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domingo, 15 de maio de 2011

Meu medo será a tua herança


"O Grito"
 Existem reuniões de apoio a alcoólatras (AA), parentes de aloólatras (Al-Anom), a sexoadictos (Lembram do filme "Carne Trêmula"?).
Uma vez conheci uma mulher que frequentava o Neuróticos Anônimos (NA). Gente que se reúne para confessar que tem medos despropositados e que sentem muita vergonha por serem assim, tão... neuróticos.


E o Cantinho psiquiátrico de hoje é: Diferença entre neurose e psicose.
Neurose: "Eu sei que a barata não vai me comer, eu sei que é só um inseto, eu sei que mato ela numa pisada, mas não consigo entrar nesta cozinha com ela lá dentro". O TOC, por exemplo, é uma neurose: "Sei que não preciso verificar a porta 10 vezes antes de sair, mas não consigo evitar."
Psicose: "Esta barata, na verdade, é um alienígena que veio me abduzir.".


Depressão pós parto neurótica: "Eu sei que o meu bebê precisa de mim, sei que ele está com fome, eu sei que eu deveria cudar dele, mas eu não consigo segurá-lo". A mãe precisa ter alguém ao lado para ajudá-la.
Depressão pós-parto psicótica: "Este bebê está chorando só para me infernizar. Ele faz isso porque sabe que eu detesto!!!". Nestes casos a criança corre risco de vida e precisa ser afastada da mãe.


Ciúme neurótico: "Eu sei que minha namorada é psicóloga, sei que ela precisa atender bem os pacientes, mas tenho ciúmes quando ela entra na sala, sozinha, com homens".
Ciúme psicótico: "Tenho certeza absoluta que aquele cara que marca horário com ela, na verdade, é um amante e que eles ficam transando dentro da sala de atendimento por uma hora." Não dá nem para argumentar com um cara desses. Ele acha que a teoria dele é verdadeira e não há como provar o contrário. E se a sua secretária for te defender ele acha que ela é cúmplice. Um inferno...


Resumindo, neurose é algo corriqueiro, mundano. Somos todos neuróticos em diversos graus: fóbicos, ansiosos, sistemáticos, ciumentos, etc. A pessoa tem a noção do exagero da sua preocupação e tem vergonha da situação ridícula que ela mesma cria, mas não consegue se controlar.
Na psicose não há vergonha porque a pessoa acredita que seu pensamento é o verdadeiro. Não dá para argumentar contra um raciocínio psicótico porque a realidade da pessoa é totalmente outra.
Existe uma outra diferenciação, que fala da capacidade de simbolizar. Mas é mais complexo. Fiqemos com esta simples e didática.

Na faculade aprendi:
"Psicótico é aquele que acredita que 2+2=5.
Neurótico é aquele que sabe que 2+2=4... mas não se conforma."



Ok? Entenderam?
Bom, então lá vai.
Na minha opinião devemos controlar nossas neuroses para não contaminar nossos filhos.
Filho de mãe que tem medo de borboleta aprende a ter medo de borboleta.
Filho de pai que tem medo de elevador, cresce tendo que usar as escadas.
"A criança doente"
Filho de mãe hipocondríaca, que acha a todo momento que o filho está doente, cresce se achando frágil e ansioso. Tem mãe que, patologicamente, acredita que o filho está sempre doente e, se ele está bem, ela provoca uma doença nele. Duvidam? Existe sim!!!! Loucura, loucura!! Mas isso já é uma psicose (ou uma perversão) coisa bem mais séria.

A grande maioria é só neurotiquinha, dessas que não deixa o menino chupar picolé porque teve uma gripe na semana passada, dessas que não deixa ele nadar porque tossiu de noite, que fica louca se ele anda pela casa sem sapato...
Drauzio Varella sempre fala: será que estes pais não perceberam que o que deixa uma criança doente são vírus e bactérias??? Picolé, vento, piscina e pé no chão não tem nada a ver com a história!

E tem mãe e pai que morre de medo de tudo: sequestro, acidentes, más companhias, do filho se perder, dele morrer... e transformam a vida da criança num inferno. Não deixam ela ir nas excurssões da escola, não deixam ela ir na padaria da esquina, não deixam ela dormir sozinha com medo de engasgar e morrer, não deixam ela dormir na casa dos amigos com medo do pai da criança ser um pedófilo louco!!!!

A neurose dos pais deveria ser trabalhada da seguinte forma: "Sei que tenho problema, mas meu filho não tem nada a ver com isso. Não quero prejudicar a vida dele com meus medos exagerados. Vou me tratar e poupá-lo o máximo possível!". 
Hahaha, quem dera...

O problema é que sendo assim, tão neuróricos, os pais só fazem com que a criança tenha medo, ache que o mundo é perigoso, que as pessoas são más, que ela é muito incompetente e não consegue se virar sozinha.

"A mãe morta"
Existem crianças que, felizmente, possuem uma alta resiliência e aprendem rapidinho a passar por cima das neuroses dos pais.
Simbolicamente matam os pais e se criam sozinhas.
Tenho uma conhecida que tem pânico de bicicleta e água. Nunca deixou o único filho andar de bici e nem nadar. Quando o garoto fez 12 anos ele se rebelou e aprendeu escondido. Quando ela viu já era tarde demais: ele já andava na bicicleta dos amigos e nadava na represa feliz da vida.  Ela diz que ficou brava, mas no fundo, no fundo, teve orgulho: "Ufa, ele se salvou da minha neurose!"

Mas o problema é que quando a criança tem esta capacidade de trilhar seu próprio caminho ela acaba tendo uma vida paralela e, diante de qualquer problema, não contam para os pais. Conheci uma jovem que sofreu um sequestro relâmpago, teve a conta bancária zerada e não contou nada para os pais: "Se eles soubessem eles não iam aguentar!". Teve que lidar com o trauma e quitar todas as dívidas sozinha, porque ELES não podiam ficar chateados.
E o tanto de criança que sofre sozinha, bullying e afins, porque os pais ficarão tão arrasados com a história que é melhor deixar prá lá?
No dia em que seu filho achar que tem que te poupar do mundo, é sinal de que você está realmente se mostrando frágil demais. Melhor mudar isso logo!

