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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Veterinário


Outro dia teve uma reunião na casa da Lu e ela encheu a sala de amigas.
A encrenca de chamar amigas muito próximas e antigas para ir à sua casa é que ela tem que estar necessariamente vazia, porque as bobagens faladas são muitas e o tom das gargalhadas chega a ser patológico. Poucos maridos e filhos suportam.
Eu estava doente e cansada e logo que cheguei já fui ensaiando uma maneira de ir embora, mas tudo mudou nos primeiros cinco minutos quando a dona da casa, parece que adivinhando a minha intenção de sair, jogou a isca:

-Alguém aí disse fofoca?
-Gente, tenho uma coisa super incrível para contar para vocês. Vou beber um pouco de vinho para ver se consigo falar. 
Touché!
Um belo golpe de mestre para entreter a plateia. Minhas orelhas se arrebitaram como um doberman em vigília. A preguiça sumiu.

Papo vai, papo vem, e, felizmente, outra amiga traz de volta a história:
-Luciana, conta logo o que você tinha de incrível para contar.
-Ai geeeeeeeente - rindo muito e já altinha por causa do tinto - acho que eu ainda não tenho coragem.


Precisa de coragem?
Ueba, meus assuntos prediletos.
E se ela está rindo deve ser algo divertido, mas, puxa, esse papinho de coragem era chato demais!
Abusando da minha intimidade com o grupo fui logo dizendo que eu não gosto de suspense, que esse tipo de brincadeira me cansa e que prá piorar eu não bebo, portanto ela podia já contar a história inteira porque eu, diferente das outras que estavam ficando alegres, não teria humor para esperar até o fim da noite.

-Claudinha, não é nada comigo. É com uma amiga minha. Ela começou a namorar um cara, e este cara faz com ela uma coisa estranha que eu nunca tinha ouvido falar, mas que ela está amando!
-E o que ele faz?
-Ai, tenho vergonha de dizer. Só vou dar uma dica: o cara é VE-TE-RI-NÁ-RI-OOOOOOOOO!!!

Curto circuito no meu cérebro.
Veterinário? E daí? Desde quando a profissão de um homem determina a performance dele no romance. Existe isso?

Meus olhinhos reviraram todo o cardápio de fetiches e, horror, dentro da veterinária eu e as minhas amigas só conseguíamos pensar em zoofilia. Mas será que alguém que habita a vida real aprecia este tipo de coisa?  Puxa, esta seria certamente uma história incrível. Um submundo estava naquele momento se abrindo diante de mim.
-Cachorros? Cavalos? Hum... cobras?
-Credo Claudinha!! Não! Eca, não é nada disso.
-Caramba, o que é então?
-Ai, ainda não consigo falar. 


Pfffffff.
Fofoqueiras pudicas são a pior raça do mundo porque contam as safadezas em doses homeopáticas e enlouquecem curiosos como eu. E... ei, peraí será que essa conversa de "tenho uma amiga que faz isso e aquilo" não é, na verdade, um receio de confessar as suas próprias histórias? Tenho um amigo que ficou com uma cenoura presa não sei onde. Tenho uma amiga que está com verrugas lá embaixo...
Não, ela jurou que a amiga existe e citou até nome e sobrenome.

Nunca tive atração por veterinários e jamais pensei que isso fosse minimamente viável. Aliás naquele momento eu me dei conta que tudo o que eu mais detestaria no mundo é me relacionar com um deles. Claro que eu estou falando aqui de veterinários lidam com bichos. Sei que tem uns que fazem pesquisas e esses até que devem ser gente normal, mas veterinários que atendem animais domésticos cheiram a ração. E os que lidam com os silvestres devem trazer para casa aquele cheiro típico dos zoológicos.

Eu tive um amigo que tinha nojo de um colega de república que era médico. Não deixava o cara sentar em qualquer lugar da casa enquanto ele não tirasse a roupa branca do trabalho. Eu ria da sandice dele e é claro que achava ridículo porque acho médicos limpos e cheirosos, mas, com toda a certeza, eu teria nojinho de morar com um veterinário. Imagina se ele chega da clínica e já deita no sofá? Recolhe no almoço um grão de arroz que caiu na calça e.... come!
Sim, sou dessas que lava as mãos depois de acariciar um gato. Me julguem.

Mas essa dica da Lu me fez acreditar que talvez eu tenha perdido algo de importante não conhecendo os veterinários. Talvez eles tenham cartas na manga que uma pessoa rasa e fresca como eu nunca tenha percebido. Será? Será que isso existe? O que, meu deus, o que poderia ser? Comecei a testar as minhas ideias:
-Senta. 
- Ele fala com ela numa linguagem infantil e ridícula? "Tadê minha pichuquinha? Shenta ati nu tolinho do papai...".
-Não Claudinha.

Ufa, porque se fosse algo assim eu também teria vergonha de confessar e passar adiante a história.

-Ele faz cafuné na nuca. Tapinhas!!! Ele dá tapinhas no bumbum.
Nada.
Arrisquei algo mais sensual:
-Banho e tosa! Ele faz a tosa dos pelos dela com aquela maquininha. Dá banho. Passa talco...
Não.
Elevei o nível erótico da minha imaginação:
-Chama de cadela. Vestem coleiras e guias. Ela toma champagne de quatro numa tigelinha cor de rosa no chão. Ele manda ela deitar, sentar e rolar. 
Não? Mais safado ainda?
Ok, vamos lá.
-Ele mede a febre dela nos padrões veterinários.
Eu sei ser imaginativa de vez em quando.

-Claudinha não é termômetro, mas ele enfia alguma coisa dentro dela.
-Um osso? Um mordedor que assobia!
-Não consigo dizer. Eu tenho vergonhaaaaa!
-Biscoitos... caninos? 


Bom, a essa altura eu já tinha viajando tanto nas possibilidades dos pet shops da vida (quem precisa de sex shop depois disso?) que comecei a desconfiar que nada é mais sexy do que um veterinário.
E naquele momento me deu uma vontade louca de ir para casa e escrever um livro sobre todos os fetiches envolvendo as profissões. Ia ser um best seller!  Poderíamos pressupor a vida sexual de uma mulher só pela profissão do cara com quem ela sai.

