Marcadores


Mostrando postagens com marcador polêmica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador polêmica. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Mas os meus cabelos...


Passei a vida iludida com as propagandas de xampu (acabo de ir ao Google ver qual é, afinal, a forma correta de escrever isso). Eu era exatamente como no gráfico ao lado. Para escolher o produto certo eu lia e relia as letras miúdas, prestava atenção aos anúncios e pesquisava muito antes de escolher.
Queratina, vitaminas, benefícios da natureza (shimeji, camomila, jaborandi, mandioca, maracujá, manteiga de karitê, aloe vera, tutano, lanolina, frutas cítricas), muito ventilador ligado, muito refletor de luz, muitos símbolos químicos dando a entender que a tecnologia era moderna. Tudo para nada.
Já fazia mais de 20 anos que, mesmo com as promessas da indústria de xampu, o meu cabelo caia horrores, coçava, tinha o aspecto pesado, sem movimento e sem brilho. E as fórmulas que me sugeriam para remediar a situação eram as mais diversas possíveis. Segui todas: dermatologistas, trocar de xampu periodicamente, usar um creme na hora de pentear, uma máscara noturna, spray hidratante, fazer hidratações mensais, xampu anti-resíduos 1x por semana, usar tal marca, passar a usar apenas a linha profissional, não usar condicionador.... muitas dicas inúteis. Nunca nada se resolveu.

Mas há 4 meses eu fiz uma loucura que resultou em algo milagroso. E a coisa foi tão boa, tão boa que eu fiquei com medo. Medo de causar danos a longo prazo, medo de prejudicar a pele que recobre o meu cérebro lesado, medo do meu corpo ter urticárias com a espuma que passou a escorrer pelas minhas costas, medo no meu bumbum ficar ferido com o produto que passou a entrar e sair dele, uma paranóia só. E, claro, fiquei com medo de contar para as amigas e ferrar os cabelos alheios. Por isso esperei alguns meses em silêncio para hoje finalmente sair do armário e dizer que

ATUALMENTE O MEU XAMPU É.... 
.

.
.
.
.
.
.
 . 
TCHARAMMMMMMMM!

Calma, não sou louca. Não são os cheirosos!! É esse do meio, transparente, com cheiro de nada. Nunca me arriscaria a sair na rua fedendo a maçã verde. Ou eucalipto.

Nos primeiros dias eu dissolvi ele num copo d`água  para minimizar os possíveis danos, mas poucos dias depois já estava enchendo a mão de detergente para, feliz da vida, esfregar no meu cabelo. Por incrível que pareça na primeira vez que você aplica não faz muita espuma, mas na segunda lavagem (é sempre bom repetir o procedimento) parece que você entrou de cabeça numa máquina de lavar louças. E o mais legal de tudo é que em poucos segundos você já começa a ouvir o cabelo assobiar "puiiiii" "puiiiiiiiiii", dando a certeza absoluta que ele está limpíssimo.  Sabe quando você passa o dedo numa pia de inox e ela faz um barulhinho, garantindo que está limpa? Então, quando se lava o cabelo com detergente você ouve esse barulho por toda a sua cabeça. 
Depois? Depois nada de condicionador. Enxuga com uma toalha e, quando ele ainda estiver um pouco úmido passa umas gotas de silicone para cabelo por todo o fio, só para ele não ficar eriçado (eu comprei o mais barato). E pronto, acabou. 

O ralo do chuveiro que antes ficava entupido agora fica com um micro novelo e a escova, que antes ficava peluda de cabelo, agora tem dois ou três fios. Desembaraçar o cabelo nunca foi tão fácil e a necessidade de lavar a cabeça passou a ser duas vezes por semana, apenas.

No meio deste período resolvi, por um dia, lavar o cabelo com xampu e sabe o que aconteceu? Coceira, queda absurda e cabelo feio e sem brilho. Nunca mais me arrisco.

Desde a primeira lavagem você vai perceber que o seu cabelo nunca esteve tão limpo, brilhante, macio, com balanço, e hidratado. Já fiz o teste: quando estive em dois salões de beleza eu perguntei para as cabeleireiras:
-Oi, deixa eu te perguntar, você acha que preciso fazer uma hidratação no cabelo? 
Elas pegam no meu cabelo com conhecimento, testam os fios e dizem (pela primeira vez na vida!!!)
-Não, ele tá ótimo! Mas você podia cortar, fazer umas luzes, blá, blá, blá. 
Incrível! Quem conhece essa raça sabe que essas mulheres nunca, jamais dizem isso.

E não são só elas! Já me disseram que meu cabelo está mais bonito, já me perguntaram o que eu ando fazendo para deixá-lo macio e hoje o meu filho me disse que ele está cheiroso.

Eu não tenho a menor ideia do que tem dentro de um detergente e nem quero saber. Tenho certeza que é química pesada, mas não estou nem aí. Aderi há 4 meses ao movimento "No Poo" (sem xampu, a moda da vez em termos de ecochatice), mas, como sou transgressora eu aderi pelo avesso: ao invés de xampu, não use vinagre nem bicarbonato de sódio, use detergente!

Vale dizer que meu cabelo não tem tintura e nunca fiz alisamentos. São virgens! Aliás, acho que a única coisa virgem que sobrou no meu corpo é o cabelo. E preciso dizer que eles não são oleosos. Muito pelo contrário, são até bem secos. Eu imagino que as pessoas com problemas de oleosidade se beneficiarão ainda mais.
Vale lembrar também que não desejo destruir com a indústria de produtos para cabelos e nem acho que a minha experiência vale para todo mundo. Ah, e não testei com outra marca, só mesmo o Ypê.
Quando fui pesquisar no Google sobre o uso de detergente em cabelos não achei absolutamente nada e, por isso, resolvi deixar aqui o meu relato para alguém que queira testar. 
Nunca mais na vida vou gastar dinheiro com xampu e espero nunca mais ter o cabelo que eu tinha antes.

O próximo passo é colocar a coisa numa embalagem decente para eu me sentir mais chique, claro, e também para não escandalizar as faxineiras que ficam cho-ca-das quando vão limpar o meu banheiro e se dão conta que eu lavo o cabelo com detergente. 
É isso. De resto eu sou bem normal. 








segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cada equivocada!

Não sei se vocês sabem, mas este blog tem uma musa inspiradora. Muitas histórias aqui partem das pérolas que uma pessoa próxima me traz. E hoje a pérola foi essa:

-Não vejo a hora de me casar para poder fazer sexo todos os dias.

