sábado, 5 de março de 2011

Um acidente de carro por dia!

No início do livro "Comer, Rezar e Amar" (Elizabeth Gilbert) a mocinha descreve tantas cenas familiares que eu tive que recorrer à capa do livro algumas vezes para verificar o nome da autora e ter certeza de que não tinha sido eu que escrevi tudo aquilo.
Não era. Infelizmente minha conta bancária continuava irrisória.

Mas podia muito bem ter sido. É incrível imaginar que alguém vivenciou e agiu exatamente da mesma forma que eu em várias situações, principalmente na separação dela com o marido.
Comecei a ler imaginando que teria uma uma leitura leve, divertida, mas no primeiro dia passei a noite em claro, perturbada com as imagens que há tempos não habitavam mais a minha nova vida.

O livro não está comigo e por isso não vou conseguir copiar os trechos, mas algumas frases dela descrevendo o processo de separação são tão fortes que não me saem da cabeça:

"Ficar era tão difícil quanto ir embora. E ir embora era tão difícil quanto ficar."
"E a noite era sempre a mesma coisa: choradeira no banheiro. Por quê sempre no banheiro?"
"Separar é como você sofrer um acidente de carro sério, diariamente, por dois anos consecutivos."









Tive um processo insuportável de separação. Não por culpa de ninguém (já que nunca convivi com pessoas que abandonaram a civilidade, o respeito e o carinho por mim), mas porque mudar de vida é difícil prá caramba!!

O desapego dói em todos os poros e desperta nosso medo primário de abandono e solidão. E depois de um tempo descobri que a mudança de vida é difícil principalmente porque decodificar os sinais que nosso self nos dá e compreender nossos desejos é um trabalho infantil que exige humildade.
Não entenderam? Explico:

A psicólga da Déborah Secco (sim, a Bruna Surfistinha) uma vez perguntou a ela numa sessão quais eram os sonhos que ela tinha quando criança. Déborah Secco disse que não conseguia lembrar, mas depois de um certo esforço conseguiu pescar eles lá do fundo de sua mente adulta. E eles estavam lá, vivos, ofuscados pelas preocupações com o sucesso profissional e problemas amorosos.
Quando Déborah lembrou ela começou a reorganizar sua vida para os SEUS desejos, que não eram exatamento os mesmos que o mundo dizia que ela deveria ter.

Esta historinha dos bastidores emocionais das celebridades é ótima. Apareceu para mim numa revista de consultório médico que acabou se tornando a minha bíblia, depois de um ano sofrendo acidentes de carro diariamente.

Ao contrário de Liz Gilbert, eu não quis ficar dois anos assim, e nem podia já que a minha seguradora só cobriria um único ano de perdas totais.

E, assim como a confusa Déborah, eu também não conseguia acessar meus desejos infantis, mas tive que ser babaca o suficiente para fazer E responder um caderninho de perguntas na minha casa.
E aí eles apareceram: meus bons e velhos amiguinhos, os sonhos infantis!!

Caderno de Perguntas era um caderninho muito comum na década de 80 onde o dono do caderno escrevia uma pergunta em cada página e dava para os amigos responderem. Perguntávamos em geral coisas banais, que crianças de 8 anos normalmente querem saber: "Qué é sua melhor amiga? Qual é o menino da escola que você acha mais bonito? ". Mas no meio das perguntas existiam também coisas sérias, do tipo: "O que você quer ser quando crescer?" ,"Qual é o homem/mulher ideal para casar com você?", "Você quer ter filhos? Quantos?","Como é a casa dos seus sonhos?".

Vocês já responderam um Caderno de Perguntas quando eram crianças? Eu já. E por incrível que pareça um destes cadernos ainda existe na casa de uma super amiga. Li ele há pouco tempo e quase caí para trás. Tudo aquilo era eu!! Tudo está acontecendo do jeitinho que eu planejei aos 8 anos de idade! Incrível...

Somos sábios e absolutamente ligados à nossa essência aos 8 anos de idade. Traçamos um projeto secreto para a nossa auto-realização e ele permanece o mesmo, independentemente das mudanças de trajeto que fazemos no decorrer da vida.

O arquétipo da criança salvadora, infante mágico, menino sábio, habitam muitas histórias criadas pelos homens de várias épocas e culturas. O menino Jesus é o mais famoso deles, mas posso citar mil outros.
E essa repetição no mesmo tema não é à toa. A infância carrega mesmo um poder curador, uma sabedoria própria, e resgatar isso no momento de perturbação é vital.

Nature Boy (Eden Ahbez)

There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wondered very far, very far
Over land and sea
A litte shy and sad of eye
But very wise was he
And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things
Fools and kings
This he said to me
"The greatest things you'll ever learn
Is just to love and be loved in return "

Para que não conhece, aqui vai o vídeo com a versão que a música me foi apresentada, bem antes de Moulin Rouge:

 


Déborah Secco falou, Déborah Secco avisou!!

E, por isso, dou a dica: sejam humildes, joguem a realidade atual e as reais possibilidades para o alto e perguntem: Como eu gostaria de estar vivendo hoje?

Mas não comecem pelas perguntas mais complexas porque podem ser muito difíceis para uma cabecinha apegada aos problemas.
Comecem respondendo: "Qual é o menino/menina que você acha mais bonito? Qual são os seus melhores amigos? Como seria a casa ideal para você viver hoje? Se você pudesse escolher, o que gostaria de jantar hoje à noite? Com qual roupa você acha que fica mais bonita (o)? Neste exato momento aonde gostaria de estar? Com quem? Como gostaria de trabalhar e ganhar dinheiro?" até chegar nas mais abstratas e filosóficas.

Não parem para pensar se têm ou não o direito de ousarem querer tanto. Não façam isso!!!

E foram as respostas do meu ridículo Caderninho de Perguntas que me salvaram de um acidente de carro todos os dias.
The End.
Happy End.




5 comentários:

  1. I love you, my enchanted girl.
    Thank you very much for this post.
    De todo coração.
    Touché, querida. Deep inside of me.

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  2. Os orientais tem um outro caminho para alcançar a paz de espirito que também e muito simples. basta ser como o junco que se verga ao vento, a água que se amolda ao vaso e passa por sobre as pedras suavemente.A teoria do desprendimento também pode nos ajudar a encarar a vida como ela e.Climene

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  3. Obrigada, Claudia. Estou começando meu caderninho.

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  4. eu acho que estou me estraçalhando antes, para tentar evitar me estraçalhar depois. mas será que vai sobrar alguma coisa de mim??

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  5. Vc me emociona demais! estou adorando ler TODO o seu blog...estou me sentindo assim...meio que fazendo análise!
    Com amor,
    Lu S.

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