Gente ele é EN-GE-NHEI-RO-CI-VIIIIL!!!! Mesa de desenho, o banquinho alto e giratório da mesa de desenho, obras, mestre de obras, toda a equipe da obra, capacetes...
Amiga, o Junior é DEN-TIS-TAAAA!! Hálito fresco, luvas de latex, cadeira com botõezinhos que inclina, jato de água fresca e ar, espelhos ultra bem colocados...
Conheci um A-GRÔ-NO-MOOOO!!! Cama de feno, paiol, cerca de arame, cafezal, plantação de algodão...
O Caio é DE-SE-NHIS-TAAAAA! Já penso no cara desenhando a moça nua, como um Leonardo DiCaprio dentro do Titanic. Mas, ó, se não quiser me desenhar não tem problema não. Cheiro de lápis de cor novos já me deixa bem feliz.
Tô saindo com um JOR-NA-LIS-TAAAAA!!! ............ cri-cri-cri.... nada de erótico brota do jornalismo. Noites em claro?
Talvez os fetiches são inversamente proporcionais à intelectualidade.

No fim da noite enquanto a gente se arrumava para ir embora ela contou e eu morri de achar graça porque não tinha nada a ver com a profissão do cara. Trilhei uma ladainha chata e demorada de fetiches veterinários e, no entanto, o ofício do rapaz era totalmente irrelevante. A Lu era tão inocente que jurava que aquilo era coisa exclusiva de veterinários, uma vez que nunca ouviu falar de algo assim. 
Desmontei o castelo de mistérios construído no decorrer da noite afirmando que qualquer zé mané faz aquilo e que ninguém precisa ser veterinário para dar conta de algo tão simplório.

Resumo da ópera: nenhuma mulher precisa correr o risco de se relacionar com um veterinário para ter algum benefício nisso. Melhor manter os sofás limpos e a casa cheirosa.


Notas:
Nenhum animal desta postagem foi embebedado. 

Não tenho nada contra e nem a favor dos veterinários. Nem dos jornalistas.

Lavar as mãos depois de mexer em animais é higiênico.

Nenhuma mulher se beneficia sexualmente da profissão do parceiro. Isso é apenas ficção. Whatsapp, Facebook e Netflix são tudo o que qualquer homem, de qualquer profissão, faz. 











domingo, 25 de maio de 2014

RED LABEL

Se você tivesse que usar uma etiqueta de aviso,
o que a sua diria?

Uma amiga postou esta frase outro dia pedindo que os amigos dela respondessem à pergunta. Surgiram respostas variadas (a maioria sobre avisos de mau humor e transtornos emocionais), mas eu, besta como sou, só conseguia pensar em alertas sexuais. E a minha brincadeira mental levou a isso:
PROIBIDO PARAR E ESTACIONAR
(para os muito machos)

VIA DE MÃO ÚNICA
(porque não custa nada reafirmar)

CUIDADO! FRÁGIL
(para quem quer se arriscar, mas tem medo)


AGITE ANTES DE USAR
 
 (para os inseguros)

NÃO DESPREZE O PRIMEIRO JATO
(para quem sofre de ejaculação precoce)

PRODUTO SORTIDO: 
MODELOS E TAMANHOS PODEM VARIAR
(para as desavisadas)

CUIDADO! 
PONTE ELEVADIÇA À FRENTE
 (para as distraídas)


CONTÉM PARTES PEQUENAS QUE 
PODEM SER ENGOLIDAS 
(para quem ainda tinha dúvida)

ELEVADOR EM MANUTENÇÃO
(para os impotentes)


ALTURA MÍNIMA PARA USAR 
ESTE BRINQUEDO: 1,50 mt
 (abrimos algumas poucas exceções) 

DURANTE O USO O PROPRIETÁRIO NÃO DEVE DIRIGIR VEÍCULOS OU OPERAR MÁQUINAS POIS SUA HABILIDADE E ATENÇÃO PODEM ESTAR PREJUDICADAS
(assinado: Comandante Rolim Amaro*)





LAVE ANTES DE COMER
 (just in case...)

NÃO CONSUMA SE O LACRE ESTIVER VIOLADO
(para os muito puritanos)

PROIBIDA A ENTRADA DE ESTRANHOS
(para as recatadas)

CUIDADO! PISO ESCORREGADIO
(para as libidinosas)

MATERIAL INFLAMÁVEL
(para as muito libidinosas)

ESTAMOS EM OBRAS PARA MELHOR SERVÍ-LO. 
GRATA PELA COMPREENSÃO.
 (durante a menstruação)

PEQUENAS PARTíCULAS PODEM SE 
DECANTAR NO FUNDO, 
O QUE NÃO ALTERA A QUALIDADE DO PRODUTO
(para quem ainda não sabe)

PEDIMOS A GENTILEZA DE NÃO 
FILMAR OU FOTOGRAFAR O ESPETÁCULO
(em tempos de internet, não custa nada se prevenir)

PODE CONTER TRAÇOS DE LEITE
(para as muito ocupadas)






FAVOR VERIFICAR DIAS E HORÁRIOS DE VISITAS
(porque nem todo dia é dia)

BATA ANTES DE ENTRAR
(é sempre elegante avisar)

e, claro...

É EXPRESSAMENTE PROIBIDA 
A ENTRADA DE ANIMAIS!!!!!!







* É estranho muitas pessoas não saberem disso, mas o fundador e presidente da TAM morreu dirigindo um helicóptero ao mesmo tempo que recebia um blowjob.







segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Tá tudo bem.



Preciso responder o comentário ao texto anterior com elegância. E, por isso, minha resposta terá que ser uma outra postagem. Vamos lá:
O comentário a esta publicação de hoje foi esse:
"Pra variar um texto ruim, que bom. Não se ofenda, mas voce estava ficando interessante demais.Perdeu pontos valiosos, mas que esta contando afinal ? Com carinho espero por algo que me faça pensar e não fiz isso nem por um segundo. Para constar, no post da paixão foi divertido o trocadilho. Gentilmente não delete este comentário, uma escritora tem que amadurecer quando desagrada um fiel e assiduo(a)leitor. " 
                                                                                                         Ass: Anônimo.

Bom, prá começar é claro que não apagaria um comentário destes. Não tenho filtro para os comentários e nem leio eles antes de publicá-los. E faço isso justamente para incentivar a expressão livre dos leitores. Mas devo confessar que durante toda a história do blog eu apaguei dois comentários. Um deles porque o anônimo dizia que torcia para um psicopata entrar na minha casa e me fuzilar (sei lá, acho que fiquei um pouco assustada) e outro porque era pornográfico e nojento. Se fosse pornográfico e bacana,  ficaria. 
Por isso, educado(a) leitor(a), pode comentar à vontade, tá?

Depois preciso dizer que adorei você dizer que escrevi um texto ruim "prá variar" e que você é um assíduo(a) leitor (a) . Muito obrigada por isso. Saber que a maioria deles foi considerada boa por você deve ser um elogio. Deve ser, não sei.

