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terça-feira, 21 de junho de 2011

A memória da pele

A pele é o maior órgão do corpo humano.
Nunca encarei ela exatamente como um órgão, mas é considerada como tal, pelos famosos especialistas.
Para mim ela é apenas algo lindo e vivo.

Aliás, para mim a pele deveria ser usada para representar o amor. Não o coração.
Uma mensagem romântica ficaria assim:

EUvocê!!! 

Hahaha, tem muito mais a ver!

E quem diz que cabelo, olhos, boca, pés (pés???) é a parte mais bonita de um corpo não entende nada.
Uma mulher linda se define pela pele.

Já cheguei perto de modelos famosas e o que mais me impressionou foi justamente a dita cuja.
Um conhecido meu teve a sorte de abraçar Cindy Crawford (no auge da fama da mulher mais linda que já foi feita na Terra). E a pergunta de todos foi:
-E ela é bonita mesmo?
E a resposta do cara foi:
-Ela tem a pele mais perfeita do mundo. 
Bingo!
Juliana Paes (que tem uma bunda considerada bonita) disse que seus amigos comentam sempre que a pele dela é a melhor de todas para ser tocada.
Nada de bunda! Para Juliana Paes a parte mais bonita do corpo dela é a pele.


E além do toque e da cor, a pele ainda tem cheiro. E não vamos nos esquecer do gosto. Ou seja, é uma maravilha para os 5 sentidos. Qual outro órgão do corpo humano proporciona este festival de informações?


"Este corpo moreno, cheiroso e gostoso que você tem." (Bororó)

Gosto salgado de uma pele suada é uma delícia em algumas ocasiões. E o cheiro da pele é o pilar máximo de todo e qualquer atrativo sexual. Cheio de ferormonios, de lembretes olfativos de que alí reside o prazer.

Mas tirando todo o apelo estético-sexual, a pele também é psicologicamente fundamental por ser o limite entre o eu e o mundo.
Dela para dentro é tudo meu. Dela para fora é algo a ser descoberto.

Bebês, quando nascem, não sabem que eles existem. Precisam descobrir, e fazem isso através da pele.
Quando uma mão o toca ele percebe que sua barriga começa alí. Quando o dedão do pé raspa no cobertor ele percebe que seu corpo termina acolá.
E por aí vai todo umlongo e delicado processo de consciência corporal.
A famosa massagem Shantala tem como intenção ampliar este conhecimento e, mais do que isso, fazê-lo de forma afetiva.
E é aí que sentimos o mundo como bom ou ruim. A pele é que recebe esta marca que os psicólogos chamariam de "printing". E esta primeira experiência é importantíssima.

Diz a lenda que é por isso que, dentre as doenças psicossomáticas, aquelas que se apresentam na pele tem relação íntima com a maneira de interagir com o mundo externo. Vitiligo, psoríase, dermatites atópicas em geral tem um fundo emocional.
Hahaha, pode não ter. Mas dizem que tem, então vamos respeitar.

E neurologicamente falando, a pele é formada intra-útero ao mesmo tempo que o fechamento do sistema nervoso. Portanto, é normal manchas e irregularidades no cérebro terem repercussão na pele. Manchas café com leite, pintas despigmatizadas... tudo é motivo de interesse numa avaliação neurológica.
Maluco este espelhamento entre o cérebro com a pele, né?
Dá margem para muitas elocubrações.

Mas hoje eu estou focada na pele porque há algumas semanas, por razões pessoais, me dei conta da importância de sentir o mundo pelo tato.
Bendita pele!
E como toda e qualquer alteração de sensação prejudica em muito a nossa relação com o mundo.

E como a memória da pele é poderosa e nos remete a mundos malucos e nostálgicos
Experiências táteis boas nos dizem: "O mundo é gostoso"
E como o contrário também, infelizmente, é verdadeiro.

E como, às vezes, a pele lembra de coisas que teimamos em esquecer.
Maldita pele.