O mundo é perigoso? Pode ser. As pessoas são perigosas? Podem ser. A criança pode ficar doente? Pode. Ela pode morrer? Claro!  Mas não podemos viver a vida preocupados com tudo o que pode acontecer de errado com os nossos filhos. É claro que devemos evitar as preocupações excessivas porque nos fazem sofrer, porque é ruim, mas, mais do que tudo, porque temos a obrigação de passar para a criança de que a vida é boa e deve ser vivida intensamente.
Porque, afinal, um dia ela pode te perguntar: "Se o mundo é assim tão ruim por que foi então que você me fez nascer??"

E é uma maravilha ver como as crianças se viram bem com os problemas que encontram pela vida. Como resolvem as coisas de um jeito bacana, como encontram soluções inusitadas para probleminhas que acontecem nas excurssões da escola (e contam orgulhosos depois) e como superam bem as gripes e resfriados!

Vocês não viram Esqueceram de Mim? Não sabem que as crianças são espertonas?



Estou metida demais. Sou que nem o "Fantástico" e o "Domingão do Faustão" que escolhe um artista e divulga suas obras no fundo do cenário.
Outro dia coloquei o delicioso ilustrador Norman Rockwell no Post "Como ser Legal no Facebook."
Hoje escolhi Edvard Munch... claro! Quem mais poderia ilustrar melhor o medo?

sábado, 14 de maio de 2011

Relatório Psicológico

CLAUDIA FONTENELLIX GONÇALVES
PSICÓLOGA
CRP: 06/22.1974
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Babaorum, 11 de Maio de 50, a.c..

A quem possa interessar,

Durante este último mês estive avaliando o paciente OBELIX, 23 anos, gaulês,  filho de Uderzo e Goscciny.

Na primeira infãncia Obelix sofreu um acidente doméstico em que caiu dentro de um caldeirão de poção mágica. Por sorte o líquido estava apenas morno, mas a criança afogou-se e sofreu anóxia por alguns minutos, provocando-lhe uma paralisia cerebral sequelar.
A Ressonância Magnética do crânio, entretanto, não pôde ser realizada. A técnica da radiologia alega que, devido ao sobrepeso, o paciente não coube no túnel máquina.


Entretanto o seu QI é realmente abaixo da média. É socialmente perceptível os sinais de uma deficiencia mental leve: apresenta uma fala despropositada, riso desmotivado, compreende mal instruções simples, tem uma mania de bater com o dedo indicador na têmpora (estereotipias manuais) e é bastante impuslivo e agressivo, mesmo sem ter sido provocado.  
Contra ele, existem 56 processos por lesões corporais e danos materiais e morais contra terceiros.

imagem 1: estereotipia manual index-temporal

imagem 2: riso desmotivado












Possui uma paranóia persecutória em relação aos legionários romanos, chegando a balançar árvores da região esperando que algum deles caia no chão. Acredita que todos os romanos são loucos, numa projeção clara de sua própria perturbação mental.

Seu exame clínico mostrou um peso corporal que já pode ser classificado como obesidade mórbida. Tem uma compulsão alimentar patológica e uma voracidade preocupante, principalmente com a proteína animal. Recomendei substituir os javalis pelo consumo de peixe, mas ele diz não gostar do fornecedor de sua comunidade local.

Trabalha como carregador de menires e, devido à sua atividade laboral, apresenta diversos problemas ortopédicos, principalmente na altura da coluna cervical e lombar.
Sua altura é muito acima da média o que acaba provocando nele o hábito de andar encurvado, piorando em muito suas dores nas costas.
Prescrevo Pilates (não Pilatos!!!!!) e Alongamento 3x por semana. Encaminho-o ao nutricionista para mudanças urgentes em sua dieta.

Exames laboratoriais apontam para uma toxidade elevada, decorrente do alto índice da poção mágica em sua corrente sanguínea. 
Do ponto de vista afetivo-emocional, Obelix é tímido e, apesar da idade, continua virgem.
Vive sozinho com um cachorro e mantém apenas um único amigo que, inclusive, foi quem o acompanhou às consultas todas as vezes.
Ele mesmo caça seu alimento, prepara suas refeições e organiza sua casa. 
Relata ter uma paixão platônica por uma moça chamada Falbalá, mas nega qualquer tipo de aproximação com o sexo oposto. 
Foi cogitada pela nossa equipe uma relação homossexual com o seu amigo Asterix. Este tal amigo, ao contrário de Obelix, nunca se interessou por mulheres, é solitário e estranhamente apegado a Obelix (chegando a ter uma relação que eu considero simbiótica). 

Por conta disso, o paciente foi posto numa sessão de observação livre onde ele não sabia que estava sendo filmado. Colocamos diversos objetos adultos para que ele pudesse escolher livremente. Obelix deu preferência por revistas voltadas a um público masculino (vide foto abaixo).
Não houve nenhuma tentativa de masturbação. Descobrimos posteriormente que o paciente desconhece o próprio pênis por conta de sua enorme barriga.

Ele diz também que que nunca teve nenhum interesse por um bardo gay que habita sua aldeia e que o uso de bigode é apenas uma moda de sua comunidade, não tendo nenhuma relação com o Village People ou Fred Mercury. Diz também odiar homens de sandálias e roupas estilo pareô (moda romana).


imagem 3: Obelix na observação com revistas masculinas (Asterix, o amigo, ao fundo)
      

Por tudo isso, fica claro que Asterix, o amigo supostamente homossexual, está agindo de má fé abusando de um deficiente mental tímido com sérios problemas de saúde. Asterix o incentiva à luta, à gula e já mostrou pouca vontade de colaborar com a vida sexual/afetiva do paciente em questão.
Recomendo o afastamento provisório da dupla para verificar as melhoras que, certamente, acontecerão em poucas semanas. O bem estar físico e mental do paciente depende prioritariamente deste afastamento.
Já encaminhei a minha solicitação a Abracourcix, o chefe da aldeia, mas sua resposta foi que não pode separar os seus dois melhores guerreiros porque deles depende a independência da comunidade.