Mas uma coisa me intrigou bastante. Por quê você disse que não conseguiu achar nada que o "faça pensar" naquele texto? Puxa vida, eu juro por deus que pensei MUITO sobre as regras de etiqueta no sexo oral. Juro. Nunca imaginei que alguém pudesse achar pouco educado (ou pouco higiênico) um rapaz não avisar a (o) moça(o moço) quando vai ejacular. E isso me fez pensar muito, sim. Nem imaginava que existisse este tipo de reclamação. Nunca, jamais, imaginei que os rapazes ficassem na dúvida se devem ou não avisar a(o) parceira(o). 
PS: a gente deve ser politicamente correto para não excluir os homossexuais da conversa :o)

Pode parecer que estou zombando de você, caro(a) leitora(o), mas não estou. 

Como você deve saber, existe um best seller atualmente fazendo sucesso junto ao público feminino: a trilogia "50 tons de cinza". 
Não li. Não fui educada para ler pornografia light, e muito menos as hard rock. Bom, prá falar a verdade acho que não leio porque tenho uma certa vergonha em ler best sellers criado para multidões. Sim, eu sei, preciso trabalhar este recalque. Devo estar perdendo muitas obras interessantes com este meu pudor besta. 

Bom, assim como eu, nenhuma mulher foi educada para ler, ver e falar de sexo. 
No entanto, o tal fenômeno literário apenas reflete o que nós mulheres já sabíamos, mas a mídia nunca tinha percebido: o assunto é divertido, útil e amplamente comentado em bocas miúdas nos chás das 5 e na saída das aulas de yoga. Quando digo que "uma amiga escreveu", e que "outra amiga comentou" não é mentira minha. As mulheres falam, sim, sobre o assunto. Conversando e batendo papo furado elas comparam suas preferências sexuais, seus gostos e suas fantasias. Mulheres cultas, universitárias e modernas precisam falar sobre isso porque muitas (MUITAS!!!!) ainda tem dúvidas e curiosidades sobre várias coisas, inclusive sobre (pasme você!) a própria anatomia.  

Já pensei muitas vezes em ter um blog só sobre sexo. Nada de tons de cinza!!! Assuntos coloridos e tratados de forma alegre e despojada. 
-Chega de Cinza!!!!
Modéstia à parte, já me disseram que tenho facilidade em falar sobre o assunto e algumas pessoas já me pediram para fazer um blog assim. Um dia ainda farei, se o meu pai e meu marido me permitirem... ai, ai, esta revolução feminista que foi interrompida pela metade acaba comigo! 

Portanto, falar sobre a etiqueta do sexo oral não te fez pensar, mas garanto que muitas mulheres leram e se identificaram com o texto. Algumas poucas comentam no próprio blog, duas hoje me escreveram em segredo e outras ficam sozinhas ruminando o assunto, e é justamente isso que eu pretendia com o post.

Ah, e a piada com o Chico Xavier foi só uma piada, tá?  Juro que não foi minha, mas achei tão boa que resolvi socializar. Se foi ruim, me perdoe por favor. Conheço só um pouco sobre o Chico Xavier, mas respeito e concordo com todas as idéias e pensamentos que ele já transmitiu em entrevistas e livros que li. 

Prá terminar, fico imaginando qual dos textos meus te fez pensar tanto assim. Apesar de ser psicóloga e fazer o meu trabalho com seriedade e respeito, não uso este espaço virtual para refletir sobre assuntos densos. O próprio título do blog já tinha isso como objetivo: falar de amenidades de forma amena. O bom humor é o carro chefe da casa.
Talvez você seja um(a) leitor(a) que se interessa por textos recheados de psicologismos de quinta categoria que eu tanto hesito em publicar aqui. Não!!! Não se envergonhe por isso! Muita gente gosta destes meus textos e eu tenho vários aqui na fila para serem lidos. Talvez eles até sejam legais. Depois deste seu comentário vou começar a publicá-los. Espero que, com eles, eu consiga novamente te satisfazer. 

Continue comentando e, por favor, não se intimide.
Um forte abraço e obrigada por tudo.    





A piada do pintinho

-Piu!

Faz tempo que eu não apareço por aqui, né? Até o Conselho Tutelar já está na minha cola, me recriminando por abandonar meu "baby blog" desta forma. Tsc, tsc.
Mas aí ontem aconteceu uma coisa bem engraçada.
Vou contar, tá?
Uma vez expliquei para uma leitora, nos comentários deste post aqui, que escolher fotos para as postagens é uma arte difícil porque, na minha opinião, devemos apimentar textos monótonos com fotos ousadas e, por outro lado, amenizar assuntos pornográficos com fotos banais. Tudo isso para evitar o tédio e a vulgaridade.  Mas esta escolha toma tempo e precisa de muito feeling. Tarefa reservada apenas para os entendidos.

Bom, no meu último texto, "Minha vida agora com Paixão", eu falei sobre um... hidratante!!!! Sobre as maravilhas de um produto barato e de qualidade. Puxa, que assunto legalzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.....
Para tornar a postagem menos chata eu quis ousar (e ousar bastante!) fazendo uma referência ultra... ousada ...nas fotos. Eu estava falando de um creme branco que sai, espesso, de um tubo. Então pensei:
-Hum, para não ficar tão chato vou, então, fazer uma menção honrosa a outro creme branco que sai, espesso, de um outro tubo. Assim, o conjunto fica equilibrado e, quem não se interessar por hidratantes vai, pelo menos, achar graça da minha arte em conseguir ilustrar um texto besta. 

Ó meu deus, como colocar fotos de esperma saindo de pintos no meu blog?? Não dava. Então peguei imagens que apenas induzem à coisa e deixei elas soltas, sem dar nome aos bois e sem nenhuma legenda gozada (com o perdão do trocadilho). Como super-estimo meus leitores, coloquei um monte de imagens subliminares e esperei que os comentários aparecessem.
Mas ninguém percebeu.
Hello???? Voltem ao post e reparem na primeira imagem. Vocês acham realmente que eu escolheria uma foto feia, sem luz e mal definida para ilustrar o título do post? Vocês acham mesmo que eu teria um mau gosto tão grande sem nenhuma intenção por trás? E a segunda foto?? E a terceira?  Poxa, leitores, vocês já foram mais maliciosos!

Mas ontem uma amiga percebeu. Ufa. E me ligou dando risada:
-Claudinha, sua safada, que raio de ilustração foi aquela que você usou no seu último texto?? 
- Linda, minha querida, você acabou de me salvar de um imenso marasmo. Depois de longas semanas finalmente alguém entendeu a piada. Ponto para você!!
-Claro que eu entendi, sua boba: pinto-paixão, creme-esperma... achei ótimo! Ah, e se quiser escrever um texto sobre mim pode escrever, tá? Mas não cita meu nome.
-Jurrrrrrraaaaaaaa? Posso mesmo????
-Claro. Acho importante alguém falar sobre isso, e você é a pessoa ideal.

