quantidade:

-Mas de noite passamos algumas horas juntas e nos divertimos muito!!! A qualidade do tempo que passo com a minha filha é muito mais importante do que a quantidade- diz cheia de razão.




É mentira.
Todos nós, no fundo, sabemos disso, mas as teorias servem para dar uma roupagem nova na culpa e diminuir o sofrimento das mães que agora passam a acreditar na coisa e se sentem mais leves.
As teorias transformam a culpa primitiva numa culpa fashion, que segue as novas tendências psicopedagógicas e agrada a todos: a sociedade que exige que a mãe trabalhe fora, o marido que recebe ajuda financeira em casa e principalmente as creches e babás que tem emprego garantido.
Mas nem sempre as mães ficam felizes. Algumas realmente gostam de trabalhar fora. Preferem mil vezes do que ficar em casa cuidando de menino.
Outras não. Outras sofrem horrores com essa realidade e dariam o reino por um ano à toa com as crianças em casa. Mas o trabalho é uma necessidade e não há nada que possa ser feito para mudar isso.

Às crianças, a teoria da qualidade não agrada.
As crianças não acreditam nesta verdade e nunca aprenderão a se contentar com pouco.
Passam então a exigir dos pais a tal qualidade prometida nas horinhas compartilhadas e ISSO é ruim prá caramba!! Ficam tiranas, exigentes e aprendem desde cedo a cobrar porque sabem que os pais estão em dívida.
A vida da mãe doméstica tem menos glamour, é mais sem graça, mas acaba sendo mais fácil. Diminui as expectativas e melhora a tolerância: tolerância da mãe, com as manias e barulhos das crianças, e deles, com nosso mal humor e necessidades da vida adulta.
Se não vivemos a rotina ao lado dos filhos temos, então, que ser uma mãe estereotipada nas poucas horas que temos com eles: fofa, atenciosa e disponível. E, curiosamente, temos que ser assim justo quando estamos cansadas depois de trabalhar o dia todo.
E ter que ser atenciosa no meio do cansaço gera muito mais ansiedade do que ter que ficar 24 hs por dias ao lado de uma criança. Prometer uma mar de rosas nas horas com os filhos é ansiogênico para eles e para nós.
E não cumprir isso é fracasso na certa.
Fora o medo de que, intimamente, beeeeem lá no fundo, gostamos mais nosso trabalho do que nossos filhos!!
Ai que culpa!

OU...

A melhor teoria que inventaram até hoje para as mães que param de trabalhar para ficar com os filhos é que estes primeiros anos em casa será fundamental para a estrutura psíquica da criança.
Há! O psicólogo que inventou isso é um gênio!!
As mães se sentem resguardadas por esta verdade incontestável e camuflam nisso a sua incompetência profissional e/ou o medo de enfrentar o mercado de trabalho depois de ter ficado ultrapassada e obsoleta.
Dizem aos quatro ventos que pararam de trabalhar para poder se dedicar aos filhos e que isso faz delas uma mãe melhor, apesar de mais pobre, rsrs.
E apesar de saberem que talvez isso não seja verdade.
As mães alternativas, moderninhas, adoram esta teoria e capricham no lanche dos pequenos, inventam atividades ao ar livre, levam e buscam a molecada nas mil aulas e espera o marido chegar no fim da tarde com uma janta saudável.
Como antigamente...


-Não tem salário nenhum que pague o tempo que eu tenho ao lado dos meus filhos. Tenho certeza de que a minha presença em casa fará deles adultos seguros e confiantes.- diz cheia de razão.



PS: Já usei a desculpa de ter que brincar com os meus filhos para me dedicar à construção de uma linda casa de Lego, hahaha, igual à mãe da foto. AMO LEGO!

Enquanto isso os maridos se dedicam à contrução da casa real, à compra do carro, ao sustento da família, à garantia do futuro dos filhos e, principalmente, à compra de mais Lego... claro!
Mas os homens não acham graça nenhuma nisso.
E a sociedade torce o nariz para o regresso das mães ao lar.

É óbvio que existem, sim, benefícios por trás desta opção materna, mas o problema é que não tem ciência nenhuma que consiga comprovar que os filhos destas mães serão mais felizes que os os outros que ficam em escolinhas período integral. Tudo não passa de uma abstração com base em alguns poucos dados de experiência das pessoas mais vividas.

Quando eu tive filho e enfrentei a desgastante rotina de ficar em casa o dia inteiro, muitas amigas da mesma idade que eu vinham me dizer:
-Claudinha, vai trabalhar!! Acredita em mim: é a melhor coisa que você pode fazer por você e, consequentemente, por seu filho.
Enquanto as mães das minhas amigas, gente de outra geração, diziam:
-Fica em casa!!! A infância deles passa rápido e você vai se arrepender de ter perdido esta fase.

Eu ficava em dúvida. Não sabia em quem acreditar!
Não sabia o que era melhor para mim, mas quando consultava meu próprio desejo conseguia acessar o que estava me deixando muito, mas muito angustiada: nunca seria feliz deixando meus bebês numa creche!
E essa certeza me definiu como uma mãe do segundo time, aquela que suporta mais ficar em casa do que trabalhar fora e deixá-los com alguém.
Para mim é mais fácil criar filho estando em casa porque eles vêem em mim uma mãe real que não se esforça em ser perfeita. É mais fácil negar brincar com o filho depois de ter passado o dia inteiro ao lado dele. E, sim, é possível ser feliz ao lado das crianças, me divertindo de verdade e mostrando aos pequenos que a companhia deles é agradável e necessária.
Mas isso pode mascarar um medo (ou preguiça? ou fraqueza??) de abandonar o ninho e sair para ganhar dinheiro.
Sei disso.
E lidar com esta culpa é também um enorme fardo.
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Culpa materna: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

E a moral da história é que não existe nada melhor para um filho do que uma mãe realizada e satisfeita, dentro do possível. Se ela fica mais feliz trabalhando, que trabalhe. Que sela fica mais feliz em casa, que fique.

