Já faz mais de um ano que eu quero escrever aqui no blog sobre adoção, mas o que eu desejava escrever ia causar polêmica.
E eu ia dizer que acredito que, estatisticamente, as crianças adotadas dão mais trabalho do que as outras.
Quando eu falo "estatisticamente" é porque tem umas que não dão trabalho nenhum, e, por outro lado, têm filhos biológicos que dão um trabalho do caramba. Mas é fato de que existe uma grande incidência de crianças adotadas sendo atendidas por psicólogos mundo afora.
Uhhhhhh, que polêmica!! Todo mundo, no fundo, sabe dessa história, mas ninguém ousa dizer porque é demasiadamente incorreto.
Não escrevi sobre a minha constatação porque iam tecer comentários revoltados e eu não teria embasamento teórico nenhum para explicar o meu ponto de vista. Não existem pesquisas consistentes explicando o porquê dessa alta incidência de abacaxis psíquicos entre as crianças adotadas. Alguns psiquiatras e psicanalistas já teceram hipóteses sobre o mistério (a maldição da genética desconhecida; o "filho que eu quis ter para ser uma boa pessoa, mas no fundo eu não desejava"; o não reconhecimento familiar na criança adotada), mas ninguém nunca chegou a certezas. Gustavo Ioschpe deveria passar uns anos estudando o assunto e montando planilhas para, finalmente, desmistificar a adoção.
Bom, com tudo isso, o povo anda com medo de adotar. O que é estranho, porque a adoção existe desde que o mundo é mundo, e não só entre os humanos, mas em toda a natureza. Animais adotam, as plantas adotam!! Soa como algo instintivo e natural. E as crias adotadas não costumavam dar trabalho, mas, ultimamente, criou-se uma praga chamada "tabu" e aí a adoção, antes óbvia, virou um drama.
Mas hoje eu estou escrevendo aqui porque descobri algo incrível. Prestem bastante atenção. Ninguém tem que adotar. Quem quiser um filho em casa simplesmente "pega prá criar".
A diferença? Muita! Vou explicar:
Stuart foi adotado. Vivia num orfanato, mas foi escolhido por uma família que o desejava e, juntos, passaram por toda a burocracia do processo. Aí o povo passou a dizer que agora ele era um membro da família Little. O menino de óculos dizia que não, que ele era um rato, e que ele queria um irmão "normal", mas os pais ficavam bravos e dizia que ele era, sim, um menino igualzinho a ele.
E o filme, que deveria ser fofo, para mim chega a ser macabro e triste.Vocês não percebiam algo esquizofrenizante na família Little?? O sorriso da Geena Davis não os assutava? Uma alegria forçada, uma negação absurda...
Pois é. Já atendi muitas famílias de crianças adotadas exatamente assim. Uma negação total da realidade. E a minha hipótese é que esse jogo de enganação é prejudicial à criança: "eu finjo que sou sua mãe e você finge que é meu filho". E ninguém nunca, jamais, poderá dizer que o rei está nú.
Adotar uma criança desta forma é realmente um problemão.
Mas aqui vai a solução: uma sabedoria dos antigos resolve todo o problema. Tira o medo dos pais desejosos de um filho e dá um lar às milhares de crianças abandonadas.
Antigamente existia algo bem mais simples do que a adoção. Antigamente, como os bichos, você "pegava prá criar".
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-Que lindos! Gêmeos! São seus filhos? -Não, peguei prá criar. |
Muitas pessoas acima de 50 ou 60 anos tem irmãos de criação que, vejam bem: "moravam na nossa casa, mas NÃO ERAM nossos irmãos."
A mãe passeava com a criança de 5 anos a tiracolo e o povo perguntava:
-Que menina bonita. É a sua filha?
E a resposta era algo do tipo:
-Não, não é minha filha, eu peguei prá criar. O pai bebia, matou a mãe, e ela ficou sendo criada por uma irmãzinha de 8 anos, mas que não tinha juízo. Comia toda a papinha da neném e deixava a menina chorando de fome. Aí eu levei prá casa. Era só pele e osso e nem sorria. Em um mês ela engordou dois quilos, tadinha. É muito boazinha, já ajuda em casa e até me chama de mãe.
Preto no branco. Simples assim.
E tem gente que ainda não sabe como contar para o filho que ele é adotado!! Pffffff.
E a criança crescia na família sabendo de cor e salteado a sua origem, a sua história, e sabendo bem a diferença entre ela e os resto dos irmãos.
E... tudo bem!! Costumo perceber que, na grande maioria das vezes, só existe gratidão, respeito e amor nessas relações. Conheço muita gente que tem irmãos de criação e sempre deixam bem claro a diferença: "Olha Claudia, deixa eu te apresentar: essa é a minha irmã de criação. Mamãe pegou ela com 3 anos e ela viveu lá em casa até casar. Mas a gente gosta dela igual."
Aqui na roça isso é muito comum e não vem acompanhado de sofrimento algum. Muito comum o povo antigo falar: tive 5 filhos e criei outros 2.
E, dentro desta minha teoria maluca, a diferença é:
E, dentro desta minha teoria maluca, a diferença é:
- Quando uma criança é adotada ela é considerada filho, mas age como se não fosse.
- Quando uma criança é "pega prá criar" ela não é considerada filho, mas age como se fosse.
Sim, eu sei que a raça humana burocratizou a coisa e, hoje em dia, existe uma instituição chamada Fórum que traz instrumentos de pressão e cobrança chamados: Assistência Social, tutor legal, guarda provisória e guarda definitiva. E sei que isso estressa prá caramba! Mas encare a criança como se você estivesse, amorosamente, "pegando prá criar" e não se preocupe com a papelada burocrática.
Só assine.
Fica mais fácil, mais óbvio e mais natural. Como o Balú!
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-Puxa Balú que bonitinho! -Pois é. Achei por aí. Peguei prá criar e cortei o cabelinho chanel. O que você achou? |
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-Uau, Jane, já nasceu? -Não, seu bobo, essa aqui eu peguei prá criar. |
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-Linda família, Sr. Tanner. Este peludo também é seu filho? -Não, a gente pegou prá criar. -Mas... mas... o nariz dele é A CARA do seu pênis! -Hahaha, nossa querido, é mesmo!!! Vamos pedir um DNA. |