PS: odeio procurar músicas no Youtube. Os shows tem uma acústica ruim. Os vídeos feitos por amadores tem um som bom, mas são cafonas até dizer chega. E, prá piorar, nos shows João Bosco faz 2 minutos de introdução que faz qualquer um desistir de ouvir a música.
Por isso, quem não conhecer esta lindíssima música (para mim, a mais sensual de toda a MPB) terá agora que aguentar o olhar estrábico de Juma.
Paciência.

Mas...para deixar vocês mais felizes, deixo a Juliana com sua pele macia. Podem olhar enquanto ouvem a música, ok? Hoje eu estou boazinha.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Decadence ou deca...dance???

Inferno astral.
Esta semana farei aniversário e o pior está acontecendo comigo. Não me sinto com a idade que eu tenho.

Não, não corro o risco de virar aquelas coroas ridículas de mini saia e botox na testa. Para chegar neste ponto eu precisava ter atingido algumas etapas óbvias no processo de peruísse como: pintar o cabelo e... fazer as unhas.
No mínimo.
E não faço nada disso. Meu gasto mensal no salão é 30 reais que, na minha cidade, consiste no kit depilação "barba, cabelo e bigode". Básico.
Aos 37 anos meus cabelos brancos estão com preguiça de dar as caras. Deixarei as tintas para a festa de boas vindas no dia em que eles chegarem.

Não corro o risco de ficar ridícula por fora, mas tenho medo de ser ridícula por dentro.

Exemplo? Sapateio o dia inteiro. Sapateado flamenco. E ainda fico marcando o tempo com palmas e canto: "Taca-um-ca-taca-um-ca-tá-um-ca-um-ca-tá-um-ca-um-ca-tá."
E canto mesmo. Baixinho, mas o tempo todo.
Qualquer sapato que eu coloque que tenha um mínimo de salto já me faz começar a sapatear logo no corredor de casa. Aí é o dia todo deixando meu marido com vergonha: "Pára Claudia. Imagina o que o povo deve estar pensando vendo você, uma mulher (ele não completa com a palavra 'madura', mas pensa) batendo o pé desse jeito."
Por ele eu andava de tênis e Havaianas todos os dias para não correr o risco de pagar mico.

Para pessoas assim, cito meu amigo:
"Quem não ouve a melodia acha maluco quem dança... "
(Oswaldo Montenegro)
Hahaha, quando me interessa, acho Oswaldo Montenegro o máximo!!!



E danço flamenco no supermercado, na locadora enquanto escolho o filme, na fila do banco e sempre ao lavar a louça. Não consigo me controlar. Meus dedinhos giram e os braços se abrem como asas, involuntariamente.
É mais forte do que eu.
Já sapateei alto e escandalosamente na Torre Eiffel. O elevador estava quebrado e eu, com minhas botas de salto, fui me meter a besta de subir as escadas de ferro.
Pléc, pléc, pléc.
Não resisti. A acústica é incrível e o barulho, altíssimo. Taca-ta-taca-ta-taca-tatá.
Olé!!!!

Eu sei, ridículo.

Por isso tenho medo. Medo de me esquecer que não posso mais sapatear em público, que não posso mais galopar e virar uma estrela sem mais nem menos, que não posso mais falar de igual para igual com adolescentes e nem devo me demorar nas papelarias admirando os cadernos e estojos da Moranguinho... pena.
Programa de Shopping? Corredor das Barbies nas lojas de brinquedos. Adoro! E tive um azar danado por não ter filhas para ter a desculpa de comprá-las.

Mas é que nada mudou.
Nada!!
Contino igual e meu corpo ainda pede movimentos infantis. Meus olhos ainda precisam de cor de rosa e lilás. Meus ouvidos ainda se emocionam com musiquinhas românticas. E o pior: meu paladar ainda exige brigadeiros e afins.
Não sou adulta. Não tomo nem vinho, nem chá.
Saio para almoçar com as amigas e me sinto a amiguinha teen pedindo guaraná, brownie e lasanha, enquanto elas comem saladinhas, frutas e arrematam com um café.
Não bebo café.
Sou do time do Nescau com tostex.

Bom, resumindo sou como aqueles velhos que dizem que não se sentem velhos. Ouvi isso a vida inteira, mas nunca acreditei que pudesse ser verdade.
Mas é.
E eu não estou achando muita graça disso. Passo o dia todo me controlando para não ser patética e envergonhar meus filhos por terem uma mamãe que se esqueceu de ser adulta.
Como pude me esquecer disso? Como?
Tadinhos...
Triste demais.