Existe a pergunta que nunca quer se calar: O que querem as mulheres?
A resposta óbvia seria: Viver sem culpa!

Mas isso é uma utopia, esquece.
Então, já que a culpa é inevitável, que ela seja fashion e que te sirva bem. E que conviver com ela seja mil vezes pior do que a convivência com o seu filho!!
  Sab            Dom           2ªfeira        3ª feira        4ªfeira        5ªfeira
6ª feira!!!!!!
a letra B no tornozelo carrega um lembrete: Eu amo o meu Bebê!



Enquanto isso... nas creches:


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Rio porque quí-lo


Meu filho me disse hoje:
-Hey, Mother Foca!!!!!! Ahahahahaha!!!
(fiz uma enorme amiga apenas porque me encantei por essa frase boba)


Nada no mundo é melhor do que o humor.
Passei a vida ouvindo isso do meu sábio avô e não acreditava. Achava que havia características mais louváveis num ser humano como lealdade, compaixão, inteligência...
Não tem. Uma pessoa bem humorada é a melhor companhia do mundo, mesmo que ela te passe a perna e te sacaneie.

"Que importa se ela lhe fizer de tolo.
Que importa se ela o arranhar?"
(João Bosco)

-Mãe, me leva no Simba Safado?
Simba Safado, Hahaha!
(dito por uma fofa de 2 anos)
Pelo menos você pode dizer que passou bons momentos ao lado da pessoa e liberou endorfinas para te sustentar por um bom tempo, até você encontrar outro alguém. Melhor do que lembrar da época cinza ao lado do cara bom e leal.
Bom, eu acho.

Mas peraí: não falo de uma tentativa frenética de ser o palhaço da festa e nem uma insensibilidade com o ambiente que não está receptivo à uma piada. Odeio gente sem noção que não percebe que está em descompasso com a platéia, trazendo um assunto sem eco, fora de lugar.


Resolvi fazer este post porque ando me encantando por pessoas bem humoradas. Tem um charme todo especial e tornam o nosso dia mais animado. Adoro pacientes bem humorados (existe! mesmo na pior das depressões), amigos bem humorados e comerciantes bem humorados. Torna o dia mais digerível e a existência algo válido.
E nos romances, dar risada depois de discutir a relação também não tem preço!

-Você disse "Miau", eu disse "Miau, miau!" e você gritou: "Não mude de assunto!!!!!!!" Hahahaha, foi muito engraçado!
(piada preferia dos meus filhos)

É claro que o humor fino, inteligente e sutil é sempre o melhor. Gente que usa poucas palavras para dizer muito e que sabe ser sarcástico e irônico sem menosprezar a inteligência alheia.
-Oi, esta semana vou na sua casa te visitar.-eu digo.
-Ah, legal, pode vir, e traga seu cachorro.
-......hum, você está falando sério ou tá brincando??
-Estou falando sério. Por quê brincaria?- diz, sorrindo. 
Aí ficamos olhando para a pessoa, aflitos por não captar a piada e envergonhados por sermos feitos de tontos. Odeio isso!! Odeio gente que usa o humor para humilhar os coitadinhos que não captaram a ironia da coisa.

Ah, e não tenho nada contra o politicamente incorreto, mas o excesso de humor chulo também é chato. Aqui no blog nunca fiz piada de mau gosto e passo longos minutos escolhendo as fotos para não colocar imagens de pessoas em situações humilhantes. Sabe aquelas fotos: "Salvem as baleias" com uma mulher gorda na praia? Então, não tem graça nenhuma.
O bom humor (nos dois sentidos) é aquele que coexiste com o respeito.
E Jô Soares conseguiu definir bem a lógica: a coisa é engraçada quando o outro acha graça. Se o outro não achou graça, pronto, a piada foi ruim.

Ah, e tem também os que chutam alto demais!!! Os muito cultos, viajados e inteligentes as vezes fazem piadas tão boas, mas tão boas que não são compreendidos. Conheço alguns assim.Tadinhos.Precisam de platéias mais espertas, o que é raro em alguns ambientes. Aí o seu humor sofisticado fica incompreedido no meio da gentalha. Tipo pérolas aos porcos, tipo cogumelos em estrogonofe para crianças, hahahaha, sempre terminam na beirada do prato.
Por isso digo que, no humor, sensibilidade é tudo.
E conhecer a platéia é sempre um bom começo.

Boa Platéia
Mas ser uma boa platéia é também ser, além de inteligente, bem humorado. Podemos ser passivos ou ativos, quando lidamos com a graça da vida. Não há restrições e nem preconceitos ao bom humor.
Ativo é o humorista. Passivo é o cara que ouve e... acha graça.
Isso é raro! Raro prá caramba!!
Ainda não sei se sou ativa ou passsiva. Acho que em termos de humor sou transgênera!! Tenho atração por gente engraçada, mas também sinto um enorme prazer em dar o troco. Sou boa mesmo no frescobol: o povo manda e eu costumo retrucar à altura.
Mas, além disso, definitivamente sou uma platéia que se contenta com pouco. Não gosto de refletir e filosofar em cima de piadas, procurar algo nas entrelinhas, indiretas onde não houve nenhuma intenção, maldade onde não existe nada. Porque se fizermos isso, tudo vira polêmica, tudo vira assunto para discussão e uma frase que era para ser fugaz acaba virando perene, documentada nas primeiras páginas da Veja ou da Época.
Rafinha Bastos é especialista nisso. Acho o cara um babaca, mas ele, definitivamente, não merecia a polêmica em torno de suas frases. Chato demais...