Eba! Finalmente vou sair do limbo criativo e voltar a falar de coisas interessantes por aqui.
É que essa minha amiga ama esperma. O cheiro, o gosto, a textura, a cor... é uma rara e divertida "louca por porra". Quando o marido usa camisinha ela, secretamente, vai no lixo e resgata o invólucro para usar mais tarde. Sozinha e escondida ela cheira, espalha na pele, lambe e adora! É a característica mais pitoresca desta moça que eu tive a imensa sorte de conhecer. E ela fala disso com naturalidade, alegria e um entusiasmo contagiante, diante da cara de nojo das amigas.
As amigas, por outro lado, odeiam. O cheiro, o gosto e, principalmente, a textura. Tomam banho o mais rápido possível para se livrarem dos vestígios e ficam bravas quando os maridos/namorados não avisam que vão gozar em um sexo oral. Acham falta de respeito não avisar. Falta de higiene.

E isso me fez lembrar da piada:
-Qual a diferença entre a santa, a puta e a indecisa?
-Não sei. Qual é?
-A santa cospe e a puta engole.
(silêncio)
-E a indecisa?
-A indecisa fica com a coisa na boca, pensando: "O que é que eu faço com essa porra??????"

Essa piada é velha, mas semana passada uma outra amiga me lembrou dela com a seguinte frase:

"Quando alguém lhe provocar irritações, pegue em copo de água,
beba um pouco e conserve o resto na boca.
Não a ponha fora e nem a engula.
Enquanto durar a tentação de responder, deixe a água banhando a língua.
 Esta é a água da paz."

Chico Xavier

E disse, abaixo: "Acho que Chico Xavier era um indeciso."
Ahahahah, adoro essa coisa engraçada chamada: amigas. Como pessoas podem viver sem elas?? Sim, Chico Xavier, virou um grandessíssimo indeciso para mim também.

-E agora? O que é que eu faço??? 




sábado, 14 de julho de 2012

Autossifuciência

No último final de semana recebi visitas aqui em casa, e uma delas falou algo que me surpreendeu:
-Claudinha, não adianta você calçar uma meia com os pés frios. Você pode vestir quantas meias quiser que seus pés nunca se aquecerão. Você precisa, primeiro, esquentar os seus pés para, só depois, calçar a meia. Entendeu?
-Bom dia, galera!!! Dormiram bem?
Puxa! Por isso que eu durmo E acordo com os pés gelados?? Entendi...
Sempre achei que as meias serviam para aquecer os pés, mas hoje, com quase 40 anos nas costas, aprendo que não, que as meias só servem para manter o calor de pés previamente aquecidos.
-E como, então, eu devo fazer então para esquentar os meus pés?
-É só esfregar.
Ah, tá.

Pfffff....
Odeio essas pegadinhas da vida! Sempre depositei minha inteira confiança nas meias e só agora me contam que elas nunca serviram prá nada.
Só hoje soube que precisamos ser autossuficientes no aquecimento dos pés.


Igual a quando eu li o meu primeiro livro de auto-ajuda. Neste dia também descobri algo igualmente irritante:
"Para encontrar um grande amor você precisa, antes de mais nada, ser feliz e se sentir completa na solidão. Só depois o grande amor, magicamente, aparecerá."
Não é chato isso? A gente crente que o amor virá para nos trazer felicidade e, num belo dia, descobrimos que a ordem dos fatores altera o produto:
  • SEJA FELIZ PARA ENCONTRAR O SEU GRANDE AMOR. (certo)
  • ENCONTRE O SEU GRANDE AMOR PARA SER FELIZ. (errado)

-Ma oê!!!!!
E tem mais! Se a sua felicidade não for genuína e completa, corre-se o risco do cara não ser o famoso "grande amor". Se você não estiver verdadeiramente feliz, você poderá atrair oportunistas, cafajestes ou, (pior!!) apenas bons amigos. Por isso nem adianta fingir uma alegria contagiante ou mentir dizendo que você está ultra feliz, jantando sozinha num sábado à noite.
Tem que sentir a paz interior no fundo do seu coração solitário.
E aí, depois que você finalmente encontrou o seu grande amor, os livros de auto-ajuda dizem ainda que nunca, JAMAIS devemos depositar a nossa felicidade nas mãos dele. Diz o lenda que ele não tem a responsabilidade de suprir as suas expectativas.
Pfffff... então os grandes amores também não servem prá nada!!
Se eu já me sinto feliz e completa, por que preciso de alguém ao meu lado? Correndo o risco prejudicar a minha felicidade, tão duramente conquistada??
Temos, portanto, que ser autossuficientes com a nossa felicidade.
E com os nossos pés quentes.

Orgasmo é a mesma coisa. Precisamos primeiro descobrir sozinhos o prazer para, só depois, encontrá-lo numa relação a dois. Mulheres que procuram o prazer no sexo, sem antes conhecê-lo sozinha, geralmente se dão mal porque acabam não sabendo do que precisam. Aí não dá nem para exigir ações e atitudes do pobre coitado do parceiro.
Quando eu era adolescente, era comum esse tipo de conversa:
-Não sou mais virgem! Eu e o Paulo agora fazemos sexo!
-Puxa, que legal! E você goza?
-Hum.... não sei. Ainda não entendi direito o que é isso.
-Será que gozei? Será que não?
Onde devo procurar o Nemo??
Nemo... quem é Nemo?
MUITO comum meninas terem a primeira relação sexual sem terem a menor idéia do que deveriam sentir. E o pior é que, quando sabem, concluem que, sozinhas, o prazer delas é bem melhor! Muitas descobrem que os parceiros não servem para muita coisa, afinal.
Temos ser que autossuficientes com o nosso prazer sexual.
E com a nossa felicidade.
E com os nossos pés quentes.
-E como, então, eu devo fazer para conhecer o prazer sexual?
-É só esfregar.

Hahaha.






Na psicoterapia também temos que ser autossuficientes.
Não adianta você se arrastar pelo chão, ter crises de pânico na rua, desejar cortar os pulsos... tsc, tsc.
Isso é só o começo.
Para você realmente ter sucesso na terapia, você tem que se olhar no espelho e dizer: "Quero mudar" (o AA e os Narcóticos Anônimos também exigem este primeiro passo).
Aí, então, tem que pedir ajuda para alguém. Tem que pesquisar nomes de terapeutas, tem que se dar ao direito de abrir uma brecha no orçamento para pagar o tratamento (isso é o mais difícil!!), tem que ir na consulta (juro! não basta marcar, tem que ir MESMO!) e, chegando lá, precisa
conversar com o psicólogo e dizer que quer ser cuidado.
Parece óbvio para vocês? Pois não é.
Ah, e depois tem que voltar na segunda sessão, viu?! Tecer um parecer sobre o que o cara te responde, chegar à algumas conclusões sobre a sua vida, pensar em mil coisas entre uma sessão e outra... muito trabalho!
Para fazer terapia precisamos ser autossuficientes ao organizar as nossas idéias. Um dia alguém chegará à conclusão que os psicólogos também não servem para nada, hahaha.
A verdade é que temos que ser autossuficientes com a nossa saúde psíquica.
E com o nosso prazer sexual.
E com a nossa felicidade.
E com os nossos pés quentes.