-Volta aqui e me ajuda com os 200 botões das costas!!!
-Blahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.
Tolinha.
Ela ainda não entendeu o protocolo.
Queridinha, é assim: você namora e faz sexo todos os dias. No carro, no sofá da casa dos pais dele, na piscina, na varanda e no motel. Sempre bacana e sempre feliz. Mas no dia em que você casa, essa farra acaba, meu anjo.
Foi-se o tempo em que a lua de mel merecia lingerie nova e a especial "camisola da noite". Hoje você passa a noite de núpcias retirando as centenas de grampos do cabelo enquanto o marido vomita o whisky.
E, olha, não tem jeito, não adianta se iludir: no dia seguinte você ainda encontrará mais grampos escondidos, viu?
E no decorrer do casamento você fará sexo na... cama e a realidade será:


"Os homens brasileiros fazem sexo três vezes por semana e as mulheres, duas. Sendo assim, com quem é que eles curtem essa transa a mais?! Segundo a doutora Carmita, é por causa dos gays que a média masculina é maior que a feminina. “Entre casais de homens homossexuais, a frequência de relações é maior”, explica ela. A pesquisa também mediu quantas vezes as pessoas fazem sexo a cada encontro. Nesse caso, tanto eles quanto elas responderam a mesma coisa: duas.

Hahahah, por isso, se quiser quantidade, amiga, o jeito é nascer gay. Talvez isso aconteça porque os gays não têm filhos gritando, TPM e nem a famigerada menstruação. Ou talvez porque a coisa deve mesmo ser melhor.

Pffff.... as pessoas se iludem com algumas crenças.

Outra:
-Não vejo a hora de me aposentar, mudar para a praia e abrir uma pousada.
-Não obrigado. Só vou tomar um café preto.
Descanso com pousada??? Numa pousada você trabalha dobrado! Esquece.
Uma "dona de pousada na praia" outro dia estava me descrevendo a sua rotina insana. Ela assiste novela arrumada e de sapato porque a qualquer momento poderá chegar um hóspede. E o hóspede sempre aparece no dia que ela dispensou a funcionária no dia seguinte.
Assiste TV de...sapato!!!! Vocês podem imaginar o que é isso? Tsc, tsc, coitada.
E, segundo ela, a pior coisa para uma pousada não é ficar vazia. É ter UM hóspede. Ai que ódio que dá quando, às 9 horas da noite, aparece um hóspede, porque este único hóspede te obrigará, no dia seguinte, a acordar cedo para fazer 3 tipos de suco, dois bolos, comprar frios variados e a picar mil frutas.
Daí o cara a acorda e diz que não tem o hábito de comer de manhã. Bah!


Outra ilusão:
-Quero mudar para uma chácara para poder ter uma vida mais tranquila.
A palavra "fazenda" existe porque lá, os moradores estão sempre "fazendo" alguma coisa. Sempre se tem trabalho (urgente e importante) quando se vive na zona rural!
Vida tranquila as pessoas têm num apartamento onde você não deixa de dormir porque ouviu um barulho estranho, não se gasta dinheiro com telhas quebradas, o gás NUNCA acaba (amo gás encanado), não há preocupações com os dias do caminhão de lixo, não tem jardim para cuidar e a piscina está sempre limpa. Show de bola.
Quer ter uma vida tranquila? More num apê.

Outra constante:
-Vamos mudar para uma casa para as crianças crescerem com quintal e amigos.
Quer um filho feliz, jogando bola e cheio de amigos? More num prédio de tamanho e preço tipicamente familiares. Classe média! Nada muito chique, não. De preferência com mais de um bloco. Morro de inveja das crianças de prédio que tem dezenas de amigos por lá e que, depois da escola, sempre combinam de se encontrar nas quadras ou no salão de jogos. E lá eles brincam no elevador, dão o primeiro beijo escondido nas escadas de incêndio, sentam na portaria para ver o povo chegar, rabiscam a mesa de sinuca e ouvem a bronca do síndico.... infância perfeita!
Crinças que vivem em casa são sempre solitárias e muitas vezes precisam andar muitos quarteirões para encontrar um amiguinho. Isso se a mãe o deixar sair na rua!!! Que graça tem ter um quintal sem amigos? E que graça tem ter um gramado se ele está sempre cheio de cocô de cachorro? Sim, porque toda casa com criança também tem cachorro, já que existe a ilusão de que o cachorro fará companhia para um menino solitário.
Bobagem.
ELEVADOR, O MELHOR AMIGO DAS CRIANÇAS


Agora pergunto: qual outro equívoco é espalhado por aí como uma verdade?
Hahaha, já sei o que vocês vão responder:
  • Gays tem uma vida sexual intensa;
  • Crianças de prédio são sociáveis e felizes;
  • Moradores de prédios são mais tranquilos;
  • Ter uma pousada é uma grande roubada;
... ok, ok, entendi.
Já parei.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

"Associação Eduardo Dusek", com fins lucrativos.



Tenho problemas graves com o meu cachorro beagle que é uma peste. Algumas pessoas já sabem disso porque andei reclamando bastante dele nesses dias. Mas queria dizer, antes de mais nada, que o meu problema pessoal não vem ao caso no que eu pretendo dizer aqui hoje.
Ok? Posso falar? Então lá vai:

Acho um exagero esse povo que passa a existência zelando pelos animais abandonados.

Acredito que toda forma de vida deve ser amparada e sei também que os animais sofrem horrores nas mãos da raça humana que, não sei porque cargas d´água, decidiu ocupar o topo da hierarquia no planeta. O homem domesticou os animais, levou os coitadinhos para o ambiente insalubre de uma cidade e, assim, produziu seres passivos e deprimidos, que agora precisam de nós para sobreviverem.
Foi um erro. Domesticar animais foi, sem dúvida, uma grande idiotice.
Por isso acho ótima a intenção de algumas organizações que lutam contra o abuso a estes bichos e, pessoalmente, tenho uma compaixão especial por aqueles que cuidam dos cavalos forçados a um trabalho cruel no trânsito caótico.

Mas, o que era para ser um movimento pela minoria, acabou sendo uma proteção descabida pelos animais em detrimento das nossas crianças Muita energia, muito amor e muita dedicação está sendo depositada nos animais e, ironicamente, as nossas crianças acabam sendo postas de lado.
Quem convive comigo sabe que eu tenho uma famosa frase que repito sempre: "Não tenho pena de gente adulta." Não, não tenho. Mas tenho sempre muita pena das crianças que são totalmente submetidas ao sistema maluco de suas famílias e escolas.
Sim, existe o Conselho Tutelar e existe a Declaração dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, mas não existe uma comoção popular pela causa, e isso é uma enorme lástima.
Exemplo: Tenho dois anos de rede social e NUNCA vi uma postagem solicitando adoção para uma criança abandonada na esquina. Nunca vi alguém solicitando com urgência uma professora particular para uma garotinha que não tem ajuda em casa e está correndo o risco de repetir de ano. Nunca li uma denúncia de um menino que fica abandonado de noite no quintal enquanto a mãe se prostitui dentro de casa (nunca viram? eu já!).
Entretanto, todos os dias eu vejo centenas de compartilhamentos de causas urgentes de animais necessitando abrigo.

Posso ser excessivamente pragmática e demasiadamente racional, mas se o ser humano já ocupou este posto imbecil de superioridade, resta-nos seguir as regras desta configuração e começar, a partir disso, tentar rearrumar as premissas (sabendo que dificilmente os animais ocuparão novamente o espaço que merecem).
Acredito que deveríamos gastar todas as nossas fichas tentando arrumar os danos que já foram feitos, mas começar pelos cachorros não me parece ser uma boa escolha já que os cachorros, infelizmente, não tem poder de mudança.