Tenho pena das pessoas sérias que acham que piada tem que ser igual a elas.

Homem Sério do
Pequeno Príncipe
"Mas ele não é um homem, é um cogumelo"
Não gostou da piada? Não entendeu?? Não aplauda, não compartilhe, mas não precisa levantar bandeira em cima de tudo, ok? Não seja xiita com o humor porque radicalismo e diversão não combinam.

Tenho uma empregada nova que tem mil defeitos, mas me conquistou pelo humor. Ri de tudo e se diverte com pouco. Olho para ela todos os dias com deslumbre, admiração e respeito. Não é uma bem humorada ativa, mas é uma excelente passiva, uma companheira ideal para reafirmar nossa auto estima quando nos sentimos azedos. Faz a festa da criançada aqui de casa que se sente valorizada com a sua escuta sempre amorosa e alegre.
E não tem vidro limpo que compense uma funcionária assim.

Humor, ativo ou passivo, é a forma mais genuína de melhorar o mundo.
É a melhor maneira de fazer o bem ao próximo. Os Doutores da Alegria, Hospitalhaços e afins conhecem esta verdade.

"(...)Tenho um amigo meu
que faz coisas engraçadas.
Faz caretas divertidas
e sabe contar piadas.
Eu também quero fazer
as pessoas rirem assim
porque esse meu amigo
sabe fazer bem prá mim.

Acho bacana essa coisa
de deixar tudo melhor
só deixando que o riso
leve embora o que é pior.
Minha mãe um dia disse
que isso chama bom humor.
Mas eu acho que prá mim
se parece mais com amor.
(Claudia Só Para Baixinhos II)





PS: Este post, contraditoriamente, não é para ser engraçado. É apenas um louvor às pessoas que me fazem rir.






segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Claudia Só Para Baixinhos I (versão kids do "coisas que eu odeio")

  • Odeio gente que sempre que vê o pé gordinho de um neném lança: "Ahhhhh, que coisa mais gostosa, parece um pãozinho!".
Uma das coisas mais irritantes na infância é o tal do pé que parece um... pão. Isto é ultrajante tanto para o pé, que passa vergonha por ser gordo e branquelo, quanto para o pão que é comparado ao dito cujo cheio de dedinhos.
E, prá piorar, há que diga que dá vontade de morder. Bah.
Isso sem falar no povo sem noção que diz que tem desejo de mordiscar bochechas

Visita do tio no imaginário infantil:
-Ai que delícia essa bochehca! Dá vontade de morder.
  • Outra coisa que me irrita (imagina o tanto que deve irritar os pequenos!) é o povo que quando vê uma criança caindo já grita: "Pulou!!!!!! Pulou!".Um dia disseram isso para o meu filho e ele, chorando, respondeu bravo:
          -Não pulei não. Eu cai mesmo.
          E eu pensei: Chuuuupa!

-Pulou o cara...o!
O joelho ralado, a cabeça toda machucada e o adulto querendo convencê-lo de que aquilo foi um... pulo.
É um péssimo consolo. E além de tudo menospreza a dor e a vergonha do moleque.
Queria ver se a coisa fosse ao contrário, se olhássemos um velhinho caindo da escada no shopping e gritássemos: "Pulou!!!!".
Ia ser bem sacana.
E eu ainda poderia fazer uma piadinha dizendo que o galo da cabeça irá acordá-lo amanhã bem cedo...


  • Outra coisa chata é o povo que amassa a bochecha da criança e pede para ela dizer: Peixinho. Chato!!!! Porque peixinho? Nunca entendi as pessoas que que acham graça genuína nisso.

E a amiguinha lula sacode seus tentáculos e diz:
- Peixinho??Não tem a menor graxa! no meio da sua própria tinta.
PS: Só quem já viu Nemo mil vezes sabe do que estou falando. Ótima tradução!

  • E nas refeições? Quando a criança pede um outro prato para a sobremesa ou exige que tudo venha geometricamente separado no prato (toda criança sofre de algum grau de TOC! hahaha), e o adulto fala: "Ah, que bobagem, vai misturar tudo lá dentro mesmo!!!!". 
Ok, ok, é verdade, eu sei, mas ninguém precisava lembrar disso na mesa, exatamente no momento em que a gelatina vermelha desce pelo esôfago e encontra o feijão morno e o bife mastigado. É o tipo de cena que é melhor ser deixada no ostracismo.


  • Odeio também a idéia de que criança tem que ouvir músicas chatas e alegrinhas. Aonde fica o espaço para elaborar tristezas com Xuxa só para Baixinhos 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10 e 11 tocando sem parar? Alegria é legal, eu sei, mas em excesso fica quase ofensivo! E tem também o povo cabeça que repete exaustivamente Palavra Cantada e Cia Ltda.
PS: Nada contra Xuxa SPB (não mesmo!) nem contra o fofo Palavra Cantada, mas não é porque a música se chama "infantil" que a gente tem que levar tão a sério e tocá-la exclusivamente na pré escola.
Trabalhei um tempo numa escola infantil e me logo no primeiro ano me rebelei contra a trilha sonora do recreio. Passei a levar MPB, Ópera (amavam!!!), jazz e rock.
Sucesso absoluto.