Mas o pior ainda está por vir: segurem-se.
Pedir prá Deus... também!!! Não adianta só pedir. Pedir é a parte mais fácil!! Tem que saber o que pedir, e quando pedir. E assumir todas as benfeitorias depois.
E saiba que nem o onipresente Deus pode te dar uma mãozinha nessas horas. O desejo tem que partir de você. É preciso ter inteira responsabilidade pelas próprias preces.
Não adianta dizer: "Ó Deus, coloque suas mãos divinas sobre a minha vida."
Nada disso!! Tem que saber o que você quer. E como quer. E prá quê você quer tudo aquilo.
É óbvio que, depois disso, muita gente acaba concluindo que Deus também não serve prá muita coisa.
Temos que ser autossuficientes com as nossas bençãos.
E com a nossa saúde psíquica.
E com o nosso prazer sexual.
E com a nossa felicidade.
E com os nossos pés quentes.

-Droga! Sifudemo...

domingo, 24 de junho de 2012

Picanha


Um dia uma amiga me confessou algo incrível. Ela contou que, quando tem um orgasmo, acontece com ela uma coisa.... incrível. Inacreditável. Surreal.
E eu, que pensava conhecer muita coisa sobre o assunto, fiquei bem impressionada:
-Como assim?????? Que coisa mais estranha do mundo! Poxa vida, mas me diz: o que é que o fulano acha disso?
O "Fulano" era namorado dela há um ano, e com quem ela gostava muito de fazer sexo. E a resposta foi:
-Ah, ele não sabe. Eu nunca gozei com ele.
-Ah tá.

ISSO não me surpreendeu. Normal. Orgasmos femininos não pipocam por aí com frequência. As estatísticas contam que são artigos... raros? Não, não raros, mas bastante particulares e, por isso, não podem ser medidos em termos de normalidade.
Orgasmos são como cólicas menstruais: tem gente que tem sempre, tem gente que não tem nunca, tem gente que tem dez vez em quando e tem gente que finge ter.
Hahah, as meninas da minha escola sempre fingiam cólicas menstruais para ficarem sentadas na aula de Educação Física. Ninguém podia contestar e o professor tinha que ficar bem quieto porque, né, elas estavam com... cóóóóóólicas!!!! Pobrezinhas. E as cólicas fingidas davam a elas um charme danado. As meninas peitudas e gostosas da "gangue da cólica" tinham status no grupo das meninas magricelas como eu, numa época em que ficar menstruada era sinal de maturidade.

Bom, orgasmos femininos são como as tais cólicas: imprevisíveis e pessoais.
Mas com essa história de fingir orgasmos, amplamente divulgada na mídia e nos papos de botequim, aconteceu algo cruel com os homens e as mulheres. Os homens, tadinhos, agora acreditam que todas fingem e ficam inseguros com a parceira. Sim, porque se ela finge orgasmo pode também fingir outras coisas mais sérias. Mas.... o que existe de mais sérios do que fingir um orgasmo???? Fingir... amor? Ah, bobagem.
Por outro lado, as mulheres não podem mais ter uma relação sexual bacana (sem orgasmo) que já acham que podem ter encenado em algum momento.
Hahaha, juro. Já ouvi esse drama.
-Não gozei, mas foi tãããão legal que acho que eu devo ter dado a impressão de ter gozado. Será que ele vai ficar bravo porque eu dei a impressão de que gozei quando na verdade estava só curtindo o momento? Ou será que, pior: ele realmente acha que gozei? Merda, será que eu dei essa sensação? Ó meu deus, será que sou uma fingidora enrustida??? Será que sou como... MEG RYAN???


Odeio a tradução do "Get out of here": Vai dar uma volta???
E uma curiosidade inútil: a senhora que pede ao garçom "o que ela comeu" não é uma atriz, é a mãe do diretor. Haha, o diretor deve ter falado: "Mamãe, a senhora quer assistir a uma cena bem divertida e ver algo que você, provavelmente, nunca viu antes?" 
E a velha deve ter dito: "Ah, pode ser. Já lavei roupa hoje cedo mesmo."


As mulheres que fingem orgasmo só querem dar a impressão de serem boas de cama. E as que tem orgasmos naturais, rápidos e fáceis dão aos homens a certeza absoluta de que são.
Mas o que elas nem imaginam é que, por mais incrível que pareça, isso pode ser muuuuito desanimador para eles.
Minha teoria é de que homens não gostam de mulheres gratuitamente fogosas. Eles é que tem que atiçar o fogo! E se o fogo não for atiçado tão fácil, aí é que eles gostam mesmo porque o desafio finalmente está lançado.
Homens gostam de desafio e é por isso que o truco e o pôquer são tão populares nas bandas de lá.

Já viu o prazer que um homem sente ao acender a brasa de uma churrasqueira? Organiza o carvão com engenharia, assopra, põe gel, bota papel enrolado de um jeito especial, joga álcool, querosene, abana (de cima prá baixo para não subir fuligem, ângulo de 70 graus!) e já vi muitos ligarem até ventilador para ajudar na oxigenação da brasa. E se for um carvão manhoso, desses que não se entregam fácil, aí que é que eles gostam mesmo.
E depois, quando a chama fica alta e bonita, eles olham todo orgulhosos para a platéia e dizem: "Ninguém acende um fogo como eu!".

Saber acender o fogo é importante para os homens.

Um dia cheguei mais cedo num churrasco e a molecada começou a ficar com fome, mas não tinha nenhum homem no recinto, já que eles ainda nem tinham acordado. Eu olhei para uma amiga que estava lá e disse:
-A gente podia acender o fogo e ir assando umas linguiças para as crianças. 

Sim, porque um picanha eu nunca ousaria colocar na brasa!!! Seria muita petulância de uma mulher acreditar que dá conta de assar uma picanha. E se eu não colocasse a quantidade certa de sal grosso? Ou, melhor, e se eu não sacudisse a carne do jeito certo e não tirasse o sal grosso suficientemente antes de pôr na brasa? Iria desidratar a picanha e ainda salgar a bichinha. E se eu colocasse ela no andar errado da grelha? E se eu (ai meu deus!!!) fatiasse a carne no sentido das fibras ao invés de cortar translongitudinalmente???? Minha amiga olhou para mim com cara de transgressora e disse:
- Seráááá? Será que damos conta de acender o fogo sozinhas? Ah, vamos tentar, vai! Não deve ser tão difícil!
Eu desanimei:
-Não. Acho que eles ficarão ofendidos. Melhor esperar. Soca pão com vinagrete na criançada.