SAPATINHO DE CRIANÇA

No seu pequeno sapatinho
Ela dança como se fosse
Uma criança.
Uma criança já crescida
Que não se cansa de dançar
Sem parar.

Criança já não é mais
Se fosse eu estaria a dançar
Junto a ela
Sem parar.

(Priscilla Machado Dziúba)



Bom, pelo menos eu decadanço avec elegance...menos mal.
Pior seria se eu ainda dançasse lambada.

sábado, 18 de junho de 2011

Zona de Desconforto

Quando pequena, eu acordava de madrugada e não conseguia mais dormir.
Medo, pesadelos, sei lá o que me dava.
Então eu ia para a porta do quarto dos meus pais, sentava no chão e ficava batendo bem baixinho, sem saber se eu queria que eles ouvissem ou não.
Mas eles ouviam.
Me davam umas palmadas e me mandavam de volta para cama.
Daí eu chorava até cair no sono e acordava feliz da vida.
Simples assim.
Não! Não era dramático, não. Naquela década as palmadas faziam parte da infância e ninguém se preocupava com isso. E era uma palmadinha de leve, só com barulho e efeito moral.
Bom, eu, como uma boa criancinha criada nos moldes de Pavlov (vide post: "Alunos Cadeirantes"), associei palmada com sono e, um dia, o milagre da aprendizagem aconteceu: comecei a pedir palmada para dormir.

Hahaha, a palmada virou meu sagrado Rivotril!! Invadia o quarto dos meus pais e dizia:
-Me dá uma palmada para eu dormir?
E o pior de tudo é que eles davam!
Minha insônia se curou e os pesadelos deram uma trégua.

~ Happy End ~

Bom, digo isso porque é incrível como às vezes precisamos de um certo estresse para conseguir ter êxito nas coisas.
Eu sou assim. Sempre fui.

-Oh não! Não leu o código de barras!
Vou ter que digitar os numerozinhos todos!
Ferrou!!!!
Querem um exemplo? Adoro ficar com vontade de fazer xixi. Me deixa aflita e aí eu faço tudo rápido. Fico super eficiente quando estou apertada! Uma maravilha.
O problema é quando lido com imprevistos...haha.

E quando escrevo aqui no blog preciso apertar meus joelhos contra o tampo da mesa. Dói. Eles ficam marcados. Mas só assim consigo escrever... vai entender.







Procrastinação é a arte de empurrar as coisas com a barriga.
Um dia li um artigo na Época sobre como não ser asssim.
Especialistas ensinavam a deixar tudo em dia. Organizar a rotina. Listar prioridades a serem cumpridas.
O especialista devia ser virginiano...hehe.

Mas aí, no meio da reportagem tinha o depoimento de uma mocinha que disse:
"Deixo tudo para a última hora. Se tenho um mês para entregar um trabalho eu só consigo fazê-lo na madrugada da véspera. Mas não desejo mudar. Gosto de ser assim porque a ansiedade me deixa atenta e me faz ser produtiva."

Pois é... tenho companhia na minha mania masoquista de lidar com a produtividade.

Mas acontece que os especialistas se esqueceram que as pessoas são diferentes e não se organizam da mesma forma.
Na hora de estudar para uma prova, uns gostam de fazer resumo da matéria.
Hahahah, nunca entendi isso! Na faculdade tinha gente que escrevia páginas e páginas de... resumo!
Outros não conseguem ler um livro sem sublinhar as partes mais importantes. Compreendem o assunto melhor assim (e emporcalham o livro, muitas vezes emprestado!).
Uns fazem um esquema gráfico dos temas, com flechas, quadros, tabelas. Tem necessidade de se organizar espacialmente. Meu marido é deste time. São as personalidades "Power Point".

E tem gente, como eu, que não faz nada. Vai nadar, deita no Sol e fica pensando. Só fazendo conexôes mentais.
E aí, aos 43 minutos do segundo tempo senta louca de vontade de fazer xixi, aperta o joelho no tampo da mesa e... voilá! Produz em minutos o que os outros levaram dias. E, geralmente, sai bem bom...