Portanto, encaminho hoje este pedido à Roma, na esperança que Julio César convença a aldeia gaulesa a realizar as devidas mudanças para otimizar a qualidade de vida de um deficiente mental. Ele precisa com urgência de atendimento especializado como também se afastar de pederastas que abusam de sua inocência.

Confio em Jùlio César e torço para que os gauleses sejam suficientemente sensatos e dêem a devida atenção a um pedido especial do magnânimo imperador romano.



                                             Ave César,          
                                                                                
                                                                                    Claudia Fontenellix Gonçalves


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Hoje paguei R$361,83 de CRP e precisava muito usar o meu direito de dar palpite na vida dos outros para fazer valer o investimento, hahaha.
Ufa, sinto-me mais poderosa agora.
                                             Coloco-me à disposição para maiores esclarecimentos.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um som ambiente para o seu porão.


Não consigo sair do assunto dos porões e sótãos do post anterior, e o pior é que fiquei presa justamente no porão. Maldito Josef Fritzl!!! Vai procurar meu disco do Blitz e me deixa em paz!!!!


"Hei, Fritz, cadê meu disco do Blitz?"
(Os mulheres negras)


Ai, ai.
Bom, enquanto estive filosofando no porão, me dei conta de como a popularidade dos porões é incrivelemente maior que a dos sótãos. Ninguém está interessado em gente bem resolvida e feliz. Amamos saber das dores da perda, das feridas sangrenta do amor que se foi, da delícia sádica em ver a fulana que te largou se dando mal na vida... putz... um prato cheio para as músicas de baixo calão.

E a dor de corno é o pano de fundo básico para todas elas. As variações são pequenas e, as vezes, quase imperceptíveis.

"Eu vou escrever no seu muro e violentar o seu gosto, eu quero roubar no seu jogo, eu já arranhei os seus discos. Que é pra ver se você volta, que é pra ver se você vem, que é pra ver se você olha prá mim..." (Adriana Calcanhoto)
"Dei prá mal dizer o nosso lar. Prá sujar teu nome, te humilhar e me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso. Até provar que ainda sou tua." (Chico Buarque)
"E nessa loucura de dizer que não te quero, vou levando as aparências, disfarçando as evidências, mas prá que viver mentindo se eu não posso enganar meu coração..." (José Augusto)
"Você me trocou por uma loira, e agora você quer mais que eu morra. Me disse que eu era muito especial, que tinha o beijo quente e uma boca sensual. (...) O que é que ela tem que eu não tenho???" (Afrodite se Quiser)
Essa última é boa demais, adoro! (afrodite se quiserem)

Bom, eu poderia ficar aqui o dia inteiro tamanha a abundância de opções, mas tenho uma música que ganha de todas porque, nela, a mulher sofredora adora o homem pelo avesso do avesso do avesso do avesso.
É uma mistura de Chico e Caetano!!!

Ela não quer só escrever no muro, acordar a família, arranhar os discos e sujar o nome do cara só para chamar a atenção e se vingar.
Não! Isso é pouco.
Ela teria prazer em... morrer... SÓ para saber que ele derramaria uma lágrima por ela. Tipos:"Morro, mas o cara vai chorar por mim! Oba!"
Tadinha.
Os suicidas possuem, mesmo sem desejar (afinal eles estão perturbados demais para desejar algo), este lado sádico por saber que provocarão o sofrimento nos outros. É comum ficarmos com uma mistura de dó e raiva do suicida, não é? E eles, indubitavelmente, estavam no porão do amor quando morreram.

E é óbvio que somente um fado seria capaz de tamanho baixo astral. Aliás os habitantes da península ibérica são mestres em nos fazer ter vontade de cortar os pulsos. Lembrei agora do Obelix dançando as músicas flamencas sofridas no "Asterix na Hispania." Lembram?


 "Ayayayaya que desgraça ter nascidoooooooooooo! Ayayayaya mãezinha por que me fizeste isso??" (Goscinny)

E o Ideafix uivando em solidariedade, hahahah, Ó-TI-MO!!!


O fado português é tão sofrido que se torna lindo. Eu disse que é muito atraente esta história de sofrer por amor, não disse?
A letra da minha música eleita diz tudo: dormir e acordar mal, dizer que não quer mais o cara mas sonhar com ele de noite, encarar o sofrimento como um castigo, dormir no chão duro em cima do xale, medo de morrer no porão do amor, enfim, todos os ingredientes necessários para um belo drama.
Ouçam, mas não fiquem no porão, ok? Enxuguem as lágrimas e corram ao primeiro andar comer junk food, assitir a uma TV e falar mal da loira.




Lágrima

(Amalia Rodrigues)
Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
E com mais penas me levanto
No meu peito
Já me ficou no meu peito
Este jeito
O jeito de te querer tanto
Desespero
Tenho por meu desespero
Dentro de mim
Dentro de mim o castigo
Eu não te quero
Eu digo que não te quero
E de noite
De noite sonho contigo
Se considero
Que um dia hei de morrer
No desepero
Que tenho de te não ver
Estendo o meu xaile
Estendo o meu xaile no chão
Estendo o meu xaile
E deixo-me adormecer
Se eu soubesse
Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias
Tu me havias de chorar
Por uma lágrima
Por uma lágrima tua
Que alegría
Me deixaria matar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Era uma casa muito engraçada...



Uma vez li um livro desses BEEEM de auto-ajuda, cafona até não poder mais, mas não é que o tal livrinho reafirmou aquilo que eu já acreditava sobre o que é o amor verdadeiro? Não é que ele fez sentido para mim?
Ai que vergonha. Ler um livro de auto-ajuda e achar ele bacana deveria automaticamente bloquear o meu registro no CRP.