O homem é que tem que acender o fogo do churrasco.Tá na Bíblia.
Churrasqueira com acendedor automático é obra do demônio, certeza. Ou de alguma feminista, porque o acendedor automático de churrasqueiras modernas abala por demais a autoconfiança masculina.

E para acender o nosso fogo também. Tem que ser eles. Eles precisam demonstrar todo o conhecimento no assunto e ter a certeza de que acenderam uma chama respeitável. Precisam organizar tudo com engenharia, assoprar, pôr gel, achar o ângulo de 70 graus e ligar o ventilador.
E depois quando a chama está alta e bonita, eles primeiro cuidam da picanha para, só no fim, colocar a linguiça. Picanhas são lentas e delicadas. Picanhas precisam de ciência e cuidados. Linguiças não, linguiças já vem perfeitinhas lá da fábrica. Funcionam bem e assam rapidinho.

Hahaha, meu deus quanta metáfora!
Bom, resumindo: moça com fogo naturalmente aceso não tem graça. Obra do demônio. Ou de alguma feminista que acha que a mulher pode que ser dona do próprio prazer.
Bah.



PS: se o grifo branco continuar aqui, não liguem, ok? São irrelevantes e agem contra a minha vontade. Não saem nem por decreto. Vamos ignorá-los para ver se eles voltam para o lugar de onde nunca deviam ter saído.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cada equivocada!

Não sei se vocês sabem, mas este blog tem uma musa inspiradora. Muitas histórias aqui partem das pérolas que uma pessoa próxima me traz. E hoje a pérola foi essa:

-Não vejo a hora de me casar para poder fazer sexo todos os dias.

-Volta aqui e me ajuda com os 200 botões das costas!!!
-Blahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.
Tolinha.
Ela ainda não entendeu o protocolo.
Queridinha, é assim: você namora e faz sexo todos os dias. No carro, no sofá da casa dos pais dele, na piscina, na varanda e no motel. Sempre bacana e sempre feliz. Mas no dia em que você casa, essa farra acaba, meu anjo.
Foi-se o tempo em que a lua de mel merecia lingerie nova e a especial "camisola da noite". Hoje você passa a noite de núpcias retirando as centenas de grampos do cabelo enquanto o marido vomita o whisky.
E, olha, não tem jeito, não adianta se iludir: no dia seguinte você ainda encontrará mais grampos escondidos, viu?
E no decorrer do casamento você fará sexo na... cama e a realidade será:


"Os homens brasileiros fazem sexo três vezes por semana e as mulheres, duas. Sendo assim, com quem é que eles curtem essa transa a mais?! Segundo a doutora Carmita, é por causa dos gays que a média masculina é maior que a feminina. “Entre casais de homens homossexuais, a frequência de relações é maior”, explica ela. A pesquisa também mediu quantas vezes as pessoas fazem sexo a cada encontro. Nesse caso, tanto eles quanto elas responderam a mesma coisa: duas.

Hahahah, por isso, se quiser quantidade, amiga, o jeito é nascer gay. Talvez isso aconteça porque os gays não têm filhos gritando, TPM e nem a famigerada menstruação. Ou talvez porque a coisa deve mesmo ser melhor.

Pffff.... as pessoas se iludem com algumas crenças.

Outra:
-Não vejo a hora de me aposentar, mudar para a praia e abrir uma pousada.
-Não obrigado. Só vou tomar um café preto.
Descanso com pousada??? Numa pousada você trabalha dobrado! Esquece.
Uma "dona de pousada na praia" outro dia estava me descrevendo a sua rotina insana. Ela assiste novela arrumada e de sapato porque a qualquer momento poderá chegar um hóspede. E o hóspede sempre aparece no dia que ela dispensou a funcionária no dia seguinte.
Assiste TV de...sapato!!!! Vocês podem imaginar o que é isso? Tsc, tsc, coitada.
E, segundo ela, a pior coisa para uma pousada não é ficar vazia. É ter UM hóspede. Ai que ódio que dá quando, às 9 horas da noite, aparece um hóspede, porque este único hóspede te obrigará, no dia seguinte, a acordar cedo para fazer 3 tipos de suco, dois bolos, comprar frios variados e a picar mil frutas.
Daí o cara a acorda e diz que não tem o hábito de comer de manhã. Bah!


Outra ilusão:
-Quero mudar para uma chácara para poder ter uma vida mais tranquila.
A palavra "fazenda" existe porque lá, os moradores estão sempre "fazendo" alguma coisa. Sempre se tem trabalho (urgente e importante) quando se vive na zona rural!
Vida tranquila as pessoas têm num apartamento onde você não deixa de dormir porque ouviu um barulho estranho, não se gasta dinheiro com telhas quebradas, o gás NUNCA acaba (amo gás encanado), não há preocupações com os dias do caminhão de lixo, não tem jardim para cuidar e a piscina está sempre limpa. Show de bola.
Quer ter uma vida tranquila? More num apê.

Outra constante:
-Vamos mudar para uma casa para as crianças crescerem com quintal e amigos.
Quer um filho feliz, jogando bola e cheio de amigos? More num prédio de tamanho e preço tipicamente familiares. Classe média! Nada muito chique, não. De preferência com mais de um bloco. Morro de inveja das crianças de prédio que tem dezenas de amigos por lá e que, depois da escola, sempre combinam de se encontrar nas quadras ou no salão de jogos. E lá eles brincam no elevador, dão o primeiro beijo escondido nas escadas de incêndio, sentam na portaria para ver o povo chegar, rabiscam a mesa de sinuca e ouvem a bronca do síndico.... infância perfeita!
Crinças que vivem em casa são sempre solitárias e muitas vezes precisam andar muitos quarteirões para encontrar um amiguinho. Isso se a mãe o deixar sair na rua!!! Que graça tem ter um quintal sem amigos? E que graça tem ter um gramado se ele está sempre cheio de cocô de cachorro? Sim, porque toda casa com criança também tem cachorro, já que existe a ilusão de que o cachorro fará companhia para um menino solitário.
Bobagem.
ELEVADOR, O MELHOR AMIGO DAS CRIANÇAS


Agora pergunto: qual outro equívoco é espalhado por aí como uma verdade?
Hahaha, já sei o que vocês vão responder:
  • Gays tem uma vida sexual intensa;
  • Crianças de prédio são sociáveis e felizes;
  • Moradores de prédios são mais tranquilos;
  • Ter uma pousada é uma grande roubada;
... ok, ok, entendi.
Já parei.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Red Light

Durante toda a minha vida de psicóloga/namorada/amiga eu já ouvi duas versões da mesma história. Vamos ver qual é a versão de vocês.
Cena: o seu companheiro chega do trabalho e lhe diz, amigavelmente:
-Vamos ao shopping comprar umas camisolas bonitas para você, querida? Tô achando os seus pijamas tão gastos e velhos. Ô, tadinho do meu amor!