Tem gente que só estuda com TV ligada, música alta ou no meio da bagunça da casa.
Aí vem os "especialistas" e dizem que precisamos estudar em silêncio, num espaço limpo e organizado.
Bah. Quem disse?

Já li que os bagunceios são mais criativos porque se deparam o tempo todo com estímulos visuais que lhes favorecem a criação. Já li também que ouvir música ajuda algumas pessoas a pensar melhor.
Procedimento não se ensina e nem se discute. Cada um tem o seu.
E cada um paga seu preço para produzir suas pérolas.


-Nossa, hoje eu escrevi como ninguém!
Agora só preciso ir quebrar minhas pedras nos rins




quinta-feira, 16 de junho de 2011

Receita para criar menino

Você quer ter um filho educado? Com vocabulário rico, noções de cidadania, compreensão ecológica e que respeita valores como amizade, honestidade, lealdade e respeito às diferenças ???? E que, de lambuja, ainda ganhe noções rítmicas de salsa, tango, conheça os intrumentos musicais, saiba algo de inglês e bastante sobre conhecimentos gerais?

Seus problemas acabaram!
Sua resposta está aqui:

Falo sério.
Toda família deveria ganhar uma assinatura de Discovery Kids assim que o filho completa 1 ano de idade.
O mundo certamente seria melhor.

Não estou exagerando não, nada é melhor do que o cachorrinho Doki para educar uma criança até os 5 anos de idade. Depois disso eles já têm o pepino suficientemente torcido para encarar desenhos violentos, sarcásticos, sexistas e alucinantes do Cartoon Network. Já serão boas crianças e, portanto, podem curtir uma adrenalina com uma dose de erotismo.

Quem fala que atualmente os desenhos não são tão legais como eram antigamente nunca viu Discorery Kids. Claro que não devemos encarar a programação do canal como entretenimento, porque é claro que uma Corrida Maluca é mais legal que Peixonauta.
Mas eu encaro o canal como uma escola digital. Um "Telecurso Mini-Grau".
-Quer faltar na escola hoje? Ok, mas tem que ficar a manhã inteira assistindo Discovery Kids!

Hahahaha!
E quem diz que Backyardigans é péssimo (li isso outro dia no Facebook, absurdo!!!) é porque nunca se deliciou com o quinteto dançando sincronizado diversos ritmos.

Mas há exceções.
Barney é exageradamente animado e fica o tempo todo dando lição de moral. E a fala dele é babaca demais. Não consigo assitir a um episódio inteiro. Ainda mais agora que eu fiquei sabendo que a Baby Bop mudou o nome para... Jéssica.
"-Riroca? Minha mãe estava realmente sem pecado e sem juízo quando
teve essa idéia maluca. Vou mudar meu nome agora!
Deixa eu ver: Juliana, Patrícia... ah, já sei: Sarah Sheeva! 
Finalmente vou ter um nome normal. 
Ah, e para compensar as maluquices dela, eu vou parar
 de fazer sexo também. "
PS: Estão rebatizando o mundo e eu não estou gostando nada disso. Nossa querida Sininho virou Tinkerbell. Riroca já tinha virado Sarah Sheeva. Bah...

Outro péssimo é lazy Town. Aliás, é o único que tem o manjado modelo maniqueísta: herói X vilão. Muitas crianças tem medo do Robbie Rotten e com razão. Já me peguei mil vezes desligando a TV porque meus filhos estavam assutados. O desenho joga muito diretamente com as mensagens de alimentação saudável e exercícios físicos. Passam a idéia de maneira dogmárica e repetitiva. As músicas são chatas e o cenário exagerado.

Mas o resto é bem legal.
A grande maioria deles coloca um dilema e mostra às crianças o caminho para a resolução dos problemas:

1- Diagosticar o problema
2- Criar hipóteses através do pensamento e da observação.
3- Pensar em estratégias para a resolver o desafio.
4- Colocá-las em prática usando o raciocínio.
5- Ir eliminando as possibilidades e aprimorando o método de resolução.
6- Ter persistência para não desistir.
7- Pedir ajuda para as pessoas certas.