  • E também não entendo a capacidade da infância de atrair superstições: comer bolo quente dá dor de barriga, correr em volta da mesa não presta (hahahaha, "não presta" significa o quê?), dormir com a porta aberta do armário não é bom, andar de pé no chão e tomar gelado dá gripe (é mito!!!!!!! juro!!!), sair no vento dá dor de ouvido, colocar pluma na testa pára o soluço. E os moleques tem que se submeter a isso cegamente, desperdiçando a infância com bobagens sem nem terem a chance de questionar a razão de tamanha imbecilidade. 
Na minha cidade tem uma ótima: torcer roupa de neném dá cólica. Putz.
E uma conhecida minha outro dia falou:
-Isso de torcer a roupa do bebê é uma bobagem...
E quando eu estava começando a me orgulhar do lampejo de racionalidade da moça, ela me completa a frase:
- ...ninguém precisa torcer roupa de neném! É só amassar com as mãos que num minutinho já seca.
E a minha vontade era de gritar: isso não vem ao caso!!!!!!!!!


HOMEM DO SACO
  • E as mães que não conseguem dar bronca nos filhos e terceirizam a coisa, dizendo que o guarda, o homem do saco ou, pior, o PAI vai chegar e vai ficar bravo?
Acho isso o fim da picada!
As mães não tem coragem de afirmar que ELAS estão furiosas e aí ficam depositando a sua ira em outras pessoas, em geral inocentes.
-Olha, seu pai vai chegar e vai te dar uma surra!
Tadinho do pai.
Daí ele chega cansado do trabalho, louco de saudade do filho e o moleque tá morrendo de medo dele, sem que ele consiga imaginar o porquê.
Quando fui psicóloga na oncologia infantil, certa vez presenciei a cena de uma colega de trabalho convencendo uma criança que não queria se submeter a um teste psicológico.
A menina fazia birra e ela perdeu a paciência e decidiu terceirizar a sua raiva:
-Olha... acho melhor você fazer rápido porque o médico tá vindo e ele vai te dar uma injeção!!!!

Juro.
E vale lembrar que éramos contratadas para melhorar a qualidade de vida das crianças e otimizar a relação desgastada delas com a equipe devido às mil e uma intervenções dolorosas às quais elas eram diarimente submetidas. 

Imagem de médico que deveríamos passar para
as crianças hospitalizadas.
Imagem de médico que a minha parceira passava para uma criança com câncer.










sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Ônibus

Na vida tudo é passageiro...
menos o cobrador e o motorista.

Depois de anos me iludindo com o dito popular, hoje eu cheguei à conclusão de que essa frase é sacana. A idéia de que tudo passa é algo que nunca poderia ser ensinado para as crianças, já que incentiva algo perigoso na raça humana: a esperança de mudança.
O papo no maternal devia ser assim:
-Não, meu filho, tem coisas ruins que nunca passam. Algumas perdas são para sempre e algumas dores são eternas. Nem tudo passa, meu anjinho. Contente-se então com o que sobra, tá bom?

Caxumba passa, amizades se refazem, machucados cicatrizam, a bronca dos pais um dia termina, o drama vivido por uma adolescente grávida passa e o trauma de repetir de ano na escola é esquecido.
Até aí é tranquilo (depois!!! porque na hora é um inferno).

Mas tem coisas que não passam e as crianças precisam entender isso. Fazer uma tatuagem é para sempre, amputar um membro é para sempre e ter um filho é para sempre, mesmo que ele morra depois. Aliás, principalmente se ele morrer: a dor é eterna e profunda.
Tem também amores que não passam e são acompanhados do difícil aprendizado de ter que lidar com a ausência (já falei sobre isso aqui post: Amor 90% Poliéster).Tem inseguranças que nunca somem e tem, obviamente, as doenças crônicas que não tem cura.

Bingo!! E é aí que eu queria chegar. Minha eterna doença. E agora com vocês, a Ilma. Sra. Esclerose Múltipla!!!
"Chega de tentar dissimular e disfarçar e esconder
O que não dá mais pra ocultar e eu não posso mais calar
Já que o brilho desse olhar foi traidor
E entregou o que você tentou conter
O que você não quis desabafar e me cortou."
(Gonzaguinha)

Cansei de tentar ser muito mais do que um diagnóstico. Um diagnóstico eterno não dá para ser ignorado ad eternum.
Vamos lá, coração: pode explodir!

Bobagem
Hoje eu acordei cansada das coisas que não tem solução e nem perspectiva de melhora.
Mas como não posso desmentir a sabedoria popular assim, descaradamente, preciso encaixar a tal doença nas exceções.

Bom, já que meu problema, definitivamente, não é passageiro, preciso então escolher se quero fazer dele um cobrador ou um motorista.

Hum, ok, vamos analisar as duas opções:
Vejamos, o que temos aqui...

Não, o cobrador não me atrai. Ficar exigindo algo em troca do trajeto é aborrecido, e corre-se o risco de ser cruel com as pessoas que não tem muito a oferecer, como esperteza, malícia ou mesmo uma reles bondade no coração.
Vocês não odeiam gente que joga na nossa cara que fizemos escolhas erradas? Que nos esforçamos pouco? Que não acreditamos nas dicas de saúde do Globo Repórter? Que não prestamos atenção nas placas de perigo??
Eu odeio.
E não desejo ter um desses cobradores sentado no meu ombro me dizendo que eu podia ter feito melhor ou diferente. Imagina se fose uma doença de inteira responsabilidade minha como uma AIDS pega por uma mancada, uma câncer de pulmão por fumo ou uma cirrose hepática por excesso de bebida? Imagina que drama: além da coisa não ser passageira ela pode ainda se transformar num cobrador.
Chato demais.
E prá piorar tem o povo esotérico que, diante de doenças e acontecimentos onde não há culpa envolvida, insistem em acreditar que atraimos o fato com os nossos atos e pensamentos.
Tá bom, eu admito: eu acredito um pouco nisso. Mas acho que a coisa tem que ter um limite. Prefiro pensar assim: se for algo legal como um prêmio ou uma boa notícia, eu acredito que conquistei a benção para mim sendo uma pessoa positiva e generosa.
Se for uma desgraça? Ah, nesse caso é pura fatalidade, também conhecida como azar. O famoso Shit Happens.
Hahahah, minha crença na lei da atração é totalmente unilateral.