Rainha de Copas
 que habita meu super ego!
-Você gostou de um livro de auto-ajuda? Não pode ser psicóloga, então!! Cortem-lhe o diploma!!!
-Mas rainha, eu pintei todos os livros do Augusto Cury de vermelho! Odeio Augusto Cury com todas as minhas forças!
-Ah, ok, pague seu CRP deste ano e não repita isso NUNCA MAIS!!!!
(estamos em Maio e eu ainda não paguei)

Ufa...
Bom, o livro chama-se "Enquanto o amor não vem", de uma mulher que resolveu mudar o nome para Iyanla Vanzant. Tem umas maluquices religiosas e um exagero na importância das condições do nascimento para vida da pessoa, mas tirando isso, a conclusão que o livro chega é o que diz o senso comum: precisamos nos amar e nos conhecer para que sejamos amados pela pessoa certa.
Mas, calma, não é só isso! A mulher também fala de pessoas que estão no porão da casa do amor. Outras estão no primeiro andar, poucas no segundo, e raras, raríssimas, no sótão.

Eu explico: O sentimento do tipo "Prefiro ver você morto do que feliz com outra pessoa!" ou "Se você me abandonar eu morro" é de quem está no subsolo escuro e deprimente do amor. Este amor destrutivo e imaturo que, obviamente, nunca levará ninguém à felicidade.
Muita gente passa a vida inteira no porão e, como não conhece nenhum outro lugar para se viver, acaba achando que aquela vida é a única que poderá ter. Posso ilustrar esta situação com a seguinte foto de um famoso porão na Áustria:

-Ah, bonitinho, colorido, dá para viver bem aqui por... 27 anos.


Tem gente que não conhece outros modelos de amor e relacionamento. Foram criados por pais neuróticos, infelizes e ciumentos, cresce repetindo este modelo e, consequentemente, sofrendo horrores. Tadinho, não sabe que existe uma vida feliz fora do porão do amor. Conheço gente assim. Em geral estão sozinhos ou infernizando a vida dos parceiros.

Um dia, depois de penarem bastante, poderão subir ao primeiro andar. Aí começam a dizer coisas do tipo:"Você pode sair, mas eu tenho todo o direito de ficar triste." ou "Amiga, dá uma olhada no que meu namorado vai aprontar hoje na festa?" . Essas são frases de alguém que está só no primeiro andar da casa do amor.

PS: me sinto ridícula falando "casa do amor"!!! Parece que estou cantando "No lindo lago do amor". Dói no ouvido de vocês, eu sei, mas fiquem sabendo que dói também na minha auto estima (minha Rainha de Copas também não me permite falar babaquices). Mas tenho que continuar, sorry.

Bom, este povo do primeiro andar tem muito ainda o que aprender sobre amor próprio e respeito pelo parceiro.

O sentimento do tipo: "Fique tranquilo, vá para aonde quiser. Queria ficar hoje em casa, mas vou ficar feliz por você estar se divertindo." é de quem já subiu ao segundo andar da tal casa. Gente que não precisa de você para ser feliz. Bacana demais! E além de tudo me conquistaria na hora porque eu acho absurdamente sexy homens bem resolvidos. (post: "I´m too sexy for my cat").

"O amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade.
Eu sofro mas eu vou te libertar."
(Raul Seixas, chegando ao segundo andar)



Se estas pessoas conseguirem ser felizes na liberdade e conseguirem atingir o desprendimento afetivo do ser amado, aí um dia, quem sabe, ela encontrará uma escada que a levará ao sótão.

No sotão da casa habita a meia dúzia de pessoas que possuem a incrível capacidade do amor universal, eterno e incondicional. "Eu te amo pelo que você é, e não pelo que você pode me dar. Eu te amo para sempre, independentemente do que você faça comigo. Eu te amo e quero te ver feliz, mesmo que for com uma outra pessoa. Torço por você sempre."
Uau!
Você conhece pessoas que já conseguiram subir ao sótão? Eu sim. Fui educada e criada por uma delas. Tive uma sorte danada.
São raras as pessoas que conhecem o sótão. Não é um lugar confortável para todos. Podemos morrer sem conhecer o sótão da casa do amor, mas, tudo bem, não precisam se preocupar com isso. Atingir o segundo andar já é suficiente para se ter paz nos relacionamentos.

Bom, mas o que a autora se esqueceu é que a pessoa que habita a casa do amor em geral circula pela casa. Precisa ir dormir em paz no segundo andar, precisa receber visitas e ter um pouco de ciúmes no primeiro, e, claro, precisa lavar a roupa suja no porão. Descer ao porão, vez ou outra, pode ser inevitável para alguns.

Digo isso porque nestes últimos dias conversei com pessoas que reclamam da inconstância do sentimento que nutrem pelo ser amado: "Tem dias que eu odeio, tem dias que eu tenho pena, tem dias que quero que seja feliz, tem dias que eu quero de volta, tem dias que eu quero que morra!!!".
Uma loucura passional!
Estas pessoas parecem zumbis circulando incessantemente pela casa do amor, tropeçando pelas escadas e se deparando com sentimentos ambíguos em cada andar. São pessoas que andam frequentando bastante o porão, e quando chegam lá ficam com medo de serem aprisionadas para o resto da vida.