Qual a escola que faz isso pelo meu filho?
Nenhuma.
As escolas usam o pensamento como castigo (vide post: "Alunos Cadeirantes") e não estão interessadas no passo-a-passo da construção de um conhecimento.

Pinky Dinky Doo, seu irmãozinho Tyler e o porquinho da índia (bem contente, rsrs) deveriam ser professores dos meus filhos.
Aí sim eu ficaria tranquila...

"Quando tenho um problema e não sei o que fazer, eu penso, penso, penso, penso, até eu resolver." 
(Pinky Dinky Doo)

O draminha chatinho da vida privada.

Ando fuçando em alguns blogs. Nunca fiz isso, mas depois que inventei a moda quis conhececer outros. E descobri que tem muita gente que usa o espaço para falar da vida pessoal, tipo: "Fiquei horas no telefone, tentando convencer o meu convênio médico a liberar um exame que eu precisava para... blá, blá, blá".
Descreve detalhes do que a atendente respondeu, do que o médico pediu.
Tédio.
Aí vai a mesma coisa que eu disse sobre as redes sociais (post: "Como ser legal no Facebook"). Quem disse que a sua vida é diferente da vida dos outros? Quem nunca teve problemas com convênios médicos? Quem nunca teve problemas com entrega de produtos comprados na net? Todos nós, né?  E por quê, então, um pobre coitado precisa ler detalhes da situação vivida por um blogueiro?

Para não ser ególatra ao tentar socializar um assunto pessoal, seja pelo menos criativo. Como o cara que teve a guitarra quebrada pela United Airlines. Ele reclama com estilo e um refrão bonitinho que está há mais de um ano grudado no meu cérebro.




Se você não tem talento e nem amigos que topem pagar um mico desses, então eu tenho uma dica: Procon.

E as mães que tem um blog só para contar detalhes dos filhos? Tããããão chato! Quem, além das avós, se interessa por uma coisa daquelas? E será que as crianças, depois de adultos, perdoarão os pais por exporem suas mini vidas daquele jeito?

Aqui no blog eu cito situações mundanas que aconteceram comigo, sim, mas é só para dar impulso para entrar num assunto geral. E tomo o máximo de cuidado para não expôr ninguém e nem idolatrar meus filhos. Que, sim, são fofos e espertos, mas não precisam de confete.

Bom, falo tudo isso porque estava inundada de assuntos pessoais nos últimos dias. Sobrecarregada de coisas minhas e de mais ninguém. Portanto, não havia jeito de escrever num blog. Eu poderia escrever num diário, mas também estava sem paciência para isso.
E acho ótimo poder poupar o mundo dos meus assuntos pessoais.

Essa coisa de redes sociais, reality show, paparazzi, culto às celebridades faz com que nossa vidinha particular seja assunto para divagações coletivas.
Ficamos expostos num gigantesco aquário. E os assuntos realmente coletivos ficam em segundo plano, abandonados no meio das preocupações mundanas:
"Carolina Dieckmann é flagrada tomando sorvete com o filho." Flagrada???? Achava que flagra fosse coisa proibida do tipo: beijando um colega de elenco, cheirando cocaina no Leblon, tirando meleca do nariz...
"Maitê Proença vai à India se preparar espiritualmente para um grande amor."
Bah....

E nas redes sociais então? Uma mulher adulta, acorda, vai para o net e escreve: "Acordei malzinha." Prá que tanto diminutivo, meu Deus? E ainda coloca no fim aquelas carinhas que eu odeio!!!
Tipo: :ó( 
Aí todo mundo enche a mensagem de comentários: "O que foi????????"; "Tadinha..."; "Se precisar de mim estou aqui."... ai que cansativo!

Bom, resumindo, não faz meu estilo.
Portanto este espaço não é para contar notícias minhas e nem para descrever detalhes de histórias cansativas.
Por isso ele estava interrompido.
Mas agora..... we`re back!

"Yeah, baby, yeah!!"


sexta-feira, 3 de junho de 2011

La vie n`est pas rose...réel.