Conheço várias (várias!!!) pessoas que se preocupam muito com os animais e fazem campanhas e feiras de adoção em massa. Conquistam convênios com veterinários bonzinhos para esterilizar os bichos, clamam por delegacias especiais para cuidar das agressões contra animais... bacana.
Mas não tenho no meu ciclo de amigos pessoas que gastam a mesma energia com as crianças. Nunca vi uma ONG de médicos que aceitam esterilizar mulheres gratuitamente. Nunca vi feiras na rua de pessoas clamando por adoções de... crianças.

É que os animais comovem. Crianças não mais.
Estamos calejados e entediados com o sofrimento humano.
As fotos de animais na net causam sempre reações de fofura e compaixão:"awwwwwnnnnnnnnn ti lindo!!" ;"quero levar prá minha casa!" ;"ai que vontade de abraçar!!". Quando colocam a foto de um bicho para ser adotado, em poucas horas ele consegue um lar. Incrível.
Mas as fotos de crianças não tem o mesmo impacto emocional. O povo acha bonitinho e tal, mas não desarma. Não causa uma comoção coletiva. Estranho, né?
Minha hipótese é de que a identificação com as crianças é muito explícita e direta, aí o mal estar fica muito óbvio e difícil demais para lidarmos.

Posso concluir, com isso, que cães e gatos se tornaram um símbolo do nosso afeto mais puro e genuíno. Eles representam agora o nosso instinto primitivo de proteção. Todo o zêlo, todo o amor que gostaríamos de exteriorizar, ultimamente, só conseguimos demonstrar pelos animais.
"O Brasil é o segundo país do mundo com maior população de animais domésticos, perdendo somente para os Estados Unidos. O gasto mensal com um animal brasileiro é, em média, 350 rais. Nos últimos quatro anos houve um aumento de 17,6% no número de cães e gatos no Brasil. São hoje 27,9 milhões de cães, 12 milhões de gatos e 4 milhões de outros pets. A relação é de um cão para cada 6 habitantes e um gato para cada 16 habitantes." (dados do IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 

Desculpa, mas isso tá errado. É um equívoco.
Um país com problemas educacionais (e por trás disso: problemas amorosos) tão sérios e urgentes como o Brasil não pode aumentar a sua "frota" de animais antes de arrumar a situação das crianças. Bichos não são a prioridade! Não ajudarão no desenvolvimento da nação.
Sei que o certo seria conseguir fazer tudo junto: cuidar de todos. Mas isso é utopia, e se eu tivesse que sacrificar uma causa, a causa dos animais, com certeza, seria a primeira.

"Troque o seu cachorro por uma criança pobre."
 (Eduardo Dusek)

Meu plano é esse: vamos esterilizar 100% os bichos domésticos e esperar uma década até que todos morram. O segundo passo é canalizar o nosso afeto (que ficará sem alvo) nas crianças. Os 350 reais por mês (hoje gastos com os animais) seriam obrigatoriamente doados para as escolas. Educaremos todos decentemente. Ensinamos as crianças a pensar. Ensinamos o amor ao próximo. A filosofia seria matéria básica desde o maternal. Zeramos o analfabetismo funcional e a educação ambiental equivocada. Enriquecemos o país com idéias, emprego, dinheiro e cultura. Repensamos a ética.
E depois de conquistar tudo isso, neste lindo dia teríamos então o direito de resgatar os nossos animais e gastar quanto dinheiro quiséssemos com eles.

Bom, é isso. Só isso.
Tudo isso.

PS: Não é a toa que este post está sem imagem. Qualquer uma seria tolice.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Minha cueca, tava lavada!!!

Maria Mariana foi a adolescente mais famosa e inteligente que existiu no Brasil na década de 90. Cresceu e virou uma mulher incrível. Na juventude, carregou bandeiras chamando fofamente a nossa atenção para um assunto importante: o embate entre as gerações.
Agora, na vida adulta, carrega bandeiras e... cuecas... na privacidade da sua casa.

“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão
é um aprendizado de paciência e dedicação "

(Maria Mariana)

Sua entrevista para a revista Época foi tão boa, tão boa que eu deveria copiá-la e fazer um post só com ela, mas tenho que deixar o link AQUI para poder ganhar tempo.
Bom, resumindo, concordo com Maria Mariana em tudo. Com exceção, talvez, do lance de Deus.
Também sou uma "personal catadora de cueca" e tenho orgulho disso. Bato no peito e assumo que adoro ser uma dona de casa passiva, amorosa e dedicada. Acho que assim tudo fica mais correto, mais sereno, como se houvesse um chamado interno exigindo a compreensão incondicional e graciosa ao ranço machista. Como se brotasse uma alegria estranha ao declarar publicamente o meu apego insandecido ao lar.
Sério, percebo que quando a gente se submete a pegar a cueca do chão, uma paz se declara dentro de casa e tudo fica óbvio e sossegado.
Como se estivéssemos mesmo cumprindo um papel divino...

Mas nada é tão simples. Existe um dilpoma na gaveta clamando por respeito e uma pilha de sutiãs queimados exigindo retratação.
Antigamente a coisa era mais simplona e, diz a lenda, que a família era mais tranquila.

-Com pênis? Não lava a louça.
-Sem pênis? Lava a louça. E seca. E guarda. 

Mas como não há mais empregos bom para todos os homens do planeta, o casal precisou sair de casa para sustentar os luxos que a vida exige.
E foi aí que a coisa desandou!
Se os dois trabalham o dia todo, a mulher se sente usada e abusada ao ter que catar uma cueca. Não faz mas isso com "paciência e dedicação" mas ódio e nojo. Se os dois trabalham o dia todo não tem justificativa dela ter que ajudar a molecada com a lição de casa enquanto ele assiste o Jornal Nacional no sofá.
Não que alguma coisa tenha mudado dentro de casa! Não!!! Hoje em dia ainda é óbvio que as mulheres devem lavar a louça (trabalhando ou não fora de casa), com a diferença que agora se sentem usadas e ofendidas. Como se lavar uma louça fosse algo ultrajante. Não é não! E catar cueca também não! Mas sobrecarregaram a gente de obrigações e aí tudo vem em demasia.
E tudo fica chato e irritante.

Eu trabalho bem menos do que poderia (ou deveria?), mas gosto de ser dona de casa e adoro fazer todos os dias um lanche diferente para as crianças, uma sobremesa especial, arrumar a casa de um jeito bacana, massagem no marido, deixar a cozinha limpíssima antes de dormir... frescurinhas de uma doméstica.
E sabe o que é mais legal? Acho que isso não faz de mim (ou da Maria Mariana) uma mulher menos inteligente, ou capaz, ou bonita ou importante.
Eu diria que até tem um lado... sexy!