Historinha Ilustrativa do Cobrador:
Uma amiga foi assaltada duas vezes seguidas na mesma semana. Carro, casa e bolsa foram brutalmente surrupiados num intervalo de dois dias. Ela ficou chocada com os fatos e levou detalhes para a terapia na esperança de achar, nas entrelinhas da sua vida, onde é que estava o convite que ELA havia dado para os ladrões invadirem assim as suas propriedades.
E eu fiquei brava:
-Caramba, você mora em São Paulo! Hello!!!! Não venha me convencer que o seu pensamento convidou os bandidos para sacanearem a sua vida. A violência urbana não precisa da ajuda do seu querido incosciente para dizer a que veio. E, além de tudo, não seja pretensiosa!!! Suas vibrações não são assim tão poderosas. Menos, por favor.
Ela então sorriu, aliviada por eu ter demitido o seu cobrador tirano.

Dane-se o cobrador!!!
Resta então olhar com seriedade para a outra opção.
Gosto de pensar que os problemas que não são passageiros viram  motoristas, guiando-nos pela vida de uma forma sempre inusitada. Um motorista criativo que precisa ajustar o GPS, inventar atalhos, conhecer umas quebradas e refazer o trajeto diante dos obstáculos. Um motorista alerta e prudente, sim, mas ousado o suficiente para entrar numa contra-mão em caso de extrema necessidade ou dar propina ao guarda para se livrar de um problema.

E a doença crônica e incurável é assim. Aliás todo acontecimento brutal e traumático é assim. Muda a rotina, muda a nossa visão de futuro e de vida, muda as nossas prioridades (puxa, parecem aqueles depoimentos do final das novelas do Manuel Carlos, rsrs), mas também sabe muito bem fazer irregularidades vez ou outra.

Depoimentos emocionantes de final 
das novela do Maneco.
É fácil demais usar uma doença como moeda de troca para se dar bem. Ou usar uma desgraça para inspirar pena nas pessoas. Nem tudo são espinhos dentro da tragédia e não há nada de feio em afirmar isso.
Nós psicólogos chamamos isso de "ganhos secundários da doença", que são aprendidos desde muito cedo quando um garotinho percebe que, ao ficar com catapora, pode faltar na escola e ganhar paparicos da mãe.
Mas além de ganhar a atenção e a compaixão dos outros, existe a compaixão consigo mesmo, e esta é a mais importante.

É possível se dar bem quando viramos nossos melhores amigos e aprendemos a viver com menos cobranças, menos pressão e mais tolerância.
E deixar a sua doença "motorista" te guiar para uma vida mais leve é uma sabedoria boa que devia vir de brinde, junto com o diagnóstico.
Mas para mim veio muitos anos depois.

Eu vinha encarando a Esclerose Múltipla como um passageiro que (engraçado!) se esqueceu de descer no ponto certo!! Não acreditava que a tal doença incurável era incurável mesmo.
Podem chamar isso de negação, mas talvez fosse apenas uma maneira possível e sábia de olhar para a coisa.
Eu jurava que continuaria para sempre sendo a mesma. Sendo "normal".
Esta semana a máscara caiu e doeu bastante.

Mas, agora eu decidi deixar minha doença incurável ser uma motorista ousada, aventureira, cheia de adrenalina, mas amorosa e boa, sempre me guiando para lugares seguros. Ela sabe que precisa olhar o poste e que, infelizmente, ele não é de borracha!!
Ou seja, minha doença esta semana saiu do banco de passageiros e se transformou em:
Sandra Bullock
Vocês já assitiram a este filme? Eu não, hahaha.
Não vi mesmo, juro!
Por isso não vejo a hora de conhecer meu novo percurso. Só sei que o ônibus não tem freio, que não se pode pará-lo, que muita coisa será destruida pelo caminho, mas que o final, com certeza, será sereno e feliz. E levando em conta que estamos falando de Hollywood, certamente haverá uma piadinha e um romance para quebrar a tensão.

Puxa, que viagem mais emocionante essa...










segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Hello=IN , Saci-OUT

A polêmica do dia de hoje é a disputa pela atenção das crianças.
De um lado o Halloween, traduzido aqui como "Dia das Bruxas" e comemorado apenas entre as crianças mais ricas e/ou cujos pais tenham conhecimento acerca da famosa festa da gringolândia. Do outro lado do ringue, o inusitado Dia do Saci, curiosamente comemorado no mesmo dia devido a uma incrível coincidência.

E aí? Qual é a preferência da garotada? Conde Drácula ou Saci?
O Vampiro, claro!
E a derrota do Saci pode ser encarada de vários ângulos. Tudo pode ser interpretado de uma forma maluca quando se tem um pouco de criatividade e paranóia.
Ela pode ser transformada numa briga de classes (um moleque que mora num bambú contra um conde que mora num castelo), uma questão puramente racial (o muito branco contra o muito preto) ou ainda pode ser reduzida aos dois grupos extremistas e chatos onde um diz que tudo que vem vem de fora é legal e o outro (ainda mais chato) tenta valorizar a qualquer custo a cultura local.