Minha avó morreu há 9 anos. Deixou saudade e o seu cheiro delicioso em vários lugares.
Esta semana abri um livro dela para ler e o cheiro estava lá.

"Porque meu coração dispara
quando tem o seu cheiro dentro de um livro."
(Calcanhoto)

Eu sei, eu sei, já fiz essa citação aqui antes, mas não tinha como não repetí-la.
Incrível como as folhas de papel guardam a essência das pessoas que folhearam. Bom demais saber que as mãos dela viraram cada uma daquelas páginas, tocaram a capa lustrosa dezenas de vezes.

E dentro do livro da minha avó, além do cheiro, havia... papéis de Sonho de Valsa!!  Não o laminado prateado. O cefolafe cor-de-rosa.
Alisados e cuidadosamente embalsamados pelas páginas do livro. E os casais estiveram dançando lá dentro por anos sem que ninguém notasse suas existências.

Fiquei me perguntando por qual razão minha avó guardou pedaços tão mundanos de plástico. Coisa banal, que jogamos no lixo sem pestanejar.
Mas ela decidiu quardá-los para a eternidade... por quê?
Será que o bombom lhe foi dado por um cortejador romântico?
Será que o casal dançando a fazia lembrar de bailes inesquecíveis?

A verdade é que minha avó era uma sábia.
Ontem comprei um saco de Sonho de Valsa e, adivinha?
O plastico cor-de-rosa não existe mais. Sumiu!
No seu lugar existe agora um laminado rosa lacrando o chocolate à vácuo para que ele se mantenha crocante por mais tempo. O bombom agora não é preso apenas pela torção do papel (como uma bala). Ele é embalado num saco e, depois, torcido apenas para manter o aspecto tradicional do Sonho de Valsa.


"Pink - it was love at first sight
And Pink when I turn out the light
Pink gets me high as a kite
And I think everything is going

to be all right"
(Steven Tyler gostando de ser gay)

Triste.
As crianças nunca mais terão a chance de colocarem o celofane na frente dos olhos para poder enxergar o mundo em cor-de-rosa.
Nunca mais poderemos esticar o plastico e soprá-lo forte, fazendo um assobio agudo e alto.












Os casais dançando ainda estão lá. O aspecto geral ainda é rosa e brilhante e o bombom continua com o mesmo gosto (agora mais crocante!!), mas o plástico não existe mais.
Coisa boba, imperceptível, mas que abala nossa história pessoal e afeta nosso apego às tradições.

Um dia li uma crônica (de alguém que não me lembro) contando que tinha ouvido um boato de que o sabonete "Phebo" sairia do mercado. O cara entrou em pânico. Correu no supermercado e comprou todo o estoque para garantir munição no caso de uma hecatombe nos produtos de higiene pessoal. O alarme era falso, mas o desespero de perder o sabonete com cheiro de história despertou no cronista um apego desmedido pelas coisinhas banais.

A mesma coisa com o plastiquinho quadrado do Sonho de Valsa.
O bombom nem é assim tão gostoso e os papéis celofanes cor-de rosa existem nas papelarias aos montes, por 0,25 centavos a folha. Podemos continuar a ver o mundo cor-de-rosa pagando muito pouco por isso.
Nada foi realmente perdido.
Apenas a tradição.
Já não bastasse a morte da minha avó (muito, muito amada), ainda temos que perder pequenas e grandes coisas no nosso dia-a-dia.
Nossa árvore genealógica perdeu folhas e galhos.

Ainda bem que existem produtos que sabem deste nosso apego às bobagens e ressucitaram embalagens antigas.
Tenho no meu armário uma lata de Aveia Quaker (maravilhosa) imitanto as antigas. Comprei porque não resisti, tamanha a beleza do rótulo vintage. Comprei também toda a linha de embalagens comemorativas do Nescau (não são lindas?) e, ano passado, adquiri muitas latas de Leite Moça com a logomarca antiga.

Mas a embalagem do Sonho de Valsa não vai voltar nunca mais.
A tecnologia agora é outra.
Sorte que minha avó era uma visionária e me deixou de herança pedacinhos de plástico estampado com casais dançando.