Acabou. Só isso. Agora vamos às reações:
Algumas mulheres ouvem isso com alegria: "Oba, ele me deseja e pede que eu fique linda. Que bom! Vamos logo comprar essas camisolas.". Mas outras ficam com o orgulho ferido: "Camisola sexy?? Por que? Só eu já não te  basta?? "

E, neste caso, uma frase besta como esta pode dar margem para brigas homéricas, ressucitando traumas, complexos, raivas e cobranças:
-Querida, desculpa, mas eu precisava te contar que não é normal uma mulher dormir com o marido vestindo moletom e camiseta velha.
-Sim, eu entendo, mas por que você sempre fala de um jeito que acaba com a minha auto estima?
-Porque não dá para lidar com a coisa de uma maneira sutil! Se eu te dou uma lingerie sexy, como já comprei muitas, dando indiretas que eu quero um sexo mais apimentado, você joga o presente no fundo da gaveta ao invés de usar.
-Porque pinica, entra na bunda e o arame do sutiã dói!!!!!!!!!! 
-Engraçado, por que é que nas outras mulheres não dói?
-Outras mulheres??? Ah, aquelas aquelas vagabundas que trabalham no seu escritório? Nelas não dói? Você já investigou?
-Amor, não seja infantil. A verdade é que você anda relaxada, sem vaidade e se esqueceu que é uma mulher linda.
-Culpa sua! Relaxado é você que me fez esquecer de ser mulher. - já chorando.
-Porque o seu pijama é tão brochante, mas tão brochante que eu nem lembro que existe uma mulher por trás dele!!!!!!!  

E por aí vai, madrugada afora. O cara pedindo para a esposa ser mais atraente e ela se sentindo ofendida.

Curiosidade inútil de hoje 1: Até a gostosa Demi Moore ouviu reclamações do seu marido que, elegante e discreto, jogou no Twitter uma foto dela (ao lado) com uma calcinha beje e sem graça, reclamando do modelo demodê. 
Marido besta! 
No mesmo ano o casamento terminou, uma vez que Ashton Kutcher foi flagrado procurando calcinhas mais ataentes pela cidade.


Porém...  se a mulher é apimentada e vaidosa o cara TAMBÉM RECLAMA!!!
Marina e Roxanne eram assim: super eróticas e viviam todas faceiras. Mas os parceiros não achavam iso nada legal.

"Roxanne, you don't have to put on the red light. (...)
Roxanne, you don't have to wear that dress tonight. (...)
I know my mind is made up, so put away your make up."
(The Police)
Tradução tosca: "Roxanne, vc não precisa acender a luz vermelha, nem usar o seu vestido esta noite. Já decidi, jogue fora a sua maquiagem."


"Marina morena Marina você se pintou
Marina você faça tudo, mas faça um favor
Não pinte esse rosto que eu gosto e que é só meu
Marina você já é bonita com o que deus lhe deu".
(Dorival Caymmi)

Curiosidade inútil de hoje 2: "Marina Morena" é o nome de uma filha do Gilberto Gil (acima) que se casou com Fernando Torquatto, o famoso MAQUIADOR DAS CELEBRIDADES!!!! Hahaha, não é uma piada uma Marina Morena se casar com um maquiador? E o pior é ele realmente não a maquiava e deixava ela ir nas festas como mostrado acima, apenas com o que Deus lhe deu.
Bom, mas agora o casamento deles também já acabou. Talvez por ele não a maquiar como devia, ou, talvez, justamente por ele ser, bem, um...maquiador. Talvez Marina fosse muito blush para o pincel de Fernando.
Desculpe, Marina Morena mas eu tô de mal!

É de se pensar que um cara que não queira uma mulher muito fogosa e atraente, no fundo, no fundo, não dá conta do recado. Ou talvez seja um ciumento enrustido, morrendo de medo dos outros homens também a acharem linda.

Resumindo: eu não entendo todo este drama que acontece durante as exigências com a vestimenta noturna/íntima.
Sim, porque precisamos lembrar que roupa é apenas um símbolo do meio de toda a discussão. O que importa mesmo é o comportamento que emana de tais peças. É importante dizer que não é exatamente a calcinha linda ou o moletom velho que vem ao caso, mas a atitude por trás dessas escolhas.
Ah, e vale lembrar também que a reclamação pode vir dos dois lados. Homens que se deitam com camisetas furadas e cuecas sem elástico podem receber as mesmíssimas queixas, só que as mulheres costumam ser mais educadas.

Está mesmo cada dia mais difícil compreender as exigências dentro das relações.
Uma sábia senhora italiana que eu conheço disse que, na época dela, para um casamento dar certo uma mulher só precisava: "ser uma dama na rua, uma puta na cama e ter memória curta".
Hahaha, adoro este último item.
Mas, hoje, a verdade não é bem essa. As vezes precisamos ser uma puritana na cama, uma executiva na rua e ganhar dinheiro. Ou precisamos ter menos amigos na rua, roncar menos na cama e servir sobremesa. Ou precisamos.... ah, são muitas variáveis.

Minha experiência acompanhando a vida íntima de muitos casais mostra que sempre haverá reclamações. Ou pela falta de pimenta ou pelo excesso.

"No meu temperamento tem um pouco de pimenta.
 Não é todo mundo que gosta, nem todo mundo que aguenta."
(Clarice Lispector)

Conclusão: ou as calcinhas estão velhas e gastas ou são desnecessariamente rendadas.
E assim sempre será... amém.

terça-feira, 27 de março de 2012

Oral B... bê

Só depois que temos filhos é que conseguimos entender Freud, uma vez que o sistema digestivo do bebê é a única coisa que ocupa o seu dia.
E o dia da sua pobre mãe.
Ou ele está mamando, ou ele está arrotando, ou vomitando, ou tendo cólicas, ou fazendo cocô ou sendo limpo. Fim da história. O resto é dormir para descansar. Um recém nascido nada mais é do que um cano com um intestino delicado e temperamental no meio. Um tubo onde a comida entra, é arrotada, digerida (com cólicas e muitos gases) e depois expulsa com sofrimento.
Pronto, isso é um bebê! Algo mais ou menos assim:


Com a diferença que em volta existe pele cheia de dobrinhas, dedos, cabelos e muita baba, resultando em algo paecido com...
hum, deixa eu procurar...
.... ah, assim:



Bom, a vida de um bebê e sua mãe seria mesmo muito chata se não houvesse algo embutido na rotina chamado: prazer. E aí começa a teoria Freudiana aonde a oralidade inaugura a libido deste pequeno ser. O Deus hedonista (se Deus existe mesmo ele deve ser bonzinho) pergunta:
-O que um bebê faz?
-Come.
-Só? Ok, então vamos colocar prazer na alimentação.
E desde então sugar dá prazer. Para o bebê e para a mãe!! Claro que não por obra de um deus, mas para incentivar o povo a se nutrir e permanecer vivo. É o famoso e bem menos fofo instinto de sobrevivência.
A pega, o encaixe perfeito com o mamilo, encher a boca de leite morno, colocar as bochechas para trabalhar, a respiração ofegante, o cheiro do leite, o cheio da mãe... um festival gastronômico várias vezes ao dia!!

Menú:
Entrada: colostro
Primo piatto: consomé de leite no peito direito.
Secondo piatto: peito esquerdo recheado de... leite.
Sobremesa: tapinha nas costas.



Toda a teoria do prazer oral, da relação erótica e incestuosa com a mãe, da inveja do pênis do pai... tudo começa a fazer sentido depois que viramos pais e acompanhamos o processo.
E depois ainda tem a evolução da energia erótica para as fases anal e genital.
-O que um menino de 2 anos precisa aprender a fazer?- pergunta Deus novamente.
-Cagar no lugar certo.
-Ok, então vamos colocar prazer nisso também.

Tudo muito compreensível.

Depois da famigerada fase anal, o prazer então migra para os genitais e aí é um tal de menino com a mão dentro da cueca, menininhas distraídas se esfregando no sofá, uma festa!!
Quando isso termina, as crianças passam por um período de latência onde a sexualidade fica adormecida. Começa lá pelos 8 anos e vai até os 11. É aquela idade onde a molecada não gosta de brincar com o sexo oposto, fogem dos banhos, são desajeitados, relaxados com a aparência e muito preguiçosos.
E então a libido, como um dragão adormecido, desperta com força total na puberdade.
E para aqueles que suportaram a fase apática e sem graça da pré-adolescência latente, a natureza criou um combo promocional, igual aos lanches do Mc Donalds: descubra o sexo e ganhe, junto, os prazeres oral, anal e...genital! Promoção, pague 1 e leve 3!!!
Ou seja, chegando nesta fase da sexualidade já adulta você reencontra todas as outras velhas conhecidas e, agora, reinventa moda com elas.

"Sou contra a moda que não dure. É o meu lado masculino.
Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora, só porque é primavera." 
 (Coco Chanel)

Sacanagem mesmo. Ninguém precisa jogar nada fora na moda do sexo.

Mas, independentemente da atividade sexual, é preciso lembrar que o prazer oral, por si só, continua por toda a vida. E, para algumas pessoas, o anal também. Infelizmente existe gente adulta e civilizada que adora contar as últimas novidades escatológicas do banheiro. Têm orgulho e prazer em relatar detalhes, gostam de se exibir quanto a tamanho e quantidade ou descever as frustrações de um intestino preso.
Bah! Fujo desse povo como o diabo da cruz.

Por outro lado acho o máximo pessoas que cultivam a oralidade como um prazer tão ou mais importante do que o sexo em si. Pessoas que se alimentam eroticamente. Gente que sabe despertar todas as papilas gustativas e coloca a libido a postos para o momento de comer.
Tão bom cozinhar para essas pessoas!
Tenho um filho que é assim: um gourmet. Geme, suspira e sorri sozinho ao comer, e encara as refeições como o melhor momento do dia. Manipula o alimento com as mãos como um selvagem e sempre sai sujo da mesa. Dá até dó de brigar com ele.

Tenho certeza absoluta (apesar de não conseguir provar) que o apetite sexual está intimamente ligado ao apetite por comida. Por isso as moças gulosas são tão atraentes e as inapetentes não entusiasmam. E ainda poderia arriscar dizer que pessoas que tem um gosto por alimentos exóticos são excêntricas justamente por provocar fantasias sexuais naqueles que os assistem comerem.
Por exemplo, acho admirável uma mulher que encara uma dobradinha com amor. Que tem xiliques ao descobrir novas pimentas. Que come todas as espécies de ovas que o povo abandona no festival de sushi. Que sugam tubos e ventosas dos frutos do mar com uma alegria lúdica. Que chupam maracujás azedos direto da casca. Que ficam felizes por experimentar novidades gastronômicas e tem um leque sempre amplo de preferências alimentares. Lindo demais!

Tem uma mocinha num pograma do Discovery Travel & Living que eu acho que foi contratada só pelo prazer que ela demonstra em comer TUDO o que lhe oferecem nas viagens, sem nojo nem preconceito. A menina manda bem. São as cenas mais sensuais que eu já assisti numa TV a cabo. Acho o máximo!
Nigella Lawson idem. Que delícia assitir aquela mulher comendo com as mãos e fazendo biquinho. Tenho certeza absoluta que pessoas assim tem uma vida sexual feliz.
Imagina que frustrante o cara inventar uma brincadeira suuuuper divertida com uma... gema de ovo... e a namorada dele dizer: "Eca, que nojo, vai sujar o meu vestido branco!!!" . Muito decepcionante.







Teria pavor em ser casada com um homem com sérias restrições alimentares. Conheci gente assim: não come cebola, não tolera laticínios, tem azia com tudo, não gosta de vegetais (nenhum!!!), não come carne sangrando, tem medo dos espinhos dos peixes, separa a salsinha no canto do prato... chato prá caramba! Vai num restaurante e fica investigando junto ao garçom os ingredientes do prato, obrigando o coitado a ir e voltar mil vezes à cozinha para perguntar ao chef... um inferno! Almoço perfeito para este tipo de gente é arroz (sem alho aparecendo), feijão, bife bem passado e batata frita. E nuggets!! De preferência em casa.
Tédio. Fala a verdade, você acha um homem desses atraente? Eu não. Acredito piamente que o comportamento gastronômico do cara diz muito sobre o desempenho dele entre 4 paredes.

Bom, resumindo, a energia erótica da oralidade acompanha a nossa existência e é muita sacanagem a gente não honrar ela de acordo. Desde o nascimento os bebês nos ensinam que isso é muito importante para a alegria e o prazer de viver.
E tenho dito.

"Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho.
Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai."
 (Marcelo D2, o sábio)


E, com isso, provamos que Mc Donalds acerta mais uma vez no marketing:

AMO MUITO TUDO ISSO