Levando em conta que Jung um dia me fez acreditar no inconsciente coletivo como uma verdade incontestável, digo aqui que não existe nacionalidade para uma lenda. Frankenstein, Boi Tatá, Bicho Papão, Monstro do Lago Ness, tudo está jogado no mundo para ser vivenciado da melhor (ou pior) maneira possível por todas as criancinhas do mundo.
É um presente do universo simbólico para qualquer mente fértil e medrosa.
Ok? Entenderam? Não existe isso de autoria de monstros e lendas. O que existe, na minha opinião, é o sucesso que a coisa faz  na cabeça do público.

Aí entramos em um outro assunto: a Disney modifica e censura algumas importantes passagens das histórias clássicas que ela tão lindamente adapta para os seus filmes. E, por ser americana e rica, sempre foi recriminada por isso. Pobre Disney.
Uma tentativa estilosa de tornar o
Saci um pouco menos babaca.
Mas vale lembrar que Monteiro Lobato e o diretor Geraldo Casé também fizeram isso com o nosso amigo Saci Pererê no Sítio do Pica-Pau Amarelo, tirando dele toda a insanidade da sua personalidade borderline.
O Saci do Sítio é insosso e pouco atrevido. A única coisa legal nele era a estranha amizade com a Cuca. Emília, sim, era bacana demais!!! Ultra inteligente, pernóstica, metida e maldosa na medida certa.
E Ziraldo, prá piorar, acabou e vez com imagem do menino fazendo a péssima Turma do Pererê.
Saindo do folclore e voltando aos monstros europeus, Maurício de Souza também faz um desserviço ao medo desmistificando a coisa com a turminha do Penadinho (que eu particularmente odeio), deixando todos fofos e engraçadinhos.





Bom, a tentativa de amortecer a tragédia para que as crianças façam uma leitura mais amena do submundo da vida é compreensível. Uma tentativa amorosa (embora frustrada) de poupar nossos filhos do drama.
Nada de errado com isso.
Mas desta forma, o Sítio do Pica-Pau Amarelo deixou na minha mente infante uma idéia equivocada do Saci Pererê que, definitivamente, nunca instigará em mim sentimentos fortes e passionais.
Quer um trabalho bom que leva o Saci a sério? Histórias do Saci Pererê da Coleção Disquinho!!! MORRIA de medo do Saci e da história. link aqui


Coleção Disquinho: uma forma inteligente de juntar numa mesma história (engraçada e assustadora)
o Saci, Bruxas e Fantasmas.
Coleção Disquinho: pioneira no processo de inclusão de monstros e lendas.
Muito bom mesmo!
Tirando isso: Saci sucks. Uma festa para ele seria um fiasco.

Há algum tempo li sobre um clube de futebol xinfrim que tinha o Saci como mascote. Não achei o link da história, mas a questão é que o diretor do clube sugeriu que tirassem o negrinho do posto porque, segundo ele, um deficiente físico, fumante (ele não falou negro, mas deve ter pensado) não passa a imagem de um atleta de sucesso.
 
Este não é um atleta de sucesso.

Ai, ai, é incrível como existe gente que consegue dar foras homéricos em uma única frase.
E ainda tem um povo babaca que diz que o cachimbo do Saci remete ao crack e dá um exemplo ruim para as crianças. Bah...

Eu poderia brincar aqui pedindo para que o Halloween se torne então uma festa inclusivsa, exigindo que haja cotas para todas as minorias discriminadas: negros, deficientes físicos, fumantes e sem-teto. Saci teria grandes chances de entrar na brincadeira já que preenche muitos requisitos.
Se ele fosse gay, então, a coisa estaria garantida, hahaha.
.............
Bom, pensando bem, talvez ele seja.

Mas estas piadas são bobas e sem graça.

A verdade é que o Saci não tem apelo simbólico para as crianças, e bom é aquilo que a gente gosta.
Ponto final.
O Saci não tem um figurino atraente (aliás, não tem figuirino nenhum), não tem nada de assustador ou heróico e, prá piorar a coisa, ter que caminhar como ele dá um trabalho danado.
Já sei! Quer fazer um dia do Saci?? Obrigue as crianças a andarem com uma única perna por 24 hs, subindo escadas, andando de ônibus e frequentando a escola regular. Isso sim é um dia de Saci útil e inesquecível!

Mas não venham me convencer de que o moleque merece algo além do pouco que ele propõe. E não é por ele ser pobre, nem negro, nem fumante, nem deficiente e muito menos brasileiro.
Escrava Anastácia era quase tão igual a ele e já me tirou o sono por mil noites. Entre ela e as bruxas, fantasmas e vampiros, pode ter certeza que a pequena Anastácia amordaçada mexeu muito mais com os meus medos inconscientes.


E, além de tudo, desmerecer o reinado de Conde Drácula é ignorar a soberania absoluta do mal.

Não sejamos inocentes...







terça-feira, 25 de outubro de 2011

I WANT YOU!


Meu avô tem 90 anos e não tem email e nem celular, mas ninguém obriga ele a ter.
Meu sogro tem 60 anos e também não tem nenhuma das duas coisas, e todo mundo fica puto da vida com ele por causa disso!!! É um absurdo ele viajar de carro, sozinho, e ninguém conseguir acessá-lo na estrada simplesmente porque ele não tem celular. Os seus amigos dizem: "Dá o seu email para eu lhe mandar as nossas fotos.", mas o meu sogro sorri e diz que não tem.
E o povo fica chocado.
Bom, ele também não tem Facebook, mas ninguém exige isso dele.
Minha amiga tem 40 anos. Tem celular e email (claro!), mas não tem Facebook. E todo mundo fica bravo com ela por causa disso!

