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sábado, 16 de abril de 2011

Espero, logo leio.

Um dia fui numa médica conceituada, que cobrava MUUUITO por uma consulta.
Fiquei 5 horas na sala de espera, sofrendo com a TV ligada sem volume (porque fazem isso???) e revistas de laboratório médico para ler.
Não queria ser avaliada e nem diagnosticada. Isso eu já tinha feito com outros médicos. Precisava só que ela me medicasse.
Depois da consulta rápida ela disse que me ligaria para falar da medicação. Um mês se passou e ela ainda não tinha me ligado. Eu estava doente, precisando urgentemente de remédio, de preferência na veia!
Eu então pedi meu dinheiro de volta. Ela achou ruim, mas devolveu.
Juro por Deus que se eu tivesse me divertido na sala de espera eu não teria chiado tanto. Mas a sala de espera já é um prenúncio do tratamento que você terá dentro do consultório médico.

Por isso o assunto do post de hoje é:
Diga-me o que tem para ler na sua sala de espera e eu te direi que profissional tu és.

Minha terapeuta assinava "Casa Claudia" e tinha livros chiques de arte para a gente folhear.
Eu amava. Chegava até mais cedo para ver as novidades do mês no quesito decoração. É óbvio que a minha psicóloga era elegante e chique. E a casa dela devia ser linda!! (hahahah, sempre fantasiei isso a respeito dela).
Depois de 5 anos, milagrosamente, eu tive alta.
Fiquei mal, como se tivessem tirado um pedaço de mim. Claro que senti falta da minha querida psicóloga, mas o pior foi que materializei a falta dela na revista e entrei em crise de abstinência da "Casa Claudia". Tive que assinar ela por dois anos para me acostumar com a distância.
Eu mesma chamaria isso de "objeto de transição",
Hahahah, esses psicólogos são todos doidos.
E o pior é que a revista tem o meu nome, dá margem para mil interpretações...

Anna Freud, Jung, Freud e o divã,
hahaha, bom jogo para uma sala de espera!
Uma outra psicóloga que me dava supervisão tinha algo incrível em sua sala de espera: uma mesa gigante com um quebra-cabeça de 5 mil peças para o povo ir montando.
Cada um que sentava ali encaixava algumas peças e a imagem ia sendo lentamente montada a muitas mãos, curiosas e desconhecidas. Adorava ver a evolução do projeto no decorrer das semanas.
E além do quebra-cabeças ela oferecia Resta 1, desafios de encaixes, dama, jogos chiques e estilosos.
Ela dizia que antes de entrar em terapia a pessoa deve organizar o pensamento, se concentrar. Ler revistas tira o foco do assunto que deverá ser tratado na sessão.
Concordo com ela. Adorei o seu raciocínio.


Um médico meu tinha só revista "Vip" na sala de espera. Só!!!! É uma revista masculina e muito instrutiva. Traz, por exemplo, dicas quentes sobre arte na cidade de São Paulo:
"No segundo andar do Masp, perto do bebedouro, tem um canto ideal para você dar uma rapidinha com sua gata."
"No Museu do Ipiranga tem uma saída de emergência perfeita. Vá de manhã, numa terça-feira, dia de menos movimento"
É claro que eu me divertia com a literatura tão exótica e inatingível para nós mulheres, leitoras tolinhas de novidades sobre a roupa ideal para um primeiro encontro e maquiagem para o verão. Mal sabemos nós as intenções do cara no primeiro encontro marcado no museu.
Hahahaha, e a gente crente que o cara é intelectual.
Eu ia muito neste médico, por isso passei a saber de cor e salteado toda a lista das mulheres mais sexys do mundo.
Scheila Carvalho ganhou tantos anos seguidos que saiu da competição. Era ò concur!
Uma vez comentaram comigo que o cara devia ser safado porque as revistas, na verdade, eram dele. Ele devia ser o doido que assinava aquilo.
Será? Poxa, um médico tão ético, tão sério, tão atencioso.
Um dia descobri: ele era safado mesmo. Bingo!