O nosso Josef Fritzl interno, que habita nosso medo de morrer no porão do amor

É terrível mesmo o medo de sofrer para sempre com os sentimentos pequenos, mesquinhos e inferiores que brotam no porão da casa do amor. Medo de sermos infantilizados por um tirano maluco que deseja nos dominar.
Mas fiquem sabendo que o porão é passageiro e que o sótão existe. Ele está lá em cima te esperando, iluminado e arejado, bem perto do céu. E lá em cima, nada irá perturbar a sua paz.
Confie nisso, ok?

sábado, 7 de maio de 2011

Fio Terra


Sabe aquele povo que diz que compra Playboy para ler as entrevistas?
Então, eu sou deste tipo.
Nunca comprei, mas lia todas as entrevistas das revistas que caíam na minha mão. Adorava em especial um questionário rápido que havia no final: "20 perguntas para...".
Uma vez li um desses com um cara descolado da música. Não me lembro quem era (Supla? Evandro Mesquita? Lobão?), mas no meia da entrevista perguntaram: "
-Qual foi o lugar mais estranho que você já transou?
E ele foi bem rápido:
 -Na cama

Exato!!!!
Sou também desta opinião. Não consigo associar cama com sexo. Cama é lugar para ler livro, tirar uma soneca, descansar quando se está gripada, chorar quando se está deprimida, para as crianças pularem e bagunçarem quando você acabou de arrumar... MIL coisas, menos sexo.
Tive uma longa juventude cheia de experiências improvisadas, longe das camas. Olho para outros tantos lugares e penso em sexo.
Cama não!

E, sem sombra de dúvida, a coisa melhor para se fazer numa cama é dormir abraçadinho, mesmo sem sexo nenhum envolvido na história.

Cheguei à conclusão que o bom sono é aquele desencadeado quando a energia do seu corpo migra para um  corpo alheio e, aí, as energias se neutralizam e dá para se dormir em paz.
Mas não adianta abraçar só com o tronco. Não descansa o suficiente! É preciso de um fio terra, é preciso encostar os pés, e ISSO é algo que só pode ser feito numa cama.
O ideal mesmo são três pontos de contato com o corpo do outro: rosto, barriga e perna; mão, quadril e pé; ombro, braço e joelho... não importa, mas tem que ser, no mínimo, três!
Na minha cabeça leiga deve ser um "fio" positivo, um negativo e um terra, neutralizador.
Sei lá, mas façam a experiência e comprovem. Depois me digam.
Não adianta só dar as mãos para o parceiro ou jogar os braços por cima dele, tem que se enrolar de acordo.

Algum dia um físico chegará a esta conclusão e revolucionará o conceito da bioenergética.

Tenho pena das pessoas que estão solteiras há muito tempo. Não pela falta de sexo em si, mas pela falta desta neutralização das energias. Falta de contato corporal deixa a pessoa tensa, irritada e mau humorada.
Eu acho isso.
E não adianta ir num massagista ou abraçar os amigos. Tem que abraçar deitado, com o corpo todo.
E junto com o abraço tem a sensação infante de se sentir ninado e acolhido.
Boa demais.

Uma vez assisti a um filme (Frankie and Johnny, 1991) em que Al Pacino paga uma prostituta para passar a noite com ele. A moça chega toda fogosa perguntando: "Qual posição você vai querer?", e ele responde: "Conchinha.".
Abraça a prostituta e dorme com ela a noite toda.
Entendo o Al Pacino. Eu também pagaria alguém para, literalmente, dormir comigo.
Definitivamente não nasci para dormir sozinha.

Nos tempos em que fiquei sozinha quase contratei um "Personal Teddy Bear" para as noites de inverno. Aliás, é uma profissão digna, que deveria existir e ser valorizada.

Personal Teddy Bear correndo entre um serviço e outro.

E não adianta comprar boneca inflável ou aqueles travesseiros bizarros em forma de braços e pernas. Já viram? Deprimente!
E eles não devem resolver nada, porque o que nos faz dormir bem não é o formato do corpo alheio mas sim o calor, a pele, a respiração, o cheiro e a energia. Nenhum boneco ou travesseiro dará conta das sutilezas energéticas de um parceiro de verdade.

Entendo bem essa história do homem que transa e vai embora rápido para não correr o risco de dormir ao lado da moça. Dormir junto é infinitamente mais íntimo do que o sexo para algumas mulheres. Dormir junto provoca cumplicidade. Há trocas mútuas de amparo e zelo na escuridão da noite.
Dormir junto, portanto, configura compromisso e afeto, e se não for isso que o cara quer demonstrar, então que vá embora mesmo!!
"Um pequeno passo para o homem,
mas um grande salto para uma mulher."





Sexo na cama? Ok, tá bom... mas só se for para dormir abraçada depois. Nada de sexo na cama sem compromisso sério e "conchinha" no fim da noite.

Se for para sair correndo depois, prefiro sexo em outro lugar. Cama é um território sagrado demais para encontros fugazes e passageiros.

Uma leitora maluca acaba de me perguntar se já fiz sexo em cima da árvore. Putz... nunca, e nem imagino como isso pode acontecer.
Agora então faço uma entrevista com meus adoráveis leitores.
Mantendo o anonimato (comentário anônimo, sem assinar) digam aí: qual foi o lugar mais estranho que vocês já fizeram sexo?
Vamos esperar para ver quem ganha a disputa de bizarrice!!!!! Em cima da árvore eu truco...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Como ser legal no Facebook

-Aí ele entrou no mural dela e escreveu um monte de bobagem.
-Ah, jura?
-Sim, ele sempre faz isso, é um babaca.
-Depois vou ver no meu Blackberry.
No começo as pessoas entravam nas redes sociais para falarem da vida real. Hoje em dia percebo um fenômeno surreal: as pessoas se encontram na vida real para comentarem sobre as relações dentro da internet.
E como o povo a-do-ra uma fofoca, é comum sentarem em mesas de bar para falarem mal das pessoas sem noção... no Facebook!!!!!!
Nas minhas últimas andanças pelas reuniões de amigos é só o que rola nas conversas! "Nossa, você viu que ridículo as fotos do cara?", "Meu, você viu o comentário infeliz que a fulana fez no mural do ciclano?". É muito comum, inclusive, alguém sacar um ipad na roda para o povo desatualizado conferir a história.

Por isso, caro leitor, é importante você compreender que não é possível você criar uma personalidade maluca na net e achar que pode continuar sendo quem você é na vida real. Não dá. Sua vidinha virtual agora lhe acompanha nas festas, reuniões de trabalho e eventos familiares.