Conclusão:
  • Se você nasceu depois de 1901 você precisa, obrigatoriamente, ter certidão de nascimento.
  • Se você nasceu depois de 1921 você precisa ter telefone celular (de preferência também precisa saber usar e deixar carregado fora da gaveta!).
  • Se você nasceu depois de 1951 você precisa ter email. É uma exigência profissional e social e vc precisa cumprir.
  • E se você nasceu depois de 1961 você, obrigatoriamente, precisa ter Facebook.

Entenderam?
Não é uma questão de filosofia de vida. Não é uma questão de ter ou não ter tempo livre para a rede social.
Tem que ter e ponto final. Igual RG, igual CPF.
É de graça, não é difícil de abrir uma conta e não dói nada. Dica: se você tiver alguma dificuldade para entrar, peça ajuda para o seu sobrinho de 7 anos.

Mas é incrível como tem gente jovem que ainda não entendeu esta exigência moderna. Tenho 4 super amigas que não estão no Face e nunca nem entraram para ver como a coisa azul funciona.
Elas (engraçado isso!) não se sentem... obrigadas!!!! Acham que é uma escolha. Que elas tem todo o direito de se excluirem do movimento Facebuquístico.
E agora eu lhes digo:
-Não, este é um direito que vocês NÃO TEM, ouviram?
Quem mandou viver na atualidade?

Há uma festa sendo organizada neste exato momento entre 40 amigos meus que moram em cidades e até países diferentes. Pessoas da minha idade.
Metade da festa estava sendo organizada via email (chato!!!!!) e a outra metade via Facebook. O povo que não tinha Facebook (existe isso, eu conheço!) se sentiu excluido e reclamou. Exigiu que o email fosse a única forma de comunicação para que a coisa fosse compartilhada entre todos, democraticamente.
Bom, analisando a queixa deles posso dizer sem sombra de dúvida: eles estão errados e não podem reclamar.

Quem tem menos de 50 anos e não está no Facebook está em dívida com os seus parceiros de vida e não cumpre uma exigência da modernidade.
Email é uma forma de organização para excursões da terceira idade. Se bem que acho que até eles se ofenderiam ao me ouvir falando assim.


-Levanta a mão quem aí tem Facebook???

Ops, foi mal.

A geração que passou a infância ouvindo Balão Mágico e dançando música lenta nos bailinhos das garagens não pode mais organizar uma festa por email. Tem que criar um grupo privado no Facebook, inserir os convidados no grupo e, então, começar a troca de opiniões sobre data e local.
Tãããão mais fácil para os organizadores.

Fui este mês num evento familiar (enterro é evento? é, né?) onde revi pessoas queridas que eu não via há muito tempo. Na hora da despedida não houve troca de telefones e muito menos de email.
O papo agora é assim:
-Qual é o seu nome no Facebook? A sua foto tá no perfil? Ah, então tá, Claudinha, vai ser fácil te achar. Tchau querida.
E em menos de 1 hora já havia convites sendo feitos via rede para iniciarmos a amizade virtual.
Fácil demais.

Agora reparem bem: ninguém, em momento algum me perguntou:
-Claudia, você tem Facebook?
Pergunta estúpida! É claaaaaaaaaro que eu tenho Facebook já que tenho menos de 50 anos.
É uma informação que está subentendida.
Se perguntassem isso para mim eu poderia, inclusive, me sentir ofendida por alguém achar que eu tenho cara de velha.

-Como assim: "Você tem Facebook?"  ?
Hahahahahaha! 

E olha, esquece esse papo bobo de que o povo que tem 800 amigos no Facebook, às vezes, não tem nenhum amigo de verdade.
Nada de sentimentalismos, ok?
E nem venha também com a história de que você prefere conversar com os seus amigos ao vivo do que vê-los numa tela.
Ahhhhhh, jura????
Dãããããr.
Isso é óbvio.

Não é disso que se trata a coisa.
Facebook é um endereço pessoal como qualquer outro. Que nem celular, que nem email. É uma maneira de facilitar a vida das pessoas que precisam te achar ou que apenas (apenas?) gostam de você e sentem saudades.
E é claro que você não precisa gastar horas no negócio e nem se dar ao trabalho de ver todas as gracinhas e fotos dos seus amigos.
Não!
Deixe isso para quando você já estiver viciado na coisa, muáááááááááááá (risada macabra, levantando a cabeça e tremendo os dedinhos das mãos)

Ou seja:

"Rede social é que nem bunda. Todo mundo tem que ter, mas o que você vai fazer com ela é de responsabiliade inteira sua. Se você vai usar ela para joguinhos babacas, se vai abrir para um ex-namorado, se vai deixar qualquer um entrar... azar o seu!"

Hahaha, excelente a comparação (modéstia à parte)!

Mas é fundamental que você abra o seu Face de 3 em e dias, no mínimo, para responder as mensagens direcionadas à sua pessoa e aceitar as solicitações de amizades de gente que deseja entrar em contato com você.
Entenderam?

Ah, e vale lembrar: como sou psicóloga, tenho muitas colegas de profissão que não tem Facebook porque acham que não podem se expôr na web. Acreditam que perderiam a privacidade, o distanciamento profissional e comprometeriam a relação com os pacientes.
A estas pessoas eu digo: existe nos bastidores uma coisa chamada restrição aos "não amigos".
Fácil demais.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Campanha pró-constrangimento

"Vaca amarela
Caiu na panela
Quem falar primeiro
Come tudo a bosta dela".