Minha obstetra tinha uma montanha de "Veja" velha na sala de espera. Foi um sofrimento ficar 9 meses relendo notícias de 4 anos atrás!
Quando meu filho nasceu dei para ela de presente uma assinatura da revista "Crescer".
Sim, existem UNIMEDs que proibem terminantemente o médico de cobrar por fora para fazer o nosso parto!!!! Aí a gente fica feliz, agradecida, e sentimos até vontade de gastar uma grana dando um presentinho.
Fica a dica: ótimo presente para um obstetra. Sucesso garantido! Melhor que vinhos, cestas de guloseimas e folheados a ouro.
Ela me ligou agradecendo, feliz da vida e impressionada em como as pacientes dela estavam AMANDO a novidade no consultório.
Ah... Jura??? Hello!!! Grávidas = revista sobre bebê e parto!!!
Claro que tem tudo a ver! Incrível como ela não tinha pensado nisso antes.
Um dia descobri: ela mesma não tinha filhos e nem era casada. Ou seja, não entendia nada sobre a necessidade de decorar um quartinho de bebê e nem precisava de dicas para compreender um marido enciumado.

Este mês fiquei 2 horas num consultório médico bem tradicional. Revistas oferecidas: "Caras" e "Quem". Básico.
Depois de ver todas as sub-celeberidades nos camarotes do Carnaval e as mega-celebridades no tapete vermelho do Kodak Theatre eu fiquei enjoada de tantos rostos sorridentes.
O estranho de morar na roça é isso. A gente desacostuma com o excesso de estímulos visuais.
Fui, enjoada, devolver minha quinta revista quando achei uma coisa incrível na mesinha da sala de espera: uma Bíblia!!!
Lembrei do meu post polêmico sobre a Bíblia e decidi dar uma segunda chance ao best-seller. Andei recebendo dicas de onde eu deveria começar a ler para me acostumar com o tipo de leitura.
Novo Testamento
Livro de Mateus
Igual às pessoas que se iniciam na culinária japonesa e precisam começar com um sushi de "salmon skin", fritinho, ou um uramaki California com maionese. Os sashimis são um segundo passo. Ir direto nas ovas e nos polvos com ventosas é demais para as jovens almas ocidentais.
E o meu "California Roll" da Bíblia deveria ser o Novo Testamento, mais espcecificamente o Livro de Mateus.
Ah... com essa dica agora a leitura ia dar certo!!
Uai, por quê, não? Eu estava mesmo à toa.



E a coisa era uma árvore genealógica tão complexa, tão complicada, que me deu sono.
Na próxima consulta eu tento novamente, prometo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

I`m too sexy for my cat

Eu sempre digo que, para mim, não existe nada mais sexy do que alguém com uma boa auto-estima.
Quer coisa mais divertida do que conviver com um namorado que te diz: "Pode ir na festa com as suas amigas, morzinho, tenho certeza de que lá você não vai achar ninguém tão atraente quanto eu!" ?
Você vai na festa, dança, se diverte, volta feliz e concordando plenamente com o cara.
Delícia!
Quer ser sexy? Confie no seu taco! Mostre para o mundo que você vale muito a pena.
Simples assim.
Hahahaha, vou escrever um livro de auto-ajuda: "Como ser sexy e conquistar pessoas."

Mas não exagere!
Lembra desta música? Aí vai o vídeo:



É o melô da auto-estima tresloucada. No Youtube tem também o Marcos Mion tirando sarro dos detalhes (adoro o Mion, sorry!).
O cara do vídeo chega a ser engraçado de tão ególatra que é. Começa dizendo "I´m too sexy for my shirt!", e arranca a camiseta mostrando o peito bem torneado.
Tenho um amigo assim. Ele é tão orgulhoso do seu, literalmente, suado trabalho na academia que tira todas as fotos sem camisa.
Vai visitar o Corcovado? Tira a camiseta para a foto.
Vai andar de trenó no Pólo Norte? Tira a camiseta para a foto!!!
E a coisa é tão óbvia que ele aparece com a camiseta na mão!!! Hahahaha, não pode nem dizer que, coincidentemente, estava sem camisa naquele momento e, por isso, saiu assim nas fotos.
Não! A camiseta está na mão dele!!!
E posta todas as fotos na rede social, claro. Que graça tem conquistar um torso perfeito se ninguém admira?
E o melô do meu amigo é esse: "I´m too sexy for my shirt!", hahahaha, vou contar para ele.