E como existe gente chata na vida real, existe também na rede social. Aqui estão algumas dicas de como ser o mais legal possível... dentro das suas possibilidades, é claro
Como está havendo um Orkutcídio entre todas as pessoas que conheço, vou então me concentrar no bom e velho Facebook.
Mil coisas loucas e erradas são cometidas diariamente no Facebook e ninguém está ao seu lado para lhe dizer o que deve e o que não deve ser feito por lá, mas pode ter certeza que dizem nas suas costas... bem no meio das festinhas!
Bom senso? Não podemos contar com ele porque as pessoas que fazem bobagem são justamente aquelas que não tem um pingo de bom senso.
Ah vá... jura???

Ok, vamos então às regras para ser legal:
  • Não pedir para pessoas absolutamente estranhas serem seus amigos.


    -Ei mãe, que tal a gatinha que eu
    chamei para ser minha amiga?
Não pode. É feio. Desde a época em que garotas não deviam ser escandalosas e oferecidas, é sabido que as pessoas devem primeiro se respeitar para exigirem respeito aos outros. Precisamos nos dar valor, e pedir para desconhecidos serem nossos amigos é tão triste quanto dizer "Boa Noite" ao Cid Moreira. (para quem não reconheceu, é a piada do cúmulo da solidão).
Qual o limite?? Bom, colegas da escola pode, mesmo que você nunca tenha conversado muito com o cara. Marido de amiga não deve, a não ser que vocês também se conheçam pessoalmente. Clientes e pacientes, depende da relação estabelecida. Sou amiga no Facebook do meu médico, hahaha. E o pior é que fui eu que convidei!! Mas é que achei que tinha a ver.
E, óbvio: se o cara não aceitar não insista. Acredita que eu já fiz isso?? Já mandei uma mensagem para uma (até então) amiga dizendo: "Ei, por que você não quer ser minha amiga no Facebook?". Ela me respondeu algo tão pesado que me fez chorar. Depois me aceitou e hoje estamos bem. Mas não faria isso de novo.
Sim, eu já fui totalmente inapropriada no Facebook. Hoje aprendi a ser mais contida.



  • Não sugerir amigos esdrúxulos para os outros.
O certo mesmo é não sugerir amigo nenhum porque, teoricamente, cada um sabe muito bem onde procurar seus colegas. Mas se você perceber que seu amigo está perdido no Facebook há mais de um ano sem se dar conta que os amigos de infância dele também estão por lá, pode então sugerir. Mas só se você tiver CERTEZA ABSOLUTA que ambos os lados ficarão felizes com a amizade virtual.
É como organizar a divisão das mesas numa festa de casamento. É importante ter noção de quem gostaria de conversar com quem. Sugerir, por exemplo, uma ex-namorada do cara é bobagem. Sugerir uma pessoa que você mesmo não suporta é empurrar o problema para o outro. Sugerir gente famosa só para mostrar que você é amigo de uma celebridade é babaquice (acham que isso não acontece? pois acreditem, aconteceu comigo).




  • Por respeito aos outros usuários, ponha uma foto no perfil.




  • O negócio chama "Facebook" justamente para você colocar a sua FACE no quadradinho correspondente. Entenderam?? Posso até acreditar que você não tenha uma foto decente para socializar na rede (eu também já passei por isso), mas então ache alguma imagem que tenha a ver com você. Uma mandala, uma Harley Davidson, a foto do seu cachorro, do seu filho, da sua clarineta ou qualquer outro amuleto que você tiver em casa. Mas mostre que você se dedica ao seu grupo e não aja como se você fosse você uma pessoa ocupada demais para se preocupar com uma rede social. É antipático e arrogante. Se for para ser assim, nem entre.


    • Nunca se esqueça que seus comentários estão soltos na internet.
    Pode parecer óbvio, mas para algumas pessoas não é. Por mais que você controle as pessoas que tem acesso ao seu mural, sempre é bom ter cuidados. Por exemplo nunca escrever: "Embarcando de novo a trabalho para Campo Grande, saco!!!!!!", "Pior que isso só minha chefe de TPM" ou "Estou querendo mudar de emprego, se alguém souber de algo me avise." Burrice, né?
    E não coloque nada que você possa se arrepender no futuro como, por exemplo, fotos de mulheres no motel (existe, eu vi!!!), fotos de você na balada com jeito de mano dizendo "uhuuuuu", fotos de você com carinha de biscate, dentre outras.
    Seja generoso com o que for mostrar nos murais alheios, ok?

    • Por favor, não divulgue tudo o que você estiver fazendo
    -Meu filho tá doente, vou avisar lá no Face.
    Pense o seguinte: a quem isso poderá interessar? Quem precisa saber a que horas você acordou num sábado ou que você está com uma mega insônia às 3 da manhã? Quem precisa saber que você está preso no trânsito? Ou que seu cachorro está doente? Ou que você está num almoço com a família?
    Se você souber de alguém que possa se interessar por estes assuntos, então pode colocar esta preciosa informação na rede, mas ponha também um pedido de desculpas entre parênteses por estar invadindo a vida alheia com egolatria desnecessária.
    Lembre-se que, por mais que você queira acreditar nisso, sua vida não é diferente de ninguém.
    Ninguém entra numa roda de conversa anunciando: "Oi, tudo bem, meu filho está com diarréia." O assunto até pode surgir no meio de uma conversa (não há nada de errado em você se preocupar com o seu pequeno), mas nunca deve ser a razão principal do seu comentário no mural.
    Tente postar sempre coisas de interesse geral: "O Flamengo ganhou, acharam o corpo do Bin Laden, um cachorro vira lata está desidratado precisando de adoção, o show da Maria Gadú é bacana, recomendo."

    • Manere nos links
    Sabe aquele cara que conta uma piada que ninguém acha graça e, mesmo assim, ele continua contando? Então, a mesma coisa com os links. Se você colocar um link e NINGUÉM "curtir" a sua contribuição com a rede, procure melhorar no próximo. Se, mesmo assim, a coisa continuar abandonada, esqueça os links por uns dias e fique só observando a dinâmica do seu grupo de amigos. O grupo tem interesses próprios e os assuntos dos links devem ser legais e interessantes para ELES não apenas para você.
    Lembre que a coisa é uma rede SOCIAL e não um espaço de divagações particulares. Para isso existem... blogs!!!! Hahahaha.



  • Cuidado com o seu nível de agressão e sarcasmo



    • -Tudo começou no facebook, diretor.
    Não estamos conversando ao vivo com as pessoas, portanto fica difícil subentender ironia e sarcasmo nos comentários escritos pelo Facebook. Você pode facilmente comprar uma briga internáutica E real com um simples comentário mal compreendido no Facebook. Se comprar uma briga for realmente o seu interesse, vá fundo e aguente as consequências.
    Mas se não, você pode minimizar a coisa tentando mostrar que está sendo engraçado. Para isso coloque no fim da frase uma carinha malandra (que eu particularmente detesto) ou uma risadinha do tipo "rsrs".
    Ex: "Nada é mais deplorável do que esta sua foto na Muralha da China ;o)".
    O cara até fica bravo e não entende a razão de tamanha rispidez, mas com a carinha fofa ele acredita que foi um comentário engraçadinho e, portanto, te perdoa.

    •   Assuntos do chat e mensagens particulares não devem ser divulgados
    • -Ele disse?
      -Não acredito.
    Chat e Mensagens são espaços reservado para fofocas, confissões e desabafos.
    Não deve sair de lá.
    Nunca socialize uma informação recebida por estes canais porque, se o assunto não está no mural, deve haver uma razão para isso. Respeite as normas e compreenda a ética do sistema para não ficar com fama de fofoqueiro.
    Entenderam?







    •  As fotos devem ser escolhidas e não precisam ser abundantes
    Você já foi visitar gente que coloca o vídeo do casamento ou da formatura para você assistir? É um porre, né?
    Eu já tive o desprazer de visitar uma casal e ter que ficar uma hora no sofá vendo um vídeo de parto!!!!
    Ou você já sentou ao lado de uma velhinha que saca da bolsa as fotos dos netos mesmo sem você ter esboçado o menor interesse em ver? 
    Pois é, pense nestas pessoas e se inspire no oposto disto ao colocar suas fotos e videos pessoais na rede. Ao invés de descarregar todo o pen-drive da câmera diretamente no álbum do Facebook, selecione umas 3 ou 4 fotos que possa trazer informações e beleza para os seus amigos.
    Colabore com a estética do mundo, a começar cuidando da poluição visual do seu mural.


    • Ser legal não custa nada.
    Por mais que você não tenha achado o bebê da sua prima uma graça ou não tenha achado lindo o cabelo novo da sua amiga, diga que gostou. Ou, pelo menos, "curta" a foto. Não custa nada ser bacana e dilpomático. Elogiar os outros, dizer coisas agradáveis e ser simpático é a lição número 1 para conquistar pessoas e ser querido. Exercite isso no seu dia-a-dia como também no seu Facebook. Gentileza gera gentileza!


    •  Trabalho, trabalho, Facebook à parte.
    Seu trabalho tem um espaço próprio dentro da rede, chama-se Linked in. Facebook não é lugar para divulgar seus projetos profissionais e nem fazer propaganda do seu produto. É um espaço de lazer, de bate-papo informal. Mas você pode ter um segundo perfil, reservado só para o seu negócio. Isso pode, mas nem sempre é bem recebido, saiba disso.
    Não é porque você se interessa por arquitetura que TODO o evento envolvendo o tema deva ser divulgado na rede. Poupe as pessoas do seu deslumbramento sobre um assunto específico, a não ser que o assunto for bem recebido e amplamente comentado e "curtido".
    Gente que leva trabalho para o Facebook provoca nos seres "normais" uma consciência pesada por estarem tratando de amenidades, easy-talk, enquanto o cara fica focado em trabalho o tempo todo.
    Resumindo: workaholics não são bem vindos.

    Eu mesma já cheguei a pedir desculpas por incomodar as pessoas com as notificações deste blog que vos fala. Tenho vergonha de postar ele todos os dias no meu mural. Mas aí veio gente pedindo para eu não parar de notificar lá no Facebook.
    Continuo, mas confesso que fico MUITO sem graça com isso. Já escrevi para uma amiga americana me desculpando pelo excesso de informações sobre o blog (que ela obviamente não deve ler) e sugeri, inclusive, que ela me excluísse do recebimento de notificações dela.
    Ela disse que não tem problema, mas deve ter achado uma ótima idéia me excluir, o que eu me deixa aliviada.
    Chato demais incomodar os outros.

    -Desculpa aí por incomodar vocês com meu blog diário no Facebook.

    Putz... tem tanta coisa que eu nem sei mais como continuar. Tem gente que bate papo no mural ao invés de usar o chat, gente que abusa de temas religiosos, gente que faz campanha do tipo "Coloca isso no seu mural se...", gente antipática que nunca comenta nada...
    E antes que alguém diga algo, devo adiantar que eu mesma estou longe de ser alguém híper legal. Na vida real e no Facebook.
    Mas estou tentando melhorar a cada dia, ok?

    E vocês o que acham desta história? O que está faltando aqui?

    terça-feira, 3 de maio de 2011

    Céu de Brigadeiro



    Hoje peguei um vôo que saiu atrasado por causa da neblina. Enquanto esperávamos meu filho perguntou se o céu deveria estar "de brigadeiro" para o avião decolar.
    Acho bonitinho eles saberem o significado disso, mas é óbvio que qualquer criança depois que ouve uma expressão desta uma única vez na vida jamais se esquecerá dela. A idéia de um céu de brigadeiro é legal demais para ser ignorada.
    Não filho, não precisa. Os aviões conseguem voar guiados por instrumentos, que é seguro também.

    Voar com o céu azul, limpo, sem nenhum risco da visão ficar prejudicada é raro. Não dá para contar com as bençãos da natureza todos os dias. Foi necessário, então, inventar maneiras de decolar e pousar sem visibilidade nenhuma e, mesmo assim, realizar uma viagem sem trombadas. Foi preciso inventar computadores e GPS que inspirem confiança suficiente para a coisa funcionar num nível suportável de estresse.
    E é importante também que nenhum Legacy cruze nosso caminho com os sinalizadores desligados.

    Tudo isso de avião e instrumentos fez muito sentido para mim porque, nessa minha viagem, aconteceu algo que me fez sentir exatamente como um avião sem vizibilidade precisando de ajuda externa para avaliar seu desempenho. No meio da viagem apareceu do nada alguém que me disse: "Vai tranquila, seu trajeto está bom, sua altitude é correta e, acima de toda a neblina, o céu está azul.".
    E este meu amigo surreal era um instrumento confiável. Um GPS guiado pelos satélites mais modernos.
    Fiquei feliz da vida.

    Ok, explico.
    Existem situações em que conseguimos ter confiança suficiente em nós mesmos para dar conta dos desafios que a vida nos coloca. Nessas horas nosso céu parece estar azul e o dia limpo e lindo. Não precisamos da ajuda de ninguém para nos dizer como e o que fazer, já que a visibilidade dos nossos potenciais é ótima e nossa auto-confiança está perfeita. Só o conhecimento que possuimos e a nossa experiência prévia já dão conta do recado.
    Eu tinha isso quando era professora. Nenhuma situação era assustadora a ponto de abalar meu poder junto à molecada. Todos os dias na pré-escola eram perfeitos e nenhuma turbulência era capaz de me deixar insegura. Nunca precisei de alguém para me dizer: "Você é uma boa professora.".
    Eu sabia que era boa.

    Entretanto, existem situações em que o céu está nublado, chuvoso e, prá piorar, temos que decolar no escuro.
    Sabem do que estou falando?
    Já aconteceu de você não ter a mais remota noção da sua capacidade? Já aconteceu de você entrar num terreno profissional, pessoal ou afetivo em que nada ao redor lhe parece familiar? E você fica que nem tonto tateando no escuro sem saber para onde ir?
    Pois é. Eu me sinto assim algumas vezes.
    É terrível.
    A minha vontade é de fazer um pouso de emergência e liberar máscaras de oxigênio para a galera que deposita algum tipo de expectativa sobre mim.
    É aterrorizante prosseguir num projeto sem uma única gota de auto-confiança.

    Bom, é nessas horas que precisamos ter nossos queridos instrumentos que nos darão o feed-back necessário para prosseguirmos nossa empreitada. Gente que aparece para te elogiar, para te motivar, para te dizer que você está bem.
    Ou não! Pode acontecer dos seus intrumentos surgirem para lhe mostrar algo que deva ser mudado, ajustar um detalhe fora do prumo ou para corrigir falhas que certamente serão sentidas lá na frente.
    É uma delícia poder contar com nossos instrumentos.
    Quando estamos deprimidos ou em crise é ótimo ter alguém que nos diz: "Você precisa largar seu emprego. Você deveria mudar de país. Você precisa urgentemente mudar sua vida."  ou "Confie no seu sonho que ele te levará a um lugar seguro. Você tem talento, continue investindo na sua profissão."

    Mas os instrumentos tem que ser confiáveis.
    Sim, porque não é qualquer elogio que nos fazem soltar rojões, não é? E também não é qualquer crítica que devemos dar ouvidos.
    Escolher bem nossos instrumentos é essencial para o sucesso da viagem.
    Inicialmente teremos que analisar nosso histórico junto à pessoa que está nos avaliando.
    Se é a sua mãe (que acha LINDO tudo o que você fez na vida) não vale. É um instrumento viciado. Uma pessoa muito próxima não tem o distanciamento suficiente para enxergar algo que você também não está vendo. Claro.
    Se, ao contrário, seu instrumento é alguém que tem inveja da sua situação ou não conhece bulhufas do assunto, a opinião desta pessoa também não vale de nada.  Tipo um padre que diz como você deve cuidar do seu casamento. Não entendo como isso pode ser possível.

    Tem que ser alguém pragmático e desapegado de afetos. E inteligente. E experiente.
    Tem que ser...


    -SAUDAÇÕES VULCANAS


    Tive, por exemplo, alguns Spocks aqui no blog. Gente que não tem contato pessoal comigo, não tem nenhum interesse em me prestigiar, mas apareceram do nada para elogiar o que eu escrevo.
    Legal demais.
    E mais legal ainda quando estes vulcanos são especialistas em literatura, em humor bem trabalhado, em pensamentos inteligentes, em bom gosto musical ou possuem uma incrível experiência de vida.
    Foi exatamente isso que aconteceu comigo há dois dias atrás.

    Mas os instrumentos aqui no blog também me puxam a orelha e me colocam no rumo certo. E isso também é bom.
    Há uma semana tive uma crise de insônia e escrevi um post horrível, de péssimo gosto, ainda hipnotizada com a história do "Do, a Deer, a female Deer" (maldito veado!!!).
    No dia seguinte acordei arrependida e corri no computador para excluí-lo. Durante a madrugada, felizmente, houve apenas 9 acessos ao post, mas no meio dos poucos leitores que leram a minha bobagem tinha um comentário dizendo resumidamente: "Tire isso que você escreveu. Não está bom.".
    Tirei.
    E tiraria mesmo sem a opinião do anônimo leitor.

    É uma delícia andar por aqui guiada por instrumentos, já que escrever nunca foi um céu de brigadeiro para mim.
    Confio neles e sou humilde o suficiente para ouvir críticas.
    Obrigada a todos os meus GPSs.