Mas nem todo mundo acha isso bonito.
Roubando a brincadeira irritante do Facebook, aqui vai:

Como eu me sinto:


Como o meu marido me vê:




Como os meus filhos me vêem:



Como a sociedade me vê:



Como a minha empregada me vê:



Como eu gostaria de ser vista:


Como eu sou de verdade:

-Mãe, acabei o cocô!!!!
-To indo filho, só um pouquinho.

Hahahah!!! Eu disse que além de dona de casa eu tenho um blog?
Putz... Deus deve estar me odiando neste exato momento.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A grama das vizinhas




Muita coisa na vida da mulher entra e sai de moda. Cada hora é uma novidade.
E a moda do dia é a depilação intima total. Chega! Nada de grama nos montes de vênus. Nada de obstáculos aos grandes e pequenos lábios.
Moda é assim, e tudo o que foge a ela pode agora ser considerado de mau gosto, cafonice ou, pior, falta de higiene!!!

E a coisa começou desta forma: um dia as depiladoras brasileiras migraram para os EUA mas não acharam trabalho porque as americanas não se depilavam. Na praia se cobriam com imensos triângulos de pano e, portanto, nunca sentiram falta de uma aparada nas laterais. Mas como precisavam ganhar dinheiro e tinham uma boa lábia, as depiladoras brasileiras inventaram que o balacobaco da mulher latina estava no tal "bikini wax".
Quem disse que o Brasil não tem nada a ensinar aos gringos? Tem sim!


"Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor"
(Novos Baianos)

O molho da baiana melhorou os seus pratos e elas finalmente aprenderam como deixar a grama aparada e sempre curta.
Mas como estas gringas são disciplinadas e ortodoxas, radicalizaram na ideia e resolveram arrancar tudo de uma vez. Antes essa era uma atitude reservada aos filmes pornôs que, realmente, precisavam de uma visão mais nítida da coisa para um melhor enquadramento da câmera. Mas agora as donas de casa, advogadas e profesoras americanas também precisam aderir à nova tendência para se sentirem confortáveis com os seus jardins. Nada de grama ao redor na florzinha!!

E, ironicamente, a coisa agora também chegou aqui no Brasil. O feitiço virou contra o feiticeiro. Ensinamos as gringas a se depilarem e agora precisamos radicalizar como elas. É a nova ordem mundial!

E uma pesquisa publicada esta semana revelou que o sexo oral aumentou significativamente depois das mulheres capricharem na depilação.

Folha de São Paulo: "Segundo a pesquisa americana, parece haver uma correlação direta entre depilação e sexo oral. Mulheres que não removem pelos pubianos relataram, em 58,7% dos casos, ter recebido sexo oral nas quatro semanas anteriores à pesquisa. O índice subia a 70,8% para as que haviam feito uma remoção parcial e chegava aos 81,6% para aquelas sem pelo nenhum." (reportagem completa aqui)

Vixi, e onde ficará a tradição de interromper o ato para caçar um pelo no céu da boca??


Bom, mas a descoberta que fizeram no meio disso tudo é que as mulheres estão felizes em redescobrirem a sua genitália, há anos camuflada e, por isso, desconhecida. Muito mais do que agradar aos homens, descobriu-se que as mulheres gostaram da depilação total e não tem mais vergonha do espelho, apreciando-se nos mínimos detalhes.
Se elas precisam desta exposição para se sentirem poderosas como mulheres, que seja benvinda a tal depilação radical.
"Toda mulher gosta de rosa. E rosas são rosas.
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas."
(Ana Carolina)
PS: odeio essa música!!!

A primeira vez que uma amiga teve um parto normal eu fui visitá-la e já fui logo perguntando a sensação. A resposta foi rápida:
-Imagina você ter que cagar um sofá. É a mesma coisa.
Hum, ok, muito bem explicado.
Mas o problema é que ela continuou:
-Depois você chega em casa, se olha no espelho e dá vontade de chorar. A barriga murcha parecendo uma bexiga que furou. Com um rídículo risco preto no meio. Os peitos gigantes, cheios de veias, com os mamilos roxos e enormes. Você inteira inchada e cheia de celulite. E a perereca... pelada, igualzinha da sua filha que acabou de nascer!! É horrível!!!!

Tenho trauma deste relato. Eu era ainda adolescente e fiquei bastante chocada com a descrição. Pior, muito pior, do que cagar o tal sofá era a visão no espelho, e a perereca pelada fechava com chave de ouro o terror do corpo disforme.

Desde então acho estranho o desejo de ficar parecendo uma recém nascida. Imagino (claro) que seja realmente melhor para algumas coisas, mas o preço que se paga para isso ainda me parece caro demais.

Sim porque a coisa dura apenas alguns dias! Depois é um tal de grama brotando de um lado, espetando de outro, provocando inflamações, pelos encravados e até pus.
Qual é a graça nisso tudo??

Conheço muita mulher (muita mesmo) que adora um homem com pelo no peito. Os homens que depilam o tórax nem imaginam que estão tirando de si o calor e a sensação acolhedora que o seu abraço peludo provocaria numa moça desamparada. Conheço também mulher que gosta de uma barba arranhando. Que ficam felizes em se enlaçarem a noite numa perna cabeluda.
Então qual é o problema de um gramado feminino bem cuidado e macio?
Aqui no Brasil já nos tiraram o direito de termos axilas francesas, sobrancelhas mexicanas, buços portugueses e pernas alemãs. Agora temos que ter pererecas...americanas?

Penso que não é a grama que faz uma rosa ser bem ou mal cuidada.
Como já dizia meu sábio amiguinho:

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez a tua rosa tão importante."
 (Antoine de Saint-Exupéry )

Sigam, então, as regras do Pequeno Príncipe: dedique tempo à sua rosa e compre alguma ovelha para aparar a grama.
Mas sem a necessidade de radicalismos, ok?


E sabem o que eu descobri com isso? Há algum tempo me questionei sobre a diferença entre a nudez das pinturas renascentistas e a foto banal de uma mulher nua. Falei sobre isso aqui no blog ( link aqui)
Hoje percebi uma coisa incrível. Sabem qual é a diferença? Os pelos. Os pelos são eróticos demais para serem expostos e, por isso, são ignorados por completo no nu acadêmico.
E quem lembrou deles se deu mal e vive sendo censurado em tudo quanto é exposição, inclusive lá no Facebook, onde a famosa imagem abaixo foi recentemente proibida.


"A origem do mundo" (1866)
de Gustave Courbet


Se eu fosse paranóica eu diria que o que está por trás da nova moda é uma tentativa (provavelmente da igreja católica) de tornar a nudez menos inquietante e mais comportada. Mas, veja bem: isso se eu fosse louca e acreditasse que há motivos obscuros em tudo.
Até na censura da origem do mundo.
Mas sou rasa como uma poça e só vejo nisso uma tentativa de vender mais cera e mais pomada para foliculite.
É, possivelmente, a indústria farmacêutica ditando as regras. Mais uma vez...