E na sequência vinha loooongos minutos de silêncio e risadinhas contidas.

Hoje eu entendo que a parlenda para ser chocante e ameaçadora tinha que fazer referência a uma vaca AMARELA, senão nunca haveria silêncio por parte da molecada. Se a vaca fosse azul ou vermelha a coisa não daria certo.
Por quê?
Porque tudo que é nojento e indesejado neste mundo é amarelo.
OBS: Conheço também a versão com "pulou a janela" e "cagou na panela". De novo um esforço surreal para encaixar a cor amarela na história, forçando rimas malucas.


"(...) soltaste aquele pum no elevador
e todo mundo disse: Eu acho que foi ela!
E você se entregou mostrando sua mão amarela.

Adelaide!
Minha anã paraguaia
Adelaide, minha anã..."

(Inimigos do rei)

Hahaha, essa música é muito legal!

Quando somos covardes dizem que a gente "amarelou".
Espinha feia é amarela, catarro nojento é amarelo, língua absurdamente asquerosa é a amarela, cabelo mal cuidado se torna amarelo, dedo manchado de fumante fica amarelo e horrível (e o bigode também) e hematoma se torna insuportavelmente feio quando muda do roxo para o amarelo. Dá um desprazer danado em olhar.
Sem falar na cor das fezes mais feias do mundo!

Quando os Beatles diziam que "We all live in a yellow submarine" era apenas uma maneira psicodélica deles concluirem que estamos todos na mesma merda.

"No domingo depois do almoço,
no fundo da pança um bom macarrão.
As pessoas vão pro sub,
no fundo do mar a digestão.
Digerir no sub,
Digerir no sub,
marino amarelo"
(Os Mulheres Negras)



E, prá terminar a sessão escatológica: o xixi do César Cielo é amarelo.
Claro.
O meu também.
Mas outro dia ele declarou que faz xixi na piscina quase todos os dias, e isso é nojento demais!!
Eu nunca fiz xixi na piscina e, acreditem, nem no mar.
Sim, sou mesmo uma lady, hahaha.
Mas é que nunca precisei ficar 5 horas seguidas nadando numa piscina olímpica sem poder sair para usar o banheiro. O atleta não tem outra alternativa a não ser fazer lá dentro. Óbvio.

Ivete Sangalo também disse que faz xixi no trio elétrico. Toma litros de água de coco e fica a madrugada inteira pulando no caminhão. Aí é claro que o xixi escapa mesmo, coitada. Além do mico ela deve ficar assada e dolorida! E não dá para parar porque a galera paga muito caro num abadá para ela se dar ao luxo de descer do caminhão para fazer o seu xixizinho.



"Ohhhh, fricote, eu fiz xixi.
Fricote, eu fiz xixi
na Música Popular Brasileira
(Rita Lee e Paulo Coelho)


Ok, Cielo e Ivete estão perdoados.
O resto não!!!!

Eu fiquei adulta sem nunca saber a verdade acerca do famoso líquido jogado na piscina que deixa um círculo cor de rosa em torno da pessoa que faz xixi na água.
Quando eu era pequena todo mundo morria de medo da tal armadilha para crianças mijonas, mas nunca ninguém viu a coisa realmente funcionar. Era praticamente uma lenda urbana, como a loira do banheiro ou os discos que falavam coisas demoníacas se fossem ouvidos de trás prá frente. Sempre acontecia com um amigo do primo do vizinho, mas nunca com ninguém próximo.
Porém, há pouco tempo eu li que o tal líquido existe sim, mas nunca pôde ser usado porque iria constranger os usuários da piscina.
Hãããããã????????? E aonde está o problema nisso???

-Não devemos flagrar os pedófilos porque eles podem ficar envergonhados.
-Não podemos filmar os policiais corruptos porque eles poderão ser demitidos por justa causa.

Agora respondam:
Quem na foto acima está com cara
de que está mijando na água?
Hahaha, não é exatamente esta a intenção de um flagra?
Se sentir constrangido numa piscina lotada não é uma punição perfeita para um xixi fora do lugar??
Nada como uma bela humilhada para fazer as pessoas repensarem os seus atos numa próxima vez.
Mas não, os direitos humanos pelo visto também já chegaram também na defesa das porquices em lugares públicos.
Hoje pesquisei e descobri que os mijões podem, sim, processar o clube por danos morais caso o líquido mágico os acuse.
Juro! (juro que é verdade e... pior...juro que eu gastei tempo pesquisando isso!)

Bom, mas o problema maior de César Cielo é que, além de fazer xixi na psicina, ele tem também uma superstição maluca para vencer a corrida. Eu vi com meus próprios olhos, ao vivo, semana passada no Pan! Antes de entrar na piscina o rapaz pega com a mão um gole da água e... bebe. Levando em conta que todos os outros nadadores profissionais também devem mijar durante os treinos, a concentração de urina numa piscina de elite é altíssima.
Que nojo!
E o pior é que a urinoterapia fez ele ganhar o ouro.

"César Cielo,
mijou amarelo.
Quem quiser chegar primeiro
bebe todo o mijo do belo."

E Cielo é mesmo tão belo, tão belo que eu até deixaria ele fazer xixi... esquece, deixa prá lá.
Bom, com exceção dos atletas, eu imploro:
Por favor parem de urinar na piscina, ok? É absolutamente nojento e egoísta.

E agora dane-se o tal constrangimento.

 Quem desobedecer a regra está com o pé amarelo.



Valendo!!!!!!!!!




PS: É óbvio que eu, nadadora amadora (porém fiel), tenho uma razão pessoal para postar isso aqui!