Historinha Ilustrativa
Meu filho, aos 4 anos, olhando para a represa perguntou:
-Mamãe, o que é balsa?
Achei a pergunta estranhíssima, afinal ele anda de balsa todas as semanas. Moramos numa cidade que é praticamente uma ilha e a as balsas fazem parte da nossa rotina. Falei para ele da estranheza da pergunta dele e ele explicou.
-Eu sei o que é balsa, mamãe. Mas queria entender o que é um "Sonho de Balsa".

Tadinho. Tenho dó das crianças que gastam suas preciosas sinapses tentando achar explicação para coisas surreais.


-Não é balsa, meu filho. É valsa. E eu também não sei o que é um sonho de valsa. Existem coisas que nem os adultos entendem, acredita?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

TPM =Tenha Piedade de Mim


Uma conhecida veio com essa idéia semana passada. Achei a teoria tão interessante que continuei pensando nela até hoje.
Ok, vamos lá.
Minha amiga tem TPMs fortíssimas. O marido, a empregada e seus funcionários sofrem na mão dela durante 10 dias. Todos os meses. Ela tem 31 anos, é casada mas não tem filhos.
Semana passada me falou, em tom de desabafo:
-Ai, acho que meu corpo está bravo comigo.
-Como assim?
-Acho que todo mês meu útero fica bravo porque eu não estou grávida e se vinga de mim me deixando triste, irritada e em maus lençóis com as pessoas com quem eu convivo.

Uau! Adorei esta imagem. O útero, fulo da vida, gritando 10 dias seguidos:


"Eu não aguento mais essa vida inútil! Minha auto-estima está péssima.
O coração trabalha prá caramba, súper eficiente e workaholic. O cérebro, se pára, os povo já declara a morte. Até a ridícula da vesícula provoca um problema danado se arranja uma pedrinha.
E eu? Fico o mês inteiro arrumando o salão, deixando tudo em ordem para receber visita e... todo mês me dão o bolo!!! Sacanagem! Tenho que jogar tudo no lixo. A comida, a decoração...
Agora deram para enfiar um DIU em mim que me deixa 5 anos (eu disse CINCO!!!!!) sem fazer absolutamente nada!
Vocês pensam que é fácil? Com o intestino aqui ao lado me cutucando, a bexiga me amassando e eu... só à toa?? Impedida de trabalhar? Me colocam "na geladeira" e acham que eu vou ficar quieto??
Que nada.
Vou transformar a vida desse povo num inferno. Vou amaldiçoar o marido por não deixá-la procriar. Vou detonar o povo do trabalho por não deixá-la ficar em casa tendo filhos. E vou irritar a bendita até ela implorar para ter criancinhas catarrentas pulando no seu sofá.

Quero crescer e ficar do tamanho de uma melancia. Quero pezinhos me dando chutes. Quero esmagar o intestino e a bexiga para me vingar por todos estes anos sofrendo na mão deles. 
Eu sou o simbolo da vida. Sou badalado e famoso. Mas só me dão atenção quando trabalho, e os tontos não me deixam trabalhar... caraca.
Deixa eu ocitocinizar a galera. Prolactinizar essa mulherada."  

Não é interessante esta idéia de achar que o corpo fala realmente?
Se todas as mulheres do mundo procriassem ininterruptamente não haveria TPM. O mundo talvez seria mais doce e os casamentos mais pacíficos.
Mas insitem para que os filhos sejam adiados o máximo possível e aí a irritação do útero toma proporções descabidas. Prá piorar inventaram de superpopulacionar o mundo e deixam os pobrezinhos cada ano mais à toa.
Que coisa, né?
Será que depois dos filhos nascidos a TPM diminui?
Eu não posso responder esta pergunta já que nunca sofri monstruosamente deste mal. Mas vou investigar e continuar a minha pesquisa maluca.

Um dia um aluninho meu (3 anos) me contou que se lembrava de quando vivia na barriga da mãe. Eu, toda interessada, perguntei: "E como é que era lá dentro?". Ele parou, olhou para o lado, e falou bem sério:
-Tinha cheiro de cocô.

E não é o moleque me mostrou algo que eu nunca tinha pensado? Capaz de ter mesmo.
Pobre útero...