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A luta no luto


-Mãe, vamos embora!!!!
-Vai dormir no carro, minha filha!
De todas as maluquices da raça humana, a obrigatoriedade de passar a noite em um velório é a que eu acho a mais estranha.
Hello!!!! O cara está morto! Ele não precisa mais de companhia!!!

-Estica, assim...isso, daqui a pouco a câimbra melhora! 
Calma, calma: acho esquisito, mas compreendo.
O problema é que nas comunidades mais tradicionais isso é lei, e algumas pessoas levam tão a sério que o parente que não encarar o desafio fica difamado no grupo. Ah, e quem é vencido pelo sono e vai prá casa é um fracote! Ou pior: não tem consideração pela família enlutada.

Cada vez mais eu concluo que amanhecer em um velório não tem absolutamente nada a ver com o morto. Tem a ver, sim, em se autoafirmar vivo, superando o sono, a dor nas costas, a escuridão e o estranhamento de ter um defunto na sala. Como aquelas provas de resistência de um reality show que demoram 40 horas para terminar e fazem o povo sofrer horrores.
Sem falar no programa gótico que é passar a madrugada perambulando em um cemitério!
Bom, eu acho que essa é a razão do velório de 12 horas ininterruptas: uma prova de que você está vivo, saudável e corajoso.

-Você ainda está com o mesmo que conheci no enterro do Tio Zé?
-Não, prima, voltei a namorar aquele que veio no enterro da Vó Dindica.
-Ahhhh, aquele era muito fofo!
Mas... como nem tudo na vida é trágico, devemos também lembrar que o velório é uma ótima oportunidade para você colocar o papo em dia com os amigos e parentes distantes. Sem música para distrair, comilança para atrapalhar e nem louça para lavar. Sentam e ficam de papo a noite toda! Quer programa melhor? E se for o caso de uma morte natural e previsível, 90 % da conversa nem é sobre o morto!! Ele só é relembrado quando chega algum visitante desavisado que chora escandalosamente ao ver o caixão. Ou quando as coroas de flores vão chegando e precisam abrir espaço para acomodá-las.
Fora isso o papo num velório é sobre amenidades e, veja bem: não há nada de errado nisso. Que bom que além de vivos, conseguimos nos perceber normais.

-Meu deus, a unha do meu pé tá horrível! Que vergonha!!!
-Bobagem tia, ninguém tá reparando.
-Na pressa nem lembrei de calçar um sapato fechado...tsc.
E ainda tem mais maluquices!!
Falando agora em termos estruturais: e o investimento absurdo que se faz em um caixão de madeira nobre? E a grana que se gasta decorando o túmulo com mármore e bronze? E as flores que se perdem, esturricadas sem sombra nem água? O mais engraçado é que as flores dos velórios nunca são de plástico. Compramos flores de plástico para enfeitarmos as nossas casas e desperdiçamos as naturais num enterro.
Mas qual é razão de matarmos diariamente tantas flores nos cemitérios? Só porque o cara morreu temos que oferecer um sacrifício em sua homenagem? Isso não seria muito... PRIMITIVO para os nossos tempos? Seria a mesma coisa que amarrar um cachorro no mármore do jazigo e deixar ele lá, secando ao Sol. Tipo aquelas pirâmides do Egito onde os faraós eram enterrados com os respectivos escravos. Vivos.
-Ok, eu vou morrer, mas levo um monte de lindas flores comigo!!! 
Qual é a vantagem???

"Chorei por ter despedaçado as flores que estão no canteiro.
Os punhos, e os pulsos cortados. E o resto do meu corpo inteiro.
Há flores cobrindo o telhado e embaixo do meu travesseiro.
Há flores por todos os lados, há flores em tudo que eu vejo.
As flores de plástico não morrem."
Titãs e o velório sob a perspectiva do morto. Sim, porque só mesmo lá para haver flores embaixo do... travasseiro.

PS:Felizmente existe no mundo um cara chamado Rafinha Bastos para ilustrar um assunto tosco como esse.
Colocar aqui um morto de verdade ia ser impossível do ponto de vista do bom gosto e respeito pelo tema.


Talvez o ritual de varar a noite num cemitério seja apenas uma maneira de empurrar a dura realidade da perda para um outro dia. Tipo:
-Enquanto amanhã não chega eu só vou pensar na minha dor nas costas, na garrafa de café doce e ácido e na minha amiga que engordou. Sim, porque quando eu puder estar na cama eu vou sentir muita saudade da pessoa morta e ISSO ainda é insuportável para mim.

E o dinheiro gasto com o morto é uma maneira simbólica de investir nele pela útlima vez e dizer que ele vai fazer falta. E vai mesmo, uma vez que você vai ficar longos meses pagando a prestação do velório ao invés de levar a molecada no cinema.
Bem fazem os japoneses que deixam uma discreta caixinha para os visitantes depositarem um dinheiro para ajudar nas despesas do velório. Bacana, né? Muito civilizado esses orientais. E, pela tabela recente, o mínimo que se deve depositar na tal caixa são 30 reais.
Hum... se o cara for popular ainda dá para pagar um pão de queijo no café da manhã.

Preciso urgentemente me convencer de que os rituais do luto são assim: tudo é simbólico e nada deve ser contestado. Muito menos por mim! O tal processo do luto sempre nos faz lembrar que nada mais somos do que uma enorme tribo, com um significado para cada pequeno objeto e/ou comportamento.
E assim será... forever and ever...



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

3 é demais!!!

Era uma vez 3 Porquinhas que viviam na floresta. 
A porquinha mais preguiçosa era a Medicina. Só se preocupava com a vida e nunca se preparava direito para as ameaças que rondavam a sua casa. A segunda, também um pouco preguiçosa, se chamava Lei e a mais trabalhadora e prática era a porquinha chamada Religião.
As três viviam felizes em suas casas, mas foram alertados pela sua mãe, a Dona Moral, que precisavam se proteger de alguns lobos muito, muito malvados chamados Tabús.


Um dia o Tabú da Homossexualidade apareceu na casa de palha da Medicina:
-Abra esta porta que eu quero entrar!!!!
-Não abro, não abro, não abro não!!!!
-Então eu vou provar que sou psiquicamente saudável, não sou perverso, minha racionalidade está em perfeita ordem e nenhuma patologia poderá me definir!!!
O porquinho da Medicina bem que lutou contra o Tabú da Homossexualidade. Catalogou ele em diferentes CIDs, examinou o cérebro para provar a aberração... mas o Tabú da Homossexualidade soprou, soprou , soprou e derrubou a casa da Medicina em 1993 (poquíssimo tempo, né?) e ela percebeu que perdeu a luta:
-Não consigo me defender contra o Tabu da Homossexualidade!!! Tá bom, tá bom, eu me rendo, você é saudável e normal!!!!
E desde então a OMS define que existem 3 orientações sexuais (em alguns casos 5!) aceitas e respeitadas pela sociedade médica.
E a Medicina correu para a casa da sua irmãzinha, a Lei.