Mas no fim da música, depois do cara dizer que ele é muito sexy para o chapéu, para NY, para o carro, para o gato e para a festa, o narcíso conclui que ele é... muito sexy! Tão sexy que nenhuma mulher merece algo tão sexy assim.
Fica sozinho, claro, mas feliz da vida!
Imagina que chato ser namorada de um homem desse?

Por outro lado, existe uma música que me incomoda desde a adolescência quando tive a curiosidade de conhecer a tradução dela.
Musiquinha deprimente! O cara não se incomoda em ser um nada. Qualquer coisa tá valendo, contanto que a moça não o abandone: "Eu quero ser a sombra do seu cachorro!!!!!!!!!!"
Tem TANTA gente boa que gravou essa música que eu nem consegui decidir qual artista teria a honra de entrar para o meu blog: Jacques Brel? Maysa? Carla Bruni? Nina Simone? Maria Gadú?
Bom, mas sei que todo mundo conhece a tal música e por isso deixo que vocês mesmo escolham o seu artista preferido.

Ne me quitte pas
Deixa que eu me torne
A sombra da tua sombra
A sombra da tua mão
A sombra do teu cachorro
Não me deixe
Não me deixe
Não me deixe
Não me deixe

Ah, pelo amor de Deus! Esse é o melô do cocô do cavalo do bandido.
Nada é pior do que ter pena, dó, de um parceiro. Pena e libido não combinam!
O que o cara queria com essa música? Queria ser aceito de volta??
Bah... ele decididamente cansou de ser sexy!!! E decidiu fundar uma banda na net! hehe.
Imagina que chato ser namorada de um homem desse?

Bom, mas então qual seria o meio termo? 
Não queremos alguém muito sexy para um gato e nem estamos dispostas a suportar alguém sendo a sombra do nosso cão. 
Ó dúvida??? Como exigir que um homem seja sexy na medida certa?
Fui pesquisar e achei a resposta.
Fácil demais!! Você não precisa nem jogar fora o gato e nem se arrastar ao lado do cão.
Você pode ser O cachorro !!!!!!!!!!!!!!


Quero ser o seu cachorro
(...)
Faça de mim o seu cachorro
E diga: - "Hey, vem me lamber"
Se começar a gritar
Vai me obrigar a morder
E só depois de satisfeita
Você me dá o que comer
Eu quero ser o seu cachorro.


Ser o cachorro da sua namorada é a resposta que a gente procurava!
Os pontinhos do começo da letra é porque ela era impublicável mesmo.
E a música de um grupo chamado "Nasi e os Irmãos do Blues" ( Nasi???? Tomara que não seja o mesmo... pobre Nasi!) é tão bacana, mas tão bacana que o som do vídeo dela está proibido no Youtube!!!

Sacanagem! 

Ilmo Sr. Youtube,
Preciso muito ensinar os rapazes a serem sexys na medida certa e, por isso, preciso que você deixe de zelar um pouco pela moral e os bons costumes do seu público e libere o som do vídeo "Quero ser o seu Cachorro" para mim.
Tenho certeza que a música é de ótima qualidade e merece ser ouvida.
Tudo bem? Pode ser?
Aguardo confirmação.


E depois de pensar muito no assunto, decidi que definitivamente eu sou MUITO sexy para o meu carro!!!
Não é pretensão! Qualquer um é sexy demais para o meu carro.
E como não penso em comprar um outro carro tão cedo, acho que o jeito, então, é ser um pouco menos sexy.
Ah... e também sou muito sexy para os meus sapatos velhos, para a minha cozinha, para as minhas roupas e, com certeza, para o meu cachorrinho vira-lata.
Hahahaha, tudo é relativo!!!
Sexy para Milão, NY e Japão (como o cara da música) eu nunca serei, mas MUITO sexy para Macaé, Betim e Guarulhos acho que fica mais fácil.
Ufa, também cansei de ser sexy.
Vou me arrastar atrás do meu cachorro para ver se eu melhoro um pouco.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os remédios e as razões psiquiátricas