Logo o Tabú da Homossexualidade foi bater neste segunda casa:
-Abra esta porta que eu quero entrar!!!!!
-Não abro, não abro, não abro não!!!
-Então eu vou provar que estou tendo meus direitos violados! Que preciso garantir segurança para a minha família depois da minha morte, preciso incluir meus parceiros em planos de saúde. Vou exigir o direito de adotar crianças, preciso ter uma declaração de união estável e um casamento decente para me sentir feliz e tranquilo.
Esta segunda casa foi beeeem mais difícil. O lobo precisou soprar muito, precisou de muita ajuda, mas um dia a casa caiu e muita coisa foi derrubada.

E as duas porquinhas, sem nada para protegê-las, correram para a casa da Religião: toda firme, elegante, feita de tijolos, com janelas gradeadas cheia de cadeados.


Logo, logo o Tabú da Homossexualidade foi bater lá também.
-Abra esta porta que eu quero entrar!
-Não abro, não abro, não abro não!!!!
-Então eu vou provar que Deus me fez assim. Vou provar que, como diz Milton Nascimento, "Qualquer maneira de amar vale a pena", vou te mostrar que, na natureza, a homossexualidade é uma constante, vou te dizer que meu amor por Cristo independe da minha condição sexual.
E o Tabú da Homossexualidade soprou, soprou, soprou tanto que ficou cansado e triste.
Ele queria muito entrar na casa de Deus.


Entrou então pela chaminé. Um jeito errado e mal educado de entrar na casa dos outros. Ele bem que tentou entrar pela porta da frente com dignidade e orgulho, mas não o deixaram. 
E a chaminé era um lugar sujo, escuro, obviamente perigoso e também muito apertado. E o Tabú da Homossexualidade ficou preso lá para sempre. Está, tecnicamente, dentro da casa da Religião, mas o dono da casa finge que não vê e os porcos vivem assim, felizes para sempre.


-THE END- 

E esta história tem variáveis.
Uns chamam os 3 porquinhos de
Os 3 Patetas: bobos, inúteis e hipócritas.




OU...
 


...Os 3 Mosqueteiros: valentes, éticos e protetores
Não importa o nome.
O legal é perceber que, para conquistar definitavamente a sociedade, um tabú precisa derrubar a resistência destas 3 instituições: a Medicina, o Direito Civil e a Religião.
E aí entramos no assunto do post anterior.
O suicídio, e todas as suas variantes (eutanásia, suicídio assitido e ortotanásia), violam as regras básicas das 3 instâncias e POR ISSO é tão chocante e não aceito em nossa sociedade, a famosa "judaico-cristã ocidental". 

A Medicina luta pela manutenção da vida. Raros são os médicos que aceitam um pedido da família para desligar os aparelhos porque isso sempre terá que ser feito escondido, por baixo dos panos. E também é sabido que um suicida não é uma pessoa bem vista num pronto socorro. Já ouvi de um médico:
-A gente aqui se desdobrando para salvar gente e o cara chega a aqui gritando, com raiva, porque o tiro não o matou.
Os suicidas perturbam o pronto socorro e tiram o lugar de gente que deseja viver. A medicina, definitivamente, não abraça a causa.

O Direito nega benefícios para os suicida. Família de suidicas não tem acesso ao seguro de vida, como se fosse uma escolha, fria e calculada, se matar para beneficiar os filhos!  

E a Religião não aceita que qualquer um de nós defina a hora da morte. Só Deus! Ouvi esta semana de um homem: "Deus é o maior assassino do mundo, porque só ele pode matar."
Uhhhhh, pesado isso, né? 
Em alguns cemitérios cristãos os suicidas recebem um espaço reservado apenas para eles. Ouvi falar que na religião judaica eles são enterrados de cabeça para baixo.
Ou seja, não é algo bem quisto por lá também.
E como se não bastasse todo o drama familiar ao perder um filho por suicídio, ainda encontramos religiosos afirmando que eles não vão para o céu ou, pior, não conseguirão fazer a "passagem" facilmente e reencarnarão confusos e angustiados.
Sacanagem.

Dizem que Deus sempre dá a cruz de um tamanho que possamos carregar.


-Vamos garotinho! Força! Você consegue!!


 
Bullshit.
Se todos conseguissem não haveria tantos suicidas no mundo.
Mas isso os 3 porquinhos não vêem de dentro de suas casinhas blindadas.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Eu Tanásia, Tú Tanásias, Eles Tanasiarão...

... se quiserem.

Já escrevi aqui sobe o aborto e apaguei. O que sobrou foi a explicação do porquê eu apaguei ("Quebrando ovos e não fazendo omelete nenhum"). Já defendi a escola pública, já redimensionei o bullying, já disse que House é o meu deus supremo e absoluto.
Deixa eu ver... o que sobrou aqui no meu kit "Sou Polêmica Pacarai".
Deixa eu pensar.
Eutanásia?

Não!!!!!!
Enfiar a eutanásia goela abaixo dos meus leitores seria tão amoroso e sutil quanto alimentar um ganso para preparar um foie gras.
PS: pobres gansos!!!!!!
Eutanásia ou a pena de morte seria indigesto demais para um bloguinho superficial como este que vos fala.
Eutanásia é para o Dr. Kevorkian ou a enfermeira fofa que ajudou no suicídio assistido de dezenas de velhinhos. Não, não estou sendo irônica! Ela era fofa mesmo!!
Eutanásia é para blogs profundos e polêmicos.

Aqui hoje, vou dissensibilizar o povo com a ortotanásia.

Ortotanásia é o que eu poderia chamar de eutanásia passiva. Não há a intenção de provocar a morte num paciente terminal, mas sim de interromper todo e qualquer procedimento médico que o mantenha vivo, deixando a natureza seguir seu curso.
A ortonanásia, é o famoso "desligar dos aparelhos" para proporcionar uma morte indolor.

Concordo com ela e acho isso importante para respeitar a dignidade de um paciente que avisou antecipadamente que não desejaria pagar qualquer preço para ter um coração batendo. Acredito ser importante para libertar a família da angustia da espera e fundamental para desafogar as UTIs tão saturadas de pacientes resistentes à uma morte inevitável.

Claro que o paciente precisa estar realmente nas últimas (cá entre nós, para mim não é tão claro assim, mas a gente começa falando que é claro para não provocar pensamentos complexos demais na galera).
Existem diferentes níveis de estado de coma. Existem prognósticos óbvios e outros mais incertos. E um prognóstico indubitavelmente fechado, nulo, "morte certa" é um bom começo para pensarmos em abreviar a morte de um parente querido.
Mas, para complicar a coisa, existem milagres que fogem à compreensão científica.
Um homem em 1984 sofreu um acidente de carro e ficou 20 anos em coma profundo. Acordou um belo dia e pediu uma Pepsi. Ia ser o melhor merchandising do mundo se alguém tivesse filmado.
Sim, milagres acontecem!!
E o cara, incrivelmente, pode preferir Pepsi do que Coca-cola, hahahaha.