Fluoxetina, Sertralina, Venlafaxina, Amitriptilina,
Tupac, Rivotril, Diazepam,
Frontal, Lexotan, Exodus, Pondera, Orap. 
"E o pulso ainda pulsa.
E o corpo ainda é pouco."
(Arnaldo Antunes)

Você toma ou já tomou algum destes aí em cima? Não????? Incrível...
70 % das pessoas que eu conheço tomam.
Não, eu não estou falando dos meus pacientes! Se fosse, ia ser realmente uma amostra bastante suspeita. Estou me referindo ao meu círculo pessoal de amizades, gente que sai por aí para bater papo furado com diagnósticos secretos de TOC, Depressão, Bipolaridade, Transtorno de Ansiedade e até a famosa Síndrome do Pânico.
Tudo devidamente medicado, garantindo uma boa qualidade de vida à galera que, agora, consegue sair e dar risada.

Rivotril é atualmente um dos 10 remédios mais vendidos no Brasil, junto com Paracetamol, VickVaporub, Pílula Anticoncepcional, Hipoglos... não é incrível?
E comprá-lo é burocrático e chato: receita azul, duas cópias, preenchimento obrigatório dos seus dados pessoais. Quer dizer: existem médicos por trás da venda do Rivotril, porque não é nada que possa ser vendido indiscriminadamente para satisfazer um simples desejo de auto-medicação.

O VickVaporub é.
Aliás, alguém já viu algum médico prescrever Vick para uma criança gripada? Eu também não, mas uso sempre. É a crença popular vencendo anos e anos de pesquisa médica e milhoes de dólares investidos pelos laboratórios que financiam congressos e contrata elegantes representantes para convencerem os médicos a prescreverem os remédios deles.
-Não doutor, obrigada, pode guardar a amostra-grátis do seu laboratório milionário. Eu uso o bom e velho VickVaporub no peitinho e no nariz do meu filho. E às vezes até passo entre o nariz e a boca para ele dormir sentindo aquele cheirinho!

Hahahah, quantas vezes já dormi assim! O catarro derrete e vai escorrendo por cima da pomada. 
E tem gente que jura que o efeito é ainda melhor se você passar nos pés e colocar uma meia! Deve ser mesmo uma delícia sentir os pés gelando e depois esquentando com a cânfora.
Ok, vou fazer isso hoje a noite, depois conto para vocês.

Bom, não estou aqui para dizer se os médicos estão certos ou errados diagnostiando e medicando um excessivo número de problemas psiquiátricos e nem tenho a pretensão de concluir algo sobre as razões do aumento brutal da venda de antidepressivos e ansiolíticos.
Só quero dizer que não acho que tem a ver com o estresse das grandes cidades porque nas vilas pequenas e bucólicas as coisas são ainda piores.

Moro numa cidade linda, sem violêcia urbana, sem trânsito (aqui não tem semáforo!), sem assalto, natureza abundante, onde os vizinhos sentam na calçada para conversarem e as crianças brincam na rua. Mesmo assim o índice de suicídio aqui é altíssimo. As fobias são epidêmicas: pânico de lagartixa, de chuva, de morcego, de sapo, de subir na balsa e de ... lagarta, que aqui se chama mandruvá.
TODO mundo tem medo de mandruvá nessa cidade!!! As crises de ansiedade em lugares amplos, como uma queremesse, são uma constante e as professoras, como no restante do país, estão deprimidas e estressadas. E vira e mexe aqui também tem crimes bárbaros e brutais, em geral com motivações passionais. Vocês já ouviram a música da Cabocla Tereza? Pois é, tipo aquilo.

"Agora já me vinguei. É esse o fim de um amor
Esta cabocla eu matei. É a minha história, dotor."
 
Cansei de ser fofo.

Vocês já foram no paraíso de Fernando de Noronha?
Lugar lindo, absurdamente bem conservado, mas é só bater um papinho rápido com algum morador local para perceber como eles são deprimidos e tristes. Inacreditável!
Aqui no Brasil o campeão de suicídio é Pomerode, uma cidadezinha pacata e maravilhosa de Santa Catarina. Colonização alemã, arquitetura fofa, paisagem linda... mas as cordas são o artigo de maior venda na cidade.
Vai entender!

Portanto, não dá para, estatisticamente, buscar dados que justifiquem a depressão e o suicídio.
Falta de Sol? Não, porque senão em Ferando de Noronha não haveria este problema.
Estresse urbano? Não, porque senão Pomerode estaria livre.
Falta de Deus? Não, porque o aumento incrível das novas religiões nunca foi visto na história do país.

O que eu acho é que assim como a pedofilia, os crimes, a inveja, a religião, os ritos, a homossexualidade... os distúrbios psiquiátricos acompanham a existência da raça humana, independentemente da época e do lugar.
Só que agora são medicados. Se isso é bom ou ruim a longo prazo? Eu não sei.
Só sei que para a pessoa que sofre é um grande alívio. Portanto, a curto prazo ajuda bem.

Tem gente que fica ansioso num show do U2 com milhares de pessoas.
Tem gente que fica ansioso numa missa com 150 pessoas.
Tem gente que tem pânico de elevador.
Tem gente que tem pânico de canoa.
Tem gente que tem medo de ladrão.
Tem gente que tem medo de sapo.

Só muda o nome... o resto é tudo igual.
E os remédios são benvindos para muita gente, contanto que tenha um bom médico por trás para saber quando e como interrompê-los.
E se é que se deve interrompê-los!!! E isso é uma outra história que pretendo falar um dia aqui no blog.  

terça-feira, 12 de abril de 2011

Resiliência

Resiliência = conceito da Física que significa a capacidade de um corpo de assumir sua forma original depois de sofrer uma deformidade.
Por exemplo:
  • Resiliência de uma bola de borracha é alta, a gente amassa e ela volta automaticamente à sua forma, parecendo que nada aconteceu.
  • Resiliência de um travesseiro é média. A gente acorda de manhã e ele tá achatado, mas depois de pouco tempo já toma a forma original. Vai enchendo devagar e de noite está fofo de novo.
  • Resiliência de uma lâmpda: nula. Você esmaga, ela se despedaça e nunca mais será a mesma.
Fácil, né?
E hoje aqui no blog eu vou ilustrar o post com algumas mulheres que tem uma incrível capacidade de retornar à forma original depois de sofrer as deformidades da gravidez. Altíssima resiliência abdominal!
Não, hoje não tem foto minha... infelizmente.


Fernanda Lima teve gêmeos!
Bom, aí a Psicologia descobriu que os seres humanos também tem uma resiliência própria e emprestou o mesmo termo da física para definir a capacidade das pessoas em se reestabelecerem depois de um trauma.
  • Tem gente que sofre um sequestro relâmpago e, no dia seguinte, já está na rua trabalhando e dando um pulo no Poupa-Tempo para refazer os documentos. Alta resiliência.
  • Tem gente que passa pela mesma situação e precisa tirar uns dias para ficar em casa, fica com medo de ficar sozinho, tem problemas para dormir... mas depois de uns dias já retoma a rotina. Resiliência média.
  • E tem gente que NUNCA mais sai de casa!!!!!!!!! Baixa resiliência.
Eu conheço gente assim. Que foi assaltado e nunca mais saiu na rua, que sofreu um acidente de carro e nunca mais dirigiu, que foi traída pelo namorado e nunca mais quis se relacionar com homem nenhum, que perdeu um ente querido e nunca mais se reestabeleceu.
Parece que o vaso quebrou e não há chance de colar. Pena.


Gisele poucos dias depois do parto
Para a Psicologia a resiliência é inata, igual à cor do olho, ao formato da unha. E ela nada mais é do que um conjunto de fatores como: controle dos impulsos, administração das emoções, empatia, otimismo, capacidade de se aventurar nas relações sociais sem medo do fracasso, dentre outros.
Cada pessoa possui um jeito para lidar com as adversidades da vida, e segundo a Psicologia, o grau alto ou baixo de resiliência nasce com ela e a acompanha no decorrer da vida.
Isso explicaria porque duas irmãs que tiveram a mesma família, receberam a mesma educação, se recuperam de maneira tão diferente diante do mesmo trauma, como, por exemplo, a perda dos pais.
Mas há estudos que mostram que a resiliência pode ser sensivelmente melhorada por um ambiente familiar que transmita segurança na primeira infância.

Bom, falo tudo isso porque é importante a gente conhecer nossa habilidade em superar traumas.
Precisamos descobrir nossa capacidade de digerir emoções ruins.
Por quê? Para respeitar nosso ritmo e evitar situações extremas.


Carolina Diekmann com sua barriga tanquinho
Um diabético deve evitar o açúcar, não é mesmo?
Bom, uma pessoa com baixa resiliência deve evitar trabalhos estressantes, viver em lugares violentos, fazer esportes altamente competitivos, ter uma amante, entrar na política, se expôr num reality show... sim, coisas que, definitivamente, não são para qualquer um.
Big Brother Brasil: "Onde os fracos não tem vez"

E é importate também evitar comparações com pessoas próximas que sofreram o mesmo problema que nós, mas parecem reagir de uma maneira tãããão mais tranquila!

Ficamos olhando a vida alheia com admiração sem compreender que as outras pessoas simplesmente possuem uma resiliência diferente da nossa e, portanto, não há como nos compararmos à elas.

Isso tudo foi só o começo da minha resposta à minha desconhecida leitora que me pediu um post.
O assunto não cabia num post só. Isso foi só o começo.

E para as mulheres que estão cortando os pulsos diante da altíssima resiliência das moças acima, coloco abaixo a foto de uma linda mulher, a modelo Lizzie Miller, que fez sucesso com sua barriguinha pós-parto numa revista de moda.

 Olha que carinha mais feliz!



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Se tu vens, por exemplo, às 4 para um chat...



E foi então que apareceu o Facebook:
- Bom dia.- disse o Facebook.
- Bom dia- respondeu polidamente a Claudinha que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui- disse a voz- dentro do seu notebook..
- Quem és tu?- perguntou a Claudinha.-Tu és bem bonita, azul.
- Sou uma rede social, disse o Facebook.
- Vem brincar comigo, propôs a Claudia, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo. - disse o Facebook. - Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse a Claudinha.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui.- disse o Facebook- Que procuras?
- Procuro amigos. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse o Facebbok.- Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente- disse o Facebook- Tu não és para mim senão uma garota inteiramente igual a milhões de outras garotas que tenho por aqui. Eu não tenho necessidade de ti. E tu não me conheces e, portanto, não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim a única no mundo. E eu serei para ti a única rede social no mundo...
Mas o Facebook voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei a graça das suas frases, que será diferente dos outros. Os outros me fazem querer sair do ar. Mas tuas mensagens me chamará para fora como música. E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
O Facebook então calou-se e considerou muito tempo a Claudinha:
- Por favor, cativa-me!-disse ele.
- Bem quisera-disse a Claudia- mas eu não tenho tempo. Tenho trabalho para fazer e crianças para cuidar.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou.-disse o Facebook- As mães não tem tempo de conhecer coisa alguma. Se tu queres um amigo, entre no Facebook.
-Que é preciso fazer?
-É preciso ser paciente- respondeu o Facebook- Tu te sentarás primeiro só uma hora por dia no seu notebook, assim, na cadeira. Eu te mostrarei minhas opções e tu não farás nada. Mas cada dia te sentarás por mais tempo.
No dia seguinte a Claudinha entrou de novo no Facebook.
-Teria sido melhor se voltasse à mesma hora. - disse o Facebook- Se tu vens, por exemplo, às quatro para um chat, desde as três eu comecarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!


E foi assim que Facebook me cativou, com promessas de que seria meu amigo, dizendo que meu cabelo era da cor de ouro, que minhas frases eram as melhores, que lá dentro eu descobriria a felicidade...bah!!!!!!
Será que o Pequeno Príncipe nunca ouviu falar que as raposas são espertas, traiçoeiras e mentirosas?
Será que ele nunca leu as fábulas de Esopo, onde elas sempre se dão bem, fingindo ser legais e iludindo os outros?

-Oh, Dona Corva, sua voz é mais linda de todas,
cante para mim!
Mas a Dona Corva não abria o bico.
-Então olha aqui o que eu tenho
para a senhora....hahahahahaha...Sua
trouxa, agora o queijo é meu.
-Puxa, essa raposa não tem a menor graça.

Eu juro que estava feliz antes de encontrar o Facebook neste planetinha maluco chamado internet!
Por quê, meu Deus, por quê fui dar ouvidos para ele?

E o pior de tudo, o Facebook se esqueceu de me contar a parte mais aterrorizante de toda a história:

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."
(Antoine de Saint-Exupéry)




O filho da mãe do Facebook só me cativou porque queria a minha ruína.
Queria só roubar o meu queijo.
"Quem mexeu no meu queijo???" hahahaha!!!
Quem escreveu o best-seller da auto-ajuda deve ter conhecido uma raposa,
ou acreditado na ilusão do Facebook.
Mas isso não vai ficar assim não.
Olha só o que eu pretendo fazer com a minha raposinha nos próximos dias:


I`d rather wear fur than go naked.
Eu prefiro ter uma vida solitária na minha cidadezinha besta do que
ficar esperando os sinaizinhos vermelhos da rede social.


E além do mais, as uvas lá do Facebook estão sempre verdes.
Eu não queria mesmo...


domingo, 10 de abril de 2011

Volver a los 17...


INSTANTES

"Se eu pudesse viver novamente a adolescência, na próxima trataria de cometer os mesmos erros.
Mas não me sentiria tão culpada.
Relaxaria mais.
Seria mais divertida ainda do que fui.
Na verdade, bem poucas vezes levaria a sério.
Seria até menos apaixonada.
Correria menos riscos no amor.
Viajaria mais com os amigos, contemplaria mais meninos da escola, subiria em mais caixas d`água, nadaria em mais piscinas.
Seria próxima de pessoas de quem eu nunca fui.

Comeria os mesmos brigadeiros e os mesmos lanches nas amigas.
Teria menos problemas imaginários e também menos problemas reais.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu insensata e improdutivamente cada minuto de sua adolescência.
Claro que tive momentos de tristeza mas, se pudesse voltar a viver a adolescência, trataria de ter os mesmos bons momentos.
Porque, se não o sabem, disso é feito a vida, só de momentos.
Não percam a preciosa juventude.
Eu era uma dessas que nunca ia a parte alguma com um celular, uma bolsa, um guarda-chuva e um filtro solar.
Se eu pudesse voltar a viver a adolescência, deixaria tudo em casa de novo.
Se eu pudesse voltar a viver a adolescência, continuaria a andar com o cabelo enorme e solto no começo da primavera e seguiria assim até o fim do outono.
Daria as mesmas voltas no meu bairro, chegaria em casa nos mesmos amanheceres.
E brincaria dos mesmos "Jogos da Verdade", se eu tivesse outra vez uma adolescência pela frente...
Mas já estou com 36 anos e não estou morrendo."


Claudia, no domingo, inspirada no famoso texto arrependido e lamurioso (Que não é de Jorge Luis Borges! Dizem que é de uma americana chamada Nadine Stair... vai saber.)





Quer coisa melhor do que não ter arrependimentos?
Não lamentar?
E no meu Epitáfio eu diria:


"No, je ne regrette rien"
(hahaha, esta sou eu no túmulo, com as mãozinhas cruzadas no peito, feliz da vida aos 17 anos)


sábado, 9 de abril de 2011

Alunos Cadeirantes

Alguém aí já ouviu falar no cão de Pavlov? Um cachorrinho esperto que aprendeu a relacionar comida com o som de uma campainha. Aí, depois da relação comida-campaínha devidamente compreendida, só o som da campaínha já provocava a salivação do animal, mesmo sem a necessidade de oferecer comida.

Parece óbvio, mas foi uma descoberta importante para a época, e Ivan Pavlov conseguiu provar algo chamado condicionamento operante que deu início à psicologia comportamental.
Existem gays que toparam ser cobaias de psicólogos experimentais na esperança de deixarem de serem gays.
Eles levavam choques cada vez que cenas de casais homossexuais eram mostradas para eles. Quando visualizavam um casal hétero, eles eram recompensados com algo legal, como por exemplo... uma sunga de couro!! Hahahah!
Bom, tirando alguns casos, a psicologia comportamental funciona para muitos traumas e ajuda bastante no processo educacional.
O treinadores de cachorros deitam e rolam nesta história.
E a Super Nanny também.

Bom, partindo desta premissa, podemos então achar que é tudo muito fácil, mas é incrivel como fazemos bobagens com as nossas crianças quando, por exemplo, associamos bala com recompensa, refrigerante com festa, Mcdonals com dia especial, salada como exigência, aniversário com motivo para faltar na escola, e por aí vai.
Imagina que legal seria se entendêssemos a lógica de Pavlov e educássemos nossos filhos assim:
-Você bateu no seu irmão e agora vai tem que comer 3 brigadeiros, bem-feito!
ou então:
- Hoje é seu aniversário, e para comemorar vamos comer... sopa de abóbora!!!!!!! U-hu!!

Quanto tempo será que duraria a crença de que brigadeiro é ruim e sopa é a melhor comida do mundo?
Quanto tempo será que durou para os gays a idéia de que um beijo homossexual é feio?

Aumentou a salivação?
Estou falando tudo isso porque o castigo foi proibido nas escolas.
Ajoelhar no milho, palmatória, vestir o chapéu com orelhas de burro... tudo agora é passado.
E a palavra "castigo" também não é mais pronunciada por ser considerada traumática.
-Senta aí e pensa na bobagem
que você fez!!!!

Agora é moda é sentar para pensar!
 Aí a criança senta e fica pensando: no amigo que está com o cofrinho aparecendo, na menina loira que está com o nariz escorrendo de novo, nos três ventiladores de teto que nunca estão funcionando, nas varizes da perna da professora... aí o tempo passa, a professora tira ele da cadeira e acabou o drama.
Não há muito o que concluir porque a professora já adiantou que foi uma bobagem.
E não há muito o que pensar porque qualquer pensamento que a criança tenha só será aceito se ela, no fim, concordar com a professora que realmente foi mesmo muita burrice da parte dela ter mordido o colega.
E, prá piorar, nunca vi uma professora colhendo da criança os futos do seu exercício de pensar.


Na escolinha dos meus filhos existia até uma cadeira apropriada para isso. Chamava-se "Cadeirinha do Pensamento".

Ai, ai, alguém aí já percebeu onde quero chegar?
Condionamento operante feito cuidadosamente pelas escolas: Castigo=Pensamento.
Numa escola que visitei certa vez, castigo era ir na biblioteca fazer trabalho, ou pior... ler um livro!!!!
Depois não entendemos porque é que o povo tem tanta dificuldade de pensar.
Tanto trauma de biblioteca!
A cadeira do pensamento nada mais é do que um castigo, uma contenção física que não só mostra ao aluno quem é que tá no comando como também esfria os ânimos e reorganiza a adrenalina do momento.
Acho ótimo!!! Sou totalmente a favor!
Mas, por favor, mudem o nome!!! TUDO o que uma escola não pode fazer é associar castigo com a preciosa e tão rara capacidade de pensar.
Tiraram a palmatória e acharam que resolveram o problema simplesmente colocando o pensamento numa cadeira:

Aqui morrerá o pensamento, a capacidade de estabelecer relações e toda a nossa vã filosofia
 Vamos chamar estas professoras moderninhas e ensinar a lógica de Pavlov, explicando a elas o bê-a-bá da psicologia experimental.
Alás, poderíamos chamar o próprio Pavlov para ministrar a palestra, mas será importante deixar-lhe uma placa na porta:



Hahahaha.... só rindo mesmo.