Mas vale lembrar que o homem era saudável e estava apenas sofrendo danos localizados em seu cérebro. O resto do corpo estava bem.
E se o fígado já começa a falhar, os rins precisam de diálise o pulmão exige a ajuda de uma traqueostomia?? O que pensar nessa hora? Que o cara vai acordar e pedir uma Pepsi?? Bah...


Há anos atrás um submarino russo afundou nas profundezes de algum mar gelado. Ficaram lá por dias, semanas até que desistiram do resgate e usaram o comprimido de cianureto reservado para momentos críticos.
Os astronautas também viajam com um desses.
Cianureto: "Não saia da estratosfera sem ele!!"

E agora a pergunta: Porque soldados na guerra, astronautas e tripulação russa do submarino podem se dar a este luxo e ninguém acha ultrajante eles quererem abreviar o próprio sofrimento?
E, na minha modesta opinião, mesmo se suicidando e, teoricamente, violando a lei divina, tenho certeza absoluta que eles foram abolvidos no julgamento final. Claro!! Imgina a sacanagem julgar o cara na porta do céu depois de todo o perrengue que ele passou.
-Você foi um bom homem, trabalhou bem pelo seu país, mas, ao invés de ficar 28 dias embaixo do oceano vc preferiu ficar só 23. Merece o inferno por isso e vai reencarnar como um rato.   
Não, Deus não seria tão mau.

"Em caso de emergência quebre o vidro!"
Será instalado um destes em todos os
 presídios, hospitais, asilos e
shows de axé!! 
Então a minha dúvida é: Por quê não oferecem comprimidos iguais a estes nos presídios, asilos e hospitais? Qual a diferença entre um astronauta perdido no espaço e um velho doente cansado de sofrer?
Além de tudo proibem as pessoas de se suicidarem nestes estabelecimentos colocando grades nas janelas altas e retirando no local todo objeto que possa se transformar em corda ou faca.
Super sacanagem! Algum órgão defensor dos direitos humanos deveria lutar contra esta proibição e deixar as pessoas decidirem sozinhas o que é mais suportável para elas.
E até o cara já condenado à pena de morte não tem o direito de se suicidar. Não é um absurdo??
Hello!! O rapaz já vai morrer mesmo!! Mas não, deixam ele gastando dinheiro público no famoso corredor da espera sem fim. Isso sim é sadismo!

Bom, eu fiz a eutanásia na minha cachorra e foi bem bacana. Fiquei com ela no colo fazendo carinho, dando beijinhos e dizendo que libertaria ela do sofrimento. E ela morreu. E eu continuo indo para o céu depois da cadela morta e tenho certeza que encontrarei ela por lá (esse papo de céu é só para ilustrar a coisa, tá?).
E fizeram a ortotanásia na minha avó quando as complicações dela mostraram que o caminho não tinha volta. E foi bonito e sereno. E ela certamente estará me esperando com seu cheiro doce e seu carinho suave com as unhas, tão característico dela.
A eutanásia na minha cachorra e a ortotanásia da minha avó não prejudicou nossa trajetória espiritual nesta vida e nem nos fez regredir no complexo sistema de pontos das reencarnações.
Sabem por quê? Foi amoroso. Foi um gesto de respeito e carinho, e não um assassinato cruel.

Agora pergunto: Por quê podemos fazer isso em cachorros e não em humanos?
Porque apenas os cães podem ter este privilégio??

Ok, vou parar por aqui porque o ganso já está afogando de tanta informação. Prometi não falar de eutanásia, mas falei. Mas foi com amor, não é? Foi gentil e suave.
Meu foie gras será feito com carinho nos meus leitores. Vou parar por aqui. Darei outras informações importantes apenas amanhã para facilitar a digestão.
Prometo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Estamos procurando chifres em cabeças de camelos!!

Continuo tentando ler a Bíblia. Passei a encarar a coisa como um desafio. Vou incluir na minha lista de coisas que se precisa fazer na vida: ter filho, plantar uma árvore, escrever um livro (um dia escreverei, já escrevi um capítulo, vale?) e ler a Bíblia.
Sofro horrores, mas tento ler todos os dias um pedacinho. Me sinto um adolescente que se gaba de ler 1 capítulo inteiro de um livro recomendado pela escola e fica contando quantas páginas faltam para terminar, hahaha.
Minha boa e velha literatura policial vai ter que esperar mais um pouco.
Sempre me senti inferior por gostar de literatura policial, mas depois que soube que Rita Lee passa suas horas vagas se entregando ao gênero, me senti menos rasa.
Ou não. Rita Lee não é muito parâmetro para ditar a normalidade.

E ontem na Bíblia eu li algo que me deixou perplexa. Deve ser piada velha para vocês cristãos, mas para mim foi uma bela novidade. A história do camelo no buraco da agulha.

"É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha, que um rico entrar no reino dos céus!"

O que me preocupa na história não é a crendice besta de que é impossível servir a Deus e ao dinheiro simultaneamente. Nem a a loucura de um camelo passar pelo buraco de uma agulha.
Já passei da idade de acreditar em bobagens.
O que me preocupa na coisa é que as péssimas traduções nunca são corrigidas. Com humildade, com cuidado e respeito pelos leitores.
Todos os dias jornais, revistas e grandes editoras lançam uma errata, desculpando-se de erros, inevitáveis no decorrer do processo editorial. Afinal, errar é humano.

-Agora acho que ele entra!!!!!
E porque não há uma errata na Bíblia? Ou uma nova edição corrigida e comentada por... sei lá... por mim! Hahahaha!
Ah, já sei, já sei: porque quem escreveu a Bíblia não erra, não é humano.
Sim, eu conheço este pequeno detalhe, mas quem traduziu era o famoso tradutore traditore (tradutor, traidor) que é bem humano e bastante descuidado com os regionalismos de linguagem.
E como nem todos traduziram a partir do original, a coisa foi só piorando, como numa brincadeira de telefone sem fio.
Mônika Pecegueiro do Amaral não cometeria tantos erros assim. Ela sabe que Donut não é uma rosquinha, hahaha, e saberia que camelo é um cordão feito com o pêlo do bicho.
Dãããã, tão óbvio.

E aí me deparo com mil outros erros de tradução na Bíblia:
"Vinde a mim as criancinhas" não tem nenhuma conotação intantil. "Crianças" são as pessoas inferiores do ponto de vista espiritual. Ahhhhhh. Então escreve direito, caramba! Não deixe as crianças irem atrás de religiosos que se baseiam na Bíblia para dizerem que estão cobertos de razão.
Tenho outros absurdos das traduções: espancar a esposa, abandonar a família... coisas que nunca deveriam ser levadas ao pé da letra e nem podem ser consideradas metáforas.
São erros!

Bom, o primeiro livro adulto que li na vida foi "The Physician", de Noah Gordon, absurdamente traduzido para "O Físico" quando na verdade devia ser "O Médico".
Bom livro!  Trata da trajetória linda da vida de um...médico!
Foi um erro grosseiro, mas não prejudicou em nada o andamento da humanidade. Duvido que as inscrições nas faculdades de Física aumentaram devido ao livro. Dúvido também que houve uma guerra na comunidade médica que se sentiu ofendida com tamanho desplante.

Mas um erro na Bíblia pode ter repercussões sérias e é por isso que alguém precisa fazer algo.

Afinal, Bill Gates, que doa uma enorme parte da sua fortuna para avanços tecnológicos, médicos (Thank you, Mr. Gates!!!) e para a Fundação Melinda Gates não pode, nem por um minuto, lamentar o fato do camelo ter nascido com duas corcovas...
Ainda bem que, pelo que eu saiba, ele não está lá muito preocupado para quantos deuses, afinal, ele está servindo, contanto que sirva bem para servir sempre!!!

Aliás, as ilustrações desta passagem Bíblica está errada. Será que este povo nunca ouviu a música? Será que não perceberam que colocaram um dromedário no lugar do camelo???
Mônika Pecegueiro do Amaral saberia disso, hahahaha, tenho certeza. Ela tem cara de quem foi num show dos Titãs na adolescência.

"Há uma questão que há muito tempo me incomoda
Qual será a vantagem de se ter uma ou duas corcovas?
O que iremos formular é somente um questionário
Qual diferença haverá entre o Dromedário e o Camelo?
E entre o Camelo e o Dromedário?
Postos frente a frente causam a mesma impressão
Mas quando postos de lado faz-se logo a correção
O Camelo difere do Dromedário que só tem uma corcova
O Dromedário já difere do Camelo por ter lá suas duas corcovas..."
(Titãs)


ADORO a lenda de que o mascote do cigarro Camel nada mais é do que uma tentativa subliminar de ilustrar... um pênis!!! Já ouviram isso?
Se formos ver por este lado a idéia de um camelo entrando num buraco até que tem um certo charme, hahaha.
"Ei, vamos ver se o seu camelo entra no buraco da minha agulha para alcançarmos o reino dos céus?"
Uhhhhh...  sexy!

sábado, 25 de junho de 2011

Liberdade de expressão


(Freedom of Speech - Norman Rockwell)
 -O que o senhor faria se um filho seu namorasse uma negra?
-Preta Gil, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados.
E não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu.

Um famoso deputado tem dito coisas horríveis por aí. Reacionário, conservador (e ultimamente racista) o cara não se cansa de chocar e agredir.

E ele tá no direito dele.
Infelizmente.

A homofobia é crime quando passa para a agressão e discriminação. Mas exigir que todos amem e concordem com os gays é impossível. E dizer publicamente que ele gosta ou não gosta de um certo grupo não se enquadra em crime nenhum.
Se enquadra, sim, na tal liberdade de expressão, que deveria valer para as coisas que eu assino embaixo e as coisas que eu abomino, mas é incrível como somos intolerantes quando não falam aquilo que gostamos de ouvir.

É claro que seria ótimo se todos usassem o bom senso e cuidassem do que dizem por aí.
Artistas quando falam bobagens na mídia perdem contratos e até empregos. Depois ficam no Twitter se justificando de bolas foras que deram.
Gente normal pode falar o que bem entender que perde apenas (apenas?) amigos.
Políticos podem falar o que quiserem que perderão votos.
E ganharão outros.

Por ser político e representar o povo, eu diria que o tal deputado se arrisca muito, mas pode ter certeza de que ele sabe muito bem cutuar as onças e ganha milhares votos com seus comentários. Ele representa bem uma fatia da população (repulicanos ortodoxos? neo nazistas?) que tornará a votar nele nas próximas eleições.
Quem mandou inventarem a democracia? Agora aguentem...

Se podemos dizer que as "mulheres frutas" são vulgares e apelativas (e dizemos isso sem um pingo de dó), também podemos dizer que as lésbicas são vulgares e apelativas. Dói fundo no meu ser, mas tenho que ouvir isso e respeitar a opinião alheia.

E é por isso que existem as leis.
Posso achar a Mulher Mexirica o fim da picada, mas não posso me recusar a dar aulas para o filho dela e nem exigir que ela use o elevador de serviço quando entrar no meu prédio.
PS: não existe uma mulher mexerica, mas é que não posso falar mal de uma única aqui no blog, hehe. Mas existe a mulher abóbora!! Eu vi. Procurem nas imagens do Google!

Posso também detestar a idéia da homossexualidade, mas não posso me recusar a receber um rapaz gay no posto de saúde.
E nem exigir que ele suba pelo elevador dos fundos.

O certo mesmo seria se fôssemos uns fofos e tivessemos uma aceitação incodicional por todos.
Inclusive pelo famoso deputado.
Inclusive pelos membros da Ku-Klux-Klan.
Mas como isso está fora de questão, vamos seguir as leis e exigir os famosos direitos iguais.

E é aí que a coisa complica.
Quem disse que a opinião dos deputados e senadores sobre os gays pode definir os direitos da classe?
Por quê opiniões pessoais (e pior ainda: religiosas) devem interferir no destino dos outros?
Eu, pessoalmente, nunca me casaria com uma mulher, mas sou sensata o suficiente para entender que há mulheres que queiram.
Eu posso acreditar que a vida vale a pena mesmo num estado vegetativo, mas sou sensata o suficiente para aceitar que a eutanásia pode ser o desejo de alguns.
Isso para não voltar a falar do aborto.

Mas as leis são feitas de maneira suspeita e cheia de segundas intenções. Com favorecimento de terceiros e troca de favores.

Nunca queira saber como são feitas as leis e as salsichas.

Bom, falo isso porque um colega me perguntou ontem: "Qual o limite entre a liberdade de expressão e o crime da homofobia? Ou do racismo?"
É tênue e sutil, mas existe e não há nada de errado um cara sentar numa mesa de bar e dizer que tem nojo de preto ou que teria vergonha de um filho gay.
Ele tá no direito dele.

Não é crime, mas ele poderia guardar estas pérolas para si, já que não há nada mais fora de moda do que comentários deste naipe. Não é benvindo em lugar algum.
Mas se ele quer dar a cara à tapa, então que fale.
E aguente os olhares tortos dos amigos.


Agora um adendo:
Tenho uma certa dúvida em relação ao meu trato com gays.
Se trato a coisa como um bicho de 7 cabeças, eu sou tida como preconceituosa e antiquada. Mas... se trato a coisa com naturalidade e totalmente tranquila (como normalmente faço) sou enxerida e intrometida!
Caramba!!! Como nós, os heterossexuais, deveremos lidar com a história?
Qual o mal em perguntar: "Vejo vocês sempre juntos, vocês estão namorando?" ?????
Pergunto isso para amigos héteros, mas para os homo eu não posso perguntar.
Por quê?
Não querem respeito? Eu quero respeitar!! Juro! Mas para tal precisamos falar a sobre o romance ao invés de tratar a coisa como um enorme tabu.

espadas e bainhas gay friendly!
Vou organizar uma passeata EBS: Espadas e Bainhas (o feminino de espada! rs) que são Simpatizantes para podermos discutir estes assuntos
Queremos ajudar!!! Mas não há vias formais para isso.
